Joaquín Murietta

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Joaquín Murrieta
Visão de um artista anónimo, de Joaquín Murrietta (por volta de 1848)
Nome Joaquín Murrieta
Nascimento Desconhecido
Desconhecido
Morte Supostamente a 25 de Julho de 1853
Paso Panoche, Califórnia
Crime(s) Assaltante ou libertador
Situação Supostamente assassinado em 1853

Joaquín Murietta (por vezes escrito Murrieta ou Murieta) (1829-1853), também chamado de Robin Hood do El Dourado foi uma figura lendária da Califórnia durante o período da febre de ouro Na década de 1850. Dependendo do ponto de vista, era um bandido ou um patriota da América Latina. De qualquer maneira, para alguns activistas políticos o seu nome tem simbolizado resistência latino-americana perante a dominação económica e cultural dos "Anglos" nas terras da Califórnia.

Família Murietta[editar | editar código-fonte]

Murietta é um nobre e trágico herói romântico da luta pelo ouro na Califórnia que tem mil e uma variantes. De acordo com a teoria da origem chilena[1] , Joaquín Murietta terá nascido em Quillota (província de Valparaíso) ou em Santiago[2] , após a morte do seu pai, tinha ele a idade de 15 anos, ter-se-ia alistado como um soldado da escolta presidencial de Manuel Bulnes. Em 1848 teria viajado para São Francisco, como parte da grande migração chilena desses anos, para procurar o seu irmão que havia partido um ano antes[3] e faleceu na Califórnia, em 1853.

Uma das teorias relativas à origem mexicana de Joaquín Murietta está relacionada com o liberal espanhol do século XIX, Luciano Murrieta García, homem leal ao regente de Espanha, o general Baldomero Espartero. De acordo com esta fonte[4] Luciano começou a interessarsse pelo cultivo da vinha durante um período de exílio em Inglaterra e os primeiros ensaios foram com o vinho Rioja. Dois anos mais tarde (1852), os vinhos foram exportados para o México e Cuba, sendo esta uma das primeiras vinícolas espanholas a exportar os seus vinhos para terras mexicanas. Luciano, teria sido transformado em Marquês por Espartero e faleceu em 1911.

No entanto, esta fonte é obscura quanto à precisão da consanguinidade entre o cavalheiro espanhol e o personagem Hispano-americano.

Vida[editar | editar código-fonte]

Pelo menos duas cidades disputam o título de ter sido a sua casa, (houve também uma cidade em se pensa Joaquín Murrietta terá vivido, Trincheras em Sonora.) Quillota perto de Valparaíso, Chile e Alamos no estado de Sonora, México. Víctor Jara, na sua canção Así como hoy matan negros afirma que era chileno, tal como Pablo Neruda, em Fulgor y muerte de Joaquín Murieta que também afirma que era chileno.

Tradicionalmente, afirmasse que chegou à Califórnia em 1850, à procura de fortuna durante a corrida do ouro. No entanto, em vez de oportunidades iguais, encontrou racismo e discriminação, primeiro através da aprovação da acta que obrigava a pagar uma elevada carga fiscal sobre os mineiro de origem latino-americana que trabalhavam nas minas da Califórnia e, mais tarde, pela violação e o assassinato da sua esposa. Incapaz de ganhar a vida legalmente, Murrietta tornou-se o líder de uma banda chamada de Los cinco Joaquines (os cinco Joaquins), Joaquín Botellier, Joaquín Carrillo, Joaquín Ocomoreña y Joaquín Valenzuela.

Entre 1850 e 1853, estes homens, ao lado do braço direito de Murrietta, Manuel Garcia, conhecido como "Three Finger Jack", foram responsáveis pela maioria dos assaltos, roubos e assassinatos que foram cometidos na área da Mother Lode (filão mãe ou mor), em Serra Nevada. Foi-lhes atribuído o furto de mais de US$ 100.000 em ouro e mais de cem cavalos, bem como da morte de 19 pessoas (a maioria deles mineiros chineses) e de fugiram de três processos de “posse comitatus” matando três policias. Até agora, não houve nenhum consenso sobre o nome do líder deste grupo, que tem sido chamado simplesmente de Cinco Joaquins, também nunca se soube se era de facto apenas um bando, ou se havia outros. Pressupõe-se que o bando foi apoiado e protegido por californianos, incluindo Robert Livermore.

A 11 de Maio de 1853, o então governador da Califórnia John Bigler, assinou uma legislação a criar os Rangers, na Califórnia ", sob o comando do capitão Harry Love (um antigo Texas Ranger), cuja finalidade foi a de eliminar os Cinco Joaquins. O salário desses guardas era de aproximadamente 150 dólares, mas também tinham a opção de ganhar uma recompensa de US$ 5.000, se fossem bem sucedidos a acabar com a chaga de Murrietta. A 25 de Julho de 1853, um grupo de rangers encontrou um grupo de mexicanos perto de Paso Panoche no Condado de San Benito, a cerca de 50 km da Mother Lode e, como esperado, Houve um confronto em que dois dos mexicanos foram mortos e os Rangers afirmaram que se tratavam de Murrietta Garcia.

Os Rangers cortaram uma mão a Garcia e cortaram a cabeça a Murrietta, como prova da sua morte e colocaram-nas em uma pipa com etanol levando-as em seguida para Stockton, São Francisco onde exibiram a cabeça do suposto Murietta conservada dentro de um frasco de vidro, onde espectadores curiosos a podiam ver a troco de um dólar. Devido a duvidas levantadas sobre a suposta autenticidade da cabeça, os Rangers coagiram dezassete pessoas a identificarem a cabeça, como pertencente a Murrietta, pelo que Love e os seus Rangers receberam a recompensa em dinheiro. No entanto, uma jovem mulher que alegou ser irmã de Murrietta afirmou que a cabeça não era a cabeça dele, pois não tinha uma cicatriz na cara que lhe era característica. Ouve também numerosos avistamentos de Murrietta após a sua suposta morte. Muitas pessoas criticaram Love por ter exibido a cabeça de Murrietta, em cidades longe dos campos da mineração onde Murrietta poderia se reconhecido. Inclusive se chegou a dizer que Love e seus rangers inventaram a história da captura e morte de Murrietta para cobrar a recompensa.

A alegada cabeça de Murrietta foi perdida durante o terremoto de San Francisco em 1906.

cartaz anunciando a exposição da cabeça do alegado Murrietta, em 1853

A lenda[editar | editar código-fonte]

Pouco depois do seu desaparecimento, o bandido-patriota passou a ser o sujeito da história e da lenda. O primeiro texto sobre a vida dele apareceu em 1854, assinado por John Rollin Ridge. A história narra a forma como a mulher de Murrietta foi violada e morta pelos americanos e o seu irmão, foi enforcado por um crime que não cometeu, fazendo com que Murrietta jurasse vingança matando todos os "gringos" que encontrasse. Apesar de não haver provas que confirmem que estas coisas acontecem de facto a um homem chamado Joaquín Murrietta, a verdade é que era algo muito comum de acontecer aos latino-americanos que viviam na Califórnia naquela época, logo o paralelismo[5] .

A atribuição da nacionalidade chilena pode ser o resultado de Murrietta ter lutado ao lado dos mineiros naturais daquele país durante a chamada "Guerra chilena". Um fragmento do livro de Ridge que foi reimpresso em 1859 na California Police Gazette ("Diário da Polícia da Califórnia), foi traduzido para o espanhol, de lá para o francês e finalmente de volta para o espanhol, por Roberto Hynne que afirmou ter estado na Califórnia durante a febre ouro. Esta última versão afirmava que Murrietta teria nascido no Chile em vez do México.

A lenda de Joaquín Murrietta possivelmente teria sido esquecida se não tivesse sido por John Rollins Ridge, um jornalista de origem Cherokee que escreveu o livro Life e Aventuras de Joaquín Murrietta famoso Califórnia bandit em que descreve a vida, aventuras e morte de Joaquín. A prosa de Ridge ajudou a colocar Murrietta em um lugar proeminente no âmbito das tradições da Califórnia mexicana e, para os mexicanos, a sua imagem foi ampliada ao ponto de ser intitulado de El Patrio (A Pátria), um símbolo da causa perdida na guerra de invasão do México em 1847 perpetrada pelos EUA e que terminou com o Tratado de Guadalupe Hidalgo com a perda de metade do seu território.

Segundo a história de Ridge, Joaquín Murrietta e os seus homens usavam como refúgio as montanhas circundantes da população mexicana ao Mother Lode. Juntou o seu bando, a outros da região, criando "Os cinco Joaquins", um bando mais forte que granjeava a simpatia da população mexicana aumentado dessa forma as suas operações com mais eficácia. Portanto, Joaquín Murrietta e os seus homens, sublimavam a expressão e a vontade dos mexicanos, em combater o jugo dos "Anglos" até à morte, a admiração dos seus compatriotas reflectiu-se em canções e corridinhos que compuseram, levando aos dias de hoje a criação da sua própria história épica.

Provavelmente, uma versão em espanhol da história de Ridge, também inspirou vários corridinhos sobre Murrietta, mostrando-o como um furioso vingador de injustiças contra os mexicanos. Gilberto Velez, em seu livro "Corridos Mexicanos"[6] , fez a recolha de duas músicas com o título Joaquín Murrietta.

A Universidade de Berkeley na Califórnia, tem uma cooperativa habitacional nomeada em sua homenagem, a Casa Joaquín Murrietta[7] .

Cuecas chilenas tradicionais da primeira metade do século XIX[editar | editar código-fonte]

Compiladas por "Los Chileneros", Gravações de 1967 a 1973.

Por El Oro En California

Por el oro en California
al roto lo persiguieron
recortó la carabina
fue terrible bandolero.

Trabajó en Panamá
y en el canal
como el roto chileno
no hubo otro igual.

No hubo otro igual, ay sí
por su bandera
se vistió de milico
ganó la guerra.

Yo me saco el sombrero
roto chileno.

Joaquín Murietta

Apreciaban la cabeza
del temible forajido
y a ese roto chileno
ellos le hicieron bandido.

Vio ultrajar a su esposa
y la matanza
y así Joaquín Murieta
juró venganza.

Juró venganza, sí
choco y güen pingo
y asoló California
volteando gringos.

Y así el roto minero
fue bandolero.

Corrido de Joaquín Murietta

Yo no soy americano
pero comprendo el inglés,
me lo aprendí con mi hermano
al derecho y al revés
a cualquier americano
lo hago temblar a mis pies.

Cuando apenas era un niño
huérfano a mi me dejaron,
nadie me dio ni un cariño,
a mi hermano lo mataron
y a mi esposa Carmelita,
cobardes la asesinaron.

Yo me vine de Hermosillo
en busca de oro y riqueza
al indio pobre y sencillo
lo defendí con fiereza
y a buen precio los sherifes
pagaban por mi cabeza.

A los ricos avarientos
yo les quité su dinero,
con los humildes y pobres
yo me quité mi sombrero.
Ay qué leyes tan injustas
por llamarme bandolero.

A Murrieta no le gusta
lo que hace no es desmentir.
Vengo a vengar a mi esposa,
y lo vuelvo a repetir,
Carmelita tan hermosa,
cómo la hicieron sufrir.

Por cantinas me metí
castigando americanos.
Tú serás el capitán,
que mataste a mi hermano
lo agarraste indefenso,
¡orgulloso americano!.

Mi carrera comenzó
por una escena terrible
cuando llegué a setescientos
ya mi nombre era temible
cuando llegué a mil doscientos
ya mi nombre era terrible.

Yo soy aquel que domino
hasta leones africanos,
por eso salgo al camino
a matar americanos,
ya no es otro mi destino,
¡Con cuidado, parroquianos!

Las pistolas y las balas‹br› son juguetes para mí,
balazos y puñaladas
carcajadas para mí,
ahora con medias cortadas
ya se asustan por aquí.

(Yo no soy gringo/No soy chileno) ni extraño
en este suelo que piso,
de México es California
porque Dios así lo quiso,
y en mi sarape cosida
traigo mi fe de bautizo.

Qué bonito es California
con sus calles alineadas
donde paseaba Murrieta
con su tropa bien formada,
con su pistola repleta
y su montura plateada.

Me he paseado en California
por el año del 50
con mi montura plateada
y mi pistola repleta:
Yo soy ese mexicano
de nombre Joaquín Murrieta.

A cavalgada de Murietta[editar | editar código-fonte]

Através do "Vale Central da Califórnia" e durante a última semana de cada mês de Julho, é efectuada a cavalgada de Joaquín Murrietta[8] , uma peregrinação que visa comemorar a vida de Murrietta. Esta tradição iniciou-se com o canadiano de a origem irlandesa, Sigurdur Christopherson. Segundo ele contava, teve uma revelação de que o local onde Murrietta foi morto, era um lugar sagrado e que os homens assassinados ali eram especiais e foram enviados para ensinar as pessoas a sofrem e a curar o sofrimento dos outros. Um ano mais tarde, Christopherson e quinze amigos fizeram um passeio entre Three Rocks e Arroyo Cantua. Ao longo do tempo e apesar da morte do canadense, a cavalgada tornar-se-ia uma tradição anual e, hoje em dia, chega a durar três dias, incluindo a participação de mais de oitenta pessoas e em um circuito de cerca de 30km.

Murietta nos mídia[editar | editar código-fonte]

Joaquin Murrieta foi uma importante figura da literatura, música popular, cinema e televisão.

  • Murrieta é retratado como um personagem muito carismático no filme de 1936, de William A. Wellman: The Robin Hood of El Dorado[9] .
  • Outro filme, desta vez dirigido pelo prolífico George Sherman e que estreou em 1965, Joaquín Murrietta, e estrelado por Jeffrey Hunter no papel-título, basicamente, é uma versão cinematográfica do romance de Ridge e das famosas lendas tecidas em torno da vida dos latino-americanos[10] .
  • Uma curta-metragem alemã chamada Murieta Theater, dirigido pelo realizador alemão Jürgen Böttcher, estreada em 1970[11] .
  • A sua história é narrada em texto dramático Fulgor y muerte de Joaquín Murrietta, publicado em 1968 pelo escritor chileno Pablo Neruda.
  • Os cantore sul-americanos Olga Manzano e Manuel Picon adaptaram a obra de Pablo Neruda Fulgor y muerte de Joaquín Murrietta para música, tornando na Cantata Fulgor y muerte de Joaquín Murrietta. Manzano e Picon em conjunto com o trio Alpataco e o solista Victor Velasquez interpretaram esta cantata que foi muito famoso na década de 70 e ainda agora é considerada um clássico da música sul-americana[12]
  • A ópera rock russa Звезда и смерть Хоакина Мурьеты [Zviezda i smiert' Joakina Muriety] (Ascensão e morte de Joaquín Murrieta) de Alexei Rybnikov y Pavel Grushko (1982), baseia-se no texto Neruda.
  • O canção Premonición de la muerte de Joaquín Murieta é uma homenagem de Quilapayún.
  • Sergio Ortega, compositor chileno, escreveu uma versão de Fulgor y muerte de Joaquín Murrietta, do poeta Pablo Neruda. Canções como Así como hoy matan negros e Ya parte el galgo terrible foram interpretadas por grandes músicos chilenos como Víctor Jara, Quilapayún, Inti Illimani e Cuncumén.
  • surge como um personagem no conto "El Diablo, Murrieta y El Coyote" do escritor José Mallorquí.
  • O personagem Zorro foi em parte inspirado pelas histórias de Murrieta. De fato, um homem chamado Joaquín aparece no filme The Mask of Zorro bem como Jack Três Dedos e Harry Love. Ainda no filme, não é o tradicional Diego de la Vega (que aparece como o velho Zorro), mas sim Alejandro Murrieta (Antonio Banderas) que, após a morte do seu irmão, Joaquim, se transforma em Zorro e depois mata o Capitão Love como vingança.
  • Na obra "Filha da Fortuna", de Isabel Allende, a jovem Chilena Eliza Sommers apaixona-se por um rapaz chamado Joaquin Andieta, que parte para a Califórnia atrás de ouro. Ao descobrir que estava grávida, Eliza embarca em busca de seu amante. Na Califórnia, depara-se com relatos sobre um fora-da-lei latino de nome Joaquin Murieta, que ela entende como sendo seu amante, sob outro nome.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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