Língua pijin

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Pijin
Falado em: Ilhas Salomão
Total de falantes: 24,4 mil (1999)
Família: Crioulo base Inglesa
 Pacífico
  Pijin
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: cpe
ISO 639-3: pis

Pijin (Pidgin das Ilhas Salomão ou Neo-Salomônico), também chamado Kanakas[1] , é uma língua das Ilhas Salomão. É muito relacionada ao Tok Pisin de Papua-Nova Guiné ao Bislama de Vanuatu, ao Crioulo do Estreito de Torres falado em Queensland, Austrália.

Falantes[editar | editar código-fonte]

São cerca de 24 mil os falantes com 1ª língua, havendo, porém, cerca de 307 mil (1999) que a falam como 2ª ou 3ª língua. A alfabetização é de cerca de 60% como primeira língua e como 2ª de 50%.[1]

Escrita[editar | editar código-fonte]

A língua Pijin é escrita com o alfabeto latino sem as letras C, Q, X, Y, Z. Usa extensivamente os ditongos ae, ao, ei, ia, oe, oa e ou.

História[editar | editar código-fonte]

1800-1860[editar | editar código-fonte]

Ao final do século XIX, um jargão inglês ou “Beach-La-Mar” (do francês) Bechedemer]] ou Bislama se desenvolveu e se dispersou entre as ilhas do Pacífico com uma língua de negócios ([língua franca]] da indústria da baleia ao fim do século XVIII, nos tratados de comércio de Santal (planta) dos anos 1830 e o de Bêche-de-mer dos anos 1850.[2]

1860-1880[editar | editar código-fonte]

Entre 1863 e 1906, a prática do “Blackbirding” (recrutamento enganoso e forçado de trabalhadores) foi usado em plantações de cana-de- açucar em Queensland, Samoa, Fiji e Nova Caledônia. No início desse período, os plantadores australianos começaram esse recrutamento em nas Ilhas da Lealdade no início dos 1860, no meio dessa década nas Ilhas Gilbert e Ilhas Banks, no início dos 1870 nas Ilhas Santa Cruz e a partir de 1879, quando esse recrutamento se tornou difícil, província de Nova Irlanda e na ilha de Nova Bretanha, ambas na Papua-NovaGuiné]]. Cerca de 13 mil ilhéus das Ilhas Salomão foram levados para Queensland nesse período.[3]

A língua pidgin Kanaka era usda nas plantações e se tornou a língua franca falada entre trabalhadores da Melanésia (eram chamados de Kanakas]] e supervisores europeus. Quando trabalhadores oriundos das Ilhas Salomão retornaram às suas origens ao fim dos contratos ou quando foram repatriados à força com o fim desse período de “Blackbirding” em 1904, eles levaram esse pidgin para as Ilhas Salomão. Histórias contadas por antigos trabalhadores de Queensland são lembradas até hoje pelos mais velhos.[4] [5]

1880-1900[editar | editar código-fonte]

As línguas de plantações continuaram a existir mesmo depois do fim do “blackbirding”. Em função da mudança da natureza do tráfico de trabalhadores, divergiram os pidgins, passando a haver o da Samoa, o da Nova Guiné (Tok Pisin), outros oceânicos de plantações, como o das Ilhas Salomão e o Bislama.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em 1901, havia cerca de 10 mil ilhéus do Pacífico trabalhando na Austrália, principalmente na indústria de cana-de açucar em Quensland e no norte de Nova Gales do Sul, muitos deles trabalhando como trabalhadores não pagos (mas sustentados). Pelo “Pacific Island Labourers Act” de 1901, o Parlamento da Austrália foi o instrumento usado para deportar cerca de 7,5 mil desses trabalhadores. [6]

Até 1911, cerca de 30 mil ilhéus das Ilhas Salomão assim trabalharam em Queenland., Fiji, Samoa e Nova Caledônia. [7] The use of Pijin by churches and missionaries assisted in the spread of Pijin.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser a língua franca das Ilhas Salomão, o Pijin permanece sendo uma língua falada, mas sem quase nenhum esforço do governo em padronizar sua gramática ou ortografia. Assim, o Pijin continua sendo uma língua muito flexível, cujo principal objetivo é transmitir uma ideia, sem preocupações com qualidades na construção de frases.

Pronúncia[editar | editar código-fonte]

Verificação da origem inglesa (em termos fonéticos) das palavras:

Som em inglês Som Pijin Pijin Exemplo Origem Inglesa
ch s tisa, sea, mass (haomass) teacher, chair, much (how much?)
ch si sios church
sh s sot, bus, masin short, bush, machine
th s maos mouth
th t torowe, torowem, ating, andanit throw, throw away, I think, underneath
th d deswan, diswan, this wan this one
th r nara, narawan another, another one
th t brata, barata, bro brother
z s resa razor
-er a mata, mada (mami), soa, faea matter, mother, pain sore, fire
or; ir/er o; a/e bon, bonem, bone, fastaem, festime (festaem) born, burn, borne, first time

Cumprimentos[editar | editar código-fonte]

Observe-se a semelhança dos sons com aqueles da língua inglesa para os mesmos significados:

Aftanun ol'ta! = Bom dia a todos!

Nem blo' mi Charles = Meu nome é Charles (o nome que me pertence é Charles)

Hao nao (iu)? (Iu hao?) = Como você está?

Wanem nao nem blo' iu? = Como é seu nome?

Iu blo' wea? = De onde é você?

Mi hapi tumas fo mitim iu. = Eu estou satisfeito em encontrar você.

Wanem nao lanwis iu save tok? = Quel línguas você fala?

Respostas[editar | editar código-fonte]

Mi (me) olraet nomoa! = Eu estou muito bem, grato!

Mi (me) gut (nomoa)! = Eu estou bem, grato!

Alright nomoa! = Ótimo, grato!

Ma iu (yu) hao! = E você, como vai!

Pronomes pessoais[editar | editar código-fonte]

Verifica-se aqui uma relativa complexidade nos pronomes pessoais do Pijin

Pijin Inglês - Português
Mi I, me - Eu
Iu, Yu You – Tu/Você
Hem He she Him It – Ele/Ela
Mitufala We Us – Nós exclusivo - dual
Iumitufala We Us – Nós Inclusivo - dual
Iutufala You – vocês dois
Tufala They, Those – Eles/Elas - dual
Mifala We Us - Nós Exclusivo – mais de dois
Iumi We Us - Nós Ixclusivo – mais de dois
Iufala You – vocês, mais de dois
Olketa They, Those – Eles/Elas – mais de dois
Olmere, Olketa mere They, Them – Elas – mulheres casadas
Olman, Olketa man They, Them – Eles – homens casados
Olpikini, Olketa pikini They, Them – Eles/Elas - Crianças

Localização[editar | editar código-fonte]

Wea nao ples blong/blo iu? Onde fica o local que te pertence? (Qual é teu endereço?)
iu stap lo wea distaem? Onde tu está agora?

Perguntas diversas[editar | editar código-fonte]

  • Wanem nao datwan? o que é isso?
  • Haomas nao bae hem kostem mi fo sendem wanfala erogram go lo' Japan Quanto vai custar para mim mandar esta carta para o Japão?
  • Hu nao bae save helpim mifala weitim diswan rabis? = Quem seria capaz de nos ajudar com essa bagunça?
  • Wea nao mi bae save paiem fea fo plen? = Quem seria capaz de me ajudar a comprar uma passagem aérea”?'
  • Haomas pipol save fitim insaet lo' truk blo' iu? = Quantas pessoas o seu veículo pode carregar?

Expressões gerais[editar | editar código-fonte]

  • Tanggio tumas fo helpem mi = Muito grato por ter me ajudade
  • No wariwari. Hem oraet nomoa = Sem preocupações. Está tudo verto (nada mais necessário).
  • Hem! = É isso aí! or Esse é o cara!
  • Hem na ya! = Voila! ou Eu disse! (Muitos riem quando estrangeiros usam isso corretamente)
  • Mi karange! = Uau (que bom)!
  • Mi dae nau! = Literalmente significa Estou morrendo mas é usada geralmente para demonstrar surpresa, choque.
  • Iu Con Man! = Mentiroso/Trapaceiro!
  • Iu karange? = Você está louca?
  • Diswan hem bagarap. = Isso está quebrado.
  • Mi no save paiem (baem). = Não dou conta disso
  • Iu save gud tumas pijin! = Você fala pijin muito bem
  • Iu save tumas! = Você é muito competente!
  • Mi no save. = Eu não sei ou Eu não posso
  • Lukim iu! = Adeus! (literalmente: Até ver você!)
  • bro blo' mi / sista blo' mi = meu irmão / minha irmã (usados de forma respeitosaa para se dirigir a quem se fala – se falado por um estrangeiro é um excelente “quebra-gelo”)
  • diswan hemi bulsit (ingl. Bulshit) blo' waitman nomoa. = isso é simplesmente um “non-sense” de homens brancos

Amostra de texto[editar | editar código-fonte]

Evri man en mere olketa born frii en ikwol lo digniti en raits blo olketa. Olketa evriwan olketa garem maeni fo tingting en olketa sapos fo treatim isada wittim spirit blo bradahood.

Português

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. (Artigo 1º i Declaração Universal dos Direitos Humanos)

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b Gordon, Raymond G., Jr. (ed.) (2005). Pijin, A language of Solomon Islands Ethnologue. Página visitada em 2008-10-12.
  2. William Churchill. (1911). "The Jargon of the Western pacific". Nature 88 (2200): 295. DOI:10.1038/088295a0.
  3. ed Jeff Siegel. Features and transformations of kinship terminology in Solomon Islands Pijin'. In Processes of Language Contact: Studies from Australia and the South Pacific. Montreal: Fides, 2000. 99–122 pp.
  4. Christine Jourdan, Roger Keesing. (1997). "From Pisin to Pijin: Creolization in process in the Solomon Islands". Language in Society 26 (3): 401–420. DOI:10.1017/S0047404500019527. [ligação inativa]
  5. Borut Telban. (1996). "Legitimacy of Solomon Islands Pijin". Anthropological Notebooks 2 (1): 43–54.
  6. Tracey Flanagan, Meredith Wilkie, Susanna Iuliano (2003). A history of South Sea Islanders in Australia Human Rights and Equal Opportunity Commission. Página visitada em 2008-10-12.
  7. Maggie Wateha'a. The Beginners Pijin Handbook. Honiara: RAMSI. 3 pp.

External links[editar | editar código-fonte]