Joshua Norton

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Joshua Abraham Norton
Emperor Joshua A. Norton I.jpg
Cognome(s): Imperador dos Estados Unidos, Protetor do México
Ordem: Imperador dos Estados Unidos
Início do Império: setembro de 1859
Término do Império: 8 de janeiro de 1880
Aclamação outubro de 1859,
Pai: Abraham Norton
Mãe: Caterine Norton
Data de Nascimento: 12 de outubro de 1798
Local de Nascimento: Inglaterra
Data de Falecimento: 8 de janeiro de 1880
Local de Falecimento: São Francisco, Califórnia
Local de Enterro: Cemitério Woodlawn, em São Francisco
Consorte(s):
Príncipe Herdeiro:
Dinastia:

Joshua Norton foi um inglês nascido em 1819, que morreu sessenta e um anos depois com o título de Imperador dos Estados Unidos e Protetor do México.

Infância e Juventude[editar | editar código-fonte]

Quando Joshua era criança, seu pai levou a família Norton à viajar para a África do Sul, com o intuito de estabelecer na região um estável negócio comercial. O patriarca Norton foi além e tornou-se um respeitável comerciante inglês em terras estrangeiras.

O pai de Joshua morreu no ano de 1848, deixando então uma grande herança. Joshua A. Norton preferiu, ao invés de assumir os negócios da família, viajar pelo mundo.

Sua primeira viagem depois da África foi o Império do Brasil. Na América, aposta toda a sua fortuna num golpe de especulação de arroz, cujo comércio pretendia monopolizar, e perde grande parte de sua herança. Decide voltar aos Estados Unidos ao saber da notícia da descoberta de ouro na Califórnia.

Vida na Califórnia[editar | editar código-fonte]

Joshua, sem dinheiro, resolveu abrir um armazém em São Francisco. Consegue se firmar, mas nunca mais recuperaria a fortuna de seu pai.

Em setembro de 1859, o jornal San Francisco Bulletin, o mais importante da cidade, publicou na primeira página a proclamação inicial do Imperador Norton, escrito pelo próprio monarca.

Em outubro do mesmo ano, o mesmo jornal publica, de graça, os primeiros decretos de Joshua: O Fechamento do Congresso Americano e a dissolvição dos Partidos Democrata e Republicano, a raiz de o mal do país, segundo o próprio.

O fato não chamou atenção de Washington, pois a Califórnia era um era um “canto esquecido dos EUA”, vista com descaso pelos políticos federais. Assim, o Imperador enviou uma carta ao comandante do exército americano ordenando a imediata invasão do Congresso. Ao mesmo tempo, requisitou a todos os governadores da união a presença de delegados para sua posse. Por motivos óbvios, ninguém apareceu. Isso não tirou o ânimo de Norton, que não perdeu tempo e publicou um novo decreto, que anexava o México ao Império - e "Protetor do México" ao seu título.

Norton tornou-se então um ícone, principalmente um símbolo de protesto da população, insatisfeita com o descaso governamental. Já que era o Imperador, passou a ser sustentado pela população e por personalidades importantes da Califórnia, de quem recebia moradia, alimentação e transportes gratuitos.

Joshua continuava com suas ações, dentre elas o fornecimento do uniforme azul imperial até para guardas carcerários e a implementação de um sistema de impostos – com o objetivo de suprir suas outras necessidades, como despesas e dívidas.

O Imperador, de rotina muito rígida, acordava cedo para inspecionar os garis e os bondes das cidades. Freqüentava todas as igrejas, para não haver brigas religiosas. O caso Joshua alcançou a Inglaterra, por intermédio das cartas que ele mesmo escrevia para a Rainha Vitória, a fim de desposá-la e unificar as duas monarquias.

Casos[editar | editar código-fonte]

Joshua A Norton.jpg

Há inúmeros casos sobre de Joshua, respeitados pela Califórnia. Um deles foi a história de um guarda novato que prendeu o excêntrico Joshua por vagabundagem. O fato revoltou a população, que exigiu providências. O Imperador Norton foi libertado pelo chefe da polícia em pessoa, a quem apresentou um pedido de desculpas. Só perdoou o ocorrido quando foi visitado por uma delegação do conselho municipal de São Francisco.

Em outra ocasião, lhe foi negada uma refeição gratuita em um dos trens da Central Pacific, o que lhe levou a lançar um decreto abolindo a companhia, que na época era a mais importante da costa oeste. Pouco tempo depois, recebeu passe livre vitalício e um pedido formal de desculpas. Satisfeito, redigiu uma nova autorização para o funcionamento da empresa.

Quando os Estados Unidos mergulharam na Guerra de Secessão, em 1861, o Imperador Norton veio a público e se declarou extremamente preocupado. Não hesitou em tomar atitudes: convidou os presidentes Lincoln e Davis (da confederação) para uma reunião, onde serviria de mediador. Para sua surpresa, nenhum deles apareceu na data marcada, o que o levou a publicar um decreto ordenando o fim imediato das hostilidades e prometendo ação imperial para breve, o que acabou não acontecendo.

Morte[editar | editar código-fonte]

O povo de São Francisco continuava contemplando Joshua Norton, a até sua morte, em 8 de janeiro de 1880. Seu caixão ficou exposto à visitação pública durante dois dias, e por ele passaram mais de dez mil súditos fiéis. Em sua nota de falecimento, foi dito: "o Imperador Norton não matou, não roubou e não expulsou ninguém de seu país. Poderíamos dizer isso da maioria dos indivíduos que exerceram seu cargo?".

O cortejo fúnebre foi acompanhado por mais de 30 mil pessoas. Joshua Abraham Norton, Imperador dos Estados Unidos e Protetor do México, está enterrado no cemitério Woodlawn, em São Francisco. Sua lápide não anuncia Joshua Abraham Norton, como deveria, mas Imperador Norton I.