Kulturkampf

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O papa Leão XIII e o chanceler Bismarck, em charge de época intitulada Modus vivendi

Kulturkampf ou luta pela cultura foi um movimento anticlerical alemão do século XIX, iniciado por Otto von Bismarck, Chanceler do Império Alemão em 1872.

As causas desse movimento foram praticamente de natureza nacionalista.

Bismarck não via com simpatia o apoio que parcela importante do clero católico alemão dava em favor dos direitos dos estados da Alemanha meridional. A Igreja também apoiava os alsacianos e a minoria polonesa o que também não era bem visto pelo Chanceler do Império.

Foi também causa de preocupação uma má compreensão do dogma da infalibilidade papal promulgado em 1870. Bismarck buscava, também, obter apoio dos "nacional-liberais" para as bases do novo império recentemente nascido.

Bismarck, 1877, idealizador da Kulturkampf

Entendeu por bem eliminar inteiramente qualquer capacidade de influência da Igreja Católica na vida pública da [[Alemanha[[. Promulgou entre 1872 e 1875 uma série de leis e decretos neste sentido. Tratou de obter a expulsão do país da Companhia de Jesus, colocou todos os seminários católicos sob o controle do Estado e promulgou as "Leis de Maio" que autorizavam o governo a regular a nomeação de bispos e padres. Restringiu o exercício dos cargos eclesiásticos exclusivamente aos cidadãos alemães que, antes de assumí-los, eram obrigados a se submeter a "exames oficiais". Durante a Kulturkampf foram presos seis dos dez bispos católicos da Prússia e centenas de padres e religiosos tiveram de abandonar o país.

von Ketteler, 1865, adversário de Bismarck e da Kulturkampf

Não obstante isto, a campanha resultou em fracasso. Pois o Partido do Centro (Deutsche Zentrumspartei), de orientação claramente católica, tomou posição firme e decidida em favor dos clérigos perseguidos e, seguindo a orientação social da Igreja que já se vislumbrava nas encíclicas Quanta cura e Qui pluribus, adotou um programa econômico tão avançado para a época que fez com que se tornasse em pouco tempo a maior força político-partidária da Alemanha. Um dos líderes deste partido foi o barão, bispo e político von Ketteler, conhecido como o "Bispo dos Trabalhadores" (Arbeiterbischof) um dos precursores da Doutrina Social da Igreja, que se notabilizou pela sua atuação em favor dos trabalhadores e pelas minorias discriminadas e exploradas pelo capitalismo liberal-burguês.

Em 1874 o Centro católico obteve perto da quarta parte das cadeiras no Parlamento (Reichstag) e celebrou uma aliança com os "Social-Democratas" de oposição ao governo, se os dois partidos continuassem a crescer no mesmo ritmo em que vinham crescendo em pouco tempo se tornarim a maioria. Por esta época os socialismo se desenvolvia na Alemanha o que também era motivo de grande preocupação para Bismarck.

Temendo um avanço maior do socialismo, este quadro político levou Bismarck a arrefecer a sua perseguição aos católicos e, aos poucos, entre 1878 e 1886 foi, paulatinamente, sendo revogada toda a legislação discriminadora e a Kulturkampf, assim, acabou por cair no esquecimento. Deste modo a Igreja Católica voltou a ocupar na Alemanha a antiga influência e posição.

A Kulturkampf seria finalmente contornada pela diplomacia de Leão XIII que mais tarde, em 1891 promulgaria a encíclica Rerum Novarum fruto, em parte, da experiência da persiguição católica adquirida neste período e pelo facto de terem surgido novas "questões sociais", notórias principalmente na Alemanha e na Inglaterra.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental. Tradução de Lourival Gomes Machado, Lourdes Santos Machado e Leonel Vallandro - Porto Alegre: Editora Globo, 1972 (2a. edição).

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