Juan Joya

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O time de 1965 do Peñarol. Joya é o último agachado, da esquerda para a direita.

Juan Joya Cordero (Lima, 25 de fevereiro de 1934 - Lima, 29 de março de 2007) foi um futebolista peruano, considerado um dos maiores já surgidos em seu país. Atuava como ponteiro.

É considerado um dos grandes nomes da história do Peñarol, lembrado pela grande dupla que fizera com Alberto Spencer, a quem costumava limpar as jogadas e passar a bola para a conclusão certeira do equatoriano. Ainda assim, Joya também marcou bom número de gols, tendo feito 56 em 132 jogos pela equipe uruaguaia.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

No Peru[editar | editar código-fonte]

Joya começou a carreira em 1954, no Alianza Lima, faturando no mesmo ano e no seguinte o campeonato peruano.[2] Sagrou-se ainda artilheiro do campeonato em 1958,[3] integrando a Seleção Peruana desde o ano anterior,[4] em que fez disputou o Sul-Americano de 1957.

Após uma boa participação no Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1959 realizado na Argentina - Joya marcou dois gols em vitória sobre o Uruguai e o Peru ficou em uma razoável quarta colocação [5] -, ele chamou a atenção do país sede, indo no ano seguinte jogar no River Plate, o que na época significou o fim de suas convocações pelo Peru. Os dois gols que fez sobre os uruguaios seriam justamente os dois únicos por seu país, pelo qual realizou apenas nove partidas.[4]

Peñarol[editar | editar código-fonte]

Ficaria, todavia, apenas um ano nos millonarios. Em 1961, atravessou o Rio da Prata para jogar no Peñarol. Participou ativamente do momento mais glorioso da história carbonera, formando linha ofensiva com José Sasía, Luis Cubilla e Alberto Spencer que posteriormente receberia também Pedro Rocha. Já em 1961, Joya faturou como aurinegro o campeonato uruguaio,[6] a Taça Libertadores da América [7] e a Copa Intercontinental. Neste último, desempenhou grande papel no jogo de volta, em Montevidéu, contra o Benfica (que vencera previamente em Lisboa por 1 x 0). Joya marcou duas vezes na goleada manya por 5 x 1 sobre o time de Eusébio e Coluna.[8]

No ano seguinte, além de novo título uruguaio,[6] Joya esteve perto de novo título na Libertadores - seria o terceiro seguido do Peñarol -, mas o Santos de Pelé levou a melhor na decisão.[9] No decorrer da década, somou mais troféus: venceu a liga uruguaia também em 1964, 1965, 1967 e 1968.[6] Voltou duas vezes à final da Libertadores. Na de 1965, o oponente foi o Independiente. Após duas vitórias para cada lado, ambos decidiram o troféu em campo neutro. Apesar de favorito, o Peñarol, que na semifinal conseguira uma revanche sobre o Santos, sofreu três gols, com Joya descontando ainda no primeiro tempo, dando esperanças de uma reação para a etapa final. Todavia, os argentinos levaram a taça, marcando mais um gol.[10]

No ano seguinte, o Peñarol voltou a decisão contra argentinos, desta vez os do River Plate. O troféu voltaria ao clube após eletrizante finalíssima, com vitória por 4 x 2 após derrota parcial por 0 x 2. Joya marcou um dos gols da vitória em Montevidéu, no primeiro jogo da decisão contra sua ex-equipe.[11] No mesmo ano, integrou o elenco que venceu a Intercontinental sobre o Real Madrid de Ferenc Puskás em pleno Santiago Bernabéu.[12]

Final[editar | editar código-fonte]

Apesar de todo o seu sucesso no Peñarol, Joya acabou deixado de fora da Seleção Peruana naquela época, em que as seleções sul-americanas não convocavam atletas que atuassem no exterior. No período, chegou a defender uma vez a própria Seleção Uruguaia, em amistoso de 1965.[4] Voltou ao Peru em 1970, já aos 36 anos e longe de convencer o técnico Didi a incluí-lo no plantel que foi ao México disputar a Copa do Mundo de 1970. Joya aposentou-se naquele mesmo ano, como jogador do Juan Aurich.

Morte[editar | editar código-fonte]

Joya faleceu em março de 2007, aos 73 anos, em sua Lima natal. Curiosamente, seu ex-companheiro Spencer - outro cujo sucesso no exterior o privou de sua seleção natal, e que também chegou a defender o Uruguai [4] - morrera apenas quatro meses antes, o que inspirou uma música de Rubén Rada (grande expoente da música negra uruguaia), que lhes dedicou Un candombe ecuaperuano.[1]

Referências

  1. a b PRESTES, Felipe (12/03/2011). Un candombe ecuaperuano Impedimento. Página visitada em 05/08/2011.
  2. ANDRÉS, Juan Pablo; MARTÍNEZ, Héctor Villa; STOKKERMANS, Karel (16/12/2010). Peru - List of Champions RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  3. ANDRÉS, Juan Pablo; PIERREND, José Luis; TARAZONA, Carlos Manuel Nieto (02/03/2007). Peru - List of First Division Topscorers RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  4. a b c d MAMRUD, Roberto (15/07/2011). Players Appearing for Two or More Countries RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  5. TABEIRA, Martín (12/08/2009). Southamerican Championship 1959 (1st Tournament) RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  6. a b c ABBINK, Dinnant; TABEIRA, Martín (12/02/2006). Uruguay - List of Final Tables 1900-2000 RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  7. BEUKER, John; GORGAZZI, Osvaldo José; PIERREND, José Luis (12/05/2002). Copa Libertadores de América 1961 RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  8. GORGAZZI, Osvaldo José (12/04/1999). Intercontinental Club Cup 1961 RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  9. BEUKER, John; GORGAZZI, Osvaldo José; PIERREND, José Luis (18/04/2008). Copa Libertadores de América 1962 RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.
  10. MELO, Tiago (21/02/2011). Independiente x Peñarol: revivendo a decisão de 1965 Futebol Portenho. Página visitada em 05/08/2011.
  11. MELO, Tiago (20/05/2011). River Plate: quando os “millonarios” se transformaram em “gallinas” Futebol Portenho. Página visitada em 05/08/2011.
  12. GORGAZZI, Osvaldo José (08/07/2000). Intercontinental Club Cup 1966 RSSSF. Página visitada em 05/08/2011.