Kazoku

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O Kazoku (華族?) era um sistema de títulos nobiliários hereditário do Império Japonês entre 1869 e 1947.

Origem[editar | editar código-fonte]

O Imperador Meiji numa sessão da Câmara dos Pares

Depois da Restauração Meiji de 1868, alguns membros da antiga Corte de Kyoto (Kuge) voltaram a ter algo de seu status perdido. Muitos membros do kuge jogaram um papel importante na Era Tokugawa e mesmo do nascente Governo Meiji assim que conferiram ao kuge encabeçar os recém-estalecidos departamentos administrativos.

A Oligarquia Meiji, como parte de suas reformas ocidentalizadoras, mesclaram o kuge com os daimyōs (senhores feudais) em uma classe aristocrata estendida em 25 de julho de 1869, e reconheceram os kuges e os daimyōs existentes como una classe social distinta das outras classes sociais designadas como shizoku (os ex-samurais) e os heimin (plebeus). Itō Hirobumi, um dos principais autores da constituição Meiji afirmava que o novo sistema nobiliário kazoku sirvia como «barricada» para o imperador «restaurado» e para a instituição imperial japonesa. Neste tempo, os kuge e os daimyōs eram formados por 427 famílias 1 .

Todos os membros do kazoku que não contavam com uma designação oficial do governo eram inicialmente obrigados a residir em Tōkyō2 . No final de 1869, se adotou um sistema de pensões, que gradualmente deslocou os kazoku de seus postos de governadores provinciais e de líderes do governo. Os salários prometidos pelo governo foram finalmente substituídos por títulos do governo.

Organização[editar | editar código-fonte]

Sob a Lei dos Pares de 07 de julho de 1884, desenvolvida por Itō Hirobumi depois de uma visita deste a Europa , o Governo Meiji expandiu a nobreza hereditária com o status de kazoku como premio para pessoas consideradas que realizaram excelentes serviços à nação.

O governo dividiu o kazoku em cinco títulos baseados na nobreza britânica , mas com títulos derivados da antiga nobreza chinesa :

  1. Príncipe ou Duque ( 公爵 , Kōshaku?)
  2. Marquês ( 侯爵 , Hōshaku ?)
  3. Conde ( 伯爵 , Hakushaku ?)
  4. Visconde ( 子爵 , Shishaku ?)
  5. Barão ( 男爵 , Danshaku ?) 3 4

A distribuição inicial do Kazoku para os descendentes dos clãs com Kuge dependia do cargo mais alto que algum de seus antepassados ​​conseguiram na corte imperial. Assim, os herdeiros das cinco casas regentes (Go-Seike) da dinastia Fujiwara ( Konoe , Takatsukasa , Kujō , Ichijō e Nijō) todos se tornaram Príncipes. Os chefes dos outros clãs kuge (incluindo Daigo, Hamuro, Kumamoto, Hirohata, Kazan'in, Kikutei, Koga, Nakamikado, Nakayama, Oinomikado, Saga, Sanjo, Saionji, Shijō, e Tokudaiji) tornaram-se Marqueses. Além disso, ao chefe da antiga família do Reino de Ryukyu (Okinawa), foi dado o título de Marquês. Quando o Império Coreano foi anexado em 1910, a Casa de Yi foi mesclada como a realeza (王).

Excluindo os Tokugawa, a classificação inicial para a distribuição do kazoku para os ex-daimyōs dependiam receita obtida com o arroz em suas terras: aqueles com 150.000 koku ou mais se tornaram Marqueses, aqueles com 50.000 koku ou mais Condes e assim por diante. O primeiro shogun , Tokugawa Yoshinobu , tornou-se um Príncipe, os chefes dos principais ramos dos Tokugawa(shinpan) tornaram-se Marqueses, e os chefes dos ramos secundários tornaram-se Condes.

Os lideres do Clã Mōri (Domínio de Chōshū) e do Clã Shimazu (Domínio de Satsuma) foram elevados à categoria de Príncipe devido ao seu papel na Restauração Meiji, o líder do Clã Yamauchi (Domínio de Tosa), foi dado o posto de Marquês.

Como na nobreza britânica, somente o titular e seu consorte eram consideradas parte do Kazoku. Os titulares dos dois primeiros Status, Príncipe e Marquês, tornavam-se automaticamente membros da Câmara dos Pares na Dieta do Japão. Condes, Viscondes e Barões elegiam 150 representantes de suas fileiras para se sentar na Câmara dos Pares.

Os Títulos e as heranças eram passados ​​de acordo com a primogenitura, embora os Kazoku freqüentemente adotassem filhos dos ramos secundários de suas próprias casas e inclusive de outras casas para evitar que suas linhagens se extinguissem. Em 1904 uma emenda à Lei de 1.889 da Casa Imperial permitiu que os príncipes menores da família imperial renunciassem a seu status imperial e se convertessem em nobres. Inicialmente, havia 11 príncipes não-imperiais ou duques, 24 marqueses, 76 condes, 324 viscondes e 74 barões, em um total de 509 nobres 5 . Em 1928, através de promoções e novas criações, houve um total de 954 nobres: 18 príncipes não-imperiais ou duques, 40 marqueses, 108 condes, 379 viscondes e 409 barões. O kazoku atingiu sua taxa mais alta de 1.016 famílias em 1944 6 .

De 1946 Constituição do Japão aboliu a kazoku e o uso de todos os títulos de nobreza ou titulos fora da Família Imperial. No entanto, muitos descendentes de ex-Kazoku continuam a ocupar papéis de destaque na sociedade japonesa e na indústria 7 .


Referências

  1. Takie Sugiyama Lebra, Japanese Social Organization (em inglês) University of Hawaii Press, 1992 pag. 51 ISBN 9780824814205
  2. Takie Sugiyama Lebra, Japanese Social Organization (em inglês) University of Hawaii Press, 1992 pag. 54 ISBN 9780824814205
  3. Wolfgang Hadamitzky, Kimiko Fujie-Winter Kanji Dictionary (em inglês) Tuttle Publishing, 1996 pag. 1331 ISBN 9780804820585
  4. Louis Frederic, Alvaro David Hwang O Japão - Dicionário e Civilização Globo Livros pp 632 ISBN 9788525046161
  5. Marius B Jansen,The Making of Modern Japan, (em inglês)Harvard University Press, 2009 pag. 380-395 ISBN 9780674039100
  6. Kodansha Encyclopedia of Japan, (em inglês) Kodansha, 1983 pag. 1194 ISBN 9780870116209
  7. Takie Sugiyama Lebra, Above the Clouds: Status Culture of the Modern Japanese Nobility (em inglês) University of California Press, 1995 pag. 334 - 355 ISBN 9780520911796


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