Khoisan

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Este artigo diz respeito aos povos khoisan. Um artigo separado fala das línguas khoisan.
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Mulher san do Botswana

Khoisan ou Khoi-San (também grafado como coisã,[1] ou coissã[2] [1] ) é a designação unificadora de dois grupos étnicos existentes no sudoeste de África, que partilham algumas características físicas e linguísticas distintas da maioria banta. Esses dois grupos são os san, também conhecidos por bosquímanos ou boximanes[3] e que são caçadores-coletores, e os khoikhoi, que são pastores e que foram chamados hotentotes pelos colonizadores europeus. Aparentemente, estes povos têm uma longa história, estimada em vários milhares (talvez dezenas de milhares) de anos, mas agora estão reduzidos a pequenas populações, localizadas principalmente no deserto do Kalahari, na Namíbia, mas também no Botsuana e em Angola.[4]

Mapa étnico de Angola em 1970 (Áreas onde se encontram núcleos populacionais san marcadas a vermelho escuro)

História[editar | editar código-fonte]

Os khoisan atuais podem ser descendentes de povos caçadores-colectores que habitavam toda a África Austral[4] e que desapareceram com a chegada dos bantos a esta região, há cerca de 2 000 anos. Não é provável que os bantos tenham exterminado os khoisan, uma vez que algumas das suas características linguísticas e físicas foram assimiladas por vários grupos bantos, como os xhosas e os zulus. É mais provável que a redução do seu território de caça, derivado da instalação dos agricultores bantos, tivesse sido uma causa para a redução do seu número e da sua área habitada.

Até a instalação dos holandeses e franceses huguenotes na África do Sul, há cerca de 200 anos, estes povos ainda povoavam grandes extensões da Namíbia e do atual Botswana. Em seguida, porém, foram praticamente exterminados, uma vez que não aceitavam trabalhar nas condições que os novos colonos exigiam.

Estes colonos os chamaram de hotentotes - que significa "gago" na língua neerlandesa, provavelmente devido à sua língua peculiar - ou bushmen, ou seja "homens do mato", termo que foi adaptado para a língua portuguesa como bosquímanos. Ambos os nomes têm, actualmente, uma conotação pejorativa, assim como o termo san usado para um grupo específico de khoisan, que, na sua língua, significa "estrangeiro". Os nomes que se utilizam, actualmente, são derivados dos nomes das suas línguas (ver línguas khoisan). No entanto, a palavra hotentote continua a ser utilizada nos nomes de várias plantas e animais da África do Sul, como o chorão-das-praias (Carpobrotus edulis, em inglês hottentot fig, "figo hotentote"), ou o toirão-hotentote (Turnix hottentotta).

Hoje em dia há uma população san significativa na Namíbia onde a sua língua tem um estatuto oficial, sendo utilizada no ensino até ao nível universitário. Comunidades menores existem no Botsuana e no sul de Angola.

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Fisicamente, os khoisan são em média mais baixos e esguios que os restantes povos africanos. Além disso, possuem uma coloração de pele amarelada e prega epicântica nos olhos, como os chineses e outros povos do Extremo Oriente. Algumas destas características são agora comuns a outros grupos étnicos sul-africanos, sendo patentes por exemplo em Nelson Mandela.

Uma outra característica física dos khoisan é a esteatopigia das mulheres (grande desenvolvimento posterior das nádegas), que levou a que uma mulher tivesse sido levada para a Europa no século XIX e usada para exibição em feiras, a famosa Vénus Hotentote.

Genética[editar | editar código-fonte]

Os khoisan possuem o mais elevado grau de diversidade do ADN mitocondrial de todas as populações humanas, o que indica que eles são uma das mais antigas comunidades humanas. O seu cromossomo Y também sugere que, do ponto de vista evolucionário, os khoisan se encontram muito perto da raiz da espécie humana.

De acordo com um estudo genético autossômico de 2012, os khoisan podem ser divididos em dois grupos, correspondentes às regiões noroeste e sudeste do Kalahari, os quais se separaram dentro dos últimos 30.000 anos. Todos os indíviduos testados na amostra apresentaram ancestralidades de populações não-khoisan, que foram introduzidas no período de 1200 anos atrás, como resultado da expansão bantu. Além disso, os hadzas, um grupo de caçadores-coletores do Leste da África, que também utilizam uma língua baseada em cliques (como a dos khoisan), possuem um quarto de sua ancestralidade vindos de uma população relacionada aos khoisan, revelando uma ligação genética antiga entre o Sul da África e o Leste da África.[5] Ou seja, as populações khoisan de Angola e da Namíbia teriam se separado daquelas da África do Sul entre 25000 e 40000 anos atrás.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. a b Paulo Correia; Direção-Geral da Tradução — Comissão Europeia. (Outono de 2012). "Etnónimos, uma categoria gramatical à parte?" (PDF). a folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (N.º 40) p. 28. Sítio Web da Direção-Geral de Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. ISSN 1830-7809. Página visitada em 13 de janeiro de 2013.
  2. Línguas negro-africanas
  3. Eunice Marta, do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, na pergunta-resposta Boximane e bosquímano e após a consulta de vários dicionários e vocabulários de língua portuguesa chega à conclusão de que, em português, pode-se usar, alternativamente: bosquímanos, boximanes, boxímanes, boximanos, boxímanos , bosquimanos, bosquímanes e bosquimanes.
  4. a b Peter Godwin. (fevereiro 2001). "Os Deuses devem estar loucos". National Geographic Brasil (fevereiro 2001) p. 72-80. National Geographic.
  5. [1]
  6. http://www.sciencedaily.com/releases/2012/09/120920141139.htm

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alan Barnard, Hunters and Herders of Southern Africa: A comparative ethnography of the Khoisan peoples, Athens/Ohio: Ohio University Press, 1992
  • Manuel Viegas Guerreira, Bochímanes !Khu de Angola, Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1968
  • José Redinha, Etnias e culturas de Angola, Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola, 1975
  • Isaac Schapira, The Khoisan Peoples of South Africa: Bushmen and Hottentots, Londres: Routledge, 1963
  • Andrew Smith e outros, Bushmen of Southern Africa: Foraging societies in transition, Athens/Ohio: Ohio University Press, 2000