Kosovo
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O Kosovo, Kossovo[4] ou Cossovo[1] (sérvio Косово; albanês Kosova ou Kosovë) é um território disputado na península balcânica correspondente, grosso modo, à região conhecida como Dardânia na Antiguidade. O território fez parte dos impérios Romano, Bizantino, Búlgaro, Sérvio e Otomano e, no século XX, passou às mãos do Reino da Sérvia, do Império Italiano e da Iugoslávia. Após a falha das negociações internacionais para atingir um consenso sobre o estado constititucional aceitável, o governo provisório de Kosovo declarou-se unilateralmente um país independente da Sérvia em 17 de Fevereiro de 2008, sendo reconhecido no dia seguinte pelos Estados Unidos e alguns países europeus, como a França e a Alemanha; porém, o país ainda é reivindicado pela Sérvia e não recebeu o reconhecimento de outros países como a Rússia e Espanha.
O governo sérvio reivindica o terrítório como parte integral da Sérvia, a Província Autônoma de Kosovo e Metohija (em sérvio, Аутономна покрајина Косово и Метохија, Autonomna pokrajina Kosovo i Metohija, e em albanês Krahina Autonome e Kosovës dhe Metohisë).
A maior parte da população do Kosovo é de origem albanesa. Existe uma minoria sérvia que representa aproximadamente 5% da população kosovar.[5]
O presidente da nova república é Fatmir Sejdiu, do partido LDK (Lidhja Demokratike e Kosovës, "Liga Democrática do Kosovo"). O primeiro-ministro é Hashim Thaçi.
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[editar] História
Foi parte do Império Otomano entre 1389 e 1912. A região esteve sob a dependência de Skopje tendo constituído uma província separada apenas em 1877.
Em 1912, apesar de ser uma zona de maioria albanesa, foi integrada à Sérvia e não ao principado da Albânia, criado naquele ano. Ocorreram rebeliões albanesas entre 1878 e 1881 e entre 1918 e 1924. Entre 1941 e 1944 foi anexada à Albânia, sob ocupação italiana. Após a reintegração à Iugoslávia tornou-se região autónoma, mas integrada à república da Sérvia.
Em 1991 declarou a independência, que não foi reconhecida pela comunidade internacional. A tensão entre separatistas de origem albanesa e o governo central da Iugoslávia, liderado pelo presidente nacionalista Slobodan Milosevic aumentou ao longo de 1998. No ano seguinte, um grupo de líderes iugoslavos e da comunidade albanesa em Kosovo e representantes das principais potências mundiais foi formado para negociar um acordo de paz que colocasse fim aos conflitos entre os guerrilheiros do ELK e as forças iugoslavas de Slobodan Milosevic, mas a reunião em fevereiro de 1999, na região no castelo de Rambouillet, na França, fracassou[6][7][8][9]
A OTAN atacou a Iugoslávia em 24 de março de 1999[10][11][12], dando início à Guerra do Kosovo. A Otan atacou alvos iugoslavos, seguiram-se os conflitos entre a guerrilhas albanesa e as forças sérvias e se formou um grande número de refugiados.[13]
Em 3 de junho de 1999, líderes ocidentais e iugoslavos chegaram a acordo para o fim à guerra.[14]. Em 10 de junho, foi assinado o acordo para encerrar o conflito.[15][16]
O Parlamento sérvio em 27 de dezembro de 2007 votou, por ampla maioria, moção de condenação contra qualquer tentativa de independência do Kosovo. A província tem sido administrada pelas Nações Unidas, através da Missão de Administração Interina, e pela OTAN desde a guerra de 1999 entre os sérvios e albaneses étnicos separatistas.[17]
Em 17 de fevereiro de 2008, Rússia, China e Sérvia se opõem ao reconhecimento internacional da independência Estado do Kosovo, que seria declarado definitivamente nesta data junto à ONU. Os Russos sempre se opuseram aos movimentos separatistas do Kosovo. O então presidente russo Vladimir Putin declarou que "o reconhecimento da independência do Kosovo seria ilegal e imoral", pois reacenderiam os conflitos na região dos Bálcãs. O discurso anti-separatista de Putin foi engrossado pelo Ministro de Relações Exteriores da Rússia Serguei Lavrov. Segundo o ministro, "é a primeira vez que se aborda a saída de uma região de dentro de um Estado soberano", o que, segundo ele, poderia acirrar conflitos semelhantes em outras 200 regiões em todo mundo.
Em contrapartida, o Kremlin sugere a criação do que poderia ser chamado "mapa do caminho", o projeto sugere uma série de autonomias, mas a independência do Kosovo, assim como ocorre em Hong Kong. A Rússia sugere supostos interesses comerciais ocidentais com a criação do Estado do Kosovo, denunciando ainda que o envio de uma missão da União Europeia à região não tinha "base legal".[18]
Mesmo diante da declaração do presidente sérvio de que a Sérvia jamais reconhecerá a independência do Kosovo, o primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaçi convocou e realizou uma sessão extraordinária do parlamento, onde os 109 deputados presentes votaram a favor da independência da província. Thaci solicita o envio de uma missão internacional liderada pela União Europeia para substituir a missão da ONU que administra a província desde 1999.[19]
A imposição de países como Sérvia, Rússia e China ao reconhecimento internacional da província torna-se ainda mais latente, com a possibilidade de conflitos na região. Segundo enviados da BBC, a situação é crítica e beira a um colapso, podendo a qualquer momento estourar um conflito entre a maioria albanesa e os sérvios. No dia 16 de fevereiro de 2008, um dia antes da sessão extraordinária, mil sérvios se reuniram para protestar contra a independência kosovar. O delicado cenário em questão se tornou ainda mais explosivo após o primeiro-ministro Vojislav Kostunica declarar aos sérvios residentes na região do Kosovo que não abandonem suas casas, pois não são obrigados a reconhecer nenhuma forma de declaração independência.[20]
A Rússia está em negociação com a ONU, pedindo para que ela não reconheça a atual independência, por temer que isso vire um novo estopim de movimentos separatistas e reenvidicações unilaterais de regiões que se auto-declaram independentes. A Sérvia, junto aos seus aliados econômicos e étnicos, temem pelas minorias não albanesas na região do Kosovo (principalmente ao norte), por tratados de livre-circulação antes estabelecido pelos Estados do Bálcãs e pela região ser considerada um coração cultural e religioso.
A União Europeia irá discutir sobre Kosovo durante um encontro dos ministros do exterior dos 27 países-membros do bloco no dia 18 de fevereiro, em Bruxelas. Países com grupos étnicos minoritários temem, assim como a Rússia, que Kosovo seja um exemplo internacional.
[editar] Independência
[editar] Política
[editar] Partidos políticos
Os principais partidos políticos do Kosovo são a Liga Democrática do Kosovo (LDK), de centro-direita, que tem sua origem no movimento não-violento de resistência ao governo de Slobodan Miloševic, iniciado na década de 1990 e liderado por Ibrahim Rugova até sua morte, em 2006,[21] e dois partidos que têm suas raízes no Exército de Libertação do Kosovo (ELK): o Partido Democrático do Kosovo (PDK), liderado pelo antigo líder do ELK, Hashim Thaçi, e a Aliança pelo Futuro do Kosovo (AAK), de centro-direita, liderada pelo antigo comandante do ELK, Ramush Haradinaj.[21] O editor kosovar Veton Surroi formou em 2004 o Partido Reformista ORA, de centro-esquerda. Os sérvios kosovares formaram no mesmo ano a Lista Sérvia para o Kosovo e Metohija (SLKM), e conquistaram diversos assentos no parlamento - embora tenham optado por boicotar as instituições do país, e jamais terem assumido seus postos na Assembleia do Kosovo.[21] Em 2006 o executivo suíço-kosovar Behgjet Pacolli, tido como o mais rico albanês do mundo, fundou a Aliança do Novo Kosovo (AKR), que ficou em terceiro lugar nas eleições realizadas em 2007.
[editar] Instituições provisórias de governo
Em novembro de 2001 a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) supervisionou as primeiras eleições para a Assembleia do Kosovo.[22] Depois daquela eleição, os partidos políticos do país formaram uma coalização onipartidária, e elegeram Ibrahim Rugova como presidente e Bajram Rexhepi (PDK) como primeiro-ministro.[23] Após eleições realizadas por todo o Kosovo em outubro de 2004, o LDK e o AAK formaram uma nova coalização de governo, que não incluiu o PDK e o Ora. Este acordo resultou na eleição de Ramush Haradinaj (AAK) como primeiro-ministro, enquanto Ibrahim Rugova manteve o cargo de presidente. Tanto o PDK quanto o Ora criticaram o acordo que selou a coalização, e desde então passaram a acusar com frequência o governo de corrupção.
Ramush Haradinaj renunciou ao cargo de primeiro-ministro depois de ser indiciado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia em março de 2005 (Haradinaj foi absolvido em abril de 2008). Foi substituído por Bajram Kosumi (AAK).[24] Depois do turbilhão político provocado pela morte do presidente Rugova, em janeiro de 2006, o próprio Kosumi foi substituído pelo antigo comandante das Forças de Proteção do Kosovo, Agim Çeku.[25] Çeku conseguiu reconhecimento por sua capacidade de falar às minorias, porém a Sérvia o criticou por seu passado como líder militar do ELK, e alega que ele ainda não estaria fazendo o bastante pelos sérvios kosovares. Com a morte de Rugova a Assembleia do Kosovo elegeu Fatmir Sejdiu, antigo parlamentar do LDK, para a presidência do país. Slaviša Petkovic, Ministro para as Comunidades e Retornos, era até então o único sérvio no governo, porém renunciou em novembro de 2006, entre alegações de malversação de fundos do ministério.[26][27] Atualmente o Ministro para as Comunidades e Retornos e o Ministro do Trabalho e Bem-Estar Social são sérvios, enquanto o Ministro do Meio Ambiente e Planejamento Espacial pertence à pequena minoria turca do Kosovo.
Eleições parlamentares foram realizadas em 17 de novembro de 2007; Hashim Thaçi, que conquistou 35% dos votos, declarou a vitória do PDK (Partido Democrático do Kosovo), e manifestou suas intenções de declarar a independência. Thaçi formou então uma aliança com a Liga Democrática do Kosovo, de Fatmir Sejdiu, que havia obtido o segundo lugar, com 22% dos votos.[28] O comparecimento dos eleitores nestas eleições foi especialmente baixo; a maior parte dos membros da minoria sérvia se recusaram a votar.[29]
[editar] República do Kosovo
A República do Kosovo é uma democracia representativa parlamentar. O poder executivo é exercido pelo governo do Kosovo, liderado pelo primeiro-ministro do Kosovo. Dois ou três ministros, dependendo do tamanho do governo, devem obrigatoriamente pertencer às minorias. O presidente da República do Kosovo é o chefe de Estado. O poder judiciário é independente, e o poder legislativo é exercido pela Assembleia do Kosovo, unicameral, que consiste de 120 membros, dos quais 100 são eleitos diretamente pelo povo para um mandato de quatro anos, e vinte assentos são reservados exclusivamente para representantes das minoritas étnicas. A assembleia elege o presidente por cinco anos, e aprova o seu gabinete.
Uma nova constituição para a República do Kosovo foi aprovada pelo Parlamento da República, e entrou em vigor em 15 de junho de 2008.[30][31][32]
[editar] Subdivisões
Para propósitos administrativos, o Kosovo é dividido em sete distritos. A população sérvia do Norte do Kosovo mantém seu próprio governo, infraestrutura e instituições no distrito de Kosovska Mitrovica, especialmente nos municípios de Leposavić, Zvečan e Zubin Potok, e na parte norte de Kosovska Mitrovica.
[editar] Distritos
Os sete distritos são os seguintes:
[editar] Municípios e cidades
O Kosovo é subdividido em 30 municípios:
| O município (em albanês: komuna, em sérvio: opština / општина) é a divisão administrativa básica do Kosovo O primeiro nome é o albanês, o segundo o sérvio. |
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|---|---|---|---|
Mapa dos municípios do Kosovo |
01. Deçan / Dečani | 11. Albanik / Leposavić | 21. Prizren |
| 02. Dragash / Dragaš | 12. Lipjan / Lipljan | 22. Skënderaj / Srbica | |
| 03. Gjakovë / Đakovica | 13. Malishevë / Mališevo | 23. Shtërpcë / Štrpce | |
| 04. Gllogovc / Glogovac | 14. Mitrovicë / Kosovska Mitrovica | 24. Shtime / Štimlje | |
| 05. Gjilan / Gnjilane | 15. Novobërdë / Novo Brdo | 25. Suharekë / Suva Reka | |
| 06. Burim / Istok | 16. Kastriot / Obilić | 26. Ferizaj / Uroševac | |
| 07. Kaçanik / Kačanik | 17. Rahovec / Orahovac | 27. Viti / Vitina | |
| 08. Kamenicë / Kosovska Kamenica | 18. Pejë / Peć | 28. Vushtrri / Vučitrn | |
| 09. Klinë / Klina | 19. Podujevë / Podujevo | 29. Zubin Potok | |
| 10. Fushë Kosovë / Kosovo Polje | 20. Prishtinë / Priština | 30. Zveçan / Zvečan | |
| Fonte: OSCE - Regulamento da UNMIK 2000/43: albanês, sérvio (PDF) | |||
[editar] Geografia
O Kosovo tem uma área de 10.887 km² e uma população de aproximadamente 2 milhões de habitantes. As maiores cidades são Priština, a capital, Prizren, Pejë e Kosovska Mitrovica.
O Kosovo tem uma área de 10.908 quilômetros quadrados[33] e uma população de cerca de 2,2 milhões de habitantes. Suas maiores cidades são Pristina, a capital, com cerca de 500.000 habitantes,[34] Prizren, no sudoeste, com uma população de 110.000, Peć, no oeste, com 70.000, e Mitrovica, no norte, com 70.000. O clima é continental, com verões quentes e invernos frios e com neve. A maior parte do terreno kosovar é montanhoso, e o pico mais alto do país é Đeravica, com 2.65 metros. O país tem duas regiões principais planas, a bacia de Metohija, localizada na parte ocidental do Kosovo, e a planície do Kosovo, que ocupa a parte oriental. Os principais rios da região são o Drin Branco, que deságua no mar Adriático, o Erenik, um de seus afluentes, o Sitnica, o Morava do Sul, a região de Goljak, e o Ibar, no norte. Os maiores lagos são o Gazivoda, o Radonjić, o Batlava e o Badovac.
Fitogeograficamente o Kosovo pertence à província Ilíria da Região Circumboreal, dentro do Reino Boreal. De acordo com o WWF e o Mapa Digital das Regiões Ecológicas Europeias, da Agência Europeia do Meio Ambiente, o território do Kosovo pertence à ecorregião das florestas mistas balcânicas.
39.1% do Kosovo é coberto por florestas; 52% é classificado como terra utilizada para agricultura, das quais 31% são usados como pasto e 69% terras aráveis.[35]
Atualmente o Parque Nacional das Montanhas de Šar, com 39.000 hectares, fundado em 1986 nas Montanhas Šar (ao longo da fronteira com a República da Macedônia) é o único parque nacional do Kosovo, embora o Parque Nacional Bjeshkët e Nemuna, no Prokletije (ao longo da fronteira com Montenegro) tenha sido proposto.[36]
[editar] Economia
O Kosovo é um país em desenvolvimento, com uma renda per capita estimada em 2.100 euros (2008).[37] O país tinha a maior companhia de exportação (Trepca) da República Federal da Iugoslávia,[38] mas ainda assim era a mais pobre das províncias do país, e recebia subsídios consideráveis para seu desenvolvimento de todas as outras repúblicas iugoslavas.[39] Além disso, ao longo da década de 1990 um misto de políticas econômicas equivocadas, sanções internacionais, pouco comércio com o exterior e conflitos étnicos acabaram por danificar seriamente a economia.[40]
Depois de um aumento em 2000 e 2001, o crescimento do produto interno bruto (PIB) foi negativo em 2002 e 2003, e permaneceu em torno de 3%, enquanto as fontes internas de crescimento não foram capazes de compensar a ausência da assistência estrangeira. A inflação é baixa, enquanto o orçamento apresenta um déficit pela primeira vez desde 2004. No mesmo ano, o déficit na balança de bens e serviços chegou a quase 70% do PIB. O dinheiro enviado por kosovares que vivem no exterior totalizam cerca de 13% do PIB, e a assistência externa cerca de 34%.
A maior parte do desenvolvimento econômico desde 1999 ocorreu nos setores da construção civil, comércio e varejo. O setor privado, surgido a partir daquele ano, é em sua maior parte de pequeno porte. O setor industrial continua fraco, e o fornecimento de eletricidade não é confiável, o que funciona como um empecilho crucial para o seu desenvolvimento. O desemprego continua endêmico, afetando de 40 a 50% da força de trabalho.[41]
A Missão de Administração Interina das Nações Unidas no Kosovo (UNMIK) introduziu no país uma administração alfandegária e um regime de comércio exterior em 3 de setembro de 1999. Todas as mercadorias importadas para dentro do país sofrem uma taxa simples, de 10%.[42] Estas taxas são coletadas de todos os Pontos de Coleta de Impostos instalados nas fronteiras do Kosovo, incluindo as que separam o país da Sérvia.[43] A UNMIK e as instituições kosovares assinaram tratados de comércio livre com a Croácia,[44] Bósnia e Herzegovina,[45] Albânia e República da Macedônia.[42]
O euro é a moeda oficial do Kosovo, utilizada pela UNMIK e pelos órgãos governamentais.[46] Inicialmente o Kosovo adotou o marco alemão, em 1999, para substituir o dinar iugoslavo,[47] e consequentemente mudou para o euro quando o marco foi substituído por ele. O dinar sérvio, no entanto, continua a ser utilizado nas áreas povoadas pelos sérvios.[48]
O principal ponto de entrada do país, além da estrada principal que liga o sul do país a Skopje, na República da Macedônia, é o Aeroporto Internacional de Priština.
[editar] Comércio e investimento
De acordo com a ECIKS (Iniciativa Econômica para o Kosovo), o Kosovo apresentou um déficit de 1,13 bilhão de euros (1,34 bilhão de dólares), 11,88% a mais do que o 1,006 bilhão de euro registrado no ano anterior. As importações dos 25 Estados da União Europeia totalizam 34,6% das importações do Kosovo; a UE foi responsável por 35,6% das exportações da província em 2005. A República da Macedônia foi o principal parceiro comercial do Kosovo em 2005; as importações do país totalizaram 18,6% das importações do Kosovo, e as exportações para o país totalizaram 19,7% do total. A matéria-prima bruta totaliza 18% das importações do Kosovo, seguida por comida, bebidas e tabaco, com 14%, e diversos equipamentos e maquinário, com 11,3%.[49]
A economia tem sido prejudicada pelo status internacional ainda não-resolvido do Kosovo, que torna difícil a atração de investimentos e empréstimos estrangeiros.[50] A fraqueza econômica da província produziu uma florescente economia informal, onde o contrabando de gasolina, cigarros e cimento são as principais mercadorias. A predominância da corrupção oficial e a influência penetrante de gangues e do crime organizado são motivo de grande preocupação internacional. As Nações Unidas tentam fazer da luta contra a corrupção e o crime organizado no território uma de suas principais prioridades, alegando seguir uma política de "tolerância zero".
O Kosovo tem uma dívida externa de 1,264 bilhão de dólares, atualmente administrada pela Sérvia.[51]
De acordo com a ECIKS,[52] o Kosovo recebeu, de 2001 a 2004, 3,2 bilhões de dólares em assistência de outros países. A União Europeia é responsável pela doação de 2 bilhões de euros até agora, e a Sérvia também prometeu 120 milhões de euros em assistência aos enclaves sérvios do Kosovo.
[editar] Demografia
De acordo com o estudo de 2005, Kosovo em Números, do Escritório de Estatísticas do Kosovo,[53][54][55] A população total do Kosovo é estimada entre 1,9 e 2,2 milhões de habitantes, com a seguinte composições étnica: 92% de albaneses, 4% de sérvios, 2% de bosníacos e goranis, 1% de turcos e 1% de ciganos. O CIA World Factbook estabelece a seguinte proporção: 88% de albaneses, 7% de sérvios do Kosovo e 5% de outros grupos étnicos, totalizando 1.804.838 habitantes.[56]
Os albaneses, com sua população aumentando constantemente, formam uma maioria no Kosovo desde o século XIX; a composição étnica anterior do território é controversa. As fronteiras políticas do Kosovo, no entanto, não coincidem com suas fronteiras étnicas; os sérvios formam uma maiora local no Norte do Kosovo, e me diversos enclaves, enquanto existem áreas de maioria albanesa fora do Kosovo, em regiões da antiga Iugoslávia - mais especificamente no noroeste da República da Macedônia e na região de Presevo, na Sérvia Central.
Os albaneses do Kosovo tem a maior taxa de crescimento populacional da Europa, 1,3% ao ano.[57] Ao longo de um período de 82 anos (1921-2003) a população cresceu a 460% de seu tamanho original; se tal crescimento prosseguir inalterado, a população do país atingirá 4,5 milhões de pessoas em 2050.[58]
Em contraste, de 1948 a 1991 a população sérvia do Kosovo aumentou em 12%, um terço do crescimento da população da Sérvia Central. A população de albaneses do Kosovo cresceu 300% no mesmo período - uma taxa de crescimento vinte e cinco vezes maior que a dos sérvios do país.
Desde a declaração de independência do Kosovo, os sérvios vêm abandonando continuamente a região, o que causou certa ansiedade entre os líderes kosovares, e encorajou alegações controversas de políticos sérvios.[59]
[editar] Língua
O dialeto nativo da população albanesa kosovar é o albanês gheg, embora o albanês padrão seja usado atualmente como uma língua oficial.[60][61] De acordo com o esboço da Constituição do Kosovo, o sérvio também é outra língua oficial.[62]
[editar] Religiões
O islamismo (principalmente o sunita, com uma minoria bektashi[63]) é a principal religião do Kosovo, trazida à região com a conquista otomana no século XV, e professada atualmente pela maioria dos albaneses da região, pelas comunidades bosníaca, gorani e turca, além dos "egípcios"-rom/ashkali. O islã, no entanto, não saturou a sociedade kosovar, que permanece em sua maior parte secular.[64] Cerca de três por cento dos albaneses do Kosovo ainda são católicos romanos, apesar de séculos de domínio otomano. A população sérvia, estimada entre 100.000 e 120.000 pessoas, é em sua maior parte ortodoxa sérvia. O território do Kosovo está coberto por igrejas e mosteiros ortodoxos sérvios.[65][66][67]
[editar] Sociedade e cultura
[editar] Relações entre albaneses e sérvios
As relações entre os albaneses e sérvios do Kosovo foram hostis, historicamente, devido à rivalidade nacionalista, que se tornou forte depois que a Sérvia conquistou o Kosovo do Império Otomano, em 1913, e depois que a Albânia se tornou independente, naquele mesmo ano.[68] Durante a era de Tito e do domínio comunista na Iugoslávia, as diferenças entre as populações das duas etnias eram absolutamente irreconciliáveis, e estudos sociológicos feitos durante o período indicam que uma populações raramente aceitava a outra como vizinhos ou amigos, e poucos casamentos entre indivíduos das duas etnias eram registrados.[69] Preconceitos étnicos, estereótipos e a desconfiança mútua entre albaneses e sérvios permaneceram a norma por décadas.[70] O nível de intolerância e separação entre as duas populações durante o período de Tito foi relatado pelos estudiosos como ainda pior que o das comunidades croatas e sérvias no país, que apesar das tensões ainda tinham relações mais íntimas entre si.[71]
[editar] Cinema e mídia
Embora a música do Kosovo seja muito diversificada, a música albanesa e sérvia tradicionais ainda existem no país. A música albanesa é caracterizada pelo uso da çiftelia (um instrumento genuinamente albanês), o bandolim, a mandola e a percussão. A música clássica também é bem conhecida na região, e ensinada em diversas escolas e universidades locais, como a Faculdade de Artes da Universidade de Prishtina (albanesa), em Priština, e a Faculdade de Artes da Universidade de Priština (sérvia), em Kosovska Mitrovica.
[editar] Esportes
Diversas federações esportivas foram formadas no Kosovo dentro das regulamentações da Lei n.º 2003/24, "Lei dos Esportes", passada pela Assembleia do Kosovo em 2003. A lei estabeleceu formalmente um comitê olímpico, regulamentou a fundação das federações esportivas e definiu as diretrizes a serem seguidas pelos clubes esportivos. Atualmente apenas algumas destas federações conseguiram reconhecimento internacional.
Referências
- ↑ 1,0 1,1 Forma registrada pelo Dicionário Aurélio, verbete "cossovar".
- ↑ http://www.baltictimes.com/news/articles/19841/
- ↑ http://www.abc.net.au/news/stories/2008/02/19/2166164.htm
- ↑ Forma adotada pelo Dicionário Houaiss, verbete "albanês".
- ↑ Sérvia acusa ONU de ignorar terror no Kosovo e Rússia ameaça não negociar - UOL, 13 de julho de 2007
- ↑ Resolução sobre a situação no Kosovo - Parlamento Europeu, 11 de fevereiro de 1999
- ↑ Princípio de acordo é firmado - Folha de S. Paulo, 8 de fevereiro de 1999
- ↑ Rebeldes de Kosovo insistem em independência e dificultam acordo - Folha de S. Paulo, 22 de fevereiro de 1999
- ↑ "Da Federação aos protetorados europeus" - Catherine Samary, Le Monde Diplomatique, janeiro de 2006
- ↑ "Operação Força Aliada"
- ↑ Otan ataca a Iugoslávia com mísseis; país promete resistir - Folha de S. Paulo, 25 de março de 1999
- ↑ Otan cumpre ameaça e ataca a Iugoslávia - JC Online, 25 de março de 1999
- ↑ Otan ataca a Iugoslávia - Deutsche Welle, 1999
- ↑ Iugoslávia recua e aceita acordo de paz para Kosovo - Folha de S.Paulo, 4 de junho de 1999
- ↑ Otan prepara suspensão de bombardeios - Folha de S. Paulo, 10 de junho de 1999
- ↑ Acordo militar visa impedir "vácuo de poder" - Folha de S. Paulo, 10 de junho de 1999
- ↑ Parlamento sérvio contra a independência do Kosovo - Folha de S. Paulo, 27 de dezembro de 2007
- ↑ Rússia não reconhecerá independência do Kosovo - G1, 17 de fevereiro de 2008
- ↑ Kosovo declara sua independência unilateral da Sérvia - G1, 17 de fevereiro de 2008
- ↑ Líder do Kosovo convoca sessão especial no paralmento - G1, 17 de fevereiro de 2008
- ↑ 21,0 21,1 21,2 "Kosovo Update: Main Political Parties ", Fórum Europeu, 18 de março de 2008
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- ↑ Albanian, Gheg A language of Serbia and Montenegro. Gordon, Raymond G., Jr. (ed.), 2005. Ethnologue: Languages of the World, 15ª ed. Dallas, Tex.: SIL International.
- ↑ Sylvia Moosmüller & Theodor Granser. The spread of Standard Albanian: An illustration based on an analysis of vowels. Language Variation and Change (2006), 18: 121-140.
- ↑ Draft Esboço da Constituição da República do Kosovo (em inglês)
- ↑ Babuna, Aydın. Albanian national identity and Islam in the post-Communist era. Perceptions 8(3), setembro-novembro de 2003: 43-69.
- ↑ Kosovo touts 'Islam Lite'. Associated Press, 21 de fevereiro de 2008.
- ↑ International Crisis Group (31 de janeiro de 2001). Religion in Kosovo.
- ↑ International Religious Freedom Report 2007 (Departamento de Estado dos EUA) - Sérvia (incluindo o Kosovo)
- ↑ International Religious Freedom Report 2006 (Departamento de Estado dos EUA) - Sérvia e Montenegro (incluindo o Kosovo)
- ↑ Schabnel, Albrecht; Thakur (ed), Ramesh (ed). Kosovo and the Challenge of Humanitarian Intervention: Selective Indignation, Collective Action, and International Citizenship. New York: The United Nations University, 2001. Pp. 20.
- ↑ Schabnel, Albrecht; Thakur (ed), Ramesh (ed), 2001. Pp. 24.
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[editar] Ligações externas
- New Kosova Report - Kosovo News and Views Portal
- KFOR
- Portal oficial do turismo no Kosovo
- Missão Internacional das Nações Unidas em Kosovo
- Assembleia legislativa do Kosovo
- Sítio oficial do primeiro-ministro do Kosovo
- Sítio oficial do presidente do Kosovo
- Statistical Office of Kosovo - governmental agency of statistics.
- O Impasse em Kosovo - Deutsche Welle
- Relatório do grupo Human Rights Watch sobre crimes de guerra no conflito em Kosovo
- Artigos sobre Kosovo no Le Monde Diplomatique
- artigo de John Pilger no resistir.info
- Kosovo tem medo do futuro - Almanaque Terra
- A guerra do Kosovo e a desintegração da Iugoslávia: notas sobre a (re)construção do Estado no fim do milênio - João Pontes Nogueira, Revista Brasileira de Ciências Sociais, outubro de 2000

