João Ducas (megas doux)
| João Ducas Ἰωάννης Δούκας |
|
|---|---|
| Nascimento | ca. 1064 |
| Falecimento | antes de 1137 (73 anos) |
| País | |
| Hierarquia | megas doux |
| Batalhas | Guerras bizantino-seljúcidas |
João Ducas (em grego: Ἰωάννης Δούκας) foi um membro da família Ducas, parente do imperador bizantino Aleixo I Comneno (r. 1081-1118) e um oficial militar de alta patente durante o seu reinado. Como governador de Dirráquio, ele defendeu os territórios do Império na região ocidental dos Balcãs contra os ataques da Sérvia. Nomeado megas doux, ele expulsou do mar Egeu as frotas do emir turco Tzachas, sufocou revoltas em Creta e em Chipre e, por fim, recuperou muitos territórios na costa ocidental da Anatólia para os bizantinos.
Índice |
História [editar]
Primeiros anos [editar]
João Ducas nasceu por volta de 1064, segundo filho do doméstico das escolas Andrônico Ducas, filho do césar João Ducas, e de sua esposa, Maria da Bulgária, neta do tsar Ivan Vladislav (r. 1015-1018). Além disso, João era cunhado de Aleixo I Comneno, que se casara com sua irmã Irene Ducaina1 . Em 1074, durante a revolta do mercenário normando Roussel de Bailleul, João e seu irmão mais velho, Miguel, estavam na casa de seu avô na Bitínia. Roussel exigiu que o césar entregasse os dois como reféns em troca do pai deles, que estava ferido e era mantido como prisioneiro. O João Ducas sênior aceitou e os dois foram aprisionados por Roussel; Miguel conseguiu escapar, mas o jovem João ficou com ele até a sua derrota e captura pelos turcos de Artuk no final do mesmo ano2 .
Após a morte de seu pai em 1077, João permaneceu nas terras do avô na Trácia e foi criado por ele. Foi ali que ele soube da revolta de Aleixo Comneno contra Nicéforo III Botaneiates (r. 1078-1081) em 1081 e foi ele quem informou o césar sobre ela. Juntos, eles se juntaram às forças de Aleixo em Schiza, onde este foi proclamado imperador3 .
Governador de Dirráquio [editar]
Em 1085, quando Aleixo recuperou o importante porto estratégico de Dirráquio no Adriático dos normandos, João Ducas foi nomeado como governador militar (doux) do Thema Dirráquio3 . Ele permaneceu ali até 1092, quando ele foi substituído por João Comneno, o filho do irmão do imperador, o sebastocrator Isaac4 . Seu período no cargo foi, aparentemente, muito proveitoso. João repeliu incursões dos sérvios de Duklja e de Raška, chegando a, segundo Ana Comnena, capturar o rei Constantino Bodin (r. 1081-1101) de Duklja, que ele depois restaurou ao poder como um cliente do Império Bizantino5 . Assim, João conseguiu restaurar a ordem na região da Albânia e da Dalmácia, que sofreram muito durante as guerras bizantino-normandas dos anos anteriores. Correspondências sobreviventes do bispo Teofilacto da Bulgária dão conta deste sucesso; após a saída de João, Teofilacto demonstra saudade do seu governo e pede-lhe conselhos6 .
Megas doux e as campanhas contra os turcos [editar]
Após ter sido reconvocado a Constantinopla em 1092, João foi nomeado para o posto de megas doux, ou seja, o comandante-em-chefe da marinha bizantina. Embora ele seja o primeiro megas doux conhecido e seja geralmente creditado como sendo o primeiro a ocupar o posto, há algumas evidências de que ele já existia no final de 1085, embora a pessoa que ocupara o cargo seja desconhecida7 . Como megas doux, João foi encarregado de conter a ameaça apresentada pelo emir seljúcida Tzachas de Esmirna. Este, um antigo vassalo bizantino, havia construído uma frota própria e, com ela, capturou algumas das ilhas do Egeu, realizou raides em outras e chegou ao ponto de se auto-declarar imperador8 . Após ter participado do sínodo que condenou Leão de Calcedônia, João se dedicou a retomar a ilha de Lesbos. Suas tropas marcharam ao logo da costa anatólica até o ponto de frente para a ilha, de onde elas cruzaram o mar. A frota, que, sob o comando de Constantino Dalasseno, já havia conquistado Quios, se encontraria com ele ali9 . As forças combinadas bizantinas cercaram Mitilene por três meses, quando Tzachas ofereceu-se para ceder a ilha em troca de passagem livre até Esmirna. João concordou, mas, conforme os turcos zarpavam, Dalasseno, que havia acabado de chegar com seus navios, os atacou. Tzachas conseguiu manter a fuga, mas a maior parte da frota foi captuada ou afundada. Após esta vitória, João Ducas reforçou as defesas de Mytiliene e, em seguida, liderou sua frota na reconquista das ilhas capturadas por Tzachas, antes de retornar para Constantinopla10 .
Quando retornou para a capital imperial, João foi encarregado (final de 1092, início de 1093), juntamente com Manuel Boutoumites, com a supressão das revoltas em Chipre, liderada por Karykes, e em Chipre, por Rhapsomates. A revolta do primeiro foi facilmente derrotada uma vez que as notícias da aproximação frota levaram a um contra-golpe que o derrubou. Em Chipre, a resistência inicial de Rhapsomates foi vencida e o próprio foi capturado logo depois. Eumátio Filocalo foi nomeado como novo governador da ilha e a frota retornou pra capital11 .
Em 1097, após a rendição de Niceia aos bizantinos, Aleixo nomeou João como comandante-em-chefe do exército bizantino na Anatólia e o encarregou de recuperar o litoral do Egeu dos turcos. Para evitar o conflito e facilitar as negociações, ele recebeu a custódia da esposa do sultão seljúcida Kilij Arslan I (r. 1082-1107) e da filha de Tzachas, que havia sido capturada em Niceia12 . João cedeu o comando da frota para Kaspax e marchou contra Esmirna, onde, após um curto cerco, Tzachas se rendeu em troca de um salvo-conduto para si e uma garantia da segurança da população. O megas doux aceitou imediatamente e tomou a cidade, nomeando Kaspax seu governador. Mesmo antes de ele assumir suas funções, porém, Kaspax foi assassinado por um muçulmano e os revoltados marinheiros da tropa massacraram os habitantes da cidade. João Ducas foi incapaz de contê-los e só consequiu restaurar a ordem quando o massacre terminou. Ele então deixou o experiente general Hyaleas como doux e a frota inteira para defenderem a cidade, continuando a sua campanha13 . A partir de Esmirna, João marchou para o sul até Éfeso, onde derrotou a guarnição turca após uma longa batalha e capturou 2 000 prisioneiros que ele assentaria nas ilhas do Egeu. Petzeas foi nomeado doux de Éfeso e João, com seu exército, prosseguiu continente adentro14 , tomando as cidades de Sardeis e Filadélfia, que ele encarregou a Michael Kekaumenos, e chegou até Laodiceia, que abriu seus portões para ele. Dali, ele marchou até as fortalezas de Choma e Lampe, instalando Eustátio Kamytzes como governador, chegando até Polubotos, para onde a maior parte dos turcos sobreviventes de Éfeso havia fugido. Tendo pego-os de surpresa, o exército de Ducas os derrotou e conseguiu uma grande quantidade de tesouros15 16 .
Últimos anos [editar]
João Ducas não aparece mais na Alexíada após sua campanha de 1097. Porém, sabe-se através de documentos monásticos que ele se retirou para um mosteiro e assumiu o nome monástico de "Antônio" em algum momento. A data de sua morte é desconhecida, mas, em um typikon datado de 1110-1116, ele é mencionado como estando vivo, enquanto que em outro, de 1136, ele é explicitamente mencionado como tendo morrido16 .
Referências
- ↑ Kazhdan 1991, pp. 655–656; Polemis 1968, p. 66; Skoulatos 1980, pp. 145–146.
- ↑ Kazhdan 1991, p. 1184; Polemis 1968, p. 66; Skoulatos 1980, p. 146.
- ↑ a b Polemis 1968, p. 66; Skoulatos 1980, p. 146.
- ↑ Kazhdan 1991, p. 1145; Skoulatos 1980, pp. 146–147.
- ↑ Ana Comnena. Alexíada, VII.8 (Dawes 1928, p. 186); Curta 2006, pp. 271–272; Kazhdan 1991, p. 505; Skoulatos 1980, p. 146.
- ↑ Polemis 1968, p. 70; Skoulatos 1980, pp. 146–147.
- ↑ Polemis 1968, p. 67; Skoulatos 1980, p. 147.
- ↑ Kazhdan 1991, p. 2134; Polemis 1968, p. 66; Skoulatos 1980, p. 147.
- ↑ Ana Comnena. Alexíada, VII.8 and IX.1 (Dawes 1928, pp. 183–187, 215); Skoulatos 1980, p. 147.
- ↑ Ana Komnena. Alexíada, IX.1 (Dawes 1928, pp. 215–217); Polemis 1968, p. 67; Skoulatos 1980, pp. 61, 147.
- ↑ Ana Comnena. Alexíada, IX.2 (Dawes 1928, pp. 217–218); Polemis 1968, pp. 67–68; Skoulatos 1980, pp. 148, 181.
- ↑ Ana Comnena. Alexíada, XI.5 (Dawes 1928, p. 280); Polemis 1968, pp. 68–69; Skoulatos 1980, p. 148.
- ↑ Ana Comnena. Alexíada, XI.5 (Dawes 1928, p. 281); Polemis 1968, pp. 68–69; Skoulatos 1980, pp. 148–149.
- ↑ Ana Comnena. Alexíada, XI.5 (Dawes 1928, pp. 281–282).
- ↑ Ana Comnena. Alexíada, XI.5 (Dawes 1928, p. 282).
- ↑ a b Polemis 1968, p. 69; Skoulatos 1980, p. 149.
Bibliografia [editar]
- Curta, Florin. Southeastern Europe in the Middle Ages 500-1250 (em inglês). Cambridge, United Kingdom: Cambridge University Press, 2006. ISBN 978-0-52-181539-0
- The Alexiad (em inglês). London, England: Routledge & Kegan Paul, 1928.
- The Oxford Dictionary of Byzantium (em inglês). New York, New York and Oxford, United Kingdom: Oxford University Press, 1991. ISBN 978-0-19-504652-6
- Polemis, Demetrios I.. The Doukai: A Contribution to Byzantine Prosopography (em inglês). London, United Kingdom: The Athlone Press, 1968.
- Skoulatos, Basile. Les Personnages Byzantins de I'Alexiade: Analyse Prosopographique et Synthese (em francês). Louvain-la-Neuve, Belgium: Nauwelaerts, 1980.