José Manuel Sarmento de Beires

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Recepção aos aviadores do avião Pátria, Brito Pais, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia - 1924
O avião Pátria, monumento em Vila Nova de Milfontes.

José Manuel Sarmento de Beires ComTEGOTEComCComSEComI (Lisboa, Lapa, 4 de Setembro de 1893Porto, Ramalde, Casa de Saúde da Carcereira, 8 de Junho de 1974) foi um Major do Exército Português, pioneiro da aviação em Portugal.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de José de Beires (Lamego, Almacave, 30 de Maio de 1857 - Porto, Foz do Douro, 2 de Julho de 1909) e de sua mulher Maria do Patrocínio de Castro Ferreira Sarmento (11 de Novembro de 1866 - 26 de Dezembro de 1895).

Frequentou o Colégio Militar.

Pioneiro da aviação em Portugal. Recebeu o seu diploma de piloto em 10 de Maio de 1917, numa sessão realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa, em que também foram entregues os diplomas aos outros 12 primeiros pilotos militares portugueses que eram - além de José Manuel Sarmento de Beires - Olímpio Ferreira Chaves, Azeredo Vasconcelos, Sousa Gorgulho, João Luis de Moura, Luis Cunha e Almeida, António Cunha e Almeida, Miguel Paiva Simões, Pereira Gomes J., Rosário Gonçalves, Duvale Portugal, Aurélio Castro e Silva, José Joaquim Ramires.[1]

Casou primeira vez a 25 de Março de 1920 com Maria Luísa Lalande (1892 - 1969), da qual se divorciou e da qual não teve descendência.

Foi o primeiro a realizar a travessia aérea noturna do Atlântico Sul, em 1927.

Foi condecorado com os graus de Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 5 de Outubro de 1924 (14.º aniversário da República) e de Comendador da Ordem Militar de Cristo a 5 de Outubro de 1925 (15.º aniversário da República).[2]

Sarmento de Beires distinguiu-se ainda como opositor ao regime ditatorial instaurado no país pelo Golpe de 28 de Maio de 1926, que entretanto o condecorara com os graus de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada a 30 de Janeiro de 1928 e de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 3 de Fevereiro de 1928,[2] tendo participado da última sublevação armada contra a ditadura em 1928, antes de se exilar no Brasil.

Casou segunda vez a 9 de Janeiro de 1958 com Lucília Helena Guimarães Lima, da qual também não teve descendência. A 11 de Junho de 1964 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Império.[2] Regressou a Portugal depois da Revolução dos Cravos.

O seu nome perdura na toponímia portuguesa, em nomes de arruamentos, e em Vila Nova de Milfontes foi erigido um monumento em homenagem ao raid aéreo Lisboa-Macau.

Raid aéreo Lisboa-Macau[editar | editar código-fonte]

Em 1924, Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia, fizeram a primeira viagem aérea Portugal-Macau, no avião Pátria. Apesar de ficar conhecida na historia pelo Raid Lisboa-Macau, a partida deu-se do Campo dos Coitos, junto a Milfontes a 7 de Abril de 1924. Em homenagem aos aviadores e ao seu feito histórico, foi erguido na Praça da Barbacã, junto ao forte, um monumento que recorda a heróica viagem.[3]

Primeira travessia aérea noturna do Atlântico Sul[editar | editar código-fonte]

Baptismo do hidroavião Argos - 1927.

Concebido em 1924, o seu projeto era o de realizar a circum-navegação aérea originalmente idealizada por Sacadura Cabral, repetindo o feito marítimo de Fernão de Magalhães no século XVI. Para esse fim, adquiriu um hidroaviãoDornier Do J (Wal), metálico, com dois motores Lorraine-Dietrich de 450 cv, que batizou como Argos. A viagem iniciou-se finalmente a 7 de março de 1927, sendo cumprido o trecho Alverca-Casablanca. A equipe era composta por Sarmento de Beires e Duvalle Portugal (pilotos), Jorge de Castilho (navegador) e Manuel Gouveia (mecânico). EmBolama, problemas técnicos impedem a decolagem e o piloto Duvalle sacrifica-se, permanecendo em terra para aliviar o peso da aeronave e permitir o prosseguimento da viagem. Após outros problemas, decolam dia 16, às 18:08h, rumo ao Brasil. Devido a problemas de alimentação, o mecânico Gouveia necessitou intervir por duas vezes, salvando o vôo. O navegador Castilho dirigiu a aeronave até aos Penedos de São Pedro e São Paulo, de onde infletiu paraFernando de Noronha, onde chegaram às 12:20h, perfazendo 2595 quilómetros em 18:12h de vôo. Recebidos pelo diretor do presídio na ilha, este exclamou: "Não sabíamos de nada! Mais a mais, os aviões não costumam chegar, pelo ar, a Fernando de Noronha."

O vôo prosseguiu com escalas no Recife, em Natal e no Rio de Janeiro. Nesta última cidade, Sarmento Beires registrou em seu diário: "Batemos um recorde, 14 discursos em 12 horas". De Portugal, apenas chega umtelegrama de felicitações assinado por Gago Coutinho: a viagem desagradara à ditadura militar Portuguesa, que ordenou o regresso, frustrando a viagem de circum-navegação. Em Natal, no retorno, encontram o Jahu, o avião brasileiro que tinha acabado de realizar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, sem escalas.

A 5 de Junho decolam de Belém. Uma porta mal reparada solta-se em pleno vôo, rasgando uma asa: é o fim da aeronave, retornando a tripulação de barco a Lisboa.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • REIS, Ricardo. Sarmento de Beires: a primeira travessia nocturna do Atlântico Sul. in: UP, Dezembro de 2008. p. 146.

Notas

  1. Republica mais “Portugal 1910”
  2. a b c http://www.ordens.presidencia.pt/
  3. António Jacinto da Silva Brito Pais Junta de freguesia de VIla Nova de Milfontes. Página visitada em 25 de janeiro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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