José Cardoso Pires
| José Cardoso Pires | |
|---|---|
| Nome completo | José Augusto Neves Cardoso Pires |
| Nascimento | 2 de Outubro de 1925 Vila de Rei, Portugal |
| Morte | 26 de outubro de 1998 (73 anos) Lisboa, Portugal |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Escritor |
José Augusto Neves Cardoso Pires ComL • GCM (São João do Peso, 2 de Outubro de 1925 — Lisboa, Campo Grande, 26 de Outubro de 1998) foi um escritor português.
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Biografia [editar]
Nascido em São João do Peso, no concelho de Vila de Rei, filho de José António Neves e de sua mulher Maria Sofia Cardoso Pires, foi muito cedo para Lisboa com pais, ele oficial da Marinha, ela dona de casa, a irmã, Maria de Lurdes Neves Cardoso Pires (5 de Outubro de 1927) e o irmão, António Nuno Neves Cardoso Pires (13 de Junho de 1931 - 8 de Abril de 1951). Entre 1935 e 1944 frequentou o Liceu Camões, onde foi aluno de Rómulo de Carvalho e de Delfim Santos, iniciando, de seguida, uma nunca terminada licenciatura em Matemáticas Superiores, na Faculdade de Ciências.
Em 1945 alista-se na Marinha Mercante, como praticante de piloto sem curso, actividade que abandona compulsivamente, «suspeito de indisciplina e detido em viagem do navio Niassa» (c.f. auto da Capitania do Porto de Lisboa, de 02-02-1946). Tendo optado pelo jornalismo, veio a assumir a direcção das Edições Artísticas Fólio, onde Aquilino Ribeiro publicou O Retrato de Camilo. Na mesma editora a colecção Teatro de Vanguarda contribui para a revelação de obras de Samuel Beckett, William Faulkner e Vladimir Maiakovski. Em 1959 estagiou na revista Época, de Milão, com vista à publicação de um semanário que a censura impediu. Entretanto lança a revista Almanaque, cuja redacção integra Luís Sttau Monteiro, Alexandre O'Neill, Vasco Pulido Valente, Augusto Abelaira e José Cutileiro. Foi ainda cronista do Diário de Lisboa, da Gazeta Musical e de Todas as Artes e da Afinidades.
Unanimemente considerado um dos maiores escritores portugueses do século XX, numa galeria onde podemos encontrar nomes como José Saramago ou António Lobo Antunes, a sua carreira literária está marcada pela inquietação e pela deambulação. Autor de dezoito livros, publicados entre 1949 e 1997, não se identifica com nenhum grupo, nem se fixa em nenhum género literário, apesar de ser considerado sobretudo como um romancista. A sua relação mais duradoura no campo literário deu-se com o movimento neo-realista português, até ao 25 de Abril de 1974, justificada com a oposição ao regime autoritário português. A inserção da sua obra no neo-realismo é, por essas razões, contraditória. Frequentou também os grupos surrealistas, no início da década de 1940. Foi influenciado pela estética de Hemingway, pela narrativa cinematográfica, o que resulta em discursos curtos e diálogos concisos.
O Delfim, de 1968, é geralmente considerado a sua obra-prima, em que o narrador assume uma condição de forasteiro, aparentemente descomprometido com uma realidade anacrónica. A Gafeira, aldeia inexistente, simboliza o Portugal marcelista, com um crime no centro da história. Tendo sido recebido, até 1974, como romance neo-realista, tem despertado um interesse crescente como narrativa pós-modernista. Pode efectivamente ser lido como o primeiro romance português no qual confluem as principais linguagens estéticas norteadoras do futuro pós-modernismo português devido à mistura de géneros, à polifonia, à fragmentação narrativa e à metaficção.
A 1 de Outubro de 1985 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 4 de Fevereiro de 1989 recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
Foi sepultado em 1998 no Cemitério dos Prazeres em Lisboa. No âmbito do programa que evocou o 10º aniversário da morte de José Cardoso Pires, a Videoteca da Câmara Municipal de Lisboa produziu uma curta-metragem intitulada Fotogramas Soltos das Lisboas de Cardoso Pires, realizada por António Cunha.
Livros [editar]
- Os Caminheiros e Outros Contos (Contos), 1949
- Histórias de Amor (Contos), 1952
- O Anjo Ancorado (Novela), 1958
- Cartilha do Marialva (Ensaio), 1960
- O Render dos Heróis (Teatro), 1960
- Jogos de Azar (Contos), 1963 ; 1993
- O Hóspede de Job (Romance), 1963
- O Delfim (Romance), 1968
- Dinossauro Excelentíssimo (Sátira), 1972
- E agora, José ? (Ensaio), 1977
- O Burro em Pé (Contos), 1979
- Corpo-Delito na Sala de Espelhos, 1980
- Balada da Praia dos Cães (Romance), 1982
- Alexandra Alpha (Romance), 1987
- A República dos Corvos (Contos), 1988
- Cardoso Pires por Cardoso Pires (Crónicas), 1991
- A Cavalo no Diabo (Crónicas), 1994
- De Profundis, Valsa Lenta (Crónicas), 1997
- Lisboa, Livro de Bordo (Crónicas), 1997
- Lavagante, editado em 2008
- João Janito, oburro em pé, Moraes, 1979
Filmes [editar]
Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema:
- A Rapariga dos Fósforos, realização de Luís Galvão Teles (1978)
- Casino Oceano, realização de Lauro António (1983)
- Ritual dos Pequenos Vampiros, realização de Eduardo Geada (1984)
- Balada da Praia dos Cães, realização de José Fonseca e Costa (1987)
- O Delfim, realização de Fernando Lopes (2001)
Teatro [editar]
Algumas das suas obras foram também levadas à cena.
- O Render dos Heróis (1960)
- Corpo Delito na Sala de Espelhos
e ao Teatro Radiofónico, como "Uma simples flor nos teus cabelos claros" (EN) e "Balada da Praia dos Cães" (folhetim EN)
Prémios [editar]
Prémios ao autor [editar]
- Prémio Internacional União Latina, Roma, 1991
- Astrolábio de Ouro do Prémio Internacional Ultimo Novecento, Pisa, 1992
- Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, 1994
- Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, 1997
- Prémio Pessoa, 1997
- Grande Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, 1998
Prémios às obras [editar]
- Prémio Camilo Castelo Branco, pelaa Sociedade Portuguesa de Escritores, 1964 (O Hóspede de Job)
- Grande Prémio de Romance e Novela, pela Associação Portuguesa de Escritores, 1982 (Balada da Praia dos Cães)
- Prémio Especial da Associação dos Críticos do Brasil, São Paulo, 1988 (Alexandra Alpha)
- Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus, 1997 (De Profundis, Valsa Lenta)
- Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, 1997 (De Profundis, Valsa Lenta)