Juvenal de Jerusalém
Juvenal de Jerusalém (em grego: Άγιος Ιουβενάλιος) foi um bispo de Jerusalém a partir de 422 d.C. Em 451 d.C., quando a sé de Jerusalém foi reconhecida como um patriarcado pelo Concílio de Calcedônia, ele se tornou o primeiro patriarca de Jerusalém, ocupando o cargo até a sua morte, em 458 d.C.
Ele é considerado um santo em setores da Igreja Ortodoxa, mas não no ocidente.
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Vida e obras[editar]
Juvenal queria transformar Jerusalém em uma sé patriarcal através da demoção da sé metropolitana de Cesareia Marítima e do patriarcado de Antioquia. Um amigo pessoal de Nestório, com quem provavelmente compartilhava suas visões, Juvenal, em 431 d.C., tomou o partido de Cirilo de Alexandria contra o antigo amigo no Primeiro Concílio de Éfeso, argumentando que ele deveria ter aprendido a doutrina da "sé apostólica de Jerusalém" e contava com Cirilo para ajudá-lo a elevar Jerusalém ao nível de patriarcado independente1 . Cirilo chegou a escrever uma carta ao papa Leão I - que era então arquidiácono em Roma - reclamando sobre o oportunismo de Juvenal2 .
Com a morte de Cirilo, Juvenal, tentando conseguir apoio para sua empreitada, se tornou monofisita e foi um dos líderes do Segundo Concílio de Éfeso, que defendeu a doutrina3 1 . Este concílio, chamado de Latrocínio de Éfeso, foi considerado como tal por diversas razões: Flaviano de Constantinopla (r. 446-449) foi assassinado ali por defender sua visão ortodoxa sobre as naturezas de Jesus. O papa Leão I (r. 440-461) foi excomungado por ter condenado o monofisismo e, por fim, [[Domno II de Antioquia (r. 442-449) foi deposto por ser amigo de Nestório. O concílio terminou aprovando a tese monofisita, mesmo com a maioria dos bispos presentes discordando e sendo obrigados a assinar pela força dos soldados presentes. Juvenal se aproveitou o quanto pode para desmoralizar a sé de Antioquia, uma rival às suas ambições1 .
Dois anos depois, no Concílio de Calcedônia, seu comportamento entrou na pauta para ser julgado. Temendo uma punição, Juvenal devolveu à sé de Antioquia as dioceses da Arábia e da Fenícia, que ele havia tomado em 449 d.C.1 Os bispos ali presentes foram convencidos pelo ato e, após um pedido formal de desculpas, uma confissão de fé ortodoxa e o voto favorável à condenação de Dióscoro de Alexandria, o principal líder monofisita e patriarca de Alexandria, o concílio finalmente concedeu o que Juvenal tanto queria: o reconhecimento de Jerusalém como uma sé patriarcal, com domínio sobre toda a Palestina1 . Quando ele retornou, porém, monges favoráveis a Dióscoro (monofisitas) se revoltaram abertamente e foi apenas com ajuda do exército imperial que ele conseguiu retomar seu posto4 . Ironicamente, neste período, um bispo monofisita foi eleito para o trono da cidade, um tal Teodósio1 .
Finalmente, depois que Juvenal conseguiu o que queria, Leão escreveu diretamente para ele e se alegrou ao vê-lo de volta à ortodoxia5 .
Durante o seu patriarcado, diversas igrejas foram construídas, incluindo uma sobre o túmulo de Maria, no Getsêmani, e outra em Betesda1 .
Relíquias[editar]
João Damasceno, pregando na festa da Assunção de Maria no Getsemani, relembra que, de acordo com a "História Eutimiana" III, xl (escrito provavelmente por Cirilo de Citópolis no século V), Juvenal de Jerusalém enviou para Constantinopla, em 452, por ordem do imperador Marciano e de Pulquéria, sua esposa, o "Manto da Virgem", que estava guardado numa igreja no local6 . A relíquia passou a ser desde então venerada na cidade, na Igreja de Santa Maria de Blaquerna7 .
Por volta de 455, Juvenal também enviou ao papa Leão I um fragmento da Vera Cruz5 8 .
Ver também[editar]
| Juvenal de Jerusalém (422 – 458)
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Referências
- ↑ a b c d e f g A História da Igreja de Jerusalém (em inglês). More Who is Who. Página visitada em 26/05/2012.
- ↑ Papa Leão I. Epístola 119: To Maximus, Bishop of Antioch, by the hand of Marian the Presbyter, and Olympius the Deacon. (em inglês). [S.l.: s.n.].; P.L. 54, 1041–46)
- ↑
"Robber Council of Ephesus" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. - ↑
"Eutychianism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. - ↑ a b Papa Leão I. Epístola 139: To Juvenal, Bishop of Jerusalem. (em inglês). [S.l.: s.n.].; na P.L. LIV, 1108
- ↑ P.G. XCVI, 747-51
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"Tomb of the Blessed Virgin Mary" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. - ↑
"The True Cross" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.