Chico Diabo

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Chico Diabo
Chico Diabo fere com uma lança o ditador paraguaio Solano López durante a batalha de Cerro Corá (Semana Illustrada, nº 485, 27/03/1870).
Nome completo José Francisco Lacerda
Nascimento 1848
Camaquã, Brasil
Morte 1893 (45 anos)
Cerro Largo, Uruguai
Ocupação Militar

José Francisco Lacerda, vulgo Chico Diabo, (Camaquã, 1848Cerro Largo, 1893) foi um militar (cabo) brasileiro que lutou na Guerra do Paraguai e ficou famoso por ter matado o ditador paraguaio Francisco Solano López, na batalha de Cerro Corá (1º de março de 1870).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Chico nasceu numa família de poucos recursos e, ainda menino, empregou-se na carniçaria de propriedade de um italiano, em São Lourenço do Sul, município vizinho à Camaquã, sua terra natal. Nesta carniçaria fabricava produtos como charque, linguiça e salame.

Coronel Joca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluindo Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita).

Em 1863, quando contava apenas 15 anos, Chico descuidou-se da vigilância e um cão entrou no recinto onde estava guardada a carne, devorando alguns pedaços. Ao tomar conhecimento do ocorrido pelo próprio Chico, o italiano passou a agredi-lo. O menino tomou de uma faca usada no seu trabalho e matou seu patrão. De imediato, fugiu a pé para a casa de seus pais, onde chegou na manhã do dia seguinte, portanto caminhando um dia e uma noite sem parar para descanso.

Ao ver um vulto, ao longe, a mãe de Chico exclamou: “Garanto que é aquele diabinho que vem vindo”. Por causa desta frase, ganhou o apelido de Chico Diabo que o acompanharia pelo resto da vida.

Os pais, com medo de que o filho sofresse represálias, providenciaram sua mudança para a propriedade de seu tio Vicente Lacerda, em Bagé.

Em 1865, passou pelo local um destacamento dos Voluntários da Pátria, comandado pelo então Coronel Joca Tavares, que ia se juntar às forças brasileiras que combatiam no Paraguai. Convidado a integrar ao contingente, Chico aceitou.

Na Guerra do Paraguai, Chico, já então promovido a cabo, celebrizou-se por haver matado, na Batalha de Cerro Corá, o ditador Francisco Solano López, com um certeiro golpe de lança na virilha. O golpe foi aparentemente fatal, embora, na seqüência, o soldado gaúcho João Soares, tenha alvejado López com um tiro de revólver.

Ao matar o ditador, Chico teria descumprido ordens superiores, que determinavam que ele fosse capturado vivo. Mas não há consenso entre os historiadores quanto a este fato. Alguns autores inclusive afirmam que havia uma recompensa de cem libras de ouro para quem o matasse. Segundo fontes da época o Imperador Dom Pedro não autorizou que Lacerda recebesse a medalha por bravura em combate, porque temia que na Europa pensassem que Solano Lopez teria sido morto após ser preso. Outras fontes revelam que Joca Tavares fazia parte da Maçonaria, da qual Solano era membro e no combate este se recusou a enfrentá-lo.[1]

No entanto, Chico recebeu como recompensa cem vaquilhonas (vacas que ainda não deram cria). Tomou ainda para si a faca de prata e ouro que López levava quando foi morto e na qual constavam, gravadas em ouro, as iniciais FL, coincidentemente as mesmas do nome de Chico. A lança usada pelo militar brasileiro no episódio encontra-se no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

O nome de Chico ficou consagrado popularmente em uma quadrinha muito em voga na época: "O Cabo Chico Diabo, do diabo Chico deu cabo".

Ao retornar do Paraguai, em 1871, Chico casou-se com uma prima, Isabel Vaz Lacerda, com quem teve quatro filhos, e trabalhou como capataz em várias estâncias.

Faleceu repentinamente, em 1893, quando se encontrava no Uruguai a serviço de Joca Tavares. Para receber os restos mortais do marido, anos depois, a viúva Isabel teve que contratar um uruguaio para roubá-los. Seu corpo foi sepultado novamente no Cemitério da Guarda, em Bagé. Em 2002, foi colocada uma lápide sobre o túmulo, por iniciativa do núcleo de pesquisas históricas daquela cidade gaúcha.

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Referências

  1. O ditador caiu nas margens do Arroio de Aquidabã, com os pés dentro d'agua e, estando nesta posição o General Câmara intimou-o a render-se, obtendo como resposta a frase .."não lhe entrego a minha espada; morro com minha espada e pela minha pátria ..". Um soldado brasileiro tentou tirar-lhe a espada, caindo novamente o ditador na água e, neste momento um outro soldado que estava atrás de Câmara disparou um tiro a revelia acelerando a morte do Ditador. MAGNOLI, Demetrio. História das Guerras : Contexto, 2009. p. 281.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DORATIOTO, Francisco. Maldita Guerra, São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
  • LEMIESZEK, Bagé, relatos de sua história – ed.Martins Livreiro, Porto Alegre
  • LIMA, A.G. – Cronologia da História rio-gandense, ed. Globo, Porto Alegre
  • MAGNOLI, Demetrio. História das Guerras : Contexto, 2009
  • MATTOS, Eron Vaz – Aqui: memorial em Olhos d’Água, - ed. do autor, 2003
  • STANISLAW,Francisco L.:Dóssie Chico Diabo.

Ver também[editar | editar código-fonte]



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