Krak des Chevaliers

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Pix.gif Krak des Chevaliers e Fortaleza de Saladino *
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Património Mundial da UNESCO

Krak des Chevaliers 01.jpg
Krak des Chevaliers, Síria
País  Síria
Critérios (ii)(iv)
Referência 1229
Coordenadas 34° 45′ N 36° 17′ E(Al Hosn, Síria)
Histórico de inscrição
Inscrição 2006  (30ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
Krak des Chevaliers está localizado em: Síria
Krak des Chevaliers
Localização de Krak des Chevaliers na Síria.

O Krak dos Cavaleiros (em língua francesa, "Krak des Chevaliers"; designado pelos muçulmanos como "qalajat al-Husn") localiza-se na atual Síria, 65 km a oeste da cidade de Homs, perto da fronteira Líbano-Síria.

A expressão "Krak" ou "Karak" designa um tipo de fortificação erguida no século XII e no século XIII pelos Cruzados, nas regiões das atuais Síria e Palestina, para assegurar a defesa dos chamados "Reinos Latinos do Oriente". Os principais eram o Krak dos Cavaleiros, que defendia o limite Nordeste do Condado de Tripoli, o Krak de Montreal, em al-Chawbak, defendendo o limite Sudeste do Reino de Jerusalém, e o Krak de Moab, em al-Karak, também no Reino de Jerusalém.

O Krak dos Cavaleiros foi erguido sobre um esporão rochoso do deserto sírio com a função de proteger a rota que unia a cidade síria de Homs (sob domínio muçulmano) à de Trípoli (Líbano), capital do condado de Trípoli, na costa do mar Mediterrâneo.

Atualmente é uma dos mais bem preservados exemplares da arquitetura militar da Idade Média na região, estando classificado pela UNESCO como Património Mundial desde 2006.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A primitiva fortificação de seu sítio havia sido promovida pelo emir de Alepo[quem?]. Foi conquistada por Raimundo IV de Tolosa em 1099 durante a Primeira Cruzada, mas veio a ser abandonada quando os cruzados seguiram o seu caminho até Jerusalém. O local foi reocupado por Tancredo, príncipe da Galileia em 1110. Raimundo II, conde de Trípoli, cedeu-o aos cavaleiros da Ordem dos Hospitalários em 1142. Durante o século e meio que se seguiu, os Hospitalários construíram uma imponente fortaleza, a maior da Terra Santa, que resistiu a pelo menos doze assaltos muçulmanos, até cair diante dos mamelucos do sultanato do Egito em 1271.

Construção[editar | editar código-fonte]

Ilustração do Krak dos Cavaleiros.
Krak dos Cavaleiros: espaço entre os muros interno e externo e vista do outro lado do alcantilado.
Krak dos Cavaleiros: espaço entre os muros interno e externo e vista da planície ao pé do castelo.

O castelo foi erguido em duas etapas. Na primeira, foram levantadas as muralhas exteriores e um núcleo interno, composto por pequenas edificações de planta quadrada, de modo que, em 1170, as obras estavam concluídas. Em 1202, um terramoto afetou parte do conjunto, de maneira que, pouco tempo depois, iniciou-se uma grande reestruturação das defesas, conferindo-lhe a atual feição: uma muralha exterior de trinta metros de largura, amparada por sete torres com 8 a 10 metros de largura, definindo uma fortificação concêntrica. As escarpas do esporão foram aproveitadas com fins táticos.

Ainda que o local em que se erguia pudesse ser considerado ideal, uma fortificação neste ponto possuía dois pontos fracos: o portão de armas e o flanco Sul, voltado para a planície. Para defender este lado exposto, ergueu-se uma muralha de alvenaria com três grandes torres, precedido de um extenso parapeito também de alvenaria, que em alguns trechos possuía 25 metros de espessura.

A questão de defesa da entrada foi solucionada construindo-se um acesso em ziguezague pelo declive escarpado, de modo a expor as forças de um invasor ao fogo dos defensores. Entre as portas exterior e interior, um estreito caminho entre as muralhas e defesas colossais.

A possibilidade de sujeitar a fortificação mediante um assédio também era dificultada. O conjunto contava com um armazém principal de 120 metros de largura e com armazéns adicionais escavados na rocha sob o castelo, onde se armazenavam água e alimentos suficientes para sustentar durante muito tempo uma guarnição de 2.000 homens. Estima-se que, completamente abastecida, ela estaria em condições de resistir a um assédio de cinco anos.

Complementarmente ao controle da rota até ao mar Mediterrâneo, os Hospitalários exerceram influência sobre o lago Homs a Leste, onde podiam ter controlado a indústria pesqueira vigiado as forças muçulmanas reunidas na Síria.

Assédios[editar | editar código-fonte]

Em 1163, o Krak sofreu um assédio que lhe foi imposto por Nur al-Din, ao qual resistiu com sucesso. Após essa vitória, os Hospitalários converteram-no em uma força virtualmente independente na fronteira do Condado de Trípoli. Foi novamente assediado em 1188, agora pelas forças de Saladino, às quais também resistiu com sucesso.

A queda[editar | editar código-fonte]

Cercado pelas forças do sultão do Egito, Baibars, caiu em 8 de abril de 1271.

Na época, a guarnição do Krak era reduzida. No ano anterior, a Oitava Cruzada havia fracassado e o envio de reforços a partir do Oeste, era impossível. Evitando um ataque frontal ao portão de armas, durante várias semanas, as forças de Baibars minaram a base da torre Sudoeste da muralha exterior, até que lograram derrubá-la. Quando os assaltantes penetraram no recinto exterior, depararam-se com a segunda linha defensiva e a imponente torre de menagem.

O sultão, não desejando admitir a derrota ou a possibilidade de um assédio mais demorado, recorreu então a um estratagema. De acordo com a historiografia muçulmana, valeu-se de um pombo-correio para enviar uma mensagem falsa aos defensores, supostamente de um dos Grão-Mestres da Ordem, ordenando a rendição da guarnição, pois não era possível enviar-lhes socorro algum. A ordem teria sido obedecida e Baibars conseguiu capturar a fortaleza. Como um dos termos da rendição, concedeu ainda aos defensores um salvo-conduto para que se alcançassem Trípoli. Alguns críticos afirmam, entretanto, que os defensores tinham conhecimento de que a mensagem era falsa, tendo a mesma tido a função de revestir de honra a sua rendição.

Na posse do sultão, este determinou os reparos na fortaleza, utilizando-a como base para a sua campanha posterior contra Trípoli. Nesse contexto, a capela do castelo foi convertida em uma mesquita. Os mamelucos utilizariam ainda o Krak como base para o seu ataque a São João de Acre em 1291.

Em nossos dias[editar | editar código-fonte]

Em nossos dias, o castelo encontra-se preservado em boas condições, sendo considerado um dos mais belos exemplos de arquitetura militar europeia na região. Pertence ao governo sírio, que o mantém aberto como atração turística. Entre os destaques encontram-se a dupla cintura de muralhas que envolve os edifícios de habitação, uma capela em estilo românico, uma grande sala e uma galeria em estilo gótico que data do século XIII.

Em julho de 2013, no contexto da guerra civil síria,esta fortaleza foi tomada por rebeldes sírios e posteriormente foi bombardeada pela aviação militar síria, causando diversos danos a estrutura.[1] Posteriormente, o governo tomou a torre novamente.[2]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • O Krak é um dos poucos lugares do mundo onde se preservou a arte dos cruzados, sob a forma de afrescos.
  • Eduardo I de Inglaterra, durante a Nona Cruzada, em 1272, viu a fortaleza e utilizou-a como modelo para os seus próprios castelos na Inglaterra e em Gales.
  • De acordo com uma descrição de T. E. Lawrence ("Lawrence da Arábia"), o Krak dos Cavaleiros é "o castelo mais admirável do mundo".

Referências

  1. "Fortaleza patrimônio mundial da Unesco é bombardeada na Síria". Página acessada em 13 de julho de 2013.
  2. Syrian army takes Krak des Chevaliers in Homs. Página acessada em 20 de março de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BILLER, Thomas (org.). Der Crac des Chevaliers. Die Baugeschichte einer Ordensburg der Kreuzfahrerzeit. Regensburg: Schnell & Steiner, 2006. ISBN 3-7954-1810-0
  • DESCHAMPS, Paul. Terre Sainte Romane. Zodiaque, 1964.
  • DESCHAMPS, Paul. Le Crac des Chevaliers. Etude historique et archéologique. Paris, 1934.
  • FOLDA, Jaroslav; FRENCH, Pamela; COUPELL, Pierre. Crusader Frescoes at Crac des Chevaliers and Marqab Castle. in: Dumbarton Oaks Papers, 36, 1982, S. 177–210.
  • VOISIN, Jean-Claude. Le Temps des forteresses en Syrie du nord: VIe-XVe siècles. Éd. Terre du Liban, 2000.
  • vv.aa.. La Méditerranée des Croisades. Citadelles & Mazenod, 2000.
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