Juan Díaz de Solís

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Juan Díaz de Solís
Nascimento 1470
Lebrija, Flag of Spain.svg Espanha, ou Lisboa ou São Pedro de Solis  Portugal
Morte 20 de janeiro de 1516
Punta Gorda, Uruguai
Ocupação Navegante
Mapa da Florida, baseado em esboço efectuado por Juan de Solís.

João Dias de Sólis (Juan Díaz de Solís, em castelhano([Portugal],[ C.1470- 1516], explorador do Rio da Prata ][1] [2]

João Dias de Solis (Juan Díaz de Solís, em castelhano), c.1470-1516). Piloto português muito experiente. Trabalhou até 1505 como piloto e cartógrafo ao serviço da Casa da India, em Portugal. Depois de ter assassinado a mulher (1506), fugiu para Espanha.

Devido à sua enorme experiência marítima, em 1508, foi convidado para participar com Vicente Yáñez Pinzón, Américo Vespucio e Juan de La Cosa na Junta de Burgos, que definiu dois grandes objectivos para a expansão marítima dos espanhóis: a descoberta de um estreito entre o Atlântico e o Pacífico e a criação de um Mapa-Padrão para os pilotos.

Uma das primeiras acções de Solis foi ensinar os espanhóis a navegação astronómica (1508), utilizando o Regimento do Astrolábio desenvolvido em Portugal.

Iucutão ( Yucatán )

Em 1508 comanda com Vicente Yanes Pinzon uma expedição, composta por dois navios, à América Central para procurar um estreito de ligação ao Oceano Pacífico (1509) e encontrarem as terras que Colombo descobrira em 1502-1503. Solis seguia a bordo do Magdalena, de que era mestre Gonzalo Ruiz. Segundo as Capitulações, devia ir na frente, pertencendo-lhe o efectivo comando. Em terra seria Pinzon a mandar. Este seguia no San Benito, com Pedro de Ledesma. Terão chegado a Verágua e provavelmente atingido a região de Yucatán

Quando Solis chegou a Sevilha, a 29/10/1509, foi logo preso pelos oficiais da Casa da Contratação, devido a intrigas de Pinzon.

O embaixador português em Espanha - João Mendes de Vasconcelos, numa carta datada de 30/8/1512, informa o rei D. Manuel I das movimentações de João Solis. Não apenas confirma a sua nacionalidade portuguesa, como revela que o mesmo vivia com o seu irmão João Henriques, outro experiente navegador.

Piloto Maior da Casa da Contratação

Reabilitado, em 1512, é abundantemente recompensado pela sua prisão. Sucedendo a Vespúcio como Piloto-Maior na Casa da Contratação.

Graças à sua acção consegue que fossem para Espanha excelentes pilotos portugueses, tais como Francisco Coto ( Real Cédula, Valladolid, 5/9/1513), João Henriques ( R.C., 24/2/1513) ou António Mariano (Real Cédula, 14/3/1514) que foi na expedição de Pedrarias.

Fernando de Aragão, tinha dado instruções precisas à Casa da Contratação de Sevilha para recrutarem pilotos portugueses, escreve este rei:

"Ya sabéis cuanta necessidade hay en esa Casa de pilotos que sean expertos en las cosas de navegación...", repetindo-lhes as recomendações numa carta escrita em Dezembro de 1513, concluindo: "por ende, yo vos mando que si algunos pilotos portugueses vinieren a esa cuidad ( de Sevilha) los recojáis e tratéis muy bien y les hagáis sus asientos lo mejor que pudiéres", Real Cédula aos les Oficiales de la Casa de la Contratación, Madrid, 28/12/1513. Publicado por Serrano y Sanz, Preliminares, p. CCXXXIV.

Portugal não apenas fornecia a Espanha de capitães, pilotos, marinheiros, cartógrafos e até de navios, sem os quais a sua expansão maritima dificilmente teria lugar. Mais

Questão da Ilha das Especiarias (Molucas)

Fernando de Aragão, em 1512, encarregado Sólis de preparar uma expedição de determinar a fronteira dos domínios de Portugal e de Espanha, a atingir a famosa ilhas das Especiarias (Molucas, Indonésia). Segundo a cartografia de Ptolomeu, as mesmas pertenceriam à Espanha. Acontece que esta não tarda a ser informada que os portugueses já haviam chegado às Molucas em 1510/11. Em Agosto de 1511, Afonso de Albuquerque conquista Malaca. Abria-se desta forma um longo conflito diplomático entre os dois reinos. A expedição de Sólis acaba por ser abandonada.

Vasco Nunéz de Balboa, em 1513, acompanhado de muitos portugueses como João Português ou Pedro de Escobar, descobre o mar do sul (Pacífico), abrindo deste modo um hipotético caminho para a ilha das especiarias (Molucas). Havia, contudo, que atravessar todo o Oceano Pacífico, o que irá fazer, em 1521, um português - Fernão de Magalhães.

Rio Solis, Rio da Prata

Os portugueses continuavam a explorar os domínios espanhóis, que haviam sido acordados no Tratado de Tordesilhas. Uma armada portuguesa sob o comando de João de Lisboa, em 1511/1512, explora o Rio da Prata. Ao saber do sucedido, Sólis, enquanto piloto maior da Casa da Contratação é nomeado para organizar e comandar uma expedição à região a sul do Brasil.

A expedição que comanda, em 1515, ao extremo sul do continente americano, era composta por três navios e contou com outros portugueses (27), como Henrique Montes, Diogo Garcia (natural de Lisboa, vizinho de Moguer e patrão de um dos navios) ou Aleixo Garcia (Piloto).

Explorou o estuário do actual Rio da Prata até à Ilha Martín García. Segundo uma lenda que remonta ao século XVI, Sólis com oito dos seus homens, nas actuais costas do Uruguai foram emboscados, despedaçados e devorados por indios canibais à vista dos que haviam ficado na caravela (28). Também Colombo rotulou os indios das antilhas de canibais para justificar a ocupação das suas terras e os reduzir a escravatura. Mais

Os sobreviventes desta malograda expedição foram depois resgatados por uma esquadra portuguesa que andava a explorar o mesmo rio...


Pedro Mártir de Anghiera foi o primeiro a atribuir-lhe a nacionalidade espanhola. Seguiram-se outros como Ruy Díaz de Guzman e António Galvão. Ainda hoje é repetido o disparate de Oviedo que, no século XVI, afirmava que Sólis nasceu em Lebrija, junto a Sevilha.

A verdade é que também já no século XVI, Damião de Góis, na sua Crónica de D. Manuel, o identifica como português. O que é confirmado por outros testemunhos e documentos que tem sido publicados.

A documentação que existe em Espanha e Portugal não oferece dúvidas a este respeito. No século XIX - José Toríbio Medina, publicou uma importante obra sobre esta questão: - Juan Díaz de Solis: estudio histórico.Santiago do Chile. 1897, identificando-o de forma inequívoca e documentada como português.

Juan Manzano y Manzano, também não se deixou levar pela ignorância de muitos historiadores espanhóis, e em obras como - Los Pinzones y el descubrimiento de América (3 volumes), publica vasta documentação que atesta a sua nacionalidade portuguesa.

Referências

  1. carlos Fontes "[http://colombo.do.sapo.pt/indexPTColomboEsp06Pinzon.html",
  2. Felipe Guaman Poma de Ayala. Nueva Crónica y Buen Gobierno, Tomo 1, pp. 373-y demás