João Paulo Medina

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João Paulo Medina (Cerqueira César, 8 de junho de 1948), é um preparador físico, mestre em educação, professor e administrador de futebol, brasileiro, mais conhecido por haver criado a Universidade do Futebol e ter sido coordenador técnico da Seleção Brasileira de Futebol, em 1991.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Formado em Educação Física em 1970, Medina ganhou destaque em 1991, ao ser indicado coordenador técnico da Seleção Brasileira, quando dela foi treinador Paulo Roberto Falcão. Atuou nos principais clubes futebolísticos de São Paulo (a exemplo do Palmeiras, Corinthians e São Paulo), na Seleção Saudita de Futebol e junto a Rubens Minelli em vários times do futebol árabe.[1]

Foi professor universitário da Unicamp e PUC-SP.[1]

No ano 2000 foi contratado pelo Sport Club Internacional de Porto Alegre. Ali projetou fazer algo até então inédito no futebol gaúcho e, até, brasileiro: integrar todas as áreas do clube, transformar as categorias de base numa preparação para o elenco futuro, introduzindo profissionalismo no trato da instituição, com planejamento e "trabalho multidisciplinar".[2]

Sua passagem pelo Inter teve fim em dezembro de 2001; Medina foi durante bom tempo o centralizador das decisões futebolísticas do clube, na gestão do então presidente Fernando Miranda, mas com os maus resultados acabou canalizando contra si os desejos de mudanças na torcida.[3] Na ocasião, foi profético: "O que estamos fazendo no Inter não é para dar resultado agora. É para cinco ou seis anos", o que de fato ocorreu; nas categorias de base surgiam nomes como Alexandre Pato e Nilmar.[2] Seu nome chegou a ser cogitado, em 2004, para trabalhar na equipe rival, o Grêmio.[4]

Em 2003 idealizou a "Cidade do Futebol", projeto de levar para a internet os principais especialistas do futebol, e que veio a ser a base da Universidade do Futebol. Ali se fazem presentes expertos em 41 áreas do conhecimento, que se organizam em projetos, debates, levando aos demais as experiências das respectivas universidades.[1]

Em 2007 idealizou, junto a Pelé, o Campus Pelé, em Jundiaí, que contaria com diversos parceiros como o clube local (o Paulista), além da instituição de um fundo, em parceria com o clube suíço Lausanne Sports, que traria investidores na preparação de futuros atletas para serem comercializados no futebol europeu, com lucro; em 2010 a iniciativa fracassou, com a saída do Lausanne.[5]

Ideias[editar | editar código-fonte]

"A necessidade de compor uma comissão técnica com profissionais de diferentes áreas, se por um lado aliviou o trabalho do técnico, por outro acabou criando áreas de atrito. Na comissão técnica do futuro, cresce a importância da figura do coordenador técnico, o agente facilitador para o trabalho do técnico."
J. P. Medina (2003)[1]

Pioneiro nas inovações administrativas do futebol brasileiro, Medina obteve reconhecimento por seu trabalho inovador à frente do Internacional (2000-2001), que veio a produzir resultados após sua passagem.[1]

"Nos anos 50, sobressaía a figura do técnico centralizador", explica - "quase sempre um ex-jogador que acumulava até a função de preparador físico. Na década seguinte, o futebol sofreu a primeira modificação, com a introdução da preparação física, do médico acompanhando os atletas. Nos anos 70, surgiu a figura do assistente-técnico, do preparador de goleiros e foram agregados à comissão técnica dos clubes e seleções profissionais de áreas como Nutrição, Psicologia, etc." - o que acabou gerando um problema para os clubes: a falta de liderança.[1]

Bibliografia do autor[editar | editar código-fonte]

Medina é autor de várias obras sobre o preparo físico de atletas, além de co-autor e colaborador em vários livros:

  • A Educação Física cuida do corpo… e "mente", Papirus, 1982 (reeditado em 2010, com ampliações - 25ª ed.).
  • O Brasileiro e seu corpo, Papirus, 1987
  • “Reflexões para uma Política Brasileira do Corpo” in: Fundamentos Pedagógicos – Educação Física, vol. 2, Ao Livro Técnico S.A., 1987.
  • "Reflexões sobre a fragmentação do saber esportivo”, in: Educação Física & Esportes – Perspectivas para o século XXI, Papirus, 1992.
  • "Saúde Coletiva/Atividade Física: Uma Abordagem Exploratória", in: Saúde Coletiva e Urgência em Educação Física, Papirus, 1997.
  • Realize o Impossível – frases para estimular e inspirar executivos e esportistas, ed. Gente, 1999.
  • “Manuel Sérgio e o Futebol”, in: Motrisofia – Homenagem a Manuel Sérgio Editora Instituto Piaget, Portugal, Coleção Epistemologia e Sociedade, 2006.
  • Futebol, Psicologia e a Produção do Conhecimento, Coleção Psicologia do Esporte e do Exercício (coautor), Editora Atheneu, 2008.
  • “Novos profissionais para novos tempos no futebol: a questão da expatriação e o alvorecer de uma nova ciência”, in: Expatriados.com – Um Novo Desafio para os RH’s Interculturais, 2009.

Referências

  1. a b c d e f Sidney Mazzoni. (edição de 30 de janeiro de 2003). "O futebol do futuro. Ao alcance da mão". Jornal da Tarde.
  2. a b Diogo Olivier (02/10/2010). A profecia de Nostradamus colorada Jornal Zero Hora. Visitado em 21/11/2013.
  3. Era João Paulo Medina chega ao fim no Beira-Rio Jornal Zero Hora (09/12/2001). Visitado em 21/11/2013.
  4. Paulo Odone toma posse nesta quinta Jornal Zero Hora (22/12/2004). Visitado em 21/11/2013.
  5. Jamil Chade (7 de abril de 2010). Projeto dos sonhos de Pelé fracassa O Estado de S. Paulo. Visitado em 21/11/2013.