José Pessoa

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Marechal José Pessoa.

José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, conhecido como marechal José Pessoa, (Cabaceiras, 12 de setembro de 1885Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1959) foi um militar brasileiro.

Filho de Cândido Clementino Cavalcanti de Albuquerque e de Maria Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, era sobrinho de Epitácio Pessoa, presidente da República de 1919 a 1922, e irmão de João Pessoa, cujo assassinato foi um dos estopins para o Movimento de 1930 que pôs fim à República Velha.

Índice

[editar] Início da vida militar (1903-1917)

Assentou praça em 1903 no 2º Batalhão de Infantaria em Recife, seguindo depois para a Escola Preparatória e de Tática em Realengo (Rio de Janeiro). Transferiu-se em 1909 para a Escola de Guerra em Porto Alegre, de onde saiu aspirante-a-oficial. Esteve à disposição do Ministério da Justiça, servindo na Brigada Policial do Distrito Federal. Foi ajudante-de-ordens e assistente do comando da divisão de operações enviada a Mato Grosso para pacificar o estado em 1917 e, finalmente, serviu como ajudante-de-ordens e assistente do inspetor da 10ª Região Militar na Bahia.

[editar] I Guerra Mundial & Europa

Com a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, em outubro de 1917, foi enviado à França como um dos oficiais do exército brasileiro a serem integrados ao exército francês para combater na Frente ocidental. Como oficial de cavalaria, em rápido estágio na Escola Militar de Saint-Cyr aprendeu os fundamentos sobre a adaptação desta Arma de Exército à então recente invenção, o tanque de guerra e das táticas, até então desenvolvidas, concernentes à sua utilização em campo de batalha.

Após este estágio, foi designado para, já em atribuições concernente ao posto de capitão, comandar no front um esquadrão de cavalaria blindada1 formado por soldados das colônias francesas.2 3 Cavalcanti modestamente atribuía as condecorações de guerra que recebeu de franceses e belgas, por bravura a frente de sua companhia de tanques, à extrema agressividade de seus comandados, que chegaram a lhe presentear com macabros colares feitos com orelhas dos soldados inimigos.4 Ao final do conflito, vítima de febre tifoide foi internado num hospital de campanha, onde acabou se envolvendo pitorescamente com uma enfermeira inglesa da Cruz Vermelha, Blanche Mary Edward, que viria a se tornar sua esposa.5

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Em seu retorno ao Brasil, em 1920 foi nomeado em comissão especial para acompanhar os reis da Bélgica, Alberto e Elisabeth. Pela sua experiência com carros de combate na Guerra Mundial participou da organização da primeira unidade de Tanques do Exército Brasileiro, permanecendo no comando dessa companhia até 1923, quando foi promovido a major. Foi durante esta época que sua companhia de tanques foi a responsável por deter a marcha dos oficiais rebeldes em direção ao palácio do governo no episódio do Levante do Forte de Copacabana em 1922.6

Apesar de, ou por ser de uma importante família políticos, José Pessoa era contrário ao envolvimento dos militares com a política:
“A nossa maneira (dos militares) de fazer política tem sido a gênese de muitas infelicidades para o País. ...Ao assumir esse comando, reuni mestres e cadetes advertindo-os de que seria desaconselhável o trato de assuntos em desacordo com a disciplina militar, separando-me completamente dos políticos. ...Não se deve inferir daí que eu os condene. Absolutamente. ...Mas a política, para os políticos.”7
Ainda em 1930, foi nomeado ainda em novembro como novo diretor da Escola Militar do Realengo, o então órgão responsável pela formação dos oficiais de carreira do exército brasileiro. Tendo sido também o idealizador, patrono e fundador do órgão que viria a substituir a Escola situada no Realengo, a AMAN, fundada em 1944, bem como dos novos símbolos do Exército: uniformes históricos, brasão, espadim e da criação do culto à figura de Caxias.8

Tendo sido promovido em 1933 a general-de-brigada, enfrentou no ano seguinte um movimento de boicote dos cadetes do estabelecimento que comandava. Inconformado com a solução dada para o caso, demitiu-se do comando da escola, sendo nomeado em seguida inspetor e comandante do Distrito de Artilharia de Costa da 1ª Região Militar no Distrito Federal. Também foi o fundador do Centro de Instrução de Artilharia de Costa.

[editar] Levante comunista & Estado Novo

Em dezembro de 1935, no Rio de Janeiro, esteve presente à reunião dos generais convocada em razão do levante comunista ocorrido em novembro daquele ano.

Somente em março de 1938, quatro meses após o advento do Estado Novo, recebeu outra comissão de comando. Inicialmente cogitado para um posto em Belo Horizonte, acabou nomeado comandante da 9ª Região Militar em Mato Grosso, promovendo intenso combate ao banditismo que então grassava no estado. No início de 1939, foi nomeado inspetor da arma de cavalaria, que tratou de modernizar, dotando-a de novos regulamentos.

[editar] General-de-divisão

Promovido a general-de-divisão em maio de 1940, ocupou o cargo de inspetor de cavalaria até 1945. Ao mesmo tempo, viajou em 1943 ao Paraguai como embaixador extraordinário à posse do presidente daquela nação.

Eleito presidente do Clube Militar em maio de 1944, assumiu o cargo em junho e nele permaneceu até junho de 1946.

[editar] Questão do petróleo ou campanha do petróleo

Adido militar em Londres de 1946 a 1947, retornou ao Brasil e, em abril de 1948, participou da fundação do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (Cedpen). Em torno do órgão se articularam, de modo amplo, estudantes, jornalistas, militares, professores e homens públicos, e em pouco tempo o centro se tornou o núcleo de uma campanha de mobilização da opinião pública em favor de uma solução nacionalista para a questão do petróleo. A Campanha do Petróleo como ficou conhecida, desembocou no estabelecimento do monopólio estatal em 1953 e na consequente criação da Petrobras em 1954.

Em julho de 1948, foi nomeado para o comando da Zona Militar Sul (antecedente do III Exército), abrangendo tropas sediadas nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Reserva e promoção a marechal

Em 12 de setembro de 1949, foi transferido para a reserva no posto de general-de-exército. Sua promoção a marechal ocorreu em janeiro de 1953.

[editar] Nova capital do Brasil e falecimento

Foi convidado em 1954 pelo presidente Café Filho para ocupar a presidência da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, encarregada de examinar as condições gerais de instalação da cidade a ser construída. Em seguida, Café Filho homologou a escolha do sítio da nova capital e delimitou a área do futuro Distrito Federal, determinando que a comissão encaminhasse o estudo de todos. A Comissão de Planejamento e Localização da nova Capital, sob a Presidência de José Pessoa, foi responsável pela escolha do local exato onde hoje se ergue Brasília.

A idealização do plano-piloto também foi obra da mesma comissão que, em relatório redigido pelo marechal José Pessoa, intitulado "Nova Metrópole do Brasil", entregue ao Presidente Café Filho, detalhou os pormenores do arrojado planejamento que se realizou.

O marechal José Pessoa não imaginou o nome da capital como Brasília, mas sim Vera Cruz, estabelecendo ligação com o primeiro nome dado pelos descobridores. O plano elaborado respeitava a História e não descaracterizava as tradições brasileiras. Grandes avenidas chamar-se-iam "Independência", "Bandeirantes" etc., diferentes, portanto, das atuais siglas alfas-numéricas de Brasília, como W-3, SQS, SCS, SMU e outros.

Cláudio Queiroz, Professor de Arquitetura da Universidade de Brasília, em declaração ao programa DF TV, sobre o Mal José Pessoa, disse: "O Marechal José Pessoa é um dos Tiradentes da História de Brasília. É uma dessas pessoas que sem ele, o processo talvez tivesse sido cortado e postergado a um outro momento por que ele desempenhou um período fundamental na implantação da nova capital, da perspectiva de realização efetiva, quero dizer, tornar real"

[editar] Fonte de referência

  • CÂMARA, Hiram de Freitas. "Marechal José Pessôa: a força de um ideal" Biblioteca do Exército 1985;
  • McCann, Frank. "Soldados da Pátria: História do exército brasileiro, 1889-1937" Cia das Letras 2007 ISBN 8535910840
  • Celso Castro. "A invenção do exército brasileiro" Jorge Zahar 2002 ISBN 8571106827

[editar] Citações

  1. Companhia de Tanques (ou Carros de Combate) é outro termo em português que também se aplica ao tamanho deste grupamento comandado por Cavalcanti
  2. Frank McCann; "Soldados da Pátria: História do exército brasileiro, 1889-1937" Cia das Letras 2007 ISBN 8535910840 Pág. 438
  3. O termo "Turco" ao que o autor do livro citado se refere, é como eram popularmente conhecidas, desde a Guerra da Crimeia, as tropas recrutadas pelos franceses em seus territórios coloniais, em especial os Zuavos do norte da África.
  4. Frank McCann 2007; Ibidem
  5. Frank McCann 2007; Ibidem
  6. Frank McCann 2007; Ibidem
  7. Celso Castro; "A invenção do exército brasileiro" Jorge Zahar 2002 ISBN 8571106827 3º Capítulo "José Pessoa e a reforma na Escola Militar"
  8. Celso Castro 2002; Ibidem