Josip Broz Tito

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Josip Broz Tito
Presidente da Iugoslávia República Socialista Federativa da Iugoslávia
Mandato 14 de janeiro de 1953
a 4 de maio de 1980
Antecessor(a) Ivan Ribar
Sucessor(a) Lazar Koliševski
Primeiro-ministro da Iugoslávia
Mandato 29 de novembro de 1945
a 29 de junho de 1963
Antecessor(a)
Sucessor(a) Petar Stambolić
Vida
Nascimento 25 de maio de 1892
Kumrovec, Krapina-Zagorje
Flag of Austria-Hungary (1869-1918).svg Áustria-Hungria
Morte 4 de maio de 1980 (87 anos)
Liubliana,
Jugoslávia Iugoslávia
Dados pessoais
Primeira-dama Pelagija Broz (1919-1939)
Jovanka Broz (1952-1980)
Partido Liga dos Comunistas
Religião Ateu
Profissão Metalúrgico, militar
Assinatura Assinatura de Josip Broz Tito
Serviço militar
Apelido(s) Tito
Lealdade Império Austro-Húngaro (1913-1915)
Bolcheviques (1917)
Partisans (1941-1945)
Iugoslávia (1945-1980)
Anos de serviço 1913 - 1980
Graduação Marechal
Unidade 25º Regimento Croata
Frente Oriental
Comandos 1ª Brigada Proletária
2ª Brigada Proletária
Batalhas/guerras Primeira Guerra Mundial
Revolução Russa
Segunda Guerra Mundial
Guerra Fria
Condecorações Nacionais:
Order of the National Hero BAR.pngOrder of the National Hero BAR.pngOrder of the National Hero BAR.png
Order of the Yugoslavian Great Star Rib.pngOrden slobode.pngOrder of the Hero of socialist labour Rib.png
Order of the National liberation Rib.pngOrder of the Battle flag Rib.pngOrden jugoslovenske zastave1(traka).png
Order of the partisan star with golden wreath Rib.pngOrder Republic Golden wreath RIB.pngOrder of merits for the people with golden star Rib.png
Order of the brotherhood and unity with golden wreath Rib.pngOrder of the National army with laurer wreath Rib.pngOrder of military merits with the great star Rib.png
Order for courageousness Rib.pngCommemorative Medal of the Partisans - 1941 RIB.png30 Years of the Victory over Fascism Medal RIB.png
10 Years of the Yugoslav Army Medal RIB.png20 Years of the Yugoslav Army Medal RIB.png30 Years of the Yugoslav Army Medal RIB.png

Estrangeiras:
Order of the Southern Cross Grand Collar Ribbon.pngGrand Crest Ordre de Leopold.pngTCH Rad Bileho Lva 1 tridy (pre1990) BAR.svgDEN Elefantordenen BAR.png
Legion Honneur GC ribbon.svgGER Bundesverdienstkreuz 9 Sond des Grosskreuzes.svgGRE Order Redeemer 1Class.png
Cordone di gran Croce di Gran Cordone OMRI BAR.svgJPN Daikun'i kikkasho BAR.svgMEX Order of the Aztec Eagle 1Class BAR.pngOrd.Neth.Lion.jpg
St Olavs Orden storkors stripe.svgPOL Virtuti Militari Wielki BAR.svgPOL Polonia Restituta Wielki BAR.svgPRT Order of Saint James of the Sword - Grand Cross BAR.png
Order of Lenin ribbon bar.pngOrdervictory rib.pngSeraphimerorden ribbon.svgOrder of the Bath (ribbon).svg

Marechal Josip Broz Tito GColIH (Kumrovec, 7 de maio de 1892Liubliana, 4 de maio de 1980) foi um militar croata, revolucionário comunista e estadista iugoslavo, líder dos guerrilheiros da resistência iugoslava, denominados partisans, durante a Segunda Guerra Mundial, sendo o maior responsável pela resistência armada às forças do Eixo e aos nazi-fascistas croatas e sérvios, mesmo sem apoio político e material dos Aliados. Posteriormente, Tito se tornaria presidente da Iugoslávia, cargo que exerceu entre 1953 e 1980, até a morte. Figura importante e controversa da Guerra Fria, Tito fora criticado e elogiado por ambos os lados do globo. Símbolo de união entre os povos da Iugoslávia por ter mantido a paz entre as diferentes etnias dos Balcãs, palco de históricos conflitos separatistas, [1] Tito também é considerado um ditador cruel e autoritário, que sufocou os anseios de independência e liberdade dos diferentes povos de seu país, apesar de seu carisma característico, que lhe rendeu o apoio do povo iugoslavo, fazendo dele uma das figuras mais populares de seu tempo. [2] [3] Pelo resto do mundo, Tito é respeitado e admirado pela sua luta contra os nazistas, e principalmente por ter sido um líder com a força, coragem e capacidade de manter seu país livre de influências estrangeiras durante a Guerra Fria, fosse da União Soviética ou dos Estados Unidos, além de ter defendido a união e soberania dos países do chamado terceiro mundo. [4] Tito foi um cidadão do mundo e reconhecido aventureiro, vivendo em diversas nações europeias, como Croácia, Eslovênia, Sérvia, República Checa, Áustria, Alemanha, e Rússia, onde foi preso, conseguiu escapar e ainda lutou para derrubar o tsar. Era um dos mais conhecidos adeptos do Estado laico. Seu funeral atraiu centenas de líderes mundiais, sendo o funeral com maior participação em toda a história até então, superado apenas pelo do papa João Paulo II, vinte e cinco anos mais tarde. [5] [6] Após a sua morte, diferenças, ódio e ressentimentos entre diferentes grupos étnicos desencadearam o maior conflito bélico europeu após a Segunda Guerra Mundial, desmembrando as repúblicas iugoslavas, e levando a guerras e impasses que perduram até hoje na região, como o caso de Kosovo. [7]

Filho de pai croata e mãe eslovena, Tito nasceu no Império Austro-Húngaro. No serviço militar, se destacou, tornando-se o mais jovem sargento-major dentro do exército do país. [8] Após ter sido gravemente ferido e capturado pelos russos durante a Primeira Guerra Mundial, Josip foi enviado a um campo de trabalhos forçados nos Urais. Mais tarde, ele participaria da Revolução de Outubro, que derrubou o czarismo na Rússia, e posteriormente se juntaria à Guarda Vermelha na cidade de Omsk. Ao retornar para a terra natal, Tito se deparou com o recém-instaurado Reino da Iugoslávia, onde ingressaria na Liga dos Comunistas.

Em 1939, tornou-se chefe da Liga, cargo que exerceria até a morte, e lutou na Segunda Guerra Mundial, chefiando o movimento guerrilheiro iugoslavo, os chamados partisans. Após a guerra, Tito tornou-se primeiro-ministro e mais tarde o Presidente da República Socialista Federativa da Iugoslávia. A partir de 1943, passou a carregar a patente de Marechal, tornando-se o comandante supremo do exército iugoslavo. Com grande reputação em ambos os blocos da Guerra Fria, por sua posição neutra, Tito passou a ser constantemente elogiado e congratulado com 98 condecorações, tanto por reconhecimento como pelo interesse em obter o apoio iugoslavo.

Tito foi o arquiteto da nova Iugoslávia, a república socialista que existiu entre a Segunda Guerra Mundial e 1991. Apesar de ter sido um dos fundadores do Cominform, o departamento que reunia as nações socialistas do globo, Tito foi o único membro da organização a desafiar a hegemonia da União Soviética sobre as demais nações do bloco. Defensor de uma rota independente em direção ao socialismo, ideologia que ganhou o nome de Titoísmo, ele foi um dos fundadores do Movimento Não Alinhado, que era contrário a um alinhamento aos dois blocos denominados "hostis" — a OTAN e o Pacto de Varsóvia. Com o sucesso de suas políticas diplomáticas e econômicas, Tito foi capaz de comandar a explosão econômica e a expansão da Iugoslávia nos anos 1960 e 1970. [9] [10] [11] Suas políticas internas incluíam a supressão do sentimento separatista e a promoção da irmandade e unidade entre as seis nações iugoslavas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância, juventude e serviço militar[editar | editar código-fonte]

Nascido em 7 de maio de 1892 em Kumrovec, no território croata do Império Austro-Húngaro, Josip Broz era o sétimo filho de Franjo e Marija Broz. Seu pai, Franjo Broz (1860-1936), era croata, enquanto sua mãe, Marija (1864-1918), era eslovena, casados em 1891. Após passar alguns anos de sua infância com seu avô materno Martin Javeršek na vila eslovena de Podsreda, Broz entrou na escola primária em 1900, já na sua localidade natal, Kumrovec, repetindo a 2ª série e se graduando em 1905. Em 1907, saiu do ambiente rural e começou a trabalhar como aprendiz de maquinista em Sisak. Lá envolveu-se pela primeira vez no movimento operário. Em 1910, juntou-se ao sindicato dos metalúrgicos e ao mesmo tempo ingressou no Partido Social-Democrata da Croácia. Entre 1911 e 1913, Broz trabalhou por algum tempo em Kamnik, Cenkov, Munique e Mannheim, onde chegou a ser empregado da automobilística Benz. Posteriormente, se mudaria para Wiener Neustadt, na Áustria, onde trabalharia para a Daimler. [12]

Em 1913, juntou-se ao Exército Austro-Húngaro. Foi enviado à escola de oficiais não-comissionados, tornando-se sargento e servindo no 25º Regimento Croata, com base em Zagreb. Com a emergência da Primeira Guerra Mundial, em 1914, ele foi enviado à Ruma, onde seria preso por propaganda pacifista e aprisionado na temida Fortaleza de Petrovaradin. Em janeiro de 1915, ele foi enviado à Frente Oriental, sitiada na Galícia, para lutar contra as tropas da Rússia. Como soldado capaz, Broz se destacou, tornando-se o mais jovem sargento-major do exército austro-húngaro. Em 25 de março de 1915, em Bukovina, ele foi seriamente ferido e consequentemente capturado pelas forças russas. [13]

De prisioneiro a revolucionário[editar | editar código-fonte]

O revolucionário Broz.

Após passar treze meses em um hospital, Broz foi enviado a um campo de trabalhos forçados nos Urais, onde foi eleito o líder dos prisioneiros. Em fevereiro de 1917, trabalhadores revoltados invadiram a prisão e libertaram os prisioneiros. Broz imediatamente se uniu aos bolcheviques. Em abril de 1917, ele foi preso novamente, mas conseguiu escapar, viajando à então capital russa, Petrogrado. A caminho da Finlândia, Broz foi capturado e preso na Fortaleza de Pedro e Paulo, por três semanas. Enquanto era enviado mais uma vez para Kungur, Broz conseguiu escapar do trem que o levava para a prisão, e escondeu-se com o auxílio de uma família de Omsk, na Sibéria, onde Broz conheceria sua futura esposa, Pelagija Belousova. Após a Revolução de Outubro, ele ingressou na unidade da Guarda Vermelha em Omsk. Após a contra-ofensiva das forças do Exército Branco, Broz viajou para a Quirguízia e posteriormente retornou a Omsk, casando-se com Belousova. Em 1918, Broz se juntaria à unidade iugoslava do Partido Comunista russo. Em junho do mesmo ano, Broz deixou a cidade em busca de trabalho, e foi contratado para trabalhar como mecânico em uma vila próxima de Omsk. Em janeiro de 1920, ele e sua esposa fizeram uma longa e dura jornada de volta à Iugoslávia, onde chegariam em setembro. [14]

Com o retorno, Broz ingressou na Liga dos Comunistas da Iugoslávia. A influência da Liga na vida política do Reino da Iugoslávia crescia rapidamente. Nas eleições de 1920, os comunistas conseguiram 59 cadeiras no parlamento, tornando-se o terceiro partido mais forte. Vencendo diversas eleições locais, ganharam força na segunda maior cidade, Zagreb, elegendo Svetozar Delić para prefeito. Após o assassinato do ministro Milorad Drašković por um jovem comunista, em 2 de agosto de 1921, a Liga foi declarada ilegal e os mandatos dos comunistas foram cassados. [15] Apesar de toda a pressão do governo contra os comunistas, Broz continou com seu trabalho, mesmo na clandestinidade. Em 1925, Broz se mudaria para Kraljevica, onde trabalharia como estaleiro. Eleito chefe do sindicato, ele lideraria uma greve geral da classe. Despedido, mudou-se para Belgrado, onde trabalhou em uma fábrica ferroviária. Posteriormente, ele seria indicado como secretário do sindicato dos metalúrgicos da Croácia. Em 1928, ele tornou-se o chefe da Liga em Zagreb. No mesmo ano, foi preso e julgado por atividades ilegais de agitação comunista. Quando solto, passou a viver no anonimato, adotando nomes falsos, entre eles aquele que carregaria por toda a vida — Tito. [16]

Em 1934, as autoridades de Zagreb enviariam Tito a Viena, onde todos os membros da Liga dos Comunistas haviam buscado refúgio. Ele foi apontado para a chefia do comitê e passou a indicar seus aliados, entre eles Milovan Đilas. Em 1935, Tito viajou à União Soviética para se reunir com os demais membros do Comintern, cujo departamento dos Balcãs era dirigido por ele. Tito tornou-se membro do Partido Comunista da União Soviética e do serviço secreto soviético, o NKVD. Esteve envolvido no recrutamento dos soldados que iriam lutar contra os nacionalistas na Guerra Civil Espanhola. [17] Em 1936, o Comintern enviou o "camarada Walter" (um dos codinomes de Tito) de volta para a Iugoslávia com a missão de reorganizar a Liga dos Comunistas no país, inclusive através de expurgos. Em 1937, o então chefe da Liga, Milan Gorkić, seria assassinado em Moscou, [18] e Tito se tornaria o novo chefe da Liga, ainda clandestina.

A invasão alemã[editar | editar código-fonte]

Em 6 de abril de 1941, o Exército alemão, com apoio da Hungria e Itália, iniciam a invasão da Iugoslávia. Em 10 de abril de 1941, Slavko Kvaternik proclamou o Estado Independente da Croácia, ao que Tito respondeu com a formação de um comitê militar dentro do Partido Comunista iugoslavo. Atacado de todos os lados, as forças armadas do Reino da Iugoslávia sucumbiram rapidamente. Em 17 de abril de 1941, após a fuga de importantes autoridades e do próprio rei Pedro II, os representantes que permaneceram no país se encontraram com oficiais alemães em Belgrado. Eles rapidamente acataram acabar com a resistência militar. Em 1 de maio de 1941, Tito lançou um panfleto convocando o povo a se unir na batalha contra a ocupação nazista. [19] Em 27 de junho de 1941, o Comitê Central da Liga dos Comunistas da Iugoslávia apontou Tito o comandante supremo de todas as forças de libertação nacional. Em 1 de julho de 1941, o Comintern enviou informações precisas ordenando uma ação imediata. [20]

Apesar dos conflitos com o movimento monarquista rival, os Chetniks, os partisans de Tito conseguiram liberar alguns territórios, com destaque à República de Užice, temporariamente estabelecido durante a invasão. Durante este período, Tito manteve contato com o líder dos Chetniks, Draža Mihailović, em 19 de setembro e 27 de outubro de 1941. [21] Tito teria ordenado que suas forças colaborassem com o a fuga de judeus, e estima-se que 2.000 judeus tenham lutado diretamente por Tito. [22]

Em 21 de dezembro de 1941, os partisans criaram a 1ª Brigada Proletária, e em 1 de março de 1942, Tito criou a 2ª Brigada Proletária. [23] Em territórios libertados, os partisans organizaram comitês populares para atuar como o governo civil. O Conselho Anti-Fascista de Libertação Nacional da Iugoslávia ocorreu em Bihać, em 26 e 27 de novembro de 1942 e em Jajce em 29 de novembro de 1943. [24] Nas duas sessões, os representantes da resistência estabeleceram uma base para a organização pós-guerra do país, decidindo estabelecer uma Federação de nações iugoslavas. Em Jajce, uma presidência de 67 membros foi eleita e estabeleceram um Comitê de Libertação Nacional, composto por nove membros — sendo cinco deles partidários comunistas — para atuar no governo provisório. [25] Tito seria nomeado Presidente do comitê. [26]

Tito (à direita) e demais partisans, poucos dias antes da Operação Rösselsprung.

Com a crescente possibilidade de uma invasão dos Aliados aos Balcãs, o Eixo passou a investir mais recursos na destruição da força principal dos partisans e o alto escalão do grupo. Isso significava, entre outras coisas, um esforço profundo da Alemanha Nazista para capturar o próprio Tito. Em 5 de maio de 1944, ele conseguiu escapar dos alemães durante a Operação Rösselsprung, que consistiu de um ataque aéreo contra seu quartel-general na Bósnia. [27]

Diante dos sucessos dos partisans em combater e evadir os intensos ataques do Eixo entre janeiro e junho de 1943, os líderes Aliados deixaram de apoiar Draža Mihailović, que já se mostrava superado, e passaram a apoiar Tito. O rei Pedro II, o presidente americano Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro inglês Winston Churchill se uniram ao líder soviético Joseph Stalin para reconhecer oficialmente Tito e os partisans, durante a Conferência de Teerã. [28] O apoio resultou no lançamento de paraquedistas Aliados na Iugoslávia contra tropas do Eixo, com o objetivo de proteger e dar assistência aos partisans. Em 17 de junho de 1944, na ilha de Vis, foi assinado um tratado com o propósito de unificar o governo de Tito com o governo exilado de Pedro II. [29]

Tito encontra-se com o primeiro-ministro inglês Winston Churchill.

Em 12 de setembro de 1944, o rei Pedro II convocou todo o povo iugoslavo a se unir sob a liderança de Tito, afirmando que aqueles que não o fizessem eram "traidores". [30] Em 28 de setembro de 1944, a Agência Telegráfica da União Soviética (TASS), informou que Tito assinara um acordo com a URSS aceitando o "ingresso temporário" de tropas soviéticas em território iugoslavo, o que permitiu ao Exército Vermelho dar assistência em operações no nordeste da Iugoslávia. [31] Com o flanco estratégico seguro por conta do avanço dos Aliados, os partisans prepararam e executaram uma ofensiva geral em massa que culminou na quebra das linhas alemãs e numa retirada das tropas invasoras das fronteiras iugoslavas. Após a vitória dos partisans e o fim dos conflitos na Europa, todas as forças externas foram retiradas de território iugoslavo.

Pós-guerra[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Disseram-me que Tito assassinou mais de 400.000 da oposição na Jugoslávia antes ele conseguir estabelecer-se ali como um ditador. Cquote2.svg
Harry Truman, presidente dos EUA[32]

Em 7 de março de 1945, o governo provisório da Iugoslávia Democrata e Federativa foi estabelecido em Belgrado por Tito, enquanto o nome provisiório definia tanto uma república quanto uma monarquia. Este governo era chefiado por Tito como primeiro-ministro interino, e incluía representantes do governo monárquico em exílio. De acordo com os acordos entre os líderes da resistência e as autoridades exiladas, seriam realizadas eleições para determinar qual seria a forma de governo. Em novembro de 1945, a frente popular republicana de Tito, liderada pela Liga dos Comunistas da Iugoslávia, venceu as eleições com uma maioria esmagadora. Os monarquistas boicotaram o pleito. [33] Durante este período, Tito gozou de grande apoio popular, pelo fato de ser considerado o "libertador da Iugoslávia". [34] A administração iugoslava no período pós-guerra tinha por prioridade unir um país profundamente afetado por movimentos ultra-nacionalistas e pela devastação das batalhas, enquanto também precisava suprimir os sentimentos separatistas das várias nações a favor da tolerância e do objetivo comum de todos os iugoslavos.

Após a esmagadora vitória eleitoral, Tito foi confirmado como primeiro-ministro da Iugoslávia Democrata e Federativa. O país receberia um novo nome — República Federal Popular da Iugoslávia. Em 29 de novembro de 1945, o rei Pedro II foi finalmente deposto pela Assembleia Constituinte. Posteriormente, a Assembleia estabeleceria um nova constituição, baseada em princípios republicanos.

A Iugoslávia organizaria o Exército Popular Iugoslavo (JNA), com base no movimento Partisan, que mais tarde se tornaria o quarto mais poderoso exército da Europa na época. [35] O UDBA, Departamento de Segurança do Estado, também seria estabelecido. A inteligência iugoslava ficou encarregada de aprisionar e levar a julgamento uma quantidade de colaboradores do nazismo. Um ponto controverso é que a missão também incluia clérigos católicos devido ao envolvimento do clero croata com a Ustaše, facção extremista, baseada em ideologias nacionalistas e católicas. Draža Mihailović foi declarado culpado por alta traição e crimes de guerra, sendo fuzilado em julho de 1946.

O primeiro-ministro Josip Tito encontrou-se com o cardeal Alojzije Stepinac, em 4 de junho de 1945, dois dias após ele ter sido solto da prisão. Os dois não conseguiram chegar a um consenso com relação ao estado da Igreja Católica. Sob a liderança de Stepinac, a conferência de bispos expediu uma carta condenando supostos crimes de guerra cometidos pelos partisans, em setembro de 1945. No ano seguinte, Stepinac foi preso e julgado. Em outubro de 1946, em sua primeira seção especial em 75 anos, o Vaticano excomungou Tito e o governo iugoslavo por conta da sentença de 16 anos dada a Stepinac, por sua assistência aos terroristas da Ustaše e pela conversão forçada de sérvios ao catolicismo romano. [36] Stepinac recebeu tratamento preferencial por conta de sua condição de clérigo, [37] e a sentença seria logo reduzida para prisão domiciliar, com a opção de emigração aberta para o arcebispo. Reformas realizadas no plano religioso fizeram da Iugoslávia laica uma nação consideravelmente mais liberal com relação às religiões do que a maioria dos Estados reconhecidamente ateístas do Leste Europeu.

Nos primeiros anos do pós-guerra, Tito era amplamente considerado um líder comunista extremamente leal a Moscou, e, de fato, era visto apenas atrás de Stalin na liderança do Bloco do Leste. Com a derrubada de aeronaves americanas que sobrevoavam o território iugoslavo, as relações com o Ocidente se prejudicaram, empurrando Tito para uma conflituosa aliança com Stalin, que considerava o líder iugoslavo demasiado independente.

Presidente da Iugoslávia[editar | editar código-fonte]

Ruptura com a União Sovética[editar | editar código-fonte]

Diferentemente das demais nações comunistas da Europa Central e Leste Europeu, a Iugoslávia foi liberada do Eixo com apoio limitado do Exército Vermelho. O papel de liderança de Tito na liberação da Iugoslávia não somente fortaleceu sua posição dentro do partido e entre o povo iugoslavo, mas também fez com que ele se tornasse mais insistente que a Iugoslávia tinha interesses mais profundos do que as demais nações, que por sua vez tinham outras razões para reconhecer os esforços da União Soviética em ajudá-las na liberação. Apesar de Tito ter se aliado a Stalin durante a Segunda Guerra Mundial, os soviéticos formaram um círculo de espionagem dentro da Liga iugoslava ainda em 1945, tornando esta aliança cada vez mais problemática e conflituosa.

Em 1948, motivado pelo desejo de construir uma economia forte e independente, Tito modelou o desenvolvimento econômico de seu país independentemente de Moscou, o que resultou em um desconforto diplomático seguido de uma tensa troca de correspondências, em uma das quais Tito afirmou que seu país toma o sistema soviético como exemplo, mas desenvolve uma forma diferente de socialismo. Tito também disse que independentemente do quanto um homem ame a terra do socialismo, a União Soviética, ele não pode amar menos a sua própria terra. [38]

A resposta soviética, em 4 de maio, criticou Tito e a Liga por não admitirem seus erros, acusando-lhes de soberba e orgulho em demasia por conta das vitórias contra os alemães, reiterando que o Exército Vermelho teria salvado o país da destruição. A resposta de Tito, treze dias depois, sugeriu que o assunto deveria ser resolvido na sessão do Cominform, em julho daquele ano. Tito, porém, não compareceu ao encontro, temendo que a Iugoslávia fosse abertamente atacada. Em 1949, a crise quase culminou em um conflito armado, conforme tropas húngaras e soviéticas marchavam nas proximidades das fronteiras iugoslavas. Em 28 de junho, os demais países membros do comitê concordaram em expulsar a Iugoslávia. Stalin teria dito que bastava a ele "balançar o mindinho e era uma vez Tito." [39] Com a expulsão, a Iugoslávia foi efetivamente banida das associações internacionais de Estados socialistas, enquanto as demais nações realizavam expurgos contra políticos considerados "titoístas". Por outro lado, a vida política na Iugoslávia também foi marcada por repressão severa contra oponentes, bem como pessoas que expressavam admiração pelo modelo soviético, os ditos "stalinistas". Vários dissidentes foram mandados para o campo de trabalho penal de Goli Otok.[40] Stalin levou para o lado pessoal, e tentou assassinar Tito em diversas ocasiões. Em uma delas, Tito teria respondido ao líder soviético:

Pare de mandar pessoas para me assassinar. Nós já capturamos cinco deles. Um tinha uma bomba, e o outro um rifle (...) Se não parar de mandar assassinos, eu mandarei um para Moscou, e um segundo não será necessário. [41]

O distanciamento de Tito da URSS possibilitou à Iugoslávia obter auxílio dos Estados Unidos no Plano Marshall. Contudo, Tito não aceitou se alinhar com o Ocidente, a consequência de aceitar o auxílio americano. Após a morte de Stalin, em 1953, as relações com a URSS relaxaram e a Iugoslávia passou a receber auxílio financeiro do COMECON. Na ocasião, Tito usou o antagonismo entre Ocidente e Oriente a seu favor. Em vez de escolher um lado, Tito participou da fundação do Movimento dos Países Não Alinhados, uma alternativa para os países que não tinham interesse em tomar partido durante a Guerra Fria.

O evento foi importante não somente para a Iugoslávia e para Tito, mas também para todo o mundo. Por representar a primeira ruptura entre duas nações socialistas, a situação desmistificou a ideia de que o socialismo seria uma força unificada que eventualmente controlaria o mundo inteiro. A ruptura com a União Soviética trouxe a Tito reconhecimento internacional, mas também iniciou um período de instabilidade. O sistema socialista de Tito rapidamente seria rotulado como "Titoísmo" por Moscou, como forma de separar o socialismo iugoslavo do socialismo soviético.

Quartel-general dos partisans, com Tito ao centro.

Uma das principais características do chamado "Titoísmo" é a autogestão, um tipo de experiência socialista corporativa que introduziu o lucro compartilhado e a democracia no ambiente operário em empresas antes controladas pelo governo, que então passaram a ser propriedade dos trabalhadores. Em 13 de janeiro de 1953, ficou estabelecido que a lei da autogestão seria a base de toda a ordem social da Iugoslávia. Ainda em 1953, Tito sucederia a Ivan Ribar na presidência da Iugoslávia. Nikita Khrushchev, sucessor de Stalin, visitou Tito em Belgrado, em 1955, e se desculpou pelos erros cometidos durante a administração do antecessor. Tito visitaria a URSS em 1956, mostrando ao mundo que as tensões entre os dois países começavam a baixar. [42]

Com a chegada de Leonid Brejnev ao poder na União Soviética, as autoridades da Iugoslávia se colocariam em alerta, já que o novo líder soviético, que por sua vez era amigo íntimo de Tito, tinha por doutrina a soberania limitada das nações socialistas, defendendo que os governos socialistas deveriam todos se alinhar e se unir a Moscou. Na prática, contudo, Brejnev deu início à Détente, que tinha por objetivo diminuir as tensões diplomáticas entre a União Soviética, os países capitalistas e as nações não-alinhadas. Com isso, as relações entre a Iugoslávia e a URSS tiveram um singela melhora, e continuaram cordiais. Durante o governo de Brejnev, Tito visitou por diversas vezes a União Soviética.

Iugoslávia independente[editar | editar código-fonte]

A política externa de Tito permitiu à Iugoslávia estabelecer relações diplomáticas com uma grande variedade de países. Sob a sua liderança, a Iugoslávia tornou-se membro fundador do Movimento dos Países Não Alinhados. Em 1961, Tito fundara o movimento com Gamal Abdel Nasser do Egito, Jawaharlal Nehru da Índia, Sukarno da Indonésia e Kwame Nkrumah de Gana, estabelecendo fortes laços com países do chamado terceiro mundo. Este evento marcou a posição diplomática iugoslava. Em 1 de setembro de 1961, Tito tornou-se secretário-geral do movimento.

Em 7 de abril de 1963, o país mudou seu nome oficial para República Socialista Federativa da Iugoslávia. Reformas incentivaram a iniciativa privada e diminuíram as retrições quanto à liberdade religiosa e de expressão. [43] Mais tarde, Tito viajaria pelas Américas. No Chile, dois ministros resignaram por conta da visita do líder iugoslavo ao país. [44] Tito falou à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, em meio a protestos por parte de emigrantes croata e sérvios. O senador norte-americano Thomas Dodd disse que Tito tinha "sangue nas mãos". Em sua visita à Califórnia, por convite do próprio governador, diversos manifestantes em Los Angeles derrubaram uma estátua do líder iugoslavo. [45]

Discurso da Irmandade e Unidade
Um dos discursos mais memoráveis de Tito:
"Nós derramamos um mar de sangue pela irmandade e unidade de nossos povos. Não devemos permitir que ninguém interfira ou destrua o que conquistamos."

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.

Em 1 de janeiro de 1967, a Iugoslávia tornaria-se o primeiro país comunista a abrir suas fronteiras a todos os visitantes estrangeiros, abolindo o requerimento de vistos. [46] No mesmo ano, Tito passou a promover uma resolução pacífica do Conflito árabe-israelense, aconselhando os árabes a reconhecer o Estado de Israel em troca de territórios que Israel havia tomado. [47]

Em 1967, em meio à Primavera de Praga, Tito ofereceu apoio ao líder da Tchecoslováquia, Alexander Dubček, caso Dubček necessitasse de ajuda para derrotar os soviéticos. [48] Tito reformaria seu exército em 1969, por considerá-lo despreparado no caso de uma invasão similar ao seu país. [49]

Em 1971, Tito foi reeleito presidente da Iugoslávia pela sexta vez. Em seu discurso à Assembleia Federal, ele introduziu vinte novas emendas constitucionais que formariam a base de seu governo. As emendas se referiam a uma suposta "presidência coletiva", um corpo de 22 membros, consistindo de representantes eleitos pelas seis repúblicas. Quando a Assembleia Federal negou o apoio à ideia, a "presidência coletiva" passou a governar por decreto. Novas emendas foram estabelecidas com o objetivo de descentralizar o país, garantindo maior autonomia às repúblicas e províncias. O governo federal manteria autoridade apenas sobre a política externa, defesa, segurança interna, política monetária, o livre mercado dentro das fronteiras iugoslavas e empréstimos de desenvolvimento para as regiões mais pobres do país. O controle da educação, saúde e habitação seria exercido inteiramente pelos governos das repúblicas e províncias autônomas. [50] A maior força de Tito, para o Ocidente, era a habilidade em suprimir levantes nacionalistas, mantendo a unidade do país.

Política externa[editar | editar código-fonte]

As seis repúblicas que formavam a antiga Iugoslávia. Atualmente, Kosovo e Voivodina se declaram territórios independentes, apesar de não serem reconhecidos pela Sérvia.
As seis repúblicas que formavam a antiga Iugoslávia. Atualmente, Kosovo e Voivodina se declaram territórios independentes, apesar de não serem reconhecidos pela Sérvia.

Tito era conhecido por sua neutralidade durante a Guerra Fria e por estabelecer laços diplomáticos com países em desenvolvimento. A fé de Tito na auto-determinação mais tarde causaria as rupturas com Stalin e portanto com todo o Bloco do Leste. Seus discursos constantemente reiteravam que a política neutra e de cooperação com todos os países seria natural, enquanto estes países não usassem da influência que tinham para fazer a Iugoslávia tomar partido. No geral, suas relações com os Estados Unidos e nações europeias eram cordiais.

Tito (à esquerda), nos Estados Unidos, em reunião com o presidente James Carter.

A Iugoslávia tinha uma política liberal quanto à movimentação de pessoas, permitindo que estrangeiros viajassem livremente pelo país, e que cidadãos iugoslavos viajassem pelo mundo, [43] apesar do limite imposto pelas demais nações socialistas. Durante seu governo, Tito encontrou diversos líderes mundiais, como os chefes soviéticos Joseph Stalin, Nikita Khrushchev e Leonid Brejnev, o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, os políticos indianos, Jawaharlal Nehru e a presidente Indira Gandhi, os primeiros-ministros britânicos Winston Churchill, James Callaghan e Margaret Thatcher, os presidentes americanos Dwight Eisenhower, John F. Kennedy, Richard Nixon, Gerald Ford e Jimmy Carter, o revolucionário argentino Che Guevara, o líder cubano Fidel Castro, o líder palestino Yasser Arafat, os chanceleres alemães Willy Brandt e Helmut Schmidt, o francês Georges Pompidou, o português Oliveira Salazar, a rainha inglesa Elizabeth II, o político chinês Hua Guofeng, o líder coreano Kim Il-Sung, os presidentes indonésios Sukarno e Suharto, o presidente de Bangladesh, Sheikh Mujibur Rahman, o líder de Uganda, Idi Amin Dada, o monarca etíope Haile Selassie, o presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda, o líder líbio Gaddafi, o presidente alemão Erich Honecker, o líder romeno Nicolae Ceaușescu e o político húngaro János Kádár. Tito também se encontrou com diversas celebridades.

Em 2 de abril de 1978, Tito recebeu o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique.

Por conta da neutralidade, a Iugoslávia matinha relações diplomáticas com governos de direita e até mesmo anti-comunistas. A Iugoslávia era o único país comunista do mundo a ter uma embaixada no Paraguai de Alfredo Stroessner, que por sua vez tinha como princípio não se relacionar com nações de inclinação marxista. [51] A Iugoslávia, porém, foi um dos países que cortaram relações diplomáticas com o Chile de Pinochet, após o golpe de estado contra Salvador Allende. [52]

Últimos anos, morte e funeral[editar | editar código-fonte]

Tito em visita oficial aos Estados Unidos em 1978.

Após as mudanças constitucionais de 1974, Tito reduziu sua participação no governo. Viajando a Pequim, em 1977, conseguiu se reconciliar com o governo chinês, que o acusara de "revisionista". Em 1978, viajou aos Estados Unidos sob alta segurança, em uma viagem marcada por protestos de grupos anti-comunistas formados por croatas, sérvios e albaneses. [53]

Tito tornava-se cada vez mais doente com o passar dos meses, em 1979. No dia 7 e, mais uma vez, no dia 11 de janeiro de 1980, Tito foi internado com problemas de circulação. Sua perna esquerda foi amputada em decorrência de um coágulo arterial, que o levou a um gangrena fatal, em 4 de maio de 1980, três dias antes de seu aniversário de 88 anos. Com base no número de políticos e delegações que participaram, Tito teve o maior funeral para um chefe-de-estado de toda a história, até então, [5] ultrapassado somente pela despedida do papa João Paulo II, vinte e cinco anos mais tarde.

De seu funeral participaram quatro reis, 31 presidentes, seis príncipes, 22 primeiros-ministros e 46 ministros estrangeiros, vindos de ambos os lados da Guerra Fria, de 128 diferentes países. Entre as delegações estavam: o presidente da União Soviética na época, Leonid Brejnev, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, a primeira-ministra indiana Indira Gandhi, o presidente iraquiano Saddam Hussein, o presidente da Itália na época, Sandro Pertini, o líder da Palestina, Yasser Arafat, o chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Schmidt, e também o líder da Alemanha Oriental, Erich Honecker, o líder norte-coreano Kim Il-sung, o rei Carlos XVI Gustavo da Suécia, o rei Olavo V da Noruega, o rei Hussein da Jordânia, Francesco Cossiga, o presidente cubano Fidel Castro, o primeiro-ministro do Japão Masayoshi Ohira, o primeiro-ministro da China Hua Guofeng, o presidente da Zâmbia Kenneth Kaunda, o líder comunista da Romênia Nicolae Ceauşescu, o líder comunista búlgaro Todor Zhivkov e o político austríaco Kurt Waldheim. O presidente brasileiro João Baptista Figueiredo enviou como representante do Brasil o então Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o General José Ferraz da Rocha.

Tito foi sepultado em um mausoléu, em Belgrado, que faz parte do complexo do Museu de História da Iugoslávia. Atualmente, o museu é chamado Casa das Flores.[54] O museu também abriga diversas posses e presentes recebidos por Tito durante sua vida, como as gravuras de Los Caprichos, presenteadas a Tito por Francisco de Goya.

Legado e condecorações[editar | editar código-fonte]

Na época de sua morte, iniciou-se uma profunda onda de especulações sobre a sua sucessão, e se seria possível aos seus sucessores manter a unidade do país. O cargo de presidente da Iugoslávia passou a ser rotativo entre as seis repúblicas. Divisões e conflitos étnicos cresceram rapidamente, e por volta de 1989, o sistema encontrava-se em desordem e a unidade do país começou a se desintegrar, em grande parte devido à profunda crise econômica gerada pelo desmoronamento do socialismo no Leste Europeu e, mais importante, pelo surgimento de partidos ultranacionalistas em todas as repúblicas, principalmente na Croácia e na Sérvia. Estava formado o cenário que mais tarde traria o caos ao país, que se envolveria numa brutal e insana guerra civil, com ódios étnicos seculares refletidos em atrocidades cometidas por todos os lados do conflito.

As cidades, ambientes, edifícios e ruas que carregavam o nome de Tito foram então renomeadas, como Podgorica, antiga Titogrado, na tentativa de evitar ainda mais agitações, visto que Tito, para muitos, não representou a união pacífica de vários povos, mas sim a repressão contra os povos que desejavam se libertar. Ainda assim, há muitas referências ao líder iugoslavo, principalmente na Croácia, terra natal de Tito, e na Sérvia, onde o croata viveu por muitos anos. Em 2004, uma estátua de Tito localizada em sua cidade natal foi decapitada. [55]

Em homenagem a Tito, uma importante avenida da cidade brasileira de São Paulo recebeu o seu nome. A Avenida Marechal Tito é uma das vias mais importante do extremo leste de São Paulo.

Josip Broz Tito foi laureado com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, do Brasil, com a Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal, e com a Ordem do Banho, do Reino Unido, entre outras condecorações.


Cquote1.svg Ninguém questionava quem era sérvio, quem era croata, quem era bósnio. Todos éramos um só povo. Assim era no passado, e assim eu acredito que ainda seja nos dias de hoje. Cquote2.svg
Josip Broz Tito [56]
Precedido por
Ivan Ribar
Presidente da Iugoslávia
1953 — 1980
Sucedido por
Lazar Koliševski

Referências

  1. Martha L. Cottam, Beth Dietz-Uhler, Elena Mastors, Thomas Preston, Introduction to political psychology, Psychology Press, 2009 p.243 ISBN 1-84872-881-6 "...Tito himself became a unifying symbol. He was charismatic and very popular among the citizens of Yugoslavia."
  2. Shapiro, Susan; Shapiro, Ronald (2004). The Curtain Rises: Oral Histories of the Fall of Communism in Eastern Europe. McFarland. ISBN 0-7864-1672-6. "...All Yugoslavs had educational opportunities, jobs, food, and housing regardless of nationality. Tito, seen by most as a benevolent dictator, brought peaceful co-existence to the Balkan region, a region historically synonymous with factionalism."
  3. Melissa Katherine Bokovoy, Jill A. Irvine, Carol S. Lilly, State-society relations in Yugoslavia, 1945–1992; Palgrave Macmillan, 1997 p36 ISBN 0-312-12690-5 "...Of course, Tito was a popular figure, both in Yugoslavia and outside it."
  4. Peter Willetts, The non-aligned movement: the origins of a Third World alliance (1978) p. xiv
  5. a b Vidmar, Josip; Rajko Bobot, Miodrag Vartabedijan, Branibor Debeljaković, Živojin Janković, Ksenija Dolinar (1981). Josip Broz Tito – Ilustrirani življenjepis. Jugoslovenska revija. p. 166.
  6. Ridley, Jasper (1996). Tito: A Biography. Constable. p. 19. ISBN 0-09-475610-4.
  7. *AUTY, Phyllis. Tito - Rio de Janeiro: Renes, 1974. (Biografia do estadista iugoslavo)
  8. Ridley 1994, p. 59.
  9. Lampe, John R.; Yugoslavia as history: twice there was a country; Cambridge University Press, 2000 ISBN 0-521-77401-2
  10. Ramet, Sabrina P.; The three Yugoslavias: state-building and legitimation, 1918–2005; Indiana University Press, 2006 ISBN 0-253-34656-8
  11. Michel Chossudovsky, International Monetary Fund, World Bank; The globalisation of poverty: impacts of IMF and World Bank reforms; Zed Books, 2006; (University of California) ISBN 1-85649-401-2
  12. Vinterhalter 1972, p. 55.
  13. Ridley 1994, p. 59 e Vinterhalter 1972, p. 55.
  14. Vinterhalter 1972, p. 68.
  15. Trbovich, Ana S. (2008). A Legal Geography of Yugoslavia's Disintegration. Oxford University Press. p. 134. ISBN 0-19-533343-8.
  16. Ramet 2006, p. 151.
  17. Tito and his people, Marxists International Archive
  18. Banac 1988, p. 64.
  19. Antonic 1988, p. 84.
  20. Roberts 1987, p. 24.
  21. Kurapovna, Marcia (2009). Shadows on the Mountain: The Allies, the Resistance, and the Rivalries That Doomed WWII Yugoslavia. John Wiley and Sons. p. 87. ISBN 0-470-08456-1.
  22. "1941: Mass Murder". A Crônica do Holocausto.
  23. Ramet 2006, p. 152–153.
  24. Tomasevich 2001, p. 509.
  25. Ramet 2006, p. 157.
  26. "Renascença na Bósnia". Time Magazine. 19 de Dezembro de 1943.
  27. a b Tomasevich 2001, p. 104.
  28. Tomasevich 1969, p. 121.
  29. Banac 1988, p. 44.
  30. Ramet 2006, p. 158.
  31. Tomasevich 1969, p. 157.
  32. Woodrow Wilson and Harry Truman: Mission and Power in American Foreign Policy, de Anne R. Pierce. p. 219]
  33. Brunner, Borgna (1997). 1998 Information Please Almanac. Houghton Mifflin. p. 342. ISBN 0-395-88276-1.
  34. Nolan, Cathal (2002). The Greenwood Encyclopedia of International Relations: S-Z. Greenwood Press. p. 1668. ISBN 0-313-32383-6.
  35. Leffler, Melvyn P. (2009). The Cambridge History of the Cold War. Cambridge University Press. p. 201. ISBN 0-521-83719-7.
  36. "Entrevista de Excomungado". Time Magazine. 21 de outubro de 1946.
  37. "A Voz do Silêncio" Time Magazine. 22 de fevereiro de 1966.
  38. "Os Melhores Anos de Nossas Vidas". Time Magazine. 23 de Agosto de 1948.
  39. Laar, M. (2009). The Power of Freedom. Central and Eastern Europe after 1945. Centre for European Studies, p. 44. [1]
  40. De acordo com o historiador Rudolph Joseph Rummel, milhares foram mortos nos expurgos anti-stalinistas na Iugoslávia. [2]
  41. Medvedev, Zhores A.; Medvedev, Roy A.; Jeličić, Matej; Škunca, Ivan (2003). The Unknown Stalin. Tauris. pp. 61–62. ISBN 978-1-58567-502-9.
  42. "Discriminação em uma tumba". Time Magazine. 18 de junho de 1956.
  43. a b "Socialism of Sorts". Time Magazine. 10 de junho de 1966.
  44. Lučić, Ivica (2008). "Komunistički progoni Katoličke crkve u Bosni i Hercegovini 1945–1990". National Security and the Future.
  45. "Cortês, Correto e Frio". Time Magazine. 25 de outubro de 1963.
  46. "Além da ditadura". Time Magazine. 20 de janeiro de 1967.
  47. "Os Árabes: Ainda em Febre". Time Magazine. 25 de agosto de 1967.
  48. "Back to the Business of Reform". Time Magazine. 16 de agosto de 1968.
  49. Binder, David (16 April 1969). "Tito Orders Quiet Purge of Generals". Dayton Beach Morning Journal.
  50. "Tito's Daring Experiment". Time Magazine. 9 de agosto de 1971.
  51. "Paraguay: A Country Study: Foreign Relations". "Foreign policy under Stroessner was based on two major principles: nonintervention in the affairs of other countries and no relations with countries under Marxist governments. The only exception to the second principle was Yugoslavia."
  52. Valenzuela, Julio Samuel; Valenzuela, Arturo (1986). Military Rule in Chile: Dictatorship and Oppositions. Johns Hopkins University Press. p. 316.
  53. "Carter Gives Tito Festive Welcome". Associated Press. 7 March 1978.
  54. Josip Broz Tito (em inglês) no Find a Grave.
  55. [query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9F02E3DE1639F93BA15751C1A9629C8B63 "Bomb Topples Tito Statue".] New York Times. 28 de dezembro de 2004.
  56. Service, Robert: "Stalin: A Biography" (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2005), p. 592.
  • Coleção 70º Aniversário da Segunda Guerra Mundial - Fascículo 10, Abril Coleções 2009