Língua aragonesa

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Aragonês (Aragonés)
Falado em: Espanha (Aragão)
Região: Pirenéus aragoneses
Total de falantes: 12 000 (aprox.)
Posição: -
Família: Indo-européia
 Itálica
  Românica
   Ítalo-ocidental
    Pirenaico-moçárabe
     Aragonês
Estatuto oficial
Língua oficial de: -
Regulado por: Academia de l'Aragonés
Códigos de língua
ISO 639-1: an
ISO 639-2: arg (ex roa)
Aragon languages-an.png

O aragonês (em aragonês: aragonés) é uma língua românica falada na península Ibérica por mais de dez mil pessoas nos vales do rio Aragão, e nas comarcas de Sobrarbe e Ribagorza, na província de Huesca, em Aragão, na Espanha. É conhecido coloquialmente por fabla (literalmente, "fala").

História[editar | editar código-fonte]

O aragonês nasceu por volta do século VIII como um dos muitos dialetos do latim desenvolvidos nos Pirenéus sobre um forte substrato de tipo basco. O reino de Aragão (formado pelos condados de Aragão, Sobrarbe e Ribagorza) expandiu-se progressivamente das montanhas para o sul, empurrando os mouros mais para o sul e aumentando a área de uso da língua aragonesa.

A união do Reino de Aragão sob o mesmo rei significou a união de territórios linguisticamente heterogéneos, com o catalão falado na região oriental e o aragonês na ocidental. As duas línguas estenderam-se para os novos territórios conquistados aos mouros: as Ilhas Baleares e o novo reino de Valência. A reconquista aragonesa para o sul terminou no reino de Múrcia, que foi cedido por Tiago I de Aragão, o conquistador, ao Reino de Castela, como dote duma princesa aragonesa.

A expansão do castelhano, também conhecido como espanhol, como uma das línguas dominantes da península, junto com o facto do aragonês ter sido escudo protetor do catalão ante o castelhano, significou a recessão do aragonês.

Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento das línguas do sudoeste da Europa entre as quais o aragonês.

Um dos momentos chaves na história do aragonês foi quando um rei de origem castelhana foi coroado no século XV: Fernando I de Aragão, (também conhecido como Fernando de Antequera).

A união de Aragão e Castela e a progressiva suspensão de toda a capacidade de autogoverno no século XVIII significou a redução do aragonês, que ainda se falava extensamente num emprego rural e coloquial, quando a nobreza elegeu o espanhol como símbolo de poder. A supressão do aragonês foi mais intensa durante o regime do ditador Francisco Franco no século XX. Os professores castigavam os alunos por empregarem o aragonês e a legislação proibiu que no ensino fosse usada qualquer outra língua que não fosse o castelhano.

A transição espanhola em 1978 significou um incremento no número de trabalhos literários e estudos na língua aragonesa. Todavia, este renascimento pode ser tarde demais para a sobrevivência desta língua.

Situação atual[editar | editar código-fonte]

O aragonês é ainda falado como língua materna no seu núcleo original, as montanhas aragonesas dos Pirenéus, nos locais do Velho Aragão, Somontano, Sobrarbe e Ribagorça.

As cidades principais onde ainda se podem achar falantes patrimoniais do aragonês são: Huesca, Barbastro, Saragoça, Ejea, e Teruel. Segundo alguns questionários de princípios da década de 1980, o total de falantes não supera os 30 000, fazendo que o aragonês seja uma das línguas europeias com maior perigo de extinção.

Desde a década de 1970, publica-se mais do que nunca literatura em aragonês, com alguma cinquentena de autores.

Peculiaridades linguísticas[editar | editar código-fonte]

Alguns rasgos históricos do aragonês são:

  • Os O, E, abertos do romance resultam sistematicamente nos ditongos [we], [je], e.g. VET'LA > biella (Por. velha, Esp. vieja, Cat. vella)
  • Perda do E final não acentuado e.g. GRANDE > gran (Por. grande, Esp. grande)
  • Preserva o F- romance inicial, e.g. FILIU > fillo (Por. filho, Esp. hijo, Cat. fill)
  • O yod romance (GE-, GI-, I-) evolui para africada palatal surda ch [tƒ], e.g. IUVEN > choben (Por. jovem, Esp. joven), GELARE > chelar (Por. gelar, Esp. helar, Cat. gelar)
  • Igual do que em occitano os grupos cultos romances -ULT-, -CT- evoluem para [jt], e.g. FACTU > feito (Por. feito, Esp. hecho, Cat. fet)
  • Os grupos romance -X-, -PS-, SCj- evoluem para fricativa palatal surda x[š], v.g. COXU > coxo (Por. coixo, Esp. cojo, Cat. coix)
  • Os grupos romances -Lj-, -C'L-, -T'L- evoluem para lateral palatal ll [λ], e.g. MULIERE > muller (Por. mulher, Esp. mujer, Cat. muller), ACUT'LA > agulla (Por. agulha, Esp. aguja, Cat. agulla)
  • O -B- latino fica no imperfeito de indicativo das conjugações 2ª e 3ª: teneba (Por. tinha, Esp. tenía, Cat. tenia)

Expressões básicas[editar | editar código-fonte]

  • Buen día – Bom-dia;
  • Buena tarde – Boa-tarde;
  • Buena nueit – Boa-noite;
  • Gracias – Obrigado;
  • Au! – Adeus;
  • Per favor – Por favor;
  • Bienveniu – Bem-vindo;
  • No entiendo – Não entendo;
  • Lunes – Segunda-feira;
  • Martes – Terça-feira;
  • Miércols – Quarta-feira;
  • Chueves – Quinta-feira;
  • Viernes – Sexta-feira;
  • Sabado – Sábado;
  • Domingo – Domingo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]