Língua pachto

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Pachto
Falado em: Afeganistão Sudeste e Noroeste, Oeste do Paquistão, partes da Índia
Região: Sul da Ásia, Centro
Total de falantes: aprox. 40-45 mihões
Família: Indo-europeia
 Indo-Arianas
  Arianas
   Arianas Nordeste
    Pachto
Escrita: Naskh e Alfabeto Latino
Códigos de língua
ISO 639-1: ps
ISO 639-2: pas
ISO 639-3: vários:
pus — Pachto (genérico)
pst — Pachto Central
pbu — Pachto Norte
pbt — Pachto Sul

O pachto (português brasileiro) ou pastó (português europeu) (پښتو, AFI: [pəʂ'to]), afegão ou afegane (verificam-se, por vezes, os estrangeirismos pashto, pashtu, pashtun, pushtu, pushto, pushtun, pashtu, pukhto ou pashtoe em algumas fontes) é uma das línguas nacionais do Afeganistão (a outra é o persa dari) e um dos idiomas oficiais das províncias ocidentais do Paquistão. Integrante da família das línguas iranianas, é falado pelos pachtuns no Afeganistão e nas províncias ocidentais do Paquistão.

É escrito com uma versão modificada do alfabeto persa-arábico.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Segundo o Dicionário Houaiss[1] , a forma vernácula "pachto" vem do pachto patxto, através do inglês pashto. Já o gentílico "afegão", segundo Houaiss, corresponde ao aportuguesamento (1949) do inglês "Afghan" e do francês "afghan", formas provavelmente oriundas do persa afghan.

Noutros países lusófonos usa-se a denominação "pastó".[2] [3]

Classificação[editar | editar código-fonte]

O pachto pertence ao subgrupo indo-ariano nordeste do ramo indo-ariano da família indo-européia. É aparentado com o osseta, falado no Cáucaso.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

O pachto é falado por cerca de 28 milhões de pessoas nas províncias paquistanesas da Fronteira Noroeste e do Baluchistão, bem como no Território federal das Áreas Tribais. Também é empregado por mais de 12 milhões de pessoas no sul, leste e em algumas províncias do nordeste, no Afeganistão. Aproximadamente 776 000 pachtuns falam a língua em pequenos bolsões na Índia.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Em função da vida em areas montanhosas, com fracas inter-relações sócio-econômicas e também por outros fatores lingüísticos e históricos, há muitos dialetos do Pachto. Há, porém dois grupos predominantes:

  • Suave, leve, do Norte-Oeste; com sub-dialetos Ghilzai e Durani
  • Forte, pesado, do Norte-Leste; com sub-dialetos Kohat (Khatak), Yufzai (Penshawar), Afrid, Shinwari, Mohmand, Shilmani;

Os dois grupos São 80% simétricos entre si, as diferenças estando principalmente no uso de certas vogais e sons.

Gramática[editar | editar código-fonte]

A língua pachto tem estrutura de sentenças S-O-V, é ergativa absolutival, os adjetivos vêm antes dos substantivos. Os adjetivos e substantivos variam em número, nos dois gêneros (masculino, feminino) e nos casos direto e oblíquo.

O caso direto é usado no tempo presente para sujeito e objeto direto. O caso oblíquo é usado depois de pré- e pósposições e também no tempo passado, como sujeito de verbos transitivos.

Há um único artigo para ambos gêneros e ambos números, bem como os demonstrativos “este”, “aquele” mais usados do que os artigos.

O sistema de verbos é bem complexo e inclui:

  • Presente simples
  • Presente perfeito
  • Subjuntivo
  • Passado simples
  • Passado progressivo
  • Passado perfeito

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Examplos fases intransitivas, usando o auxiliar equivalente a “Ir”;

Imperativo - 2a pessoa do masculino singular

  • khawanze/shawanze ta dza! ou khawanze/shawanze ta lāṛ ša!
  • "Escola ir" – "Vá para escola!"

Imperativo - 2a pessoa do masculino plural:

  • khawanze/shawanze ta lāṛ šəy!
  • "Vá para escola!"

Presente simples:

  • zə khawanze/shawanze ta dzəm.
  • "Eu escola vou" – "Eu vou à escola."
  • zə ğwāṛəm če khawanze/shawanze ta lāṛ šəm.
  • "Eu quero à escola ir" (masculino "eu" – forma verbal) – "Eu quero ir à escola".

Presente perfeito:

  • zə khawanze/shawanze ta tləlay yəm.
  • "Eu escola (já) fui (masculino forma verbal) sou" – "Eu fui à escola".

Passado simples:

  • zə khawanze/shawanze ta wəlāṛəm.
  • "Eu escola para fui" - "Eu fui à escola."

Passado perfeito:

  • zə khawanze/shawanze ta tləlay wəm.
  • "Eu escola ter ido" (Masculino, forma verbal) era – "Eu (terminei de) ir a escola."

Passado progressivo:

  • zə khawanze/shawanze ta makh kay talay um.
  • "Eu escola para estava indo" – "Eu estava indo à escola ou eu costumava ir à escola."

Examplos de frases transitivas usando o verbo “comer” "xwaṛəl":

Imperativo (2a singular):

  • Panir wəxora!
  • "Queijo comer" – "Coma o queijo!"
  • Panir məxora!
  • "Queijo não comer" – "Não coma o queijo!"

Imperativo (2ª plural):

  • Panir wəxorəy!
  • "Queijo comer – Comam o queijo!"


  • Panir məxorəy!
  • "Queijo não comer" – "Não comam o queijo!"


Presente simples:

  • zə panir xorəm.
  • "Eu queijo como – Eu como queijo."

Subjuntivo:

  • zə ğwāṛəm če panir wəxorəm.
  • "Eu quero esse queijo comer" (Eu – forma verbal) – "Eu quero comer queijo."

Presente perfeito:

  • mā panir xoṛəlay day.
  • "me (Eu-obliquo) queijo comido (masculino – forma singular do verbo) é" – "Eu comi o queijo."

Passado simples:

  • mā panir wəxoṛə.
  • "me (Eu-obliquo) queijo comi" - "Eu comi o queijo"

Passado perfeito:

  • mā panir xoṛəlay wo.
  • "me (Eu-obliquo)Queijo comido (forma singular do verbo) era" - "Eu terminei de comer o queijo."

Passado progressivo:

  • mā panir xoṛə.
  • "me (Eu oblíquo) queijo estava comendo" (masculino-singular forma) – "Eu estava comendo o queijo ou eu costumava comer queijo;"

Pergunta: Stā num tsə day - "Seu nome qual é" – "qual é seu nome?"

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Vogais[editar | editar código-fonte]

Frontal Central Posterior
Fechada i u
Média e ə o
Aberta ɑ

O pachto tem ainda os ditongos /aj/ /əj/ /aw/

Consoantes[editar | editar código-fonte]

Labial Dental Retroflexiva Pós-alveolar Palatal Velar Uvular Glotal
Nasal m n ɳ
Plosiva p b t d ʈ ɖ k g q ʔ
Fricativa f v s z ʂ ʐ ʃ ʒ x ɣ h
Africativa ts dz tʃ dʒ
Aproximante l j w
Rótica r ɺ̡

Os sons /f/, /q/, /h/ somente existem em palavras de origem estrangeira. Pessoas menos estudadas tendem a usa-los, respectivamente como [p], [k] e sem pronunciae..

A retroflexiva lateral “flap” /ɺ̡/ é pronunciada como retroflexiva aproximante [ɻ] no final de palavras.

Escrita[editar | editar código-fonte]

Quando da expansão do Islão na Ásia Meridional e Central, o pachto usava uma versão modificada do alfabeto árabe. No século XVII houve polêmico debate, a partir do movimento heterodoxo Roshani escrevia sua literatura de origem persa na escrita nastálica (Naskh). Os seguidores e os Akhund Darweza, que se consideravam a si próprios como defensores da religião contra sincretismos, escreviam num Naskh de forma "arabizada". Assim, com poucas modificações individuais, essa escrita Naskh facilmente adaptavel à escrita mecanizada foi usada do pachto moderno entre os séculos XIX e XX. Mesmo os textos litografados passaram a ser feitos em Naskh, sendo essa a escrita padrão do pachto até agora. Desde 1936 é a língua oficial do Afeganistão, junto com o dari.

O pachto tem muitas letras que não existem em outras versões da escrita árabe. No caso estão as versões “retroflexivas” das consoantes /t/, /d/, /r/, /n/. Essas letras são escritas como no árabe padrão são as ta', dal, ra, nun com um diacrítico (pandak, gharwandah ou skarraen) sob as mesmas (um pequeno círculo); Tem também as letras ge e xin (som inicial, semelhante ao "ch" do ich alemão) que se parecem com o ra e o sin do árabe com um diacrítico (ponto) sob as mesmas.

As letras do alfabeto pachto são 44, sendo a escrita da direita para a esquerda. Há letras exclusivas do pachto, algumas das quais são usadas também na Língua urdu. Há cinco tipos de “Yaas” na escrita pachto.

Ver:

Vocabulário[editar | editar código-fonte]

O pachto tem um antigo legado de palavras oriundas de idiomas vizinhos, como o sânscrito e o árabe. Há ainda vestígios mais antigos do grego antigo[carece de fontes?] e do turco, bem como algo mais recente do inglês.

Referências

  1. Verbete "pachto".
  2. Referência do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa[1], [2]
  3. O Atlas das Línguas (Lisboa: Editorial Estampa, 2001)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Schmidt, Rüdiger (ed.). Compendium Linguarum Iranicarum. Wiesbaden: Reichert, 1989. ISBN 3-88226-413-6.
  • Morgenstierne, Georg (1926) Report on a Linguistic Mission to Afghanistan. Instituttet for Sammenlignende Kulturforskning, Serie C I-2. Oslo. ISBN 0-923891-09-9

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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