Kapp-Putsch

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Putschistas em Berlim. O cartaz diz: "Alto. Se continuar, será atirado"

O Kapp-Putsch foi uma tentativa de golpe de Estado no início da República de Weimar entre 13 e 17 de março de 1920, conduzido pelo político Wolfgang Kapp e o general Walther von Lüttwitz. O objetivo do golpe de Estado era o Reichpräsident (presidente), o socialdemocrata Friedrich Ebert. O putsch opunha-se ao Tratado de Versalhes assinado após o fim da Primeira Guerra Mundial.

Acontecimentos[editar | editar código-fonte]

O Tratado de Versalhes exigia uma redução significativa do exército regular alemão (Reichswehr), que no início de 1919 se cifrava em 350.000 efetivos, ademais de 250.000 homens a mais correspondentes aos diversos Freikorps. Esse contingente devia ser reduzido para 100.000 homens e os Freikorps deviam ser dissolvidos.

Em março de 1920, ordenou-se a dissolução da Marinebrigade Ehrhardt, um Freikorps da marinha. Mas os seus líderes, encabeçados pelo próprio Hermann Ehrhardt, resistiram-se à dissolução e pediram a ajuda do General Walther von Lüttwitz, que comandava o Reichswehr de Berlim. Lüttwitz, que fora um dos organizadores dos Freikorpsno início da I Guerra Mundial e um profundo monárquico, pediu imediatamente ao presidente Friedrich Ebert e ao Ministro de Defesa Gustav Noske para paralisarem imediatamente a política de redução das tropas. Quando Ebert se negou, Lüttwitz ordenou a Marinebrigade Ehrhardt marchar sobre Berlim, ocupando a capital em 13 de março. Ainda quando Lüttwitz dirigiu a operação, o seu líder nominal foi Wolfgang Kapp, um funcionário público de 62 anos da Prússia Oriental e fervente nacionalista.

Nesse ponto, Noske solicitou do exército regular que combatesse o putsch, mas topou um rechaço total. O Chef der Heeresleitung, General Hans von Seeckt respondeu que "o Reichswehr não ataca o Reichswehr". Desse modo, o governo viu-se obrigado a deixar Berlim e deslocar-se para Dresden, onde aguardava contar com o apoio do General Maior Georg Maercker que, porém, não se implicou claramente, o que obrigou novamente o governo a deslocar-se, já a Stuttgart. O gabinete do governo solicitou à classe operária que se opusesse ao putsch mediante uma greve geral, que foi massivamente apoiada embora as numerosas vítimas operárias por todo o país. Com o país paralisado pela greve, o putsch colapsou e Kapp e Lüttwitz, incapazes de governar, fugiram à Suécia.

As duas razões principais pelas quais a República de Weimar sobreviveu ao putsch de 1920 foram, em primeiro lugar, que a classe operária se opus ao golpe de Estado mediante a greve geral, e, em segundo lugar, porque a maior parte dos comandantes de Freikorps se negaram a aderir a Kapp e Lüttwitz, considerando que o levantamento armado era prematuro.

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