Johann Peter Hebel

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J. P. Hebel

Johann Peter Hebel (10 de Maio de 1760 em Basileia - 22 de Setembro de 1826 em Schwetzingen) foi um poeta, teólogo evangélico e pedagogo alemão, oriundo da região do sul de Baden.

É considerado o mais importante poeta na produção da poesia no dialeto do seu povo alemannische Mundartdichter (dialeto alemão alemânico). Ele se tornou conhecido principalmente pelos seus poemas alemânicos alemannische Gedichte (poesias alemanas) e as inúmeras histórias de almanaque Kalendergeschichten (histórias de calendário).

Vida[editar | editar código-fonte]

Johann Peter Hebel nasceu em 10 de maio de 1760 em Basileia (Basel), Suíça, onde, no verão, seus pais trabalhavam para uma família burguesa de classe alta. Passou metade da sua infância nessa cidade e outra metade no povoado de Hausen em Wiesental na Alemanha, povoado natal de sua mãe Ursula, no qual seu pai costumava trabalhar como tecelão durante o inverno. A forte influência, tanto da vida urbana quanto rural, na sua formação de caráter, revela-se mais tarde em suas obras.

Seu pai, que veio de Hunsrück para o Sul de Baden, faleceu de tifo no ano de 1761, mesmo ano em que faleceu também a sua irmã mais nova, com apenas algumas semanas de vida, pela mesma doença. Aos treze anos, sua mãe adoeceu gravemente e veio a falecer na presença do filho, quando ambos viajavam de Basel para sua casa em Hausen.

Através do apoio financeiro de seus tutores , Hebel pôde ingressar na escola Gymnasium illustre de Karlsruhe , a qual concluiu em 1778. Após três anos de estudo de teologia ( 1778-1780) em Erlangen, iniciou um trabalho como professor domiciliar e vigário em Hertingen. Em 1783, foi nomeado vigário preceptor (professor auxiliar) na escola Pädagogium em Lörrach. Hebel se tornou amigo do diretor Tobias Günttert, através do qual conheceu Gustave Fecht, cunhada deste. Hebel alimentou um amor platônico por ela ao longo de vários anos, trocando correspondências. Hebel nunca se casou, mesmo quando anos mais tarde teve grande veneração pela atriz Henriette Hendel-Schütz.

Em 1791 Hebel foi nomeado subdiácono no Ginásio de Karlsruhe (Karlsruher Gymnasium), o que significou a sua despedida do sul de Baden. Além da sua atuação no ensino, também pregava oportunamente na corte. Sua pregação agradava aos ouvintes, e sua popularidade aumentou. Em 1798 Hebel foi nomeado professor extraordinário e diácono da corte.

Hebel permaneceu até o fim de sua vida em Karlsruhe, fora algumas viagens ocasionais para outras partes do país. Seu desejo de servir como pastor em uma pequena paróquia da comunidade nunca se concretizou.

Em 1808 tornou-se diretor do Ginásio e, em 1819, prelado da Igreja Luterana Regional. Através disso, membro da Primeira Câmara dos Deputados de Baden (Badischer Landtag).

Johann Franz Hebel faleceu no dia 22 de setembro de 1826 em Schwetzinger, durante uma de suas viagens de trabalho. Ali encontra-se sua sepultura.

Em sua honra o prêmio Johann-Hebel Peter é concedido pelo Estado de Baden-Württemberg para escritores, tradutores, ensaístas, produtores de mídia ou pesquisadores que lançam obras ligadas a Hebel ou à região do dialeto alemânico (alemannischer Sprachraum).

Vida artística[editar | editar código-fonte]

O trabalho literário de Hebel iniciou a partir de algumas tentativas anteriores no final do século XVIII .

Em 1799 visitou sua terra natal, Wiesental. Após o seu retorno a Karlsruhe, passou os dois anos seguintes escrevendo os poemas alemânicos , inspirados pela saudade da sua terra natal. Os 32 poemas para os amigos, de natureza campestre e costumes (für Freunde ländlicher Natur und Sitten), foram escritos no dialeto de Wiesental.

Em Basel, Hebel não encontrou uma editora que ousasse publicar seu livro no dialeto alemânico. Somente em 1803 apareceu o primeiro volume com Philip Macklot em Karlsruhe. Isto só foi possível com encomendas antecipadas que garantissem a venda do volume. O interessante é que a primeira edição dos poemas foi publicada deixando seu autor anônimo. Provavelmente Hebel temia ser visto como um homem simples, rústico e sem boa formação. Em seus poemas ele apresenta a forma de vida, a paisagem e o dialeto da sua cidade natal. Escreveu sobre o rio Wiese, a sua preferência pela região de Breisgaus e até sobre as minas de ferro em Hausen.

Talvez a sua poesia alemânica mais conhecida seja “A Transitoriedade” ( Die Vergänglichkeit). Nesta o avô (Ätti) explica ao menino sobre a morte e o perecer, citando como exemplo as ruínas do castelo de Rötteln, a própria cidade de Basileia com todo o seu esplendor e, inclusive, o mundo inteiro, que irão perecer. Nela Hebel empregou algumas de suas experiências em relação à morte da própria mãe, pois o dialogo entre o avô e o menino ocorreu entre Steinen e Brombach, no mesmo local e circunstâncias nas quais ele perdeu sua mãe.

Os poemas alemânicos foram de tamanho sucesso que um ano depois surgiu uma nova edição, mas, dessa vez ,com o nome do autor. Nas décadas seguintes surgiram novas edições em Aarau, Viena e Reutlingen.

Histórias de Almanaque (Kalendergeschichten)[editar | editar código-fonte]

Sua segunda obra mais conhecida foi “Histórias de Almanaque” (Kalendergeschichten). O almanaque foi publicado pela primeira vez em 1807. Uma das mais importantes inovações do almanaque “Der rheinländische Hausfreund” (O amigo da casa renana) foi o aumento e inovação do teor narrativo, no qual eram publicadas notícias instrutivas e histórias divertidas. Hebel mesmo editava em torno de trinta dessas histórias por ano, e por isso, em grande parte, responsável pelo sucesso. Em 1811 surgiu a "Caixinha de tesouros" (Schatzkästlein des rheinischen Hausfreundes), uma antologia das melhores histórias do almanaque Hausfreund. Outras edições surgiram nos anos de 1816 e 1827. Seu conteúdo continha novidades, pequenas histórias, anedotas, variação de contos. Serviam como entretenimento e seu fundo moral permitia ao leitor extrair uma “lição de vida”. As histórias de almanaque mais conhecidas são Unverhofftes Wiedersehen ("Reencontro inesperado") e Kannitvestan ( Não Entendo).

Em 1815, a história intitulada Der fromme Rat ("O Conselho Santo") foi motivo de briga, pois foi vista como ofensa à Igreja Católica e retirada do almanaque. Em consequência disso, Hebel abandonou a redação do almanaque, assumindo novamente em 1819, somente para uma edição.

Histórias Bíblicas (Biblische Geschichten)[editar | editar código-fonte]

Depois das ”Histórias de Almanaque” (Kalendergeschichten) ele se empenhou com o projeto para novos livros bíblicos para as aulas de religião das escolas. Para isso, montou vários critérios como frases com estrutura clara e simples e conteúdo com narrativas interessantes, levando em conta a idade dos adolescentes (entre 10 e 14 anos). Em 1824, após 5 anos de árduo trabalho, surgiu o novo livro chamado “Histórias Bíblicas” (Die biblischen Geschichten) e foi usado até 1855, como livro didático nas escolas.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Alemannische Gedichte . Für Freunde ländlicher Natur und Sitten.( poesias alemânicas : Para amigos de natureza e costumes campestres).
  • Der Rheinländische Hausfreund . Kalendergeschichten über mehrere Jahrgänge veröffentlicht.(O amigo da casa de renana. Histórias de almanaque editadas por vários anos seguidos)
  • Schatzkästlein des rheinischen Hausfreundes. (caixinha de tesouros do amigo da casa de renana. Antologia das histórias de almanaque com pouca omissão e mudança)
  • Biblische Geschichten. Für die Jugend bearbeitet.
  • Poetische Werke. Nach den Ausgaben letzter Hand und der Gesamtausgabe von 1834 unter Hinzuziehung der früheren Fassungen. (Obras poéticas, segundo as edições de última mão e edição completa de 1834 e junção de antigos textos).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Knopf, Jan, Geschichten zur Geschichte : Kritische Tradition des "Volkstümlichen" in den Kalendergeschichten Hebels und Brechts. Stuttgart: J.B. Metzler, 1973.Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), publicação em domínio público.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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