José Mariano da Rocha Filho

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José Mariano da Rocha Filho

José Mariano da Rocha Filho (Santa Maria, 12 de fevereiro de 1915 — Santa Maria, 15 de fevereiro de 1998) foi um médico e educador brasileiro. Foi professor e o responsável pela fundação e instalação da Universidade Federal de Santa Maria, em 1960, sendo seu primeiro reitor.

Vida[editar | editar código-fonte]

Filho de José Mariano da Rocha e de Maria Clara Marques da Cunha da Rocha, sendo membro duma família tradicional do Rio Grande do Sul. Era descendente do general Manuel Marques de Sousa, conde de Porto Alegre, de José Maria da Gama Lobo d'Eça, barão de Saicã. Estudou no Colégio Santa Maria, em Santa Maria, RS. Em 1931, aos 16 anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Porto Alegre (atual Faculdade de Medicina da UFRGS), que em 1934 passou a integrar a Universidade de Porto Alegre, atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1932 foi eleito presidente do Centro Acadêmico Sarmento Leite, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, e em 1934, com a criação da Universidade de Porto Alegre (mudança de nome), organizou e foi o primeiro presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Porto Alegre.

Em 1938, casou-se com a professora Maria Zulmira Velho Dias, natural de Caçapava do Sul, e voltou a Santa Maria onde passou a atuar como médico e lecionar na Faculdade de Farmácia de Santa Maria, criada em 1931 pelo regime de Escola Livre, ou seja, como a legislação da época denominava uma instituição de ensino superior que funcionasse independentemente da existência de uma universidade. Até então não existia a Faculdade de Medicina de Santa Maria e Universidade Federal de Santa Maria.

Obra[editar | editar código-fonte]

Foi o idealizador e fundador da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, no Rio Grande do Sul. Educador ligado ao movimento de interiorização e democratização do ensino superior no Brasil. Membro do Conselho Federal de Educação. Criador das áreas ou distritos geo-educacionais, pregava que a vocação do solo e a cultura da região deveriam orientar a educação. É de sua autoria, datado de 1968, o projeto que disciplina a implantação de campus universitário fora da cidade sede da universidade: a multiversidade, como ele denominava. Como Conselheiro do Projeto Rondon, foi o idealizador e criador do primeiro campus avançado do ensino superior na Amazônia, em agosto de 1969. O antigo campus da UFSM em Boa Vista, no estado de Roraima, deu origem à Universidade Federal de Roraima.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) criada por José Mariano da Rocha Filho em 1960 foi a primeira universidade instalada fora do eixo das capitais do estado no Brasil. A UFSM resultou da luta de José Mariano da Rocha Filho, desencadeada em 1946, quando conseguiu, liderando e articulando um amplo movimento do interior do Rio Grande do Sul, incluir no texto da constituição estadual um parágrafo que transformava a Universidade de Porto Alegre em Universidade do Rio Grande do Sul, através da anexação das duas faculdades então existentes no interior: Farmácia de Santa Maria e Direito de Pelotas.

José Mariano da Rocha Filho trouxe para a UFSM figuras de renome internacional e implantou projetos de âmbito mundial como a Operação Oswaldo Aranha, financiada pela FAO, entre 1968 e 1974, que visava o desenvolvimento do setor agropecuário, especialmente com relação às pequenas propriedades rurais. Em l969, instalou em Santa Maria, com o auxílio da OEA, a Faculdade Interamericana de Educação, o primeiro curso de Pós-Graduação em Educação no gênero no país, que reunia educadores de todos os países latino-americanos, estudando já naquela época, a integração da América Latina pela educação.

Repercussões na Educação Superior Brasileira[editar | editar código-fonte]

As ideias de José Mariano da Rocha Filho foram fundamentais no processo de democratização do acesso ao ensino superior no Brasil e na América Latina, e acabaram orientando o desenvolvimento e os rumos do ensino superior. Possui inúmeros trabalhos publicados no Brasil e no exterior, entre os quais destacam-se: A Nova Universidade, datado de 1962, La Nova Universidad de las Américas, publicado pela American Association of State Colleges and Universities, nos EUA em l973, Universidade para o desenvolvimento: áreas (distritos) geo-educacionais, também datado de l973 e A terra, o homem e a educação, datado de l993 e publicado no Brasil e no México.

É cidadão honorário de dezenas de cidades gaúchas e brasileiras onde semeou e ajudou a desenvolver o seu projeto de universidade comunitária, da universidade ligada à terra e ao homem que nela habita.

José Mariano da Rocha Filho mudou a história do ensino superior e suas ideias ultrapassaram as fronteiras do Rio Grande, como afirma o título de Educador das Américas que recebeu em 1972, num encontro de reitores latino-americanos. Em 1999 foi eleito um dos XX Gaúchos que marcaram Século XX, sendo o mais votado na promoção da RBS TV e Zero Hora. A escolha do nome de José Mariano da Rocha Filho, um educador emérito, deu um novo ânimo para a educação do Rio Grande e do Brasil pois, segundo suas próprias palavras: "A educação é o único caminho para o desenvolvimento".

O Diretório Acadêmico que representa os estudantes de Medicina da UFSM leva seu nome, com o acrônimo de DAZEF.[1]

Referências