João Havelange

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
João Havelange
João Havelange em 2010
Nome completo Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange
Nascimento 8 de maio de 1916 (97 anos)
Rio de Janeiro, RJ
 Brasil
Ocupação Dirigente de Futebol.
Principais trabalhos Presidência da FIFA
Medalhista
Competindo por  Brasil
Polo aquático masculino
Jogos Pan-Americanos
Bronze Cidade do México 1955 Equipe

Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange ComIHGCMComIPGOIP (Rio de Janeiro, 8 de maio de 1916) é um advogado, empresário, ex-atleta e dirigente esportivo brasileiro.

Havelange praticou natação e polo aquático profissionalmente, obtendo uma medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 1955. Como dirigente, Havelange destacou-se por ser o sétimo presidente da FIFA, de 1974 a 1998, precedido no cargo por Sir Stanley Rous e sucedido por Joseph Blatter. De 1963 a 2011, João Havelange foi membro do Comitê Olímpico Internacional. Em 1998, ele foi eleito Presidente de Honra da FIFA, sendo também torcedor e presidente de honra do Fluminense.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Esporte[editar | editar código-fonte]

Filho do belga Faustin Havelange, um comerciante de armas radicado no Rio de Janeiro, onde possuía uma grande propriedade que se estendia pelos atuais bairros de Laranjeiras, Cosme Velho e Santa Teresa, e desde a infância se dedicou aos esportes.

No Fluminense, foi escoteiro e atleta, infantil, juvenil e adulto, destacando-se em vários esportes, inclusive no futebol, pois em 1931 foi campeão carioca juvenil. Ainda nesta década graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense e competiu como nadador nas Olimpíadas de Berlim, em 1936. Brilhou como jogador de pólo aquático em Helsinque, em 1952, além de comandar a delegação brasileira em Melbourne, em 1956. Posteriormente, foi dirigente de esporte, inicialmente na Federação Paulista de Natação, já que residia em São Paulo na época, em 1948. Quando retorna ao Rio de Janeiro em 1952, se torna Presidente da Federação Metropolitana de Natação e vice-presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD). A essa época já havia se formado advogado e além de acionista, ocupava o cargo de Diretor Executivo da Viação Cometa, grande empresa de ônibus que opera nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

CBD e COI[editar | editar código-fonte]

De 1956 a 1974 presidiu a CBD, que congregava, à época, 24 esportes e não somente o futebol. Durante este período, o futebol brasileiro conheceu o ápice de sua história: consagrou-se Tricampeão Mundial de Futebol com a conquista das Copas do Mundo de 1958, na Suécia de 1962, no Chile, e de 1970, no México.

João Havelange, filho de um belga comerciante de armas, afirmou em entrevista no programa da SporTV, "Histórias com Galvão Bueno", que após a morte de seu pai, recebeu convite de uma empresa belga para dar continuidade aos negócios do comércio de armas, mas não aceitou tal convite por ter verdadeira aversão a armas, por se tratar de instrumento de morte e violência. João Havelange declarou que nunca possuiu uma arma em sua vida.

A 1 de Setembro de 1960 foi feito Comendador da Ordem da Instrução Pública e a 28 de Fevereiro de 1961 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.[1]

Foi eleito para o Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1963 e, com mais de 40 anos de mandato ininterrupto, foi decano desse órgão. Foi um dos dois únicos brasileiros que foram membros do COI, juntamente com o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman.

Os membros brasileiros no Comitê Olímpico Internacional, desde a sua criação, até 2012, são os seguintes: (a) Raul do Rio Branco, de 1913 a 1938; (b) Arnaldo Guinle, de 1923 a 1961; (c) Antonio do Prado Júnior, de 1938 a 1955; (d) José Ferreira dos Santos, de 1923 a 1963; João Havelange, de 1963 a 2012; (e) Sylvio de Magalhães Padilha, de 1963 a 2002 (de 1995 a 2002 como membro honorário); (f) Carlos Arthur Nuzman, de 2000 a 2012. Nuzman completou 70 anos em 17 de março de 2.012, pelo que, segundo a Carta Olímpica, ao final do ano deixa de ser membro efetivo do Comitê Olímpico Internacional e passa a integrar a entidade como membro honorário.

Desses membros, José Ferreira dos Santos e Sylvio de Magalhães Padilha integraram a Comissão Executiva do Comitê Olímpico Internacional. Sylvio de Magalhães Padilha foi, também, Vice Presidente do Comitê Olímpico Internacional, de 1975 a 1979. (fontes www.olympic.org e www.cob.org.br)

A 13 de Novembro de 1963 foi elevado a Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública.[2]

Presidente da FIFA[editar | editar código-fonte]

Eleito para a FIFA em 1974, permaneceu à frente da entidade até 1998. Organizou seis Copas do Mundo, visitou 186 países e trouxe a China, desligada por mais de 25 anos por razões políticas, de volta à FIFA. Criou também os Campeonatos Mundiais de Futebol nas categorias infanto-juvenil, juvenil, juniores e feminina.

Neste período, torna-se amigo de Horst Dassler, herdeiro da marca esportiva Adidas, e dono da ISL, considerada a maior empresa de marketing esportivo do mundo, que comercializa os direitos de televisionamento e publicidade das Copas do Mundo de futebol e das Olimpíadas.

A 21 de Junho de 1991 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.[3]

Quando deixou a Presidência da FIFA, em 1998, já eleito Presidente de Honra, passou a se dedicar ao trabalho filantrópico junto às Aldeias Internacionais SOS, patrocinado pela entidade em 131 países.

Em abril de 2013, aos 96 anos de idade, renunciou à Presidência de honra da FIFA para escapar de qualquer punição por seu envolvimento em casos de corrupção naquela federação.[4]

Acusações de corrupção[editar | editar código-fonte]

No livro Foul! The Secret World of FIFA: Bribes, Vote-Rigging and Ticket Scandals, lançado em 2006, o jornalista investigativo Andrew Jennings descreve Havelange como um dirigente corrupto. Segundo Jennings, o filho do fundador e ex-diretor da Adidas, Horst Dassler, comprou votos de delegados indecisos na primeira eleição de Havelange. Dois anos depois, o brasileiro retribuiu o favor entregando a Dassler o poder exclusivo sobre a comercialização dos principais torneios mundiais.[5]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Dirigente do século[editar | editar código-fonte]

Pesquisa realizada pelo COI, em 1999, aponta Havelange como um dos três maiores “Dirigentes do Século”, junto com o Barão Pierre de Coubertin, fundador do COI e idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, e o ех-Presidente do COI, Juan Antonio Samaranch.

Havelange ganhou durante a vida várias medalhas, como a Legion d'Honneur (França), A Ordem de Mérito Especial em Esportes (Brasil), Comandante da Ordem do Infante Dom Henrique (Portugal), Cavaleiro da Ordem de Vasa (Suécia)e, em 2002, recebeu do Reitor Paulo Alonso, da UniverCidade do Rio de Janeiro, o título de Doutor Honoris Causa. João Havelange teve seu nome usado no estádio carioca do Engenhão (Estádio Olímpico João Havelange, estádio municipal,cedido em comodato ao Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro) e Estádio Municipal João Havelange, estádio multiuso em Uberlândia, maior estádio do interior de Minas Gerais.

Prêmio "Faz Diferença" O Globo[editar | editar código-fonte]

Em 2010, foi eleito a "Personalidade do ano de 2009" no prêmio "Faz Diferença" do jornal O Globo.[6]

Renúncia no COI[editar | editar código-fonte]

Em 2011, renunciou, dias antes da entidade anunciar decisão sobre casos de corrupção que envolviam o nome do brasileiro [7] .

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote
Commons Categoria no Commons