José Genoino

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José Genoino
José Genoino em 2011
Deputado federal de São Paulo, Brasil
Vida
Nascimento 3 de maio de 1946 (68 anos)
Quixeramobim, Ceará, Brasil
Dados pessoais
Casamentos Rioco Kayano
Partido Partido dos Trabalhadores (PT)
linkWP:PPO#Brasil

José Genoino Guimarães Neto (Quixeramobim, Ceará, 3 de maio de 1946) é ex-guerrilheiro e político brasileiro, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores. Deputado federal pelo estado de São Paulo, é titular da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados entre 7 de março de 2013 e 3 de dezembro de 2013, quando renuncia ao mandato parlamentar.[1] [2]

Em 2005, é denunciado no escândalo do mensalão. A ação penal, julgada pelo Supremo Tribunal Federal, o condena a cumprir prisão em regime semiaberto em 12 de novembro de 2012.[3]

Histórico político[editar | editar código-fonte]

Genoino nasce na comunidade de Várzea Redonda, pertencente ao município de Quixeramobim. Passa a infância em Encantado, vilarejo de cerca de 1.000 habitantes, entre os estudos primários no grupo escolar e o trabalho na roça, para ajudar os pais. Aos 13 anos muda-se para Senador Pompeu, cidade de 10 mil habitantes, onde vive na casa paroquial a convite do padre local, que o apóia nos estudos.

Foi líder estudantil, integrando a União Nacional dos Estudantes (UNE).[4] Muda-se para Fortaleza em 1964 e dois anos mais tarde, chega a trabalhar dois anos como operador de computador na IBM. Em 1968, aos 22 anos, ingressa no Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido que fazia oposição ao governo militar do país.

Participação na Guerrilha do Araguaia[editar | editar código-fonte]

Com a decretação do AI-5, em dezembro de 1968, muda-se para São Paulo e passa a viver na clandestinidade. Em 1970 vai para o interior do Pará com o objetivo de lutar na Guerrilha do Araguaia, uma das principais ações desenvolvidas pelo partido na época, durante a resistência ao regime militar.[5]

Genoino é capturado pelos militares em 1972 e passa os cinco anos seguintes na prisão. Liberado em 1977, passa a lecionar História em um cursinho em São Paulo. É anistiado em 1979 e participa da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT),[6] partido pelo qual foi eleito deputado federal por São Paulo entre 1982 e 2002.

Em 2002, se candidata ao governo de São Paulo, mas é derrotado no segundo turno por Geraldo Alckmin. No mesmo ano, é eleito presidente nacional do partido, substituindo José Dirceu. Genoino é indicado para assumir o Ministério da Defesa no início do Governo Lula, mas seu nome é rejeitado pelos militares. Em 2006, depois do escândalo do mensalão, é novamente eleito deputado federal por São Paulo, com 98.729 votos.[5]

Condecoração[editar | editar código-fonte]

Em 8 de maio de 2011, Genoíno foi condecorado pelo Ministério da Defesa com a Medalha da Vitória. Foi a primeira vez que um ex-guerrilheiro recebeu tal homenagem das Forças Armadas no Brasil.[7]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Atualmente, José Genoino é casado com Rioco Kayano, uma nipo-brasileira que conheceu nas reuniões do PCdoB em 1969 e começou a namorar quando ambos estiveram presos juntos em 1973.[8] É pai de três filhos: Miruna, Ronan e Mariana.

Genoino também é irmão de José Nobre Guimarães, o deputado federal cearense mais votado em 2006, mas que ganhou notoriedade nacional quando um de seus assessores, José Adalberto Vieira da Silva, foi preso em 2005 ao tentar embarcar em um voo de São Paulo para Fortaleza com R$ 200 mil em uma mala e US$ 100 mil escondidos na cueca.[9]

Envolvimento no escândalo do mensalão[editar | editar código-fonte]

José Genoino
Nascimento 3 de maio de 1946 (68 anos)
Quixeramobim, Ceará, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Crime(s) corrupção ativa e formação de quadrilha[10]
Pena 6 anos e 11 meses de reclusão e multa de 468 mil reais[10]

Genoino renunciou à presidência do PT em julho de 2005, após sofrer denúncias de corrupção relacionadas ao escândalo do mensalão.[11] Em 30 de março de 2006, foi denunciado pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos líderes do grupo.[12] Em agosto de 2007, o STF aceitou a denúncia de Genoino e outros 11 réus pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.[13] O deputado, que passou a contar com foro privilegiado em razão da sua eleição como deputado federal em 2006, começou a ser julgado por formação de quadrilha e corrupção ativa no STF em agosto de 2012.[14]

Foi condenado pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal em 9 de outubro de 2012.[10] Mesmo tendo sido condenado, assumiu em 2 de janeiro de 2013 como deputado federal.

Em 15 de novembro de 2013, condenado pelo Supremo Tribunal Federal, se entregou à Polícia Federal em São Paulo, sendo preso.[15] Transferido para Brasília, passou a ocupar uma cela para condenados a regime fechado.[16]

Em 3 de dezembro de 2013, para evitar uma possível cassação, renunciou ao cargo deputado federal. Após a mesa diretora da Câmara dos Deputados abrir a votação para a cassação do mandato, o vice-presidente da casa, André Vargas, leu a carta de renúncia de Genoino no plenário da Câmara. O texto, no dia seguinte, foi publicado no Diário Oficial.[17]

Em 6 de janeiro de 2014, Genoino foi intimado pela Vara de Execuções Penais de Brasília a pagar, em dez dias úteis, multa de R$ 468 mil.[18] Um site, criado três dias depois por amigos e apoiadores do deputado, arrecadou R$ 762 mil em doações. Genoino qualificou a ação como "uma vitória da solidariedade".[19] [20]

Entre o sonho e o poder[editar | editar código-fonte]

No ano de 2006 foi publicado um trabalho de entrevistas dadas por José Genoino a Denise Paraná, autora do livro Lula, o filho do Brasil. Entre o Sonho e o Poder é a resultante de várias conversas e depoimentos de José Genoino à jornalista Denise Paraná. Apesar disso, não se trata de uma obra de jornalismo investigativo, e sim um conjunto de entrevistas exclusivas ofertadas pelo deputado à jornalista.

Obras sobre Genoino[editar | editar código-fonte]

  • COELHO, Maria Francisca Pinheiro. José Genoino – Escolhas Políticas. Centauro, 2007.
  • PARANÁ, Denise. Entre o sonho e o poder: A trajetória da esquerda brasileira através das memórias de José Genoino. São Paulo: Geração Editorial, 2006.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania - CCJC
  2. José Genoino renuncia ao mandato de deputado federal
  3. Genoino é condenado a mais de seis anos e cumprirá pena no semiaberto
  4. A UNE: uma página perdida da história - por Augusto Buonicore
  5. a b José Genoino - Biografia
  6. O que diz o deputado José Genoino
  7. Ex-guerrilheiro, Genoino recebe medalha das Forças Armadas. Folha de S. Paulo. Página visitada em 08/05/2011.
  8. Da guerrilha ao governo. Isto É -Gente. Página visitada em 24/04/2011.
  9. Dólares na cueca: Justiça bloqueia bens do irmão de José Genoino
  10. a b c G1 (12 de novembro de 2012). Barbosa acelera julgamento, e STF define penas de Dirceu e mais 4.
  11. José Genoíno renuncia da presidência do PT
  12. Dirceu, Genoino e João Paulo Cunha são indicados para retornar ao Diretório Nacional do PT
  13. Mensalão: STF abre ação penal contra José Genoino por formação de quadrilha
  14. Réus do Mensalão. Ministério Público Federal. Página visitada em 30 de agosto de 2012.
  15. [1] José Genoino se entrega à PF em São Paulo após ter prisão decretada]
  16. OAB afirma que prisão de Genoino em regime fechado é ilegal
  17. Genoino renuncia ao mandato na Câmara para evitar cassação. Página visitada em 16 de janeiro de 2014.
  18. Justica determina que genoino pague multa de R$ 468 mil
  19. Genoino arrecada em site R$ 94,4 mil a mais que necessário para multa
  20. Genoino exibe comprovante após pagar multa: "vitória da solidariedade"

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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