João Garcia de Guilhade
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| João Garcia de Guilhade | |
|---|---|
| Nascimento | Milhazes, |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Poeta |
| Escola/tradição | Trovadorismo, |
João Garcia de Guilhade foi um trovador português, nascido em Milhazes, concelho de Barcelos. Desenvolveu a sua arte poética em meados do século XIII.
Apesar de ser reconhecida a sua capacidade e mestria poética, muita da sua produção tem um carácter brejeiro. É autor de poemas mordazes e célebres, como «Ai Dona fea, fostes-vos queixar», e coube-lhe introduzir o tema dos «olhos verdes» na lírica portuguesa, com «Amigos, non poss'eu negar».
As Inquisições de Afonso III assinalam-no em Viatodos. Frequentou sem dúvida a Casa dos Correias na freguesia vizinha de Monte de Fralães, como aliás aceita Costa Lopes, o seu mais autorizado biógrafo.
| Ai dona fea! Fostes-vos queixar Porque vos nunca louv' en meu trobar Mais ora quero fazer un cantar En que vos loarei toda via; E vedes como vos quero loar: Dona fea, velha e sandia! Dona fea! Se Deus me pardon! E pois avedes tan gran coraçon Que vos eu loe, en esta razon, Vos quero ja loar toda via; E vedes qual será a loaçon: Dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei En meu trobar, pero muito trobei; Mais ora ja un bon cantar farei En que vos loarei toda via; E direi-vos como vos loarei: Dona fea, velha e sandia! |
— Ai dona fea! Fostes-vos queixar,
João Garcia de Guilhade |
| Amigos, non poss’eu negar a gran coita que d’amor ei, ca me vejo sandeu andar, e con sandece o direi: Os olhos verdes que eu vi me fazen ora andar assi. Pero quen quer x’entenderá aquestes olhos quaes son, e d’est’alguén se queixará, mais eu... ja quer moira, quer non: Os olhos verdes que eu vi me fazen ora andar assi. Pero non devi'a perder ome que ja o sen non á de con sandece ren dizer, e con sandece digu’eu ja: Os olhos verdes que eu vi me fazen ora andar assi. |
— Amigos, non poss’eu negar,
João Garcia de Guilhade |