Cletorológio

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Cletorológio (em grego: Κλητορολόγιον) é a maior e mais importante lista bizantina de ofícios e precedência cortesã (Taktika). Foi publicada em setembro de 899, durante o reinado do imperador Leão VI, o Sábio (r. 886–912) pelo protoespatário e atriclino (atriklinēs) Filoteu. Como atriclino, Filoteu teria sido responsável por receber os convidados dos banquetes imperiais (klētoria) e para conduzi-los a seus lugares de acordo com o lugar da hierarquia imperial.[1] No prefácio de seu trabalho, ele afirma explicitamente que ele compilou este trabalho como uma "exposição precisa da ordem imperial de banquetes, do nome e valor de cada título, compilado com base no antigo Cletorológio", e recomenda a sua adoção na mesa imperial.[2] [3]

Seções[editar | editar código-fonte]

O trabalho de Filoteu sobreviveu apenas como um apêndice dentro dos últimos capítulos (52-54) do segundo livro de um tratado posterior acerca das cerimônias imperiais conhecido como De Ceremoniis do imperador Constantino VII (r. 913–959).[4] É dividido em quatro seções:

  • Seção I é introdutória, e dá uma visão geral de todas as categorias judiciais e ofícios estatais do Império Bizantino, que se divide em cinco categorias: ordens de classificação para "barbudos" (ou seja, não-eunucos), grandes ofícios do Estado, ofícios menores de vários escritórios e ministérios, ordens de classificação dos eunucos, e os grandes ofícios do Estado reservados aos eunucos.[5]
  • Seções II e III dão a ordem em que os funcionários devem ser introduzidos para os banquetes imperiais. A seção II dá os mais altos dignitários, aqueles que poderiam estar à mesa do próprio imperador, enquanto na seção III trata de funcionários de médio e baixo escalões, bem como as embaixadas estrangeiras (árabes, búlgaros e germânicos) e de outros patriarcados (Roma, Antioquia, Jerusalém).[3] [6]
  • Seção IV é a maior parte do texto, e é dirigida ao atriclino da corte dando conselhos sobre a organização dos vários banquetes ao longo do ano, começando com as comemorações de Natal. Ele também contém dois memorandos anexados, um sobre os donativos distribuídos pelo imperador bizantino a seus funcionários, em certas ocasiões, e outro sobre o salários dos oficiais atriclinos.[3] [6]
  • Um apêndice curto (capítulo 54 de De Ceremoniis) com as diversas autoridades eclesiásticas e sua prioridade, bem como o Notitiae Episcopatuum de pseudo-Epifânio, uma lista de episcopais da Sé.[3]

Referências

  1. Bury 1911, p. 11
  2. Kazhdan 1991, p. 1661
  3. a b c d Bury 1911, p. 15
  4. Bury 1911, p. 10
  5. Bury 1911, p. 14-15
  6. a b Kazhdan 1991, p. 1662

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John B.. The Imperial Administrative System of the Ninth Century: With a Revised Text of the Kletorologion of Philotheos. Londres: Oxford University Press, 1911.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8.