José Domingos de Santana

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José Domingos de Santana (1870-1938) - mais conhecido como "Zé do Vapor", nascido em 05 de maio de 1870 (sic), na cidade de Santo Amaro da Purificação, Bahia, foi iniciado no Candomblé para o Orixá Ogun por uma africana conhecida como "Tia Mariana", segundo relatos, natural da cidade de Osogbo.

Era conhecido como "Zé do Vapor" por ser empregado na companhia de navegação que fazia a rota entre o porto de Cachoeira e o porto de Salvador. Operava como cozinheiro da embarcação a vapor e transcrevo abaixo uma recordação de Gaiku Luíza:…, era cozinheiro do navio. Também fazia merenda e vendia no navio...... Criança, lembro dele carregando aqueles balaios enormes de frutas para vender no vapor...." pág 74, obra citada.

Contam que as terras onde até hoje estão plantados os fundamentos deste axé foram doadas pelo maestro Manuel Tranquilino Bastos ou seu filho Eulógio Tranquilino Bastos, após uma cura por ele realizada em um membro da família (Sra. Blandina) e que apresentava uma doença desconhecida pela medicina, tratando-se de um mal espiritual. Ao receber as terras, Zé do Vapor teria exclamado: Viva Deus! Viva Deus! Assim, denominando as terras recém recebidas.

Fundado no primeiro quartel do século XX, o Terreiro "Viva Deus" localiza-se no caminho de Terra Vermelha, cerca de 3 Km da matriz do Carmo, centro de Cachoeira. Um dos acessos ao terreiro é feito subindo o Caquende, localidade tradicional desta cidade.

Zé do Vapor faleceu em 07 de junho de 1938 e foi substituído por Iyá Teófila de Osun, sua filha espiritual. Ainda passaram pela direção do Axé o Babalaxé Misael de Oya, nascido em Cachoeira em 07 de março de 1913.

Após esse período, em 1981, assume a direção do terreiro Luiz Sérgio Barbosa, Ogan confirmado em seu cargo pelo próprio Zé do Vapor, para Osun de Iya Teófila, sua mãe carnal, em 13 de janeiro de 1936.

Babalaxé Luiz Sérgio Barbosa Babá Luiz Sérgio de Orisan`la é natural de Cachoeira, onde nasceu em 24 de fevereiro de 1922. Acompanhou desde menino "Zé do Vapor" em suas idas e vindas a Salvador a serviço, convivendo com o fundador do Axé até o seu falecimento em 07 de junho de 1938.

Ao assumir o cargo de Babalaxé, Pai Sérgio reestrutura a Roça com verbas pessoais. Tem sucesso no processo em que a Fundação Palmares reconhece esta comunidade como "Território Cultural Afro-Brasileiro", ato publicado do D.O.U. de 25 de fevereiro de 2001, conseguindo, ainda, a declaração de utilidade pública pela Prefeitura Municipal de Cachoeira, e olvidando esforços incansáveis, almeja conseguir o tombamento do patrimônio pelo IPHAN, processo este em fase de conclusão. Pouco se sabe sobre Axés descendentes do Terreiro "Viva Deus" em território nacional, dando conta de que em Salvador continuam em atividade o Terreiro do Alto do Peru, herança de Iya Teófila para o seu filho Babalaxé Luis Sérgio e o Terreiro do Nordeste da Amaralina, herança de Iyá Pitiká d´Ogun deixado para seu filho Everaldo de Oxóssi.

O Babalaxé Luiz Sérgio faleceu em 20 de outubro de 2012,aos 93 anos de idade.

Referências