Jornada nas estrelas (voleibol)

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No voleibol, Jornada nas estrelas é como é conhecido um tipo específico de saque por baixo, em que a bola é acertada de forma a atingir grandes alturas (em torno 25 metros).

A jogada, criada pelo jogador brasileiro Bernard nos anos 80, foi inspirada no voleibol de praia, e por isso desenvolvida nas areias da praia de Ipanema e Copacabana. Foi batizada com esse nome em homenagem ao filme “ Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan”, em cartaz nos cinemas na época.

Segundo Bernard, a jogada “começou como uma brincadeira de praia, quando percebi que o sol poderia representar um fator dificultador na recepção de bolas muito altas”.[1]

A jogada foi apresentada ao mundo no Mundialito de 1982. Ele resolveu aplicar esse saque no torneio, porque os refletores do Ginásio do Maracanãzinho, onde o torneio estava sendo realizado, atuariam como os raios solares, interferindo na visão do atleta no ato de realizar o passe.

Esse saque foi utilizado também por Tande - jogador da seleção brasileira, Campeão Olímpico em Barcelona, 1992, e Campeão da Liga Mundial, 1993 - e por Jackeline Silva - Campeã Olímpica de Vôlei de Praia, em Atlanta, em 1996.[2]

Atualmente é considerada uma jogada ultrapassada, e já não é mais empregado em competições internacionais.

Técnica[editar | editar código-fonte]

A técnica de saque consiste em sacar a bola para o alto, com a parte externa da mão, elevando a bola a mais de 25 metros. O aumento no raio da parábola descrito pela trajetória faz com que a bola desça quase em linha reta, e em velocidades da ordem de 70 km/h.[3]

Esse saque foi eficaz por causa de 3 fatores: os refletores do ginásio dificultavam os passadores em visualizar a bola, a velocidade de queda da bola era muito grande e os jogadores não tinham conhecimento de como recepcionar esse saque.[4]

Execução Passo a Passo[editar | editar código-fonte]

[2]
1 - O saque é efetuado inicialmente com o jogador afastado da linha do fundo.
2 - Os pés ficam paralelos à mesma.
3 - O jogador alça a bola para o alto (cerca de 1 metro) com as duas mãos.
4 - Quando a bola está caindo, desfere-se um forte golpe com uma das mãos, semi-fechada em forma de "cutelo".

Polêmica[editar | editar código-fonte]

Após o saque ser apresentado ao mundo no Mundialito de 1982, um professor universitário foi a emissoras de tevê dizer que o jornada nas estrelas não era invenção de Bernard, uma vez que atletas de clubes mineiros já faziam a jogada desde os anos 1950. Em entrevista dada à TV Globo, em 1983, Bernard disse: “Quando a criança é pobre, ninguém quer ser o pai. Se descobre que o menino é milionário, aparecem mil pais. Está acontecendo a mesma coisa com o saque”.[3]

Porém, como não se tem imagens ou fotos dessa atividade sendo realizada antes de Bernard, não se tem provas, sendo por este motivo considerado o autor do saque o atleta Bernard.[4] O grande mérito do Bernard foi o de ter a ousadia e a coragem de executá-lo em jogos oficiais e em momentos decisivos.[2]

Referências

  1. efdeportes.com/ Bernard R (2005). O Jornada popularizou o vôlei. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 de maio.
  2. a b c justvolleyball.com.br/
  3. a b almanaquebrasil.com.br/ Saque de Bernard ia às estrelas e voltava a 70 km/h
  4. a b efdeportes.com/ História do voleibol no Brasil e o efeito da evolução científica da educação física brasileira nesse esporte, por Nelson Kautzner Marques Junior