José Lino dos Santos Coutinho
José Lino dos Santos Coutinho (Salvador, 31 de março de 1784 — 24 de julho de 1836[1]) foi um médico, poeta e político brasileiro.
Foi presidente da província do Rio de Janeiro, de 16 de julho de 1831 a 3 de janeiro de 1832.
[editar] Biografia
Filho do português José Lino dos Santos e de Luiza Rosa Coutinho, após a conclusão do curso de humanidades seguiu para Coimbra, onde diplomou-se em medicina. Dali partiu para França e Inglaterra, onde ampliou os estudos.[2]
Quando das lutas pela Independência da Bahia, Coutinho estava como deputado nas Cortes portuguesas. Apesar de ter defendido o envio de tropas lusas para deter "os facciosos, apoiados nos pretos e mulatos" recusa-se, junto a outros deputados brasileiros como Cipriano Barata, a subscrever a Constituição então aprovada, e foge com eles para Falmouth. De volta à Bahia, integra a junta constitucional como secretário, em 1821.[3]
Após as lutas Coutinho descobriu que dois de seus escravos, os irmãos Francisco Anastácio e João Gualberto, que haviam lutado no Batalhão dos Periquitos, estavam lotados na Brigada de Artilharia a Cavalo, do Rio de Janeiro. Reclamou uma indenização, e recebeu o montante de 600 mil Réis, valor considerado pequeno, pelos dois negros que serviram nas lutas baianas.[3]
Eleito deputado para as duas primeiras legislaturas do Primeiro reinado, foi oposição ao Imperador; entretanto, chegou a ser nomeado seu médico honorário e agraciado com o título de Conselheiro. Quando da abdicação de D. Pedro I, foi Ministro dos Negócios do Império por seis meses, no período regencial. Foi deputado ainda em 1826; por suas qualidades como orador causava grande impressão na plateia, recebendo por isto a alcunha de "deputado das galerias".[2]
Atuou no Colégio Médico-Cirúrgico da Bahia, na cátedra de patologia.[2] Quando, em 3 de outubro de 1832, a Regência transformou a escola em Faculdade, foi Lino Coutinho seu primeiro Diretor. Em sua gestão criou a Biblioteca, formando um dos mais ricos acervos do país.[4]
Dentre as obras que publicou, estão as médicas Topografia Médica da Bahia e Memória sobre a doutrina de Broussais; na literatura deixou uma coletânea de poemas.[2]
Referências
- ↑ Sérgio Buarque de Holanda (Organizador), O Brasil Monárquico, tomo II, volume 3: Reações e transações. 5ª edição. São Paulo : DIFEL, 1985. Página 470.
- ↑ a b c d Antônio Loureiro de Sousa. Baianos Ilustres. [S.l.: s.n.], 1949. 48 p.
- ↑ a b Jurandir Malerba. A independência brasileira: novas dimensões. [S.l.]: FGV Editora, 2006. 305-306 p. ISBN 8522505667, 9788522505661
- ↑ Capitulo 9 do Livro : Historia da Neurologia no Brasil Antonio de Souza Andrade Filho; Pedro Augusto de Santana Júnior (1999). Ensino da Neurologia na Bahia: Aspectos Históricos. Editora Lemos, São Paulo. Página visitada em 27/10/2010.
[editar] Ver também
| Precedido por Manuel José de Sousa França |
Ministro dos Negócios do Império do Brasil e Presidente da província do Rio de Janeiro 1831 — 1832 |
Sucedido por Diogo Antônio Feijó |