Joaquim Cardoso

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Joaquim Cardoso
Nascimento 26 de agosto de 1897
Recife, Pernambuco
Morte 4 de novembro de 1978 (81 anos)
Olinda, Pernambuco
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação poeta, contista, desenhista, engenheiro civil, professor universitário e editor
Principais trabalhos Igreja de São Francisco de Assis em Belo Horizonte;
Palácio do Congresso Nacional em Brasília;
Palácio da Alvorada em Brasília;
Palácio do Planalto, em Brasília.
Movimento literário Modernismo

Joaquim Maria Moreira Cardoso[nota 1] (Recife, 26 de agosto de 1897Olinda, 4 de novembro de 1978) foi um poeta, contista, desenhista, engenheiro civil, editor de revistas especializadas em arte e arquitetura e professor universitário brasileiro.[1]

Foi o engenheiro responsável pelos cálculos que permitiram a construção de diversas edificações projetadas por Oscar Niemeyer, que o classificou como "o brasileiro mais culto que existia".[2]

Eu não sou bem um poeta. Minha vida é que é cheia de hiatos de poesia.
Joaquim Cardoso

O poeta[editar | editar código-fonte]

Suas primeiras poesias datam de 1924, entretanto o primeiro livro Poemas surgiu apenas em 1947 e por pura insistência dos amigos. Joaquim Cardoso, que tinha uma memória prodigiosa, sabia de todos os seus poemas decorados e não os modificava, em nenhuma vírgula, quando os recitava publicamente em períodos distintos.

Conviveu com poetas modernistas, como Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, tendo publicado vários livros entre 1946 e 1975, usando como tema principalmente seu Recife natal e o Nordeste brasileiro. Foi também tradutor e crítico de arte. Ocupou a Cadeira 39 da Academia Pernambucana de Letras. Eleito em 18 de fevereiro de 1975, tomou posse em 6 de setembro de 1977.

Ao todo, foram publicados onze livros de sua autoria, dos quais destaca-se o inaugural Poemas, que teve prefácio do poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos seus maiores admiradores, e duas de suas obras teatrais: O Coronel Macambeira e De uma Noite de Festa, e suas Poesias Completas. Um livro Aceso e Nove Canções Sombrias foi seu último livro, publicado postumamente. Sua atuação na imprensa inclui passagem pelo Diário de Pernambuco como chargista, e passagens como colaborador e diretor da Revista do Norte, da Revista do Patrimônio Histórico e das revistas Para Todos e Módulo.

O engenheiro[editar | editar código-fonte]

Joaquim Cardoso começou a estudar engenharia em 1915, após abandonar o curso secundário no Ginásio Pernambucano. Formou-se quinze anos depois, por causa da morte do pai e das dificuldades econômicas que o levaram a trabalhar como topógrafo. Nesse período também prestou serviço militar.

Não visualizo qualquer incompatibilidade entre poesia e a arquitetura. As estruturas planejadas pelos arquitetos modernos são verdadeiras poesias. Trabalhar para que se realizem esses projetos é concretizar uma poesia.
Joaquim Cardoso

Especializado em cálculo de estruturas, notabilizou-se pela sua colaboração com o arquiteto Oscar Niemeyer na construção do conjunto da Pampulha e dos palácios de Brasília. Envolveu-se em grande polêmica na época da queda do Pavilhão da Gameleira, em Belo Horizonte, obra de ambos que ruiu, causando a morte de dezenas de operários, mas, como ficou provado posteriormente, sem erro de cálculo ou projeto.[1]

As obras arquitetônicas, de maior vulto, edificadas com base nos cálculos estruturais de Cardoso são a Catedral de Brasília, o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada, a Igreja N. S. de Fátima e o Congresso Nacional. No Recife, se destaca o Pavilhão Luís Nunes, atual sede do IAB (no passado Instituto de Verificação de óbitos da antiga Escola de Medicina), a Escola Alberto Torres e a Caixa d'Água de Olinda.

O teórico de arquitetura[editar | editar código-fonte]

Os muros das construções são o papel onde se inscreveram as páginas da história, onde ainda se inscrevem as mensagens para o futuro. E escrever estas mensagens, cabe ao arquiteto.
Joaquim Cardoso

O envolvimento de Cardoso com a arquitetura não se limitou à sua atuação como engenheiro calculista de edifícios projetados por Oscar Niemeyer, Luis Nunes e outros arquitetos. Cardoso (que chegou a ser o catedrático responsável pela cadeira "Teoria e Filosofia da Arquitetura" na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco) deixou escritos que, apesar de extremamente sumários, contém ideias significativas para a construção de uma Teoria da Arquitetura.

Obras em parceria com Niemeyer[editar | editar código-fonte]

Obra Ano do projeto Ano de construção Construtor(a) Cidade
Pampulha - Cassino da Pampulha 1940 1942 Ajax Corrêa Rabello Belo Horizonte, MG
Pampulha - Iate Clube 1940 1943 Ajax Corrêa Rabello Belo Horizonte, MG
Pampulha - Igreja São Francisco de Assis 1944 1945 Belo Horizonte, MG
Edifício sede do Banco Boavista 1946 1947 José de A. Marques Sales Rio de Janeiro, RJ
Fábrica Duchen 1950 1951 São Paulo, SP
Edifício JK 1951 Belo Horizonte, MG
Hotel Diamantina 1951 1951 Diamantina, MG
Palácio da Alvorada 1957 1958 Construtora Rabello Brasília, DF
Palácio do Planalto 1958 1960 Eng. Fausto A. Favale Brasília, DF
Palácio do Congresso Nacional 1958 1960 Companhia Construtora Nacional Brasília, DF
Catedral Metropolitana de Brasília 1959 1960 Carlos Magalhães Brasília, DF
Palácio Itamaraty 1959 1970 Construtora Pederneiras Brasília, DF

Galeria[editar | editar código-fonte]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, oito poemas, em livro organizado por Manuel Bandeira, 1946;
  • Poemas, 1947;
  • Poesias Completas, 1971;
  • Os Anjos e os Demônios de Deus, 1973;
  • O Interior da Matéria e O Capataz de Salema, 1975.

Referências

  1. a b PINI Web - O engenheiro da poesia (1/08/1998). Visitado em 25/10/2008.
  2. [http://veja.abril.com.br/especiais/brasilia/poesia-concreta-joaquim-cardozo-p-058.html A poesia concreta de Joaquim Cardozo] VEJA. Visitado em 19 de janeiro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A grafia original do nome do biografado, Cardozo, deve ser atualizada conforme a onomástica estabelecida a partir do Formulário Ortográfico de 1943, por seguir as mesmas regras dos substantivos comuns (Academia Brasileira de Letras – Formulário Ortográfico de 1943). Tal norma foi reafirmada pelos subsequentes Acordos Ortográficos da língua portuguesa (Acordo Ortográfico de 1945 e Acordo Ortográfico de 1990). A norma é optativa para nomes de pessoas em vida, a fim de evitar constrangimentos, mas após seu falecimento torna-se obrigatória para publicações, ainda que se possa utilizar a grafia arcaica no foro privado (Formulário Ortográfico de 1943, IX).