Julgamento dos Vinte e Um

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O Julgamento dos Vinte e Um foi um dos últimos dos processos de Moscou. Aconteceu em março de 1938 durante o fim do Grande Expurgo de Josef Stalin, então líder da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

O julgamento[editar | editar código-fonte]

Os principais acusados no julgamento foram Aleksei Rykov, Nikolai Bukharin, Nikolai Krestinski, Christian Rakovsky e Genrikh Yagoda, todos Bolcheviques proeminentes. Os acusados foram denunciados como membros da "facção de direita de Trotsky" que estava querendo "derrubar o socialismo e restaurar o capitalismo" na Rússia.

Assim como nos julgamentos anteriores, os réus foram acusados de uma série de crimes:

Todos os acusados confessaram durante o julgamento, que foi conduzido de maneira teatral, com exceção de Krestinsky, que inicialmente negou todas as acusações antes de confessar no dia seguinte. Ele afirmou: "eu inteira e completamente admito que sou culpado dos piores crimes dos quais sou acusado e admito minha completa responsabilidade pela traição e deslealdade que cometi".

Todos os réus, com a exceção de três, foram condenados por "cometerem graves ofensas previstas pelo Código Penal" e sentenciados à pena de morte por fuzilamento. Pletnev foi sentenciado a 25 anos de prisão, Rakovsky a 20, e Bessonov a 15 (Em setembro de 1941, eles foram assassinados num massacre de prisioneiros conduzido pela NKVD.

O sentenciamento de Yagoda, ex-chefe da NKVD, à morte foi intencional, a fim de simbolizar o fim da era de terror do Grande Expurgo.

Referências na literatura[editar | editar código-fonte]

O Zero e o Infinito[editar | editar código-fonte]

Em seu livro O Zero e o Infinito, lançado em 1944, Arthur Koestler narra a atmosfera sombria do julgamento. Ele narra a história fictícia das últimas semanas de um Velho Bolchevique que está tentando entrar em paz consigo mesmo após os resultados indesejados da Revolução que ele mesmo ajudou a criar. Como antigo membro do Partido Comunista, Koestler faz uma análise da situação muito superior à dicotomia dos tempos de Guerra Fria, mostrando as razões e origens da Revolução, enquanto, ao mesmo tempo, critica a ação tirânica do líder (Stalin) que dela saiu.

Eastern Approaches[editar | editar código-fonte]

A autobiografia do Sir Fitzroy Maclean, intitulada Eastern Approaches, tem um capítulo inteiro dedicado ao Julgamento dos Vinte e Um, que ele testemunhou enquanto trabalhava na embaixada britânica em Moscou. Ele faz uma análise bem detalha dos acontecimentos, descrevendo as falas dos acusados e dos procuradores. Ele também conta a história de várias pessoas que participaram do julgamento, explicando suas trajetórias no Partido Comunista.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]