Krabi krabong

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Krabi krabong
Treino com bastão longo e escudos de braço em Bangkok, Tailândia.
Informação geral
Prática Arte marcial
Foco Armas
Dureza Contato pleno
Outras informações
Esporte olímpico Não
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Espada japonesa mostrando a lâmina manga habaki e a mão guarda tsuba


Krabi krabong (em tailandês: กระบี่กระบอง; RTGS: krabi krabong; AFI[krabi ː krabɔ̄ ː n]) é uma arte marcial armada tailandesa. Está intimamente relacionado a outros estilos de luta do Sudeste da Ásia, como o silat indonésio-malaio, o banshay birmanês e o componente armado do bokator cambojano. A corpo da guarda real do rei Bhumibol Adulyadej (Rama IX) são considerados especialistas altamente treinados de krabi krabong.

O nome do sistema refere-se a suas armas principais, nomeadamente a espada curva (krabi) e o bastão (krabong). Normalmente, duas espadas são empunhadas como um par. As técnicas desarmadas de krabi krabong fazem uso de chutes, golpes nos pontos de pressão, chaves de juntas, agarramentos, e arremessos.

Origens[editar | editar código-fonte]

O krabi krabong foi desenvolvido pelos antigos militares siameses para o combate no campo de batalha. Ele pode ter sido usado em conjunto com o muay boran mas se as duas artes foram desenvolvidos em conjunto ou de forma independente é incerto. Achados arqueológicos e danças tradicionais suportam o testemunho da miríade de armas que foram usadas antigamente na Tailândia. Algumas delas não são mais encontradas nas atuais artes marciais do país, como o kris (punhal), o hawk (lança), o trisun (tridente), o daab (espada reta) e o vajra. Estas armas, o seu design e a dança de guerra pré-luta no krabi krabong demonstram evidências de uma derivação indiana combinadas com características chinesas. Estudiosos do sul da Índia, homens sagrados, colonos e comerciantes foram especialmente influentes na evolução da cultura tailandesa e suas artes marciais. O estilo do bastão de combate Tamil de silambam foi de particular importância para a história de numerosos sistemas de combate do Sudeste Asiático. Durante o período colonial, silambam se tornou mais comum no sudeste da Ásia do que na Índia, onde foi proibido pelos governantes britânicos.[1]

Os elefantes eram uma parte integral da guerra no Sião. Eles geralmente eram montado pelos mais graduados guerreiros como generais ou pela realeza. o krabi krabong foi frequentemente praticado pelos mahouts (adestradores de elefantes) do palácio. Da parte traseira de um elefante, os arqueiros podiam atirar flechas aos inimigos abaixo ou, caso o guerreiro se encontrasse empunhando uma arma de haste, envolver-se-ia em combate corpo-a-corpo com outro lutador montado. Após a introdução do século 16, da pólvora, elefantes serviram como tanques, tendo canhões montados em suas costas. As pernas eram o ponto fraco do elefante de guerra, o que obrigava a que tivessem de ser guardados por até quatro soldados de infantaria.

Hoje, reconstituições de batalhas encenadas por atores que muitas vezes são de famílias que adestram elefantes desde o período Ayutthayano. Os mahouts na Tailândia, são muitas vezes de origem Khmer e ainda emitem comandos aos seus elefantes no antigo dialeto Khmer de Kalae. Portanto, é provável que o adestramento de elefantes foi trazida para a Tailândia do Camboja, e que o krabi krabong tem alguma influência cambojana, provavelmente remonta à invasão Ayutthaya de Angkor. Enquanto os mahouts modernos não praticam mais as artes marciais, seu legado ainda pode ser visto no traje usado por expoentes do Krabi Krabong.

Como o comércio indochinês se estendeu para o Japão, pequenas comunidades de japoneses estavam vivendo e negociando em torno da região. Após a batalha de Sekigahara em 1600, muitos daqueles do lado perdedor da guerra foram para o Sião. Outros eram piratas ou comerciantes oficiais que chegarm ao Navios da Red Seal. Os japoneses fugiram de Ayutthaya, após os birmaneses a invadirem, em 1767 mas deixaram a sua influência sobre as artes de combate locais. Muitas das técnicas, posturas, armas e arremessos do krabi krabong são semelhantes aos encontrados no jujutsu e em várias artes marciais armadas japonesas.

Na Tailândia, assim como outros países no Sul e do sudeste da Ásia, os monges atuavam como professores para a comunidade local. Crianças (sexo masculino) eram enviados aos templos, onde, além de aprender sobre o budismo, eram ensinadas matérias que iam desde a língua até a astrologia. Um estabelecimento desse tipo foi o Templo Buddhaisawan em Ayutthaya, onde os monges ensinavam combate com espada aos seus alunos. A origem destes monges é desconhecida, mas acredita-se ter vindo do reino de Lanna no norte da Tailândia. O moderno Instituto de Combate com Espada Buddhai Swan foi dirigido por Sumai Mesamana até sua morte em 1998. Seu filho Pramote Mesamana começou a treinar o Krabi Krabong com a idade de 6 anos. De acordo com o mais jovem Mesamana, a arte foi transmitida na sua família, de pai para filho desde a era Ayutthayan. Hoje ele dirige a Associsção Buddhai Sawan Krabi Kkrabong em Lad Prao.

Armas[editar | editar código-fonte]

A variedade de armas do krabi krabong é de até 20 armas, sendo utilizadas em treinamento para o combate. O krabi krabong usa muitos tipos diferentes de armas como na artes marciais chinesas. Alguns eram usados ​​de trás do elefante de guerra e alguns a pé.[2] Algumas armas utilizadas nesta arte são:

  • Krabi (กระบี่) - Sabre/espada de lâmina simples;
  • Krabong (กระบอง) - Bastão;
  • Daab - Espada utilizada em par (daab song mue; ดาบสองมือ), em ambas as mãos;
  • Ngao (ง้าว) - Alabarda;
  • Mae sauk - Bastão utilzado em par (mae sun sauk; ไม้ศอก), em ambos antebraços;
  • Loh (โล่) - Escudo circular, utilizado para defesa e ataque;
  • Kaen - Escudo médio retangular para o braço;
  • Phlong (พลอง) - Bastão.

As armas principais do sistema são as espadas duplas.

Golpes[editar | editar código-fonte]

Os princípios de golpes para o combate são:[2]

  • Grupo 1 - Sida (recuo com a cabeça);
  • Grupo 2 - Yorkow (parar a montanha);
  • Grupo 3 - Cheng (ataque de elefante);
  • Grupo 4 - Pikard Pailee (o matador).

Dança com espadas[editar | editar código-fonte]

Dança com par de espadas[editar | editar código-fonte]

A dança com par de espadas é feita após o wai kru (feito em quatro direções para homenagear à Deus, ao Rei, ao Mestre e à Família), e é composto por até 12 danças.[2]

As oito primeiras danças são:

  1. Nom Kor Sida - Cortando a cabeça da Sida;
  2. Kanan Surd Soel - Espadas paralelas;
  3. Klong Song - Olhando através do telescópio;
  4. Suar Talai Heng - Ataque do tigre;
  5. Tad Kien - Cortando a vela;
  6. Horng Piek Huk - Pássaro com asas quebradas
  7. Sord Fax Put - Botando a espada na bainha;
  8. Kakabard - Cruzando as espadas.

Dança com uma única espada[editar | editar código-fonte]

  1. Cher Chy - Voar como o Anjo
  2. Dern Phom - Caminhar como o Lorde Phom
  3. Cero Tien - Cortar a vela

Referências

  1. Crego, Robert (2003). Sports and Games of the 18th and 19th Centuries pg 32. Greenwood Press
  2. a b c www.krabikabong.org.uk

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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