Jorge de Antioquia

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Jorge de Antioquia
Mosaico mostrando Jorge prostrado em agradecimento perante a Theotokos.
Mosaico na igreja de Santa Maria dell'Ammiraglio, em Palermo.
Nascimento Antioquia
Morte 1151 Constantinopla
País Reino da Sicília
Hierarquia Almirante
Honrarias ammiratus amiiratorum ("Almirante dos Almirantes");
"Emir dos Emires"
"Arconte dos Arcontes"

Jorge de Antioquia († 1151) foi o primeiro verdadeiro almirante e sucessor do grande Cristódulo. Ele era um grego melquita nascido em Antioquia, de onde ele se mudou com seu pai, Miguel, e sua mão para a Tunísia, onde ele conseguiram emprego sob o sultão zírida Tamim ibn Muizz. Porém, Jorge entrou em conflito com o filho e sucessor de Tamim, Yahya, e secretamente partiu para a Sicília cristã disfarçado a bordo de um navio vindo de Palermo que estava ancorado em Mahdia enquanto a tripulação orava. Ao chegar na capital siciliana, Jorge foi imediatamente até o palácio e lá encontrou serviço com o conde normando Rogério II.

Ascensão e início da carreira: conquista da Apúlia[editar | editar código-fonte]

Por falar árabe e grego e por sua familiaridade com o Mediterrâneo, Jorge se viu logo trabalhando como embaixador em missões ao Califado Fatímida do Egito. Ele recebeu o título de familiaris da corte e, por volta de 1123, já era o segundo em comando na marinha de Cristódulo. No ataque à Mahdia no mesmo ano, Jorge capturou a fortaleza de ad-Dimas, mas a campanha teve que ser abandonada. Nos próximos cinco anos, Jorge superou Cristódulo e, em 1127, já o tinha substituído na posição de emir de Palermo, pois ambos estava presentes em Montescaglioso com o conde Roger, mas Cristódulo parece ter morrido logo em seguida e Jorge aparentemente o sucedeu.

Jorge foi instrumental para que o semi-independente Ducado de Apúlia e Calábria fosse completamente subjugado nos anos seguintes à sua ascensão. Em 1129, Jorge cercou Bari - em revolta sob o príncipe Grimoaldo Alfernanites - com uma frota de sessenta navios. Forçado a se render, Rogério perdoou Grimoaldo. Em 1131, o conde exigiu que os habitantes de Amalfi lhe entregassem as chaves do castelo e o controle completo das defesas da cidade. Os amalfitanos se recusaram, Jorge bloqueou a cidade e capturou toda a sua frota, forçando-a a se render. Em 1132, o já famoso almirante recebeu o título de ammiratus amiiratorum ("Almirante dos Almirantes"), mas que, na época, era entendido como "Emir dos Emires". Ele também recebeu o título grego de "Arconte dos Arcontes".

Em 1143, Jorge construiu a igreja grega ortodoxa de Santa Maria dell'Ammiraglio, também conhecida como Martorana, em Palermo. Nela está um mosaico da época de Jorge e um outro, famoso, representando Rogério II sendo coroado por Cristo.

Auge da carreira: conquistas na Grécia e na África[editar | editar código-fonte]

Em 1146, Jorge capturou Trípoli e fundou um estado siciliano permanente no Norte da África. Ele já havia capturado diversas cidades costeiras menores nos quinze anos anteriores, mas Mahdia, que estava nas mãos de Abul-Hasan al-Hasan ibn Ali desde o fracassado ataque de 1123, ainda não se rendera.

No ano seguinte, Rogério atacou o Império Bizantino, que continuava a contestar seus ganhos no sul da Itália. Jorge zarpou de Otranto com setenta galés para atacar Corfu. De acordo com Nicetas Coniates, a ilha capitulou sem luta por causa dos altos impostos cobrados pelo império e pelas promessas de Jorge. Deixando ali uma guarnição, o almirante navegou para o Peloponeso, saqueou Atenas e rapidamente foi para as ilhas Jônicas. Ele devastou a costa da ilha de Eubeia e do golfo de Corinto, chegando até Tebas, onde ele pilhou as fábricas de seda e capturou os tecelões judeus. Jorge encerrou a expedição com o saque de Corinto, no qual as relíquias de São Teodoro foram roubadas e levadas para a Sicília.

Em 1148, Jorge finalmente capturou Mahdia. Aparentemente, o governador de Gabès se revoltara contra seu senhor, al-Hasan, e prometeu entregar a cidade a Rogério II se ele fosse confirmado como governador. A guerra inevitavelmente irrompeu no verão e Jorge liderou uma frota contra Mahdia. O sultão voluntariamente se exilou, levando consigo uma pequena parte do tesouro e a cidade capitulou. As vizinhas Sfax e Soussa a seguiram logo depois. O reino de Ifríquia então foi incorporado ao Reino da Sicília, que atingiu seu apogeu com as conquistas de Jorge, abrangendo não somente a Sicília e o Mezzogiorno, mas também Corfu e a Tunísia.

No ano seguinte, Corfu foi retomada e Jorge liderou uma frota de quarenta navios até o Bósforo, chegando às muralhas de Constantinopla, onde ele tentou desembarcar. Incapaz de fazê-lo, ele arrasou uma poucas vilas na costa asiática e atirou contra o palácio imperial. Ele morreu logo depois, em AH 546 de acordo com ibn al-Athir, o que corresponde a 1151-1152. Ele foi sucedido em suas funções por Filipe de Mahdia.

Influência[editar | editar código-fonte]

Jorge era um poliglota e um homem muito erudito. Ele fundou a igreja de San Michele em Mazara del Vallo e "Ponte de Almirante", com sete arcos, sobre o rio Oreto em Palermo, onde, em 27 de maio de 1860, os camisas-vermelhas de Giuseppe Garibaldi lutaram pela primeira vez contra as tropas de Francisco II das Duas Sicílias no Risorgimento.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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