Língua abecásia

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Abecásio
Аҧсуа
Outros nomes: Abcásio, abcaz
Falado em: Geórgia, Turquia, Síria, Jordânia
Região: Abecásia, na Geórgia
Total de falantes: 120 mil
Família: Caucasiana
 Línguas caucasianas do noroeste
  Abecásio
Аҧсуа
Códigos de língua
ISO 639-1: ab
ISO 639-2: ---

O abecásio ou abecázio[1] (também chamado de abcásio, abecaze[2] ou abcaze[3] ou abcaziano[3]  ; no alfabeto abecásio: Аҧсуа бызшәа) é um idioma falado principalmente na Abecásia (república autônoma disputada entre a Geórgia e a Rússia), classificado no grupo das línguas caucasianas do noroeste.

A maior parte dos falantes do abecásio vive no território da Abecásia, na costa ocidental do Mar Negro, onde (desde 1995) a constituição da Geórgia garantiu a sua condição de segunda língua oficial do país. Fora de sua terra original, o abecásio é falado por milhares de pessoas da "diáspora abecásia" (século XIX), principalmente na Turquia, Geórgia (região de Adjara), Rússia, Síria e Jordânia, além de comunidades de refugiados abecásios na Europa e Estados Unidos.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O abecásio é uma língua caucasiana do noroeste, relacionada com as línguas caucasianas do nordeste, ambas do grupo das línguas norte-caucasianas. Alguns linguistas a consideram também como parte da macro-família "dene-caucasiana", o que é uma hipótese pouco aceita para a maioria dos especialistas. As norte e sul-caucasianas podem se enquadrar em um outro macro grupo, o das línguas íbero-caucasianas (ou simplesmente caucasianas).

O abecásio é às vezes agrupado com a língua abaza como se fosse uma só, formando a língua abecásio-abaza, como expoentes de uma gama de variações dialetais. Os dois idiomas são muito similares em gramática, mas diferem no som, o que as faz serem consideradas línguas distintas. Alguns linguistas também incluíram o extinto idioma ubykh como uma variante do abecázio-abaza.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

  • Abzhywa, falado no Cáucaso, denominado a partir da região "Abzhywa" (Абжьыуа), ou Abzhui, a forma russa para esse dialeto, cuja nome assim vem do nome russo dessa área (Абжуа). A forma literária do abecásio é nesse dialeto. Este é também o dialeto com mais sons consoantes e com apenas dois sons vogais
  • Bzyb, falado no Cáucaso e Turquia. O nome vem da área "Bzyb" (бзыҧ).
  • Sadz, falado na Turquia e perto da cidade de Batumi (Adjaria, Georgia) na aldeia de Peria (ფერია), antes falado também entre os rios Bzyp e Khosta.

Escrita[editar | editar código-fonte]

Há registros da transcrição do abecásio em alfabeto árabe, localizada pelo viajante turco Evliya Çelebi no século XVII. A partir de 1862, o abecásio passou a ser escrito com um alfabeto próprio de 37 letras, adaptado do cirílico pelo lingüista barão Peter von Uslar. Em 1892 foi desenvolvida uma nova adaptação do alfabeto cirílico para a língua abecásia, por Dimitri Gulya e Konstantin Machavariani. Em 1909, Aleksey Chochua acrescentou 18 letras cirílicas.

Após a separação da Rússia, um alfabeto baseado no latino, com 55 letras, foi desenvolvido pelo linguista russo-georgiano Nikolai Marr e utilizado oficialmente de 1926 a 1928, sendo depois substituído por outra escrita latina. Em 1938, o ditador soviético Josef Stalin impôs o alfabeto georgiano, que foi usado na Abecásia até sua morte, em 1953. Contudo, o stalinismo reprimiu a literatura em língua abecásia.

Após 1954, a Abecásia voltou a utilizar o alfabeto cirílico convencional, acrescido de 14 letras adicionais (consoantes), o que somam 64 sinais (dos quais 19 são combinações de consoantes novas ou tradicionais).

Há estudos no sentido de prover uma forma do alfabeto latino para o abecásio.[4]

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Vogais[editar | editar código-fonte]

Há apenas duas vogais no abecásio; uma aberta /a/ e outra fechada /ɨ, ǝ/. Estas duas vogais apresentam uma larga faixa alofônica, dependendo das consoantes: [i] e [e] junto a palatais, [u] e [o] junto a labiais, [y] e [ø] com lábio-palatais. /a/ tem uma variante longa /aː/, consequente dos antigos */ʕa/ ou */aʕ/, como em Abaza.

Consoantes[editar | editar código-fonte]


  Labial Alveolar Pós-alveolar Álveo-palatal Retroflexa Velar Uvular Faringal
Plana Labialização Plana Labialização Plana Labialização Palatalização Plana Labialização Palatalização Plana Labialização Faringalização Labialização + faringalização Plana Labialização
Oclusiva Surda p t k
Sonora b d ɡʲ ɡ ɡʷ
Ejetiva tʷʼ kʲʼ kʷʼ qʲʼ qʷʼ
Africada Surda ʦ ʧ ʨ ʨʷ ʈʂ
Sonora ʣ ʤ ʥ ʥʷ ɖʐ
Ejetiva ʦʼ ʧʼ ʨʼ ʨʷʼ ʈʂʼ
Fricativa Surda f s ʃ ʃʷ ɕ ɕʷ ʂ χʲ χ χʷ χˁ χˁʷ ħ ħʷ
Sonora v z ʒ ʒʷ ʑ ʑʷ ʐ ʁʲ ʁ ʁʷ
Nasal m n
Aproximante j ɥ w
Vibrante r
Lateral l

Fonemas em verde são dos dialetos bzyp e abecásio, não no Abzhywa; fonemas em vermelho são apenas do Bzyp. Assim o total de consoantes Abcaz é 58 em Abzhywa, 60 em Sadz, 67 em Bzyp. Em Sadz a geminação de consoantes é distintiva: /a.χʷa/ cinzas contrasta com /a.χːʷa/ verme. Já em Abzhywa e Bzyp, há somente a forma /a.χʷa/.

Muitos dos sons unificados do Sadz estão em posições onde uma consoante foi elidida do inicio de um encontro consonantal das línguas protocaucasianas, conf. do iiubique /tχʷa/ (cinzas). Estudiosos com Chirikba (2003) preferem considerar que Sadz tem 100 consoantes, sendo mais consoantes mesmo que o iiubique (80 a 84), ao considerar as geminações como consoantes a mais. Isso, porém, não é um critério usual para fazer um inventário de sons.

O total das consoantes bzyp parece tirado do total do proto-abecásio menos as consoantes de Abzhywa e Sadz. Álveo-palatais fricativas plenas foram aglutinadas com as correspondentes alveolares de Abzhywa e Sadz Abcaz (comparar Bzyp /a.ʨ’a.ra/ conhecer com. Abzhywa /a.ʦ’a.ra/); Em Abzhywa as Álveo-palatais bilabiais fricativas se juntaram às correspondentes post-alveolares (comparar Bzyp /a.ɕʷa.ra/ medir com. Abzhywa /a.ʃʷa.ra/).

As fricativas dorsais não faringalizadas do abecásio são percebidas tanto como velares ou uvulares, dependendo do contexto onde estão. Aqui foram consideradas como uvulares. Quando as aproximantes palatais labializadas /ɥ/ aqui consideradas como aproximantes, são um reflexo das fricativas faringais sonora labializadas preservadas em "Abaza". O legado da origem desse fonema é uma leve constrição da faringe de alguns falantes, resultando em [ɥˁ].

Amostra de texto[editar | editar código-fonte]

Дарбанзаалак ауаюы дшоуп ихы дақъиҭны. Ауаа зегь зинлеи патулеи еийароуп. Урҭ ирымоуп ахшыюи аламыси, дара дарагь аешьеи реиҩш еизыйазароуп.[4]
Transliteração
Darbanzaalak auajuy dšoup ihy daķ'iţny. Auaa zeg' zinlei patulei eijaroup. Urţ irymoyp axšyjui alamysi, dara darag' aeš'ei reiòš eizyjazaroup.
Em português
Todos seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São providos de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros num espírito de fraternidade.

Referências

  1. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, "Os gentílicos de Ossétia e Abecásia/Abecázia", Ana Carina Prokopyshyn, 16 de outubro de 2008.
  2. Almanaque Abril, 2009, verbete "Geórgia", p. 477. Editora Abril.
  3. a b Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, "Lista de idiomas", Peixoto da Fonseca, F. V., 23 de junho de 1998.
  4. a b Omniglot.com, Abcaz language

Ligações extérnas[editar | editar código-fonte]

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