Língua guarani

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Guarani (Avañe'ẽ)
Outros nomes: Guaraniñe'ẽ
Falado em:  Argentina
 Bolívia
 Brasil
Paraguai
Total de falantes: 7 000 000
Família: Ameríndia
 Tupi
  Tupi-guarani
   Guarani
Escrita: Alfabeto latino (variante guarani)
Estatuto oficial
Língua oficial de: Flag of Bolivia.svg Bolívia (co-oficial)[1]
Flag of Paraguay.svg Paraguai (co-oficial)[2]
Flag of Corrientes province in Argentina.gif Corrientes (província da Argentina, co-oficial)[3]
Flag of Tacuru.svg Tacuru (município do Brasil, co-oficial)[4]
Flag of Mercosur (Portuguese).svg Mercosul
Regulado por: Não está regulada
Códigos de língua
ISO 639-1: gn
ISO 639-2: grn
ISO 639-3: grn
Em vermelho-escuro, o Paraguai, onde o guarani é o principal idioma junto com o castelhano; em vermelho-claro, Brasil, Argentina e Bolívia, onde o guarani é falado por minorias indígenas

O guarani é uma língua indígena do sul da América do Sul. É falada pelos povos da etnia guarani e pelos paraguaios. Surgiu a partir do guarani antigo. Legou alguns vocábulos ao português brasileiro na toponímia ("Cambaquara" [um bairro de Ilhabela]),[5] nos nomes de animais ("ximango")[6] e em termos do dia a dia ("caraminguá",[7] "mixe", "mixa", "mixo"[8] ).

A língua viva[editar | editar código-fonte]

A variante mais regional do sul e oeste, denominada "língua guarani" (denominada avañe'ẽ por seus falantes), mantém-se viva e é falada por mais de sete milhões[carece de fontes?] de pessoas, notadamente no Paraguai, onde é língua oficial juntamente com o castelhano. O guarani, dessa forma, tornou-se uma das únicas línguas indígenas americanas a obter um reconhecimento nacional e literário e a ser falada por um número significativo de não indígenas.[9]

Além disso, a língua guarani é a língua co-oficial da Bolívia, da província de Corrientes, na Argentina, da cidade de Tacuru, no Mato Grosso do Sul e do Mercado Comum do Sul. No Paraguai, a língua guarani foi mantida principalmente porque os padres jesuítas a usaram como instrumento de conversão religiosa numa empreitada colonizadora desvinculada das potências católicas ibéricas que, efemeramente, constituiu um estado indígena cristão: as chamadas missões (ou reduções) jesuítas.[carece de fontes?]

Entretanto, a língua guarani, que, antes de sistematizada pelos jesuítas, não era escrita, assimilou uma enorme variedade de vocábulos da língua castelhana (gerando o chamado "yopará" [mistura] no Paraguai) advinda com a invasão cultural em face da colonização espanhola.[9] Há uma tendência entre as pessoas com um maior grau de escolarização a falar o castelhano com sotaque peculiar, com algumas frases curtas e expressões em guarani. Este modo de expressar também é muito comum nos jornais, revistas e mesmo livros didáticos.

Já as pessoas menos escolarizadas, notadamente no meio rural, tendem a se expressar em guarani, embora emprestem uma grande variedade de vocábulos do espanhol. Os falantes desta mistura mais ou menos equilibrada das duas línguas a chamam de jopará. Escritos judiciais e textos legais normalmente são editados em duas versões castiças de espanhol e guarani. Legalmente, são aceitas ambas as versões. Em agosto de 1995, o guarani recebeu o status de "língua histórica" pelos países membros da comunidade econômica do Mercosul. Em janeiro de 2007, o guarani também recebeu o status de língua oficial do Mercosul.

Em 24 de maio de 2010, a cidade de Tacuru, no estado brasileiro do Mato Grosso do Sul, adotou o guarani como língua oficial, além do português. A lei sancionada na data determinou que ninguém poderá ser discriminado pela língua de que faça uso e destaca o respeito e a valorização às variedades do guarani, como o caiouá, o nhandeva e o embiá. A lei determina, ainda, que a prefeitura de Tacuru deverá apoiar e incentivar o ensino da língua guarani nas escolas e nos meios de comunicação.[10]

Fonologia[editar | editar código-fonte]

O guarani possui 33 fonemas, dos quais 12 são vogais e 21 são consoantes.

As suas vogais consistem em:

Vogais[editar | editar código-fonte]

"A", "e", "i", "o" e "u" são pronunciados da mesma forma que noo português. Já o "y" é pronunciado com a língua no céu da boca.

As vogais também têm sua forma nasal:

"Ã", "", "ĩ", "õ", "ũ", "".

Consoantes[editar | editar código-fonte]

Das 21 consoantes (pundie), 8 são oclusivas, 5 fricativas, uma africada, uma aproximante, 2 vibrantes e uma sibilante.

Expressões curtas da língua guarani[editar | editar código-fonte]

Aju jeýma = "Já volto"

Che aime ko'ápe = "Estou aqui mas voltarei"

Che mendáre = "Eu sou casado"'

Moogui reju ? = "De onde você vem?"

Jaha jake = "Vamos dormir"

Che rojukáta = "Vou matar você"'

Jakaru = "Vamos comer"

Eju ápe = "Vem aqui!"

Aháta aju = "Voltarei"

Mba'e rejapo? = "Que está fazendo?"

Rohóta mbo'ehaópe = "Vamos à escola"

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nueva Constitución Política del Estado (em espanhol) (outubro de 2008). Visitado em 24 de setembro de 2011. "Art. 5°"
  2. Constitución Nacional de la República del Paraguay (em espanhol) (20 de junho de 1992). Visitado em 24 de setembro de 2011. "Art. 140°"
  3. Ley Provincial Nº 5.598 (em espanhol) (28 de setembro de 2004). Visitado em 24 de setembro de 2011. "Art. 1º"
  4. Lei Municipal Nº 848/2010 (em português) (24 de maio de 2010). Visitado em 24 de setembro de 2011. "Art. 1º §"
  5. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 552.
  6. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 799.
  7. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 347.
  8. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 144.
  9. a b American Indian Languages
  10. Cidade de Mato Grosso do Sul adota o guarani como segundo idioma oficial (verificado 17 de dezembro de 2012)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]