José Rodrigues

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José Rodrigues
Auto-retrato de José Rodrigues.
Nascimento 16 de Julho de 1828
Lisboa
Morte 19 de Outubro de 1887 (59 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Ocupação pintor

José Rodrigues de Carvalho (Lisboa, 16 de Julho de 1828 — Lisboa, 19 de Outubro de 1887) foi um pintor português da época romântica.
Considerada a sua obra mais famosa, O cego rabequista, pintada em 1855, foi exibida na Exposição Universal de Paris em 1855 e na Exposição Internacional do Porto em 1865, conquistando o segundo lugar.

Biografia[editar | editar código-fonte]

José Rodrigues, filho de Apolinário José de Carvalho[1] e de Maria Leonarda, foi baptizado em S. João da Praça[1] a 21 de Setembro de 1828, tendo como padrinho José Rodrigues.

José Rodrigues (com o mesmo nome do padrinho) teve cinco irmãos, viveu em Lisboa, na morada sita na Rua dos Bacalhoeiros[2] , e casou em 1863 com D. Maria José Rodrigues, filha de José Rodrigues da Rocha, da qual teve três filhos (António Ribeiro Rodrigues, Teresa de Jesus Rodrigues e Matilde Leonor Rodrigues).

Antes de entrar para a Academia das Belas-Artes (convento de S. Francisco) como aluno voluntário em 1841,[1] deixou uma estampa datada de 1840. Em virtude de ter na Academia um colega homónimo, requereu oficialmente a redução do seu nome para "José Rodrigues".

Aos catorze anos de idade, no concurso de desenho histórico, ganhou um prémio na cópia de baixo-relevo, passando de aluno voluntário a aluno ordinário. Desse ano (1842) existe ainda uma estampa assinada e datada.

O Cego Rabequista, por José Rodrigues.

Em 1843, na exposição de obras de alunos, apresentou o desenho do baixo-relevo, tendo sido premiados nesse ano Miguel Ângelo Lupi, Angelino da Cruz Castro e Silva, António José Lopes Júnior e Ernesto Gerard.

No ano lectivo de 1845/1846 recebeu um prémio, tendo passado para o ensino superior na aula de pintura histórica.

Em Dezembro de 1846, ganhou outro prémio com um desenho de modelo vivo.

José Rodrigues teve como condiscípulos João Pedro Monteiro (Monteirinho), Francisco Augusto Metrass, Tomás da Anunciação, João Cristino da Silva, Joaquim Pedro de Sousa, António José Patrício e outros.

No certame trienal de 1849, recebeu das mãos da rainha D. Maria II, a medalha de ouro.

Na conferência de Agosto de 1849, a Academia premiou o quadro de José Rodrigues Aparição do Anjo S. Gabriel ao profeta Daniel, com a medalha de ouro.[3]

Na exposição promovida pela Associação Industrial Portuense, José Rodrigues obteve a medalha de prata com distinção.

Em 1865, a Conferência Geral da Academia nomeou-o "Académico de Mérito"

Ao longo da sua vida, em vez de poder pintar as obras que desejava, teve necessidade de pintar retratos para sobreviver, facto que o tornou num homem melancólico e doente. Deu aulas no mosteiro das donas irlandesas do Bom-Sucesso, no colégio de S. José das Dominicanas de S. Domingos de Benfica, entre outros locais.

O artista faleceu em 19 de Outubro de 1887 em Lisboa, na sua morada da Rua dos Bacalhoeiros.

Críticas à sua obra[editar | editar código-fonte]

Obras seleccionadas[editar | editar código-fonte]

Auto-retrato (com capa).

Nota autografada do autor no seu referido álbum.

Por falta de saúde e outros motivos particulares, estive dois anos sem pegar em pincéis, e os retratos que fiz depois, deixei de aqui os indicar, por falta de ânimo ou desleixo. Hoje 21 de Abril de 1883, querendo continuar esta relação do que me recordo, sem ordem ter assinado, são os seguintes:
 
José Rodrigues,
Penhascos da Mancha.
Cena Oriental.
El-rei Luís I de Portugal (1866).
Auto-retrato (aos 19 anos).

Quadros a óleo de diferentes temáticas[editar | editar código-fonte]

  • O pobre da púcara meio corpo. Pertencia a el-rei D. Fernando
  • O Pobre Rabequista (ou Cego Rabequista), composição de três figuras do tamanho natural. Pertencia a el-rei D. Fernando e posteriormente ao Sr. Conde do Ameal e actualmente faz parte do espólio do Museu do Chiado.
  • O malmequer. Pertencia a D. Maria Rufina de Lima Iglesias.
  • Penhascos da Mancha. Pertencia ao Marquês de Sousa Holstein.
  • Cena Oriental
  • O antigo vendedor de agriões em Sintra. Pertencia a el-rei D. Luis.
  • A cozinha.
  • A camponesa. Pertencia a el-rei D. Luis.
  • Margens do Tejo, próximo de Santarém. Pertencia a el-rei D. Luis.
  • Nossa Senhora das Felicidades. Pertencia a D. Maria Rufina de Lima Iglesias.
  • Flores e frutos; altura 1,72 m. Pertencia a el-rei D. Fernando.
  • A cidade de Lisboa, quadro do tecto da sala grande das sessões da Câmara Municipal de Lisboa 5.m de largo, por 4.m de alto. 1883.[5]

Retratos pintados a óleo[editar | editar código-fonte]

  • Sua Majestade el-rei D. Pedro V, de reminiscência, em transparente, para os festejos da Aclamação em Beja.
  • Conselheiro José da Silva Carvalho, cópia para Portalegre. 85. Anónimo.
  • Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Bento Rodrigues, para Braga.
  • Sua Majestade el-rei D. Pedro V, para o salão da Praça do Comércio de Lisboa.
  • Sua Majestade el-rei D. Luís, para a sala dos capelos da Universidade de Coimbra, quadro de 3.m de altura.
  • Sua Majestade el-rei D. Pedro V (de reminiscência) para a escola de Mafra, encomenda da Sociedade Madrépora do Rio de Janeiro.
  • Sua Majestade el-rei D. Luís, encomenda do Ministério da Marinha para a sala do docel do palácio do Governo Geral em Moçambique, quadro de 2,60 por 1,70 m.
  • Sua Majestade el-rei D. Luis, para a Câmara dos Senhores Deputados.
  • Sua Majestade el-rei D. Pedro V, de reminiscência, para a Sociedade de Beneficência do Rio de Janeiro, quadro de 2.m e 50, por 1.m e 50.
  • Autorretrato do artista, aos dezanove anos de idade.
  • Auto-retrato do pintor, vestido com capa e gorro.

Notas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Os românticos Portugueses (pág.80), por Diogo de Macedo. Editado por Realizações Artis
  2. Rua dos Bacalhoeiros (em português) (14 de Outubro de 2010). Página visitada em 22 de Dezembro de 2011.
  3. Diploma da Academia das Belas Artes de Lisboa
  4. A Arte em Portugal no Século XIX (Volume I - Livraria Bertrand - 1966)
  5. Estudo para o tecto do salão nobre da Câmara Municipal de Lisboa
  6. FormView?P_CAD_CODIGO=FLUP0170&P_ANO_LECTIVO=2006/2007&P_PERIODO=2S Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Monografia "José Rodrigues, pintor português" por Júlio de Castilho (1909)
  • Armando de Lucena "Pintores Portugueses do Romantismo"
  • Galeria de Pintura do Palácio Nacional da Ajuda (catálogo, 1869) e 1.ª Exposição de Arte Retrospectiva - 1880 a 1933 (catálogo, 1937)
  • Quatro Pintores Românticos (colecção Museum, 1ª série, nº 6 de 1949 - editado por Museu Nacional de Arte Contemporânea)
  • O Traço e a Cor (Desenhos e Aguarelas das colecções do Museu de José Malhoa) - editado para o Museu José Malhoa pelo Instituto Português do Património Cultural em 1988
  • Olisipo (Boletim trimestral do grupo "Amigos de Lisboa") - (ano XX, nº 78 de Abril de 1957)
  • D. Fernando II - Um Mecenas Alemão, Regente de Portugal (de Marion Ehrhardt, editado pela Livraria Estante Editora em 1989 ?)
  • Os Paços do Concelho - Lisboa (edição da Câmara Municipal de Lisboa com texto de Salette Simões Salvado de 1983)
  • História da Arte em Portugal (neoclassicismo e romantismo) - (Publicações Alfa com texto de Regina Anacleto em 1986)
Foto de José Rodrigues tirada por Carlos Relvas

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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