José Marques da Silva

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José Marques da Silva
Retrato do arquitecto Marques da Silva
Nome completo José Marques da Silva
Nascimento 18 de Outubro de 1869
Porto
Morte 6 de Junho de 1947 (77 anos)
Porto
Nacionalidade  Portugal
Ocupação Arquiteto
Professor
Escultor
Assinatura
J. Marques Silva.JPG

José Marques da Silva (Porto, 18 de outubro de 18696 de Junho de 1947 (77 anos)) foi um arquiteto português.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Formação[editar | editar código-fonte]

José Marques da Silva nasceu no n.º 113 da Rua de Costa Cabral, no Porto, a 18 de outubro de 1869. Iniciou a sua formação como arquitecto na Academia Portuense de Belas-Artes, onde foi aluno, entre outros, de António Geraldes da Silva Sardinha, Marques de Oliveira e Soares dos Reis. Em 1889 partiu para Paris com o objectivo de ingressar na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts, cidade onde permaneceu até obter o grau de Arquitecto Diplomado pelo Governo Francês, em 10 de dezembro de 1896.

Durante a sua estadia em Paris, Marques da Silva desenvolveu a maior parte dos seus trabalhos académicos, que resultam em desenhos de arquitectura notáveis, num atelier livre externo à escola, sob orientação de Victor Laloux. Este atelier era então frequentado por uma comunidade internacional de estudantes de arquitectura, onde se destacam nomes como Charles Lemaresquier, futuro sucessor de Victor Laloux, Paul Norman, que viria a ganhar o Grand Prix de 1891, Charles Butler, o primeiro diplomado americano do atelier, em 1897, ou mesmo o do seu conterrâneo Miguel Ventura Terra. Deste período, a Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva possui um singular conjunto documental composto por 67 desenhos de arquitectura, que constitui um importante e esclarecedor registo das práticas arquitectónicas finisseculares no seio das Belas Artes.

Prática da arquitectura[editar | editar código-fonte]

Casa de Serralves

Marques da Silva regressou a Portugal em 1896 para iniciar uma intensa actividade profissional que rapidamente lhe granjeou o reconhecimento público. Na Exposição Universal de Paris de 1900 obtém a medalha de prata e na Exposição do Rio de Janeiro de 1908 foi premiado com a medalha de ouro. Em 1908 é agraciado com o Grau Oficial da Ordem de S. Tiago de Mérito Científico, Literário e Artístico. Com projectos como a Estação de S. Bento (1896), o Teatro Nacional de S. João (1910), o Edifício das Quatro Estações (1905), os Liceus Alexandre Herculano (1914) e Rodrigues de Freitas (1919), os Armazéns Nascimento (1914), a Casa de Serralves (1925-1943) ou o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular (1909), moldou a fisionomia da cidade do Porto, mas a sua actuação também se estendeu a outra regiões do norte do país, em particular a Guimarães, cidade para a qual viria a projectar vários edifícios emblemáticos tais como a sede da Sociedade Martins Sarmento, o Mercado Municipal ou o Santuário da Penha. A sua obra, num momento de mudança das práticas construtivas, aliou aos valores da tradição beauxartiana as componentes da razão, traduzindo-se em projectos funcionais e adaptados às mecânicas da vida moderna e na defesa de um modo muito próprio de entender a construção da cidade.

Actividade docente[editar | editar código-fonte]

A actividade docente de Marques da Silva iniciou-se em 1900, na qualidade de Professor de Desenho e Modelação no Instituto Industrial e Comercial do Porto. Em 1906 é nomeado professor de arquitectura na Academia Portuense de Belas-Artes, vindo a ocupar posteriormente o lugar de director da então já designada Escola de Belas-Artes do Porto (1913-1914; 1918-1939). Será ainda director e professor da Escola de Arte Aplicada Soares dos Reis (1914-1930).

O desenho, como instrumento central da prática do projecto e base de transmissão de processos metodológicos estáveis, mas capazes de reagir às múltiplas solicitações da sociedade, foi o motor do seu ensino. Esta estratégia garantiu-lhe a estima de várias gerações de arquitectos modernos que, partindo da base académica sedimentada por Marques da Silva, souberam reinventar a prática da arquitectura portuense.

Entre os muitos para os quais o seu exemplo foi determinante pode destacar-se Rogério de Azevedo.[1]

O legado[editar | editar código-fonte]

Marques da Silva faleceu em 6 de Junho de 1947, na sua residência à Praça Marquês de Pombal, no Porto. Nas suas múltiplas frentes de actuação, este académico de mérito das Academias de Belas-Artes de Lisboa e Porto, membro do Conselho Superior da Sociedade de Belas-Artes, sócio n.º 1 da Sociedade dos Arquitectos do Norte (encontrando-se colaboração da sua autoria no Anuário da sociedade de arquitetos portugueses[2] ), deixou um legado duradouro na cultura arquitectónica portuense, na paisagem da cidade, na cultura de projecto dos arquitectos, nas práticas de ensino, numa certa forma de fazer e pensar a arquitectura que se foi consolidando no Porto ao longo do século XX.

O espólio de Marques da Silva foi legado à Universidade do Porto por Maria José Marques da Silva (1914-1994) e David Moreira da Silva (1909-2002), sua filha e genro, também arquitectos, para criação do Instituto Marques da Silva. Em 1996, a Universidade funda o Instituto Arquitecto José Marques da Silva e em Julho de 2009 é reconhecida a decisão de transformação do instituto em Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva (FIMS), uma fundação de direito privado que tem como missão a promoção científica, cultural, formativa e artística do património arquitectónico do arquitecto José Marques da Silva, inserido no contexto do seu tempo e aberto à cultura moderna de que foi precursor. A Fundação, sedeada na própria Casa-Atelier do arquitecto e no contíguo palacete da família Lopes Martins, e ocupando ainda um pavilhão existente no seu extenso jardim, acolhe igualmente o acervo literário, artístico, arquitectónico e urbanístico dos arquitectos Maria José Marques da Silva Martins e David Moreira da Silva. A FIMS articula as vertentes de conservação, valorização e tratamento da informação com a investigação e divulgação, estando disponível para acolher ou incorporar outros fundos ou unidades documentais de valor patrimonial, histórico, científico, artístico ou documental relativos, preferencialmente ligados à arquitectura e ao urbanismo portuense e português.


Em Maio de 2011, a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, em conjunto com a Fundação Marques da Silva, homenageou este autor, ao providenciar informação aos passageiros da Linha 22 dos Eléctricos do Porto sobre os vários edifícios projectados por Marques da Silva, pelos quais esta linha passa.[3]

Lista de obras realizadas[editar | editar código-fonte]

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Costa, Ana Alves – Rogério de Azevedo. Vila do Conde: Verso da História, 2013, p. 10. ISBN 978-989-8657-38-8
  2. Jorge Mangorrinha (25-03-2013). Ficha histórica: Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes (1905-1910)). (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Página visitada em 09 de Maio de 2014.
  3. STCP homenageia arquitecto Marques da Silva com viagem de eléctrico. Jornal Norte (5 de Maio de 2011). Página visitada em 10 de Maio de 2011.
  4. Santuário de São Torcato. SIPA (1999). Página visitada em 19 de julho de 2012.
  5. a b Uma arquitectura pré-republicana. A República das Artes (em pt). Tugaland ed. [S.l.]: Tugaland, 2010. ISBN 978-989-8179-85-2

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CARDOSO, António O Arquitecto José Marques da Silva e a arquitectura no Norte do País na primeira metade do séc. XX, 2.ª edição, Porto, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, 1997, 793 pp.
  • CARDOSO, António, J. Marques da Silva arquitecto 1869-1947, Porto, Secção Regional do Norte da Associação dos Arquitectos Portugueses, 1986.
  • CARDOSO, António, Estação S. Bento, Marques da Silva, Porto, Instituto Arquitecto José Marques da Silva, 2007.
  • CARNEIRO, Luís Soares, A Estranheza da Estípite. Marques da Silva e o(s) Teatro(s) de S. João, Porto, FIMS, 2010.
  • MESQUITA, Mário João (coord.), Marques da Silva, o aluno, o professor, o arquitecto, Porto, IMS-Faup, [2006]
  • RAMOS, Rui Jorge Garcia, "Raízes e caminhos: Marques da Silva e a arquitectura do século XX", in Rui Jorge Garcia Ramos (coord.), Leituras de Marques da Silva, Porto, FIMS, 2011, p. 15-27 [Roots and paths: Marques da Silva and 20th century architecture. p. 28-39]
  • TAVARES, André, Os fantasmas de Serralves, Porto, Dafne Editora, 2007.
  • TAVARES, André, Em Granito. A arquitectura de Marques da Silva em Guimarães, Porto, FIMS, 2010
  • VASCONCELOS, Domingas, A Praça do Marquês de Pombal na Cidade do Porto, das suas origens até à construção da Igreja da Senhora da Conceição, Porto, Faup-publicações, 2008, pp. 117–118.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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