João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu
63.º Ministro da Guerra do Brasil
Mandato 6 de outubro de 1879 até 9 de outubro de 1879
Antecessor(a) Eduardo de Andrade Pinto
Sucessor(a) João Lustosa da Cunha Paranaguá
41.º Ministro da Fazenda do Brasil
Mandato 5 de fevereiro de 1878
até 13 de fevereiro de 1878
Antecessor(a) João Maurício Wanderley
Sucessor(a) Gaspar da Silveira Martins
Ministro dos Transportes do Brasil e Ministro da Agricultura do Brasil
Mandato 5 de janeiro de 1878 até 28 de março de 1880
Antecessor(a) Tomás José Coelho de Almeida
Mandato 30 de maio de 1862 até 9 de fevereiro de 1863
Antecessor(a) Antônio Coelho de Sá e Albuquerque
Sucessor(a) Pedro de Alcântara Bellegarde
42.º Ministro das Relações Exteriores do Brasil
Mandato 10 de agosto de 1859 até 2 de março de 1861
Antecessor(a) José Maria da Silva Paranhos
Sucessor(a) José Maria da Silva Paranhos
22.º Presidente da província da Bahia
Mandato 1856 até 1858
Antecessor(a) Álvaro Tibério de Moncorvo Lima
Sucessor(a) Francisco Xavier Pais Barreto
43.º Presidente da província do Rio Grande do Sul
Mandato 2 de dezembro de 1852 até 1 de julho de 1855
Antecessor(a) Luís Alves Leite de Oliveira Belo
Sucessor(a) Luís Alves Leite de Oliveira Belo
13.º Presidente da província de Sergipe
Mandato 1841
Antecessor(a) João Pedro da Silva Ferreira
Sucessor(a) Sebastião Gaspar de Almeida Boto
Vida
Nascimento 20 de novembro de 1810
São Miguel dos Campos
Morte 27 de dezembro de 1906 (96 anos)
Rio de Janeiro

João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, primeiro e único barão e visconde com grandeza de Sinimbu, (São Miguel dos Campos, 20 de novembro de 1810Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1906), foi um político brasileiro.

Foi presidente das províncias de Alagoas, de 30 de outubro a 3 de novembro de 1838 e de 10 de janeiro a 18 de julho de 1840, Sergipe, de 16 de junho a 1 de julho de 1841, Rio Grande do Sul, de 2 de dezembro de 1852 a 1 de julho de 1855 e Bahia, de 1856 a 1858 - e primeiro-ministro do Brasil (27º Gabinete).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era filho do capitão de ordenanças Manuel Vieira Dantas e Ana Maria José Lins[1] , e nasceu no engenho Sinimbu, em São Miguel dos Campos - Alagoas. Bacharel em Direito pela Academia Jurídica de Olinda[2] , seguiu logo para a Europa, a fim de aperfeiçoar seus estudos[3] . Em Paris cursou aulas de Baruel e Orfila, durante um ano estudou medicina legal e química. [3] Depois seguiu para a Alemanha, em 1835 e fez doutorado na Universidade de Jena.[3] Aos trinta anos foi nomeado presidente da sua província natal de 19 de janeiro de 1840 até julho deste mesmo ano.

Ocupou diversos cargos públicos e intensa vida política, iniciando pela magistratura e atingindo a diplomacia (Juiz de Direito em Cantagalo; Chefe de Polícia; Chefe de Polícia da Corte; Presidente do Conselho de Mineração).

Presidiu a Província de Alagoas, de janeiro a julho de 1840, e depois a de Sergipe, de junho a dezembro de 1841. Foi, depois, Ministro-residente do Brasil em Montevidéu, em 1843.[2] Ministro dos Estrangeiros do 15º Gabinete, presidido pelo Barão de Uruguaiana, em 1859.

Ocupou ainda o Ministério da Agricultura, Comércio, e Obras Públicas (18º Gabinete, presidido pelo Marquês de Olinda, em 1862 - ocasião em que fez substituir o confuso e antigo sistema de pesos e medidas pelo sistema decimal).

Sinimbu presidiu o 27º Conselho de Estado, ocasião em que ocupou interinamente alguns ministérios, de 1878 a 1880.[2] [4] Nesta época em sua homenagem, foi dado o nome de Sinimbu a uma colônia de alemães do Volga, em Palmeira[5] e a outra no Rio Grande do Sul no hoje município de Sinimbu. Também enfrentou a Revolta do Vintém, causada pela insatisfação popular com aumento de impostos e criação de alguns novos, entre eles a taxa de vinte réis (ou um vintém) sobre o valor das passagens no transporte urbano.[6]

Foi nomeado senador[2] , em dezembro de 1856, por Alagoas, cargo em que ficou continuamente até a Proclamação da República.[1] Anteriormente havia sido deputado geral e deputado provincial no seu estado natal.

Governo da Bahia[editar | editar código-fonte]

Sinimbu presidiu a Bahia de 19 de agosto de 1856 até começo de 1859. Durante este período, presidiu, em 1857, às eleições provinciais nos catorze distritos eleitorais em que o Estado havia sido dividido no ano anterior, sem maiores ocorrências.

Em sua fala à Assembléia Provincial, neste mesmo ano, Sinimbu deixa registrado algumas expressões de seu pensamento:

"A administração luta com graves embaraços neste ponto [segurança pública]; alguns são provenientes de circunstâncias da nossa sociedade, e estes só com o tempo se poderão remover, com o derramamento das luzes, com melhor sistema de educação (...) Qual a sociedade que pode regularizar-se, governando-se com princípios contraditórios? Como se poderá obter a calma dos espíritos, que é a maior garantia da segurança individual quando as autoridades, que são instituídas somente para reprimir as ações más, se arrogam também o direito de violentar a consciência de quem está sob a sua jurisdição?

No combate ao tráfico negreiro, houve em seu governo a prisão do brigue-escuna norte-americano Mary E. Smith, com julgamento dos infratores. Sinimbu manifesta-se contrário a este comércio, que segundo ele "degradava" a imagem do país aos olhos da civilização.

Em seu governo foram descobertos os diamantes no sertão da Chapada, que atualmente chama-se Diamantina, constituindo-se em verdadeiro foco de povoamento do interior, até então quase deserto, naqueles pontos.

Há, em sua administração, uma preocupação na fixação do homem ao campo, sobretudo para se preencher os grandes desertos que então havia no território baiano. Chega, assim, a celebrar contrato para a introdução de colonos estrangeiros no Estado, sobretudo alemães, com Higino Pires Gomes, no município de Jiquiriçá.

Ocaso político[editar | editar código-fonte]

Sinimbu era da corrente Liberal, que se contrapunha à ala Conservadora, em que se dividiam os políticos monarquistas, no Segundo Reinado. O Ministério Zacarias de Góis foi destituído pelo Imperador em 1868, sendo então substituído pelos conservadores. Data desta ocasião o famoso discurso de Nabuco de Araújo, seu colega no Senado, em que o pai de Joaquim Nabuco afirma: "O Poder Moderador (o imperador) pode chamar a quem quiser para organizar ministérios; essa pessoa faz a eleição, porque há de fazê-la; essa eleição faz a maioria (na Câmara). Eis o sistema representativo do nosso país!".

Era ainda Presidente do Conselho de Estado quando foi acusado pela falência do Banco Nacional, do qual era diretor, tendo sido absolvido. Foi um dos incorporadores da Companhia Usina Cansanção de Sinimbu, fundada no dia 13 de abril de 1893.[7]

A Proclamação da República o atingiu em cheio, e a história registra que morreu, quase centenário, em extrema pobreza.

Gabinete de 5 de janeiro de 1878[editar | editar código-fonte]

Foi Presidente do Conselho de Ministro e simultaneamente ministro da Agricultura

Livros e trabalhos[editar | editar código-fonte]

  • Discurso pronunciado na primeira sessão do Congresso Agrícola, [S.l.: s.n.], 1878.
  • Notícias das colônias agrícolas suíça e alemã, fundadas na freguesia de São João Batista de Nova Friburgo. Niterói: Typ. de Amaral e Irmão, 1852.
  • Opinião acerca da instrução primária e secundária. [S.l.: s.n.], 1843.
  • Orçamento do Ministério dos Estrangeiros. [S.l.: s.n.], 1883.
  • Relatório dos Negócios Estrangeiros. [S.l.: s.n.],1879.
  • Relatório do Ministério da Justiça que se devia apresentar a Assembléia Geral Legislativa pelo respectivo Ministro e Secretário de Estado João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu. Rio de Janeiro: Typ. Nacional, 1863. 1 v.
  • A verdadeira inteligência a dar-se à expressão [S.l.: s.n.], 1876.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

  • Comendador da Imperial Ordem da Rosa e de Cristo;
  • Portador da Grão-Cruz da Legião de Honra (França);[1]
  • Grão-Cruz da Coroa de Ferro (Áustria);[1]
  • Grão-Cruz da Ordem Duplo Dragão (China);[1]
  • Grão-Cruz da Ordem de Carlos II (Espanha);[1]
  • Ordem Hanoweriana dos Guelfos;[1]
  • Em 16 de maio de 1888, recebeu o título de Visconde de Sinimbu.
  • A Academia Alagoana de Letras tem como patrono de sua cadeira 23 o Visconde de Sinimbu.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
José Tavares Bastos
Presidente da província de Alagoas
1838
Sucedido por
Agostinho da Silva Neves
Precedido por
Agostinho da Silva Neves
Presidente da província de Alagoas
1840
Sucedido por
Manuel Felizardo de Sousa e Melo
Precedido por
João Pedro da Silva Ferreira
Presidente da província de Sergipe
1841
Sucedido por
Joaquim Martins Fontes
Precedido por
Luís Alves Leite de Oliveira Belo
Presidente da província do Rio Grande do Sul
1852 — 1855
Sucedido por
Luís Alves Leite de Oliveira Belo
Precedido por
Álvaro Tibério de Moncorvo Lima
Presidente da província da Bahia
1856 — 1859
Sucedido por
Francisco Xavier Pais Barreto
Precedido por
José Maria da Silva Paranhos
Ministro das Relações Exteriores do Brasil
1859 — 1861
Sucedido por
Antônio Coelho de Sá e Albuquerque
Precedido por
Antônio Coelho de Sá e Albuquerque
Ministro dos Transportes do Brasil
e
Ministro da Agricultura do Brasil

1862 — 1863
Sucedido por
Pedro de Alcântara Bellegarde
Precedido por
Caetano Maria Lopes Gama
Ministro da Justiça do Brasil
1862 — 1864
Sucedido por
Zacarias de Góis e Vasconcelos
Precedido por
Luís Alves de Lima e Silva
(Duque de Caxias)
Primeiro-ministro do Brasil
5 de janeiro de 1878 — 28 de março de 1880
Sucedido por
José Antônio Saraiva
Precedido por
Tomás José Coelho de Almeida
Ministro dos Transportes do Brasil
e
Ministro da Agricultura do Brasil

1878 — 1880
Sucedido por
Manuel Buarque de Macedo
Precedido por
João Maurício Wanderley
Ministro da Fazenda do Brasil
1878
Sucedido por
Gaspar da Silveira Martins
Precedido por
Manuel Luís Osório
Ministro da Guerra do Brasil
1879 — 1880
Sucedido por
Homem de Melo