Josep Carreras

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José Carreras
José Carreras canta na Reunião Anual 2011 do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, 26 de janeiro de 2011
Informação geral
Nome completo Josep Carreras i Coll
Nascimento 5 de Dezembro de 1946 (67 anos)
Origem Barcelona, Catalunha
País  Espanha
Gênero(s) Clássico, Ópera
Ocupação(ões) Cantor
Instrumento(s) Vocal
Extensão vocal Tenor
Período em atividade 1970 – atualmente
Gravadora(s) Philips Classics
Afiliação(ões) Luciano Pavarotti
Plácido Domingo
Montserrat Caballé
Página oficial JosepCarreras.com

Josep Carreras i Coll (Barcelona, 5 de dezembro de 1946), conhecido como José Carreras, é um tenor lírico espanhol conhecido particularmente pelas suas performances em óperas de Giuseppe Verdi e Giacomo Puccini. Fez sua estreia operística com onze anos de idade, como Trujamán em El retablo de Maese Pedro de Manuel de Falla e, durante toda a sua carreira, cantou mais de sessenta papéis diferentes nas maiores e melhores casas de óperas do mundo.

José Carreras é um dos célebres "três tenores", juntamente com Plácido Domingo e Luciano Pavarotti. Também é conhecido pelos seus trabalhos humanitários como presidente da Fundação Internacional de Leucemia José Carreras (La Fundaciò Internacional Josep Carreras per a la Lluita contra la Leucèmia), que foi criada após o tenor ter descoberto ter a doença, em 1988.

Sempre trabalhou com os melhores regentes entre os quais, Herbert von Karajan, Claudio Abbado, Riccardo Muti, James Levine, Carlo Maria Giulini, Leonard Bernstein, Jesus López-Cobos, Zubin Mehta. Ao lado de suas atividades operísticas, vem apresentando recitais no Carnegie Hall, Avery Fisher Hall, Royal Festival Hall, Barbican, Royal Albert Hall, Salle Pleyel, Musikverein, Kozenzerthaus de Viena, Philarmonie de Berlin, NHK Hall de Tóquio, Grosses Festspielhaus de Salzburg, Palau de la Música de Barcelona, Teatro Real de Madrid, Academia Santa Cecília de Roma.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O mais novo de três irmãos, José Carreras nasceu em Sants, um distrito industrial de Barcelona, no dia 5 de Dezembro de 1946[1] . Em 1951 sua família emigrou para a Argentina, em mal sucedida busca de uma vida melhor. Entretanto, com um ano ele retornou para Sants, onde passou o resto de sua infância e adolescência. Ele mostrou desde cedo talento para a música, particularmente pelo canto, que foi intensificado aos seis anos de idade, quando ele viu Mario Lanza em O Grande Caruso[2] . A história, que foi recontada em sua autobiografia e em inúmeras entrevistas, Carreras cantou incessantemente para sua família, especialmente "La donna è mobile"[3] . Nesse período, seus pais, com o encorajamento do avô paterno de Carreras, Salvador Coll, um barítono amador, arrecadaram dinheiro para proporcionar aulas de música ao garoto. Ele primeiramente, estudou piano e voz com Magda Prunera, a mãe de um de seus amigos de infância e aos oito anos de idade, ele começou a ter lições no Conservatório Municipal de Barcelona.

Aos oito anos, ele apresentou-se pela primeira vez em público, cantando "La Donna è Mobile", na Rádio Nacional Espanhola, acompanhado por Magda Prunera, com quem iniciou seus estudos de música, na Rádio Nacional Espanhola. Uma gravação dessa apresentação ainda existe, e pode ser ouvida em uma biografia em vídeo, José Carreras - A Life Story[4] . No dia 3 de Janeiro de 1958, aos 11 anos de idade, fez sua estreia em uma grande casa de ópera de Barcelona, o Grande Teatro do Liceu, cantando o papel de El Trujiman em El Retablo de Maese Pedro, de Manuel de Falla. Poucos meses depois ele cantou pela última vez como soprano, no segundo ato de La Bohème, ópera de Giacomo Puccini.

Na juventude, ele continuou a estudar música, mudando-se para o Conservatório Superior de Música do Liceu e tendo aulas particulares, primeiro com Francisco Puig e depois com Juan Ruax, quem Carreras descreve como "pai artístico". Seguindo o conselho de seu pai e de seu irmão mais velho, que diziam que Carreras precisava de uma "segurança", ele também ingressou na Universidade de Barcelona, para estudar Química, mas ele deixou a faculdade dois anos depois, para concentrar-se na música.

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Décadas de 1970 e 1980[editar | editar código-fonte]

Juan Ruax encorajou Carreras a participar de audições para seu primeiro papel de tenor, no Liceu, Flavio da ópera Norma, de Vincenzo Bellini, em 8 de janeiro de 1970. Mesmo cantando um papel menor, com poucas frases, ele acabou chamando a atenção da soprano catalã, Montserrat Caballé. Ela o convidou para cantar o papel de Gennaro, ao seu lado, em Lucrezia Borgia de Gaetano Donizetti, que seria interpretada em 19 de dezembro de 1970. Esse foi o primeiro grande papel de Carreras, o qual ele considera sua verdadeira estreia como tenor. Em 1971, ele fez sua estreia internacional em uma performance de Maria Stuarda, de Gaetano Donizetti, no Royal Festival Hall em Londres, novamente cantando ao lado da soprano Caballé. Ela foi o instrumento de promoção e encorajamento, na carreira do tenor por muitos anos, aparecendo em quinze óperas diferentes ao lado dele, enquanto seu irmão e empresário, Carlos Caballé, também trabalhou como empresário de Carreras até a metade da década de 1990.

Durante a década de 1970, a carreira de Carreras progrediu rapidamente. No fim de 1971, ele venceu o primeiro lugar da prestigiada competição Voci Verdiane em Parma, Itália, que o levou a estreia italiana como Rodolfo em La Bohème (Giacomo Puccini) no Teatro Regio di Parma, em 12 de janeiro de 1972. Após um ano, ele fez sua estreia americana como Pinkerton em Madama Butterfly (Giacomo Puccini) com a Ópera da Cidade de Nova Iorque. Outras estreias nas maiores casas de óperas seguiram-se: Ópera de São Francisco em 1973 como Rodolfo; na Companhia de Ópera Lírica da Filadélfia em 1973 como Alfredo em La Traviata (Giuseppe Verdi); na Ópera Estatal de Viena em 1974 como Duque de Mantua em Rigoletto (Verdi); na Royal Opera House em 1974 como Alfredo; no Metropolitan Opera House de Nova Iorque em 1974 como Cavaradossi em Tosca (Puccini) e no Teatro alla Scala em 1975 como Riccardo de Un ballo im maschera (Verdi). Aos 28 anos de idade, ele já tinha cantado em mais de 24 óperas diferentes na Europa e América do Norte e um contrato exclusivo com a Philips Records, que resultou na gravação de inúmeras performances das óperas de Giuseppe Verdi, como Il corsaro, I due Foscari, La battaglia di Legnano, Un giorno di regno, e Stiffelio.

Algumas das cantoras que apresentaram-se ao lado de Carreras, nas décadas de 1970 e 1980 incluem-se as mais famosas sopranos e mezzo-sopranos: Montserrat Caballé, Birgit Nilsson, Renata Scotto, Ileana Cotrubas, Sylvia Sass, Teresa Stratas, Dama Kiri Te Kanawa, Frederica von Stade, Agnes Baltsa, Teresa Berganza e Katia Ricciarelli. Sua parceria artística com Ricciarelli começou quando eles cantaram em La Bohème em 1972 em Parma e durou por treze anos, fazendo inúmeras gravações e performances ao vivo. Eles fizeram, posteriormente, uma gravação de La Bohème para a Philips Classics e puderam ser ouvidos jntos em outras doze gravações comerciais de óperas e recitais, predominantemente na Philips e na Deutsche Grammophon.

Dos muitos maestros que ele trabalhou, durante esse período, incluem-se o renomado maestro austríaco Herbert von Karajan, com quem manteve relações artísticas íntimas e acabou sendo muito influenciado. Sua primeira apresentação sob a batuta de Karajan foi no Requiem de Verdi, em Salzburgo, em 10 de abril de 1976, e a última colaboração foi em 1986, em uma produção de Carmen de Georges Bizet, novamente em Salzburgo. Com o encorajamento de Karanjan, Carreras aumentou seu repertório, cantando papéis para lírico-spinto, como Aida, Don Carlos e Carmen.

Na década de 1980, Carreras ocasionalmente saiu o repertório operístico, fazendo inúmeras gravações em estúdio, com músicas de recitais de zarzuelas, musicais e operettas. Ele também fez a gravação completa de dois musicais - West Side Story (1985, de Leonard Bernstein) e South Pacific (1986, Richard Rodgers) - ambos com a soprano Kiri Te Kanawa. Sua gravação para a Philips, em 1987, a missa argentina Misa Criolla, conduzido pelo próprio compositor Ariel Ramirez, o trouxe prestígio mundial.

Durante as filmagens de La Bohème, em Paris, Carreras descobriu que sofria de Leucemia linfoide aguda, e tinha apenas 10% de chances de sobreviver. Entretanto, ele recuperou-se da doença, após um duro tratamento, envolvendo Quimioterapia, Radioterapia e Transplante de medula óssea no Centro de Pesquisas de Câncer Fred Hutchinsn, em Seattle, Estados Unidos. Seguindo sua recuperação, ele gradualmente retornou ao estágio opertístico, embarcando em uma turnê de recitais em 1988 e 1989 e cantando com Montserrat Caballé em Medea, de Luigi Cherubini e da première mundial de Cristóbal Colón de Balada, em Barcelona, 1989.

Década de 1990 e Hoje[editar | editar código-fonte]

Na década de 1990, Carreras continuou nos palcos de ópera, em Carmen e Fedora (Umberto Giordano) e fazendo sua estreia na ópera Samson et Dalila de Camille Saint-Saëns (Peralada, 1990), Stiffelio de Giuseppe Verdi (Londres, 1993) e Sly de Ermanno Wolf-Ferrari (Zurique, 1998). Entretanto, suas performances operísticas tornaram-se menos frequentes, aumentando assim sua presença em recitais e concertos. Sua última performance em uma ópera foi dia 12 de julho de 2002 em Tóquio, onde ele reprisou em Sly, enquanto sua última ópera no Grande Teatro do Liceu, a casa de ópera onde ele começou sua carreira, foi em Samson et Dalila, em março de 2001.

Em 1990, o primeiro concerto de Os Três Tenores ocorreu, na Termas de Caracala, em Roma, marcando o fim da Copa do Mundo de 1990. Foi realizada, originalmente, para arrecadar fundos para a fundação de leucemia de Carreras. Ele cantou ao lado de seus dois amigos, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti, que também deram as boas vindas ao "pequeno irmão". Entretanto, o concerto foi um sucesso mundial, trazendo mais fama ao tenor. É estimado em um bilhão de pessoas que assistiram, por televisão, o concerto do trio, em 1994, em Los Angeles[5] . Em 1999, o CD do primeiro concerto dos Três Tenores foi um sucesso nas vendas, com 13 milhões de cópias vendidas, fazendo deste o álbum clássico mais vendido do mundo[6] .

Trabalhos Humanitários[editar | editar código-fonte]

Nos anos seguintes a descoberta de que tinha leucemia, Carreras arrecadou dinheiro para as pesquisas médicas e para ajudar as pessoas que sofriam da doença. Em 14 de julho de 1988, ele fundou a Fundação Internacional de Leucemia José Carreras (Fundació Internacional Josep Carreras per a la Lluita contra la Leucèmia), em Barcelona.

A fundação de Carreras tem afiliados nos Estados Unidos, Suíça e Alemanha. Desde 1995, Carreras tem apresentado, anualmente, um programa de gala, beneficente, em Leipzig, para arrecadar fundos para sua fundação, na Alemanha. Desde que foi criado, o programa já arrecadou aproximadamente 71 milhões de euros. Carreras também apresenta-se em 20 concertos de caridade, por ano, para ajudar sua fundação e outras caridades me´dicas. Ele é um Membro Honorário da Sociedade Europeria de Medicina e da Associação Hematologista Europeia, um Patrono Honorário da Sociedade Médica Oncológica Europeia e um Embaixados da UNESCO.

Prêmios e Distinções[editar | editar código-fonte]

Carreras recebeu inúmeros prêmios e distinções por seu trabalho artístico e humanitário. Esses incluem:

  • França Comandante da Ordem das Artes e das Letras
  • França Cavaleiro da Ordem da Legião de Honra da República Francesa
  • Itália Grande Cruz de Cavaleiro República Italiana
  • Itália Grande Oficial da República Italiana
  • Áustria Grande Decoração por Serviços a República da Áustria
  • Espanha Cruz de Ouro da Ordem Civil da Solidariedade Social, da Rainha Sofia da Espanha
  • Espanha Prémio Príncipe das Astúrias
  • Alemanha Ordem do Mérido da República Federativa da Alemanha

Doutorados[editar | editar código-fonte]

Ele é Doutor Honorário da Universidade de Barcelona e da Universidade Miguel Hernández (Espanha); Universidade de Napier, Universidade de Loughborough e Universidade de Sheffield (Reino Unido); Universidade Russa de Química e Técnologia (Rússia); Universidade de Camerino (Itália); Universidade de Rutgers (Estados Unidos); Universidade de Coimbra (Portugal); Universidade Nacional de Música de Bucareste (Romênia); Universidade de Marburg (Alemanha); Universidade de Pécs (Hungria) e mais recentemente, a Universidade Hyunghee (Coréia do Sul) e Universidade do Porto (Portugal).

Família[editar | editar código-fonte]

Em sua infância em Barcelona, o pai de Carreras, Josep Carreras i Soler, trabalhou como policial de trânsito, mas era, originalmente, professor de francês. Entretanto, ele lutou no lado republicano durante a Guerra Civíl Espanhola, e quando o governo de Franco tomou o poder em 1939, ele não foi mais permitido a lecionar. Sua mãe, Antonia Coll i Saigi, trabalhava em um pequeno salão de cabeleireira. Ele foi muito grudado com sua mãe, que o convenceu que ele seria um grande cantor[7] . Em 1971, Carreras casou-se com Mercedes Pérez. Eles tiveram duas crianças: um filho, Albert (1972) e uma filha, Julia (1978). O casamento terminou em 1992, com um divórcio. Em 2006, Carreras casou-se com Jutta Jäger. O sobrinho de Carreras, David Giménez Carreras, maestro e diretor da Orquestra Sinfônica del Vallès[8] .

Voz[editar | editar código-fonte]

A voz de Carreras é considerada uma das mais bonitas vozes de tenor da atualiadade[9] . O crítico espanhol, Fernando Fraga, descreveu-o como um tenor lírico com um generoso tom spinto, tendo "um notável timbre, ricamente colorado e suntuosamente resonante"[10] . Igual o ídolo, Giuseppe di Stefano, Carreras sempre foi conhecido pela beleza e expressividade de seu fraseado e por sua paixão[11] . Essas qualidades são bem exemplificadas em sua gravação de Tosca, em 1976, com Montserrat Caballé e Sir Colin Davis conduzindo[12] . De acordo com alguns críticos[13] , sua exposição a papéis de spinto, como Andrea Chénier, Don José em Carmen, Don Carlo e Alvaro em La forza del destino, colocaram muita pressão em seu instrumento lírico e o fez ficar escuro prematuramente e perder seu floreado. Entretanto, ele produziu algumas das melhores performances nesses papéis.

Família[editar | editar código-fonte]

O pai de Carreras, Josep Carreras i Soler, foi um policial de trânsito, sendo, originalmente um professor de francês. Em 1971 Carreras casou-se com Mercedes Péres, eles tiveram um filho: Albert (1972) e uma filha: Julia (1978). Divorciaram-se em 1992. Em 2006 Carreras casou-se com Jutta Jäger.

O sobrinho de Carreras, David Giménez Carreras, é o maestro e diretor da Orquestra Sinfônica de Vallès[14] .

Referências

  1. Plaque placed by the city of Barcelona on the street where Carreras was born
  2. Carreras, J.: 1991, Singing From The Soul – An Autobiography, London: Souvenir Press, pp. 84–85
  3. Carreras, J. Op. Cit. p. 85
  4. José Carreras – A Life Story, 1993, Decca, EAN: 0044007115435. (Originally produced by Iambic Productions for broadcast on The South Bank Show, it won an International Emmy Award in 1992 for outstanding documentary programme.)
  5. 'The Three Tenors in Paris', WNET, 1998
  6. Guinness World Records 2000 Millennium Edition ISBN 0851120989
  7. Carreras, J. Op. Cit. p. 98
  8. The official web site of David Giménez Carreras
  9. Rosenthal, H. and Warrack, J. (1979) The Concise Oxford Dictionary of Opera, 2nd Edition, Oxford University Press. p. 83
  10. Fraga, F.: 'El dorado sonido del corazón', Ópera Actual nº 77, January 2005
  11. Pasi, M.:'Trionfale ritorno del tenore: i loggionisti gli hanno anche consegnato una medaglia', Corriere della Sera, 11 November 1989
  12. Michael Oliver, Gramophone Magazine, August 1993
  13. e.g. John Freeman in his review of the 1976 Tosca recording in Opera News, 9 April 1977, p. 37; 'José Carreras and Miguel Fleta' by John Steane, Opera Now, March/April 2001; 'El dorado sonido del corazón', by Fernando Fraga, Ópera Actual nº 77, January 2005
  14. Site oficial de David (em Inglês) 2008. Visitado em 22/05/2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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