Futebolista

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Neymar durante partida contra a Escócia, em 27 de março de 2011.
Crianças praticando futebol.
Garotos nas divisões de base de clubes estadunidenses.
Robinho, futebolista brasileiro.
Atletas do Chelsea, da Inglaterra.
Cesc Fàbregas, em disputa de bola.
A venda de camisas com nome e número dos jogadores é uma grande fonte de arrecadação.
Jürgen Klinsmann atuou como jogador e foi treinador da Alemanha.
Estádio de futebol, principal local onde laboram o jogadores.

O futebolista (ou jogador de futebol) é o profissional cujo ofício é a prática do desporto coletivo é fundamental. Estes trabalhadores são contratados por clubes de futebol e, por depender do dispêndio físico, têm carreiras de curta duração. Surgido com emprego apenas para homens, modernamente, as mulheres [1] [2] também têm ascendido à realização da profissão de futebolista em categoria exclusiva ao seu gênero sexual.[3]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Aprendizagem[editar | editar código-fonte]

A aprendizagem da prática do futebol é dada de forma amadora, ainda na infância ou adolescência. O local apropriado para a primeira prática é variado, podendo ser tanto em casa, quanto em quadras e campos, ou mesmo na rua e na praia. Pode tornar a figura de colega na aprendizagem os amigos, vizinhos, parentes etc do jovem. Há também escolinhas de futebol, que através de professores e/ou orientadores, iniciam crianças neste esporte, dando oportunidade de realizar jogos e treinamentos para aprimorar os fundamentos e habilidades.

Nesta época, o jovem ainda não possui definição sobre a sequência de uma eventual carreira profissional. Trata-se apenas de divertimento que, aos poucos, cria um elo de paixão pelo esporte. A prática precoce do futebol, bem como qualquer outro desporto, tem a função social de integrar grupos distintos e afastar os jovens da criminalidade.

Entrada em clube: divisões de base[editar | editar código-fonte]

A partir da pré-adolescência, já é possível ingressar nas divisões de base dos clubes profissionais. São realizados testes e, com a aprovação, há ingresso em uma determinada categoria de acordo com cada faixa etária. No Brasil, as categorias são divididas em fraldinha (7 a 9 anos), dente de leite (10 a 11 anos), pré-mirim (11 a 12 anos), mirim (12 a 13 anos), infantil (14 a 15 anos), infanto-juvenil (15 a 16 anos), juvenil (17 a 18 anos) e júnior (17 a 20 anos). Logo, os jogadores são moldados com treinamentos aprofundados, definições das posições que exercerão e participação em campeonatos contra outros clubes.

Fortes são as cobranças por alto desempenho e resultado. A cada troca de categoria, alguns atletas são dispensados por insuficiência técnica, ou mesmo, pedem para deixar o clube, por não conseguirem conciliar a vida pessoal com a de jogador. Portanto, nem todos aqueles que ingressam nas divisões de base dos clubes de futebol alcançam o profissionalismo. Embora a última faixa etária nas divisões de base seja a de 20 anos, é comum que futebolistas mais novos já ingressem o plantel profissional de um clube ainda mais jovens.

Profissionalismo[editar | editar código-fonte]

Contrato[editar | editar código-fonte]

O primeiro contrato profissional pode ser assinado, de acordo com as normas da FIFA, aos 16 anos de idade. Sua duração máxima é de cinco anos e mínima, de três meses.[4] [5] Entretanto, o contrato é apenas um vínculo entre o futebolista e o clube, não garantido o acesso imediato ao elenco principal da equipe. O contrato [6] , que deve ter cláusula penal para o precoce rompimento, qualifica ao clube os direitos federativos (“vínculo esportivo”, pela doutrina [7] ) para inscrever o futebolista nas competições oficiais e determinar, com o consentimento do contratado, seu destino profissional durante a vigência do mesmo. Há também os direitos econômicos, que dizem respeito à quantia equivalente em caso de negociação com valores pecuniários para algum outro clube. Normalmente, os clubes detêm o total dos direitos econômicos, muito embora seja comum serem negociadas futuras porcentagens para parceiros ou mesmo para o próprio futebolista.[8]

Com a assinatura do contrato,[9] o clube passa a ter a obrigação de pagar salários mensalmente ao futebolista, que tem todos os direitos laborais semelhantes às outras profissões. Em grandes clubes, os salários dos jogadores costumam ser bastante elevados.[10] Desta forma, numa tentativa de diminuir os impostos e encargos, é realizada uma divisão na cota de pagamento, sendo determinado um valor na carteira de trabalho, outro - superior - para os chamados direitos de imagem e, uma terceira possibilidade, os direitos de arena. Os direitos de imagem, personalíssimos, são concedidos ao clube ou terceiro, garantindo ao jogador certa quantia financeira a ser paga pelo concessionário. Já os direitos de arena (regidos pela Lei Pelé no Brasil) dizem respeito à participação do atleta em cotas recebidas pelo clube através da venda da transmissão dos jogos em que esteja presente.[11]

Integração ao elenco profissional[editar | editar código-fonte]

A partir do momento em que o futebolista é integrado ao elenco profissional de um clube, ele passa a realizar treinamentos nos períodos pré-determinados pelo treinador da equipe, atuar nas partidas em que for escalado, realizar viagens para os compromissos do clube e ficar recluso às vésperas dos jogos nas chamadas concentrações. Com o profissionalismo, encerram-se as divisões de faixas etárias e, assim, os jogadores passam a conviver a todo momento com outros atletas de idades superiores e inferiores a sua.

Em campo, o futebolista deve zelar pelo cumprimento das regras do futebol, podendo ser advertido em caso contrário. Todos são passíveis de punição individual, inclusive, para o uso de substâncias proibidas, o doping.[12] O objetivo principal do jogador é obter vitórias, através de gols, e ser campeão dos torneios disputados pelos clubes. Contudo, por conta da competitividade existente no esporte, nem sempre as metas são alcançadas, sendo sua participação nos compromissos fundamental para a ratificação de seu trabalho.

Os jogadores com melhor desenvolvimento podem ser convocados a atuar pelas suas respectivas seleções nacionais de futebol. Escolhidos pelo treinador de cada seleção, os futebolistas participam de jogos amistosos e torneios com a camisa de seu país. Alguns atletas naturalizam-se para poderem atuar por outras nações que tenham mais afinidades. Os jogadores das seleções não são assalariados, porém, podem receber quantias decorrentes de premiações.

Convívio com lesões[editar | editar código-fonte]

O futebol dá aos jogadores uma grande incidência de contato físico, o que pode acarretar um grande número de contusões durante a carreira. O desgaste físico também é outro fator que contribui para as lesões. Os tipos mais comuns de machucados na carreira do futebolista são distensões no tornozelo e nos músculos da perna, fratura de ossos e lesões nos joelhos e na cabeça.[13] Uma das tentativas de diminuir os índices de contusões dá-se pelo alongamento dos músculos antes do início das atividades físicas.

As lesões são tão constantes que a maioria dos clubes profissionais possui um departamento médico próprio para tratar seus atletas. Em casos graves, os futebolistas são submetidos à cirurgia e acompanhamento fisioterápico. Todavia, ainda existem ocasiões em que o futebolista foi obrigado a interromper precocemente a carreira devido à falta de condições físicas após uma lesão.

Marketing e mídia[editar | editar código-fonte]

Nos grandes clubes, os futebolistas passam a ser pessoas com forte contato com o público, logo, podem tornar-se celebridades. Desta forma, são alvos de ações de marketing [14] das equipes que defendem e, também, de outras empresas. A partir do final da década de 1990, passou a ser comum assistir jogadores de futebol famosos realizando comerciais e campanhas publicitárias.

Outra ferramenta que se tornou frequente para os futebolistas mais bem pagos é o lançamento de seus próprios negócios. Boates, restaurantes e grifes de roupas são alguns dos mais comuns ramos adotados pelos jogadores mais abastados.[15]

Clubes menores[editar | editar código-fonte]

A realidade dos futebolistas de clubes menores é completamente distinta da dos famosos. Nesse caso, muitos profissionais recebem baixos salários e são obrigados a exercer um segundo emprego para poderem se sustentar. Muitos, inclusive, não passam pelo processo de aperfeiçoamento das divisões de base dos grandes clubes, iniciando, em alguns casos, sua carreira com mais idade do que o comum.

Os índices apontam que os futebolistas, nestas situações, são a maioria ao redor do mundo. No Brasil, estima-se que apenas 3% dos jogadores recebam mais de dez salários mínimos.[16]

Fim de carreira[editar | editar código-fonte]

O final da carreira de um futebolista dá-se em meados de sua terceira década de idade. Com a diminuição de sua potência física com o passar do tempo, entre 33 e 38 anos, muitos jogadores param de atuar profissionalmente. No entanto, muitos são os registros de futebolistas que encerraram a carreira mais cedo ou mais tarde da faixa etária aqui estipulada.[17] Com o desenvolvimento enquanto jogador, muitos que atuaram em grandes clubes chegaram a receber salários que pudessem lhe garantir uma boa qualidade de vida por um largo período da fase pós-atleta.

Após encerrar as atividades de jogador, grande parte abandona completamente o meio esportivo. No entanto, outra parcela ainda segue participando do cotidiano do futebol. Grande parte dos treinadores são ex-futebolistas, que também podem assumir outras funções técnicas e administrativas, nos clubes ou empresas, e também participar da política.

Futebolistas mortos quando eram profissionais[editar | editar código-fonte]

O húngaro Miklós Fehér, morto em 2004, atuando pelo Benfica.

Posições em campo[editar | editar código-fonte]

O zagueiro brasileiro Cris.

Apenas onze futebolistas podem atuar ao mesmo por cada um dos dois times que estão em campo. Portanto, cada jogador tem sua própria função para com a equipe. Apenas um tem a premissa de tocar a bola com as mãos, o goleiro. Os outros dez jogadores são divididos nas áreas do campo conforme estabelecido no esquema tático, isto é, defesa, meio-campo e ataque. Na primeira possibilidade, o futebolista pode atuar como lateral, zagueiro ou líbero. No meio-campo, as posições são volante, ala e meia-armador. Os atacantes, centroavantes e pontas completam as possibilidades do time no ataque.

Em caso de não escalação, o futebolista pode ser designado para ser suplente no banco de reservas. Pelas regras do futebol, até três atletas podem ser colocados em jogo durante a partida. O número máximo de futebolistas no banco de reservas é de sete, em partidas oficiais.

Organizações trabalhistas[editar | editar código-fonte]

Como a maioria das profissões, os futebolistas também gozam de um sindicato para assistir a suas reivindicações. No Brasil, o primeiro sindicato dos jogadores de futebol foi criado em 30 de junho de 1939, no Rio de Janeiro.[18] Já em Portugal, o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, constituído aos 23 de fevereiro de 1972, é órgão responsável por tal função.[19]

Fora do âmbito da luta sindical, a FIFPro é a principal organização em termos mundiais de apoio ao profissional do futebol. Criada em 1965, esta federação possui sede em Hoofddorp, nos Países Baixos, e conta, ao início de 2009, com 42 países-membros, nas principais nações praticantes do futebol,[20] atuando no âmbito político, administrativo-organizacional e comercial, além de desenvolver congressos em diversas cidades.

Agentes, empresários e procuradores[editar | editar código-fonte]

Os agentes [21] , empresários ou procuradores de jogadores são pessoas a quem os futebolistas outorgam poderes. Esses profissionais são incumbidos de propiciarem as negociações referentes aos atletas que, individualmente, representam. Tratam sobre contratos, salários, transferências de clube, premiações etc. A maioria recebe parcelas das negociações como fonte de subsistência.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Clério Borges – História do futebol feminino – acessado em 3 de janeiro de 2009.
  2. EFDeportes.com - O futebol feminino: uma história de luta pelo reconhecimento social – acessado em 3 de janeiro de 2009
  3. (em inglês) FIFA.com – Women
  4. Futebol Finance – FIFA regula transferências de menores – publicado em 10 de dezembro de 2008
  5. Imprensa Esportiva – Direito Desportivo: contrato de jogador (parte 2) – acessado em 3 de janeiro de 2009.
  6. Consultor Jurídico – Trabalho de Boleiro – publicada em 7 de outubro de 2007
  7. Consultor Jurídico – Expressão incorreta – publicada em 12 de maio de 2004
  8. No Minuto – Diferenças entre os direitos federativos e direitos econômicos no futebol – publicada em 29 de julho de 2008.
  9. Imprensa Esportiva - Direito Desportivo: contrato de jogador – acessado em 3 de janeiro de 2009.
  10. Diário do Nordeste – Os incríveis salários dos jogadores de futebol – atualizado em 15 de dezembro de 2008
  11. Guia Trabalhista - Direito de Arena e Direito de Imagem – acessado em 4 de janeiro de 2009.
  12. Estadão.com.br - Doping no futebol: paranoia ou trapaça esportiva? – atualizada em 24 de junho de 2008.
  13. Merck Sharp & Dohme – Medicina Esportiva - acessado em 2 de janeiro de 2009.
  14. Futebol Negócio
  15. Veja online – Jogador Sociedade Anônima – publicada em junho de 2006
  16. EFDeportes.com - Os motivos que levaram jogadores de futebol amador a abandonarem a carreira de jogador profissional – acessado em 3 de janeiro de 2009.
  17. Planeta do Futebol – A máquina do tempo – acessado em 4 de janeiro de 2009
  18. Soccer Logos - Jornal A Tribuna, de Santos/SP, 30 de junho de 1939 – publicado em 1 de fevereiro de 2008
  19. Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol – Sobre – acessado em 4 de janeiro de 2009.
  20. (em inglês) FIFPro – History – acessado em 4 de janeiro de 2009.
  21. (em inglês) FIFA.com – Player’s agents regulations – acessado em 4 de janeiro de 2009: