Joris-Karl Huysmans

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Joris-Karl Huysmans
Joris-Karl Huysmans.

Joris-Karl Huysmans (1848-1907) foi um escritor francês e crítico de arte, primeiramente associado a Émile Zola e ao grupo de naturalistas. Depois, juntou-se ao Movimento Decadente Francês. Huysmans era "um artista maior do que Zola", segundo o crítico Ford Maddox Ford,no "Marchas da literatura" (1938): "deixou as catedrais e as estradas deste mundo em 1907, e não suponho que se ouvirá, ao menos uma vez, em qualquer época, seu nome mencionado em reuniões literárias. "A conversão de Huysmans, do Satanismo ao Catolicismo, da obsessão por sensações bizarras à busca da vida espiritual, pode ser seguida em livros como "A rebours" (1884), "Là-bas" (1891) e "La cathèdrale" (1898).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Joris-Karl Huysmans nasceu Charles Marie Georges Huysmans em Paris. Seu pai era de ascendência holandesa; sua mãe, Elisabeth-Malvina Badin, francesa. Depois que o pai de Huysmans faleceu, Elisabeth-Malvina casou-se com Jules Og, um negociante protestante. A perda prematura de seu pai permaneceu como uma experiência traumática da infância para Huysmans. Ele manteve fielmente algo da pintura de seu pai, que foi um artista popular.

Huysmans estudou no Lycee Saint-Louis, recebendo em 1866 seu bacharelado. Com vinte anos, obteve um cargo no Ministério do Interior, lá permanecendo por 32 anos - combinando o ato de escrever com o trabalho. O primeiro livro de Huysmans, "Le drageoir aux èpices" (1874) era uma coletânea de poemas em prosa, à maneira de Charles Baudelaire. Quando foi rejeitado por diversos editores, imprimiu-o, finalmente, por sua própria conta, sob o nome Joris-Karl Huysmans. Mais tarde, inventou as famosas iniciais, J.K.. O livro recebeu a atenção de escritores importantes, como Emile Zola, e foi seguido por alguns romances naturalistas, como "Marthe" (1876), "Les soeurs Vatard" (1879) e "En mènage" (1881). Durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870, Huysmans serviu no exército. O romance "Sac au dos" (1880), baseado em suas experiências deste período, foi publicado no Les soirées de Médan - junto com outras histórias da guerra, escritas por membros do grupo de Médan, de Zola.

No início de 1877, Huysmans conheceu Zola, de quem admirava a precisão formal de seu "L'assomoir" (A taverna). Huysmans compartilhou com Zola a ideia de que uma obra de arte é "um canto da natureza visto através de um temperamento".

Huysmans começou a publicar críticas de arte nos anos 1870, sob o pseudônimo de A. Meunier, e a defender pintores do simbolismo como Odilon Redon e Gustave Moreau. Sobre a pintura "O pobre pescador", de Puvis de Chavannes, cuja tonalidade era uniformemente cinza, escreveu: "É seco, duro e, como de hábito, possui uma rigidez ingênua afetada. Eu fico indiferente frente a esta tela, aborrecido por esta imitação burlesca da grandeza bíblica, conseguida com o sacrifício da cor ao traço. Mas, apesar desta aversão que jorra em mim quando estou diante desta pintura, não posso julgá-la, pois sinto-me ausente dela." Para Moreau e Huysmans, a Salomé sensual e inocente transformou-se na personificação do excêntrico feminino. Salomé era o assunto obsessivo principal das pinturas de Moreau, e Huysmans usou-a em uma cena de "A rebours".

"A rebours"[editar | editar código-fonte]

Com "A rebours", Huysmans voltou-se contra o naturalismo, flertando com a mentalidade "decadente". Era o livro amarelo, "venenoso", a que se refere Oscar Wilde, em O retrato de Dorian Gray, cujo protagonista Dorian imita. Na história, de humor negro, um esteta rico, Duc Jean des Esseintes, experimenta prazeres exóticos, por vezes eróticos. Vive em sua casa como em um monastério, e sonha com o progresso dos males através das eras. Des Esseintes fecha-se hermeticamente, fora do mundo, pois não ousa nem mesmo sair em viagem. Tem medo de decepcionar-se com a realidade. Cerca-se de obras de arte "que o transportariam a algum mundo estranho, apontariam o caminho de possibilidades novas e agitariam seu sistema nervoso por meio de fantasias eruditas, pesadelos complicados e suaves visões sinistras."

Entretanto, Huysmans não pôde aceitar inteiramente as excentricidades do seu protagonista, pois fez des Essenties imaginar se o único desejo de salvação não deveria estar em um retorno à fé. Mais tarde, reconvertido ao catolicismo, escreveu: "Naquela época, quando eu estava escrevendo "A rebours", deve ter acontecido um deslocamento de solo, uma perfuração da terra, que colocou nas fundações da obra algo de que eu não estava consciente. Deus escava buracos para colocar seus fios, e trabalha na noite, nos alcances escuros da alma." O livro teve um impacto tremendo em círculos decadentes, mas também o romancista católico Barbey d’Aurevilly prestou atenção a ele. Sobre "A rebours", Oscar Wilde escreveu: "O odor pesado do incenso parece aderir em suas páginas e incomodar o cérebro." Arnold Hauser vê o personagem Des Esseintes como um marco na história social da arte, como o protótipo de todos os Dorian Gray posteriores. "A idade da natureza", diz Des Esseintes, "é passado, esgotou finalmente a paciência de todas as mentes sensíveis pela monotonia repugnante de suas paisagens e céus."

Lá-bas[editar | editar código-fonte]

Em seus últimos romances, Huysmans registrou a indagação espiritual de um homem chamado Durtal, seu alter-ego ficcional. "Là-bas" era um romance altamente estilizado sobre magia negra praticada na Paris contemporânea. Na história, Durtal decide escrever uma biografia de Gilles de Rais (1404-1440), o marechal francês que fora acusado de Satanismo, e associado momentaneamente com Joana D’Arc. Durtal é levado a uma Missa Negra, mas acha a experiência decepcionante. Durante seu flerte com o Satanismo, Durtal tem um caso com Hyacinthe Chantelouve, membro do Satanismo ativo Canon Docre. Um piedoso tocador de sinos, Louis Carhaix, ajuda Durtal em sua busca. Mas, sem nenhuma desilusão estética, ele permanece incapaz de abraçar a fé simples de Carhaix. Durtal sente que a superanálise de sua fé e sentimentos o deixou sem valores.

"Là-bas" foi aceita como obra de valor por muitos leitores. O livro transformou-se em um trabalho chave que promove a mitologia sensacionalista da Missa Negra. A pesquisa histórica de Durtal teve muito em comum com o livro de Jules Michelet, "La sorcière" (1862), um estudo sobre caça às bruxas e experimentos de feitiçaria da Idade Média. É possível que Huysmans nunca tenha visto uma Missa Negra, embora alguns dos ocultistas do fim de século de Paris sejam mencionados no texto. Entre os amigos de Huysmans, o abade Joseph Boullan (1824-1893) serviu de modelo para o Dr. Johannés, retratado como um padre que pratica a magia para conter o Satanismo.

Últimas obras[editar | editar código-fonte]

No início de 1890, Huysmans passou por uma crise que o conduziu à sua conversão, sendo readmitido na Igreja Católica em 1892. Em 1895, foi ao monastério trapista de Issigny para passar lá uma semana. "En route" ("A caminho", 1895) expressou o desejo do autor pela vida monástica. Em "La cathédrale", Huysmans saiu das dúvidas para a aceitação completa do Catolicismo Romano. A obra foi uma prestação de contas de sua conversão, e um exame detalhado da arte medieval.

Após ter renunciado ao seu cargo no Ministério, Huysmans retirou-se para Liguge, em Poitou, onde viveu dois anos como um oblato beneditino. Quando os monges foram expulsos, retornou a Paris. Huysmans foi um dos fundadores da Academia de Goncourt, e em 1900 foi eleito seu presidente. Huysmans faleceu de câncer de boca, em 12 de maio de 1907. Havia se queixado de dores de dente por vários anos, e quando diagnosticou-se o câncer, este já era incurável. Huysmans foi um hipocondríaco na maior parte de sua vida. E alguns dizem que o sofrimento final levou Huysmans à resignação cristã. Durante os últimos dias de sua vida, teve uma moléstia nos olhos, tornando-se necessário deixar suas pálpebras permanentemente fechadas. Em sua devoção, acreditou que aqueles olhos, com os quais tinha visto tantas belezas e recebido tanto prazer, tinham-lhe sido retirados para reforçar sua penitência.

Legado[editar | editar código-fonte]

Huysmans permaneceu solteiro durante toda sua vida. Sua história espiritual refletiu as fases sucessivas da vida intelectual do final do século XIX na França. Ele lidou com o estoicismo, erotismo e espiritualismo, e escreveu sobre as experiências de seus protagonistas em um estilo rico, inebriante. "A arte é a única coisa limpa na terra, com exceção da santidade", afirmou certa vez.

Deve-se salientar a importância de Huysmans enquanto apologista da arte cristã (a Igreja Católica assim o considera), enquanto convertido que melhor soube ver o universo de sentimentos expressos pelos símbolos religiosos, pela música, pintura e arquitetura, e também como apologista de uma época de grande produção artística que foi a Idade Média. As páginas de Huysmans são um documento inestimável sobre tradição e história, são fonte de pesquisa para estudantes e cientistas, são aulas de sociologia sobre a influência da arte no comportamento humano. Suas obras poderiam ser um compêndio do pensamento cristão do século XIX.