José Carlos Oliveira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde junho de 2009).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.

José Carlos Oliveira (Vitória, 18 de agosto de 1934Vitória, 13 de abril de 1986) foi um escritor brasileiro. Celebrizando-se por suas colaborações diárias no Jornal do Brasil para onde escreveu por mais de duas décadas, tornou-se um dos grandes cronistas brasileiros do século XX, mas praticou também o romance e o memorialismo.

Boêmio pobre e talentoso, preferia chamar a si mesmo de Carlinhos Oliveira, "cristão, católico apostólico romano, pagão, filho de Iemanjá", "o mais ecumênico dos ateus", "brasileiro por fatalidade, temperamento e vocação", "apenas dois dedos maior que Napoleão Bonaparte", "com o coração de Gauguin, o fugitivo, o liberado, o inocente, o doido", expressões com que se autodefiniu em crônica bem humorada. Foi um defensor do livre pensamento, sem temer polêmicas nem o revanchismo dos poderosos de qualquer facção, como mostra a sua obra póstuma, organizada em 1995 por Bernardo de Mendonça, Diário da Patetocracia, que reúne as crônicas escritas e publicadas ao longo do ano de 1968 no Jornal do Brasil, um período marcante na exacerbação da ditadura instaurada em 1964 sob o comando dos generais. Seu romance Terror e Êxtase foi adaptado para o cinema em 1979, em um obra de sucesso dirigida por Antônio Calmon.

"Patetocracia"[editar | editar código-fonte]

É um termo criado pelo escritor José Carlos Oliveira, em sua coluna no Jornal do Brasil de 13 de fevereiro de 1968, para satirizar a ditadura militar vigente no Brasil com o golpe de Estado de 1964 que depôs o presidente João Goulart. A crônica, que denuncia as freqüentes violações da liberdade de expressão, intitula-se "Contra a censura, pela cultura" e a palavra é utilizada no seguinte trecho:

Cquote1.svg Todo dia um pateta qualquer enfia sua pata numa peça de teatro e corta as frases que lhe parecem atentatórias à moral, aos bons costumes e à democracia. Não se passa uma tarde sem que outro pateta dê o ar de sua graça, cortando seqüências inteiras de filmes. A Patetocracia não dorme em serviço. Cquote2.svg

Reunidas e batizadas por Bernardo de Mendonça em 1995 no livro Diário da Patetocracia, as crônicas escritas ao longo do ano de 1968 por Carlinhos Oliveira, como também era conhecido o cronista, constituem um corajoso e fidedigno testemunho da evolução dos acontecimentos políticos e sociais que levaram o chefe do Executivo, general Costa e Silva, em 13 de dezembro, a assinar o Ato Institucional nº 5, peça formalizadora de uma ditadura já sem disfarces.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Os olhos dourados do ódio. Rio de Janeiro, José Álvaro Editor, 1962.
  • A revolução das bonecas. Rio de Janeiro, Editora Sabiá, 1967.
  • O pavão desiludido. Rio de Janeiro, Edições Bloch, 1972.
  • Terror e êxtase. Rio de Janeiro, Codecri, 1978.
  • O saltimbanco azul. Porto Alegre, L&PM Editores, 1979.
  • Um novo animal na floresta. Rio de Janeiro, Codecri, 1981.
  • Domingo, 22. São Paulo, Editora Atica, 1984.
  • Bravos companheiros e fantasmas. Vitória, Fundação Ceciliano Abel de Almeida/Universidade Federal do Espírito Santo, 1986

Obra póstuma[editar | editar código-fonte]

  • Diário da patetocracia. Rio de Janeiro, Graphia, 1995.

Fonte[editar | editar código-fonte]

  • OLIVEIRA, José Carlos. Diário da patetocracia. Rio de Janeiro, Graphia, 1995.
  • MENDONÇA, Bernardo de, "Carlinhos, a rainha e o ato". In:OLIVEIRA, José Carlos, Diário da Patetocracia - Crônicas Brasileiras, 1968. Rio de Janeiro, Graphia, 1995, pp.xiii-xvi e 35.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]