Línguas delaware

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Línguas delaware ou línguas lenapes são os nomes usados costumeiramente para se referir, de maneira coletiva, a dois idiomas próximos, o munsee e o unami, que fazem parte do subgrupo oriental das línguas algonquinas. O munsee e o unami eram falados pelos lenapes, povos indígenas naturais da área da atual cidade de Nova York, nos Estados Unidos, incluindo o oeste de Long Island, Manhattan, Staten Island, bem como as áreas adjacentes do continente (sudeste do estado de Nova York, leste da Pensilvânia, Nova Jersey e o litoral de Delaware).[1]

O munsee e o unami - que por sua vez são grupos de idiomas - nunca foram grupos unidos política ou linguisticamente, e os termos delaware, munsee e unami são posteriores ao período de consolidação destas entidades locais.[2] A utilização mais antiga do termo munsee foi registrada em 1727, e de unami em 1757.[3] Os termos utilizados hoje em dia eram aplicados anteriormente aos grupos maiores de populações, resultado do deslocamento gradual destas populações e das consolidações de grupos menores, processo que teve como resultado a expulsão de virtualmente todos os povos falates do delaware de suas terras natais para locais no interior do país, como Oklahoma, Kansas, Wisconsin, o interior do estado de Nova York e até para o Canadá.

Dois grupos distintos de falantes do unami surgiram no Oklahoma no fim do século XIX, os Delaware Registrados (Cherokee) nos condados de Washington, Nowata e Craig, e os Delaware Ausentes, do condado de Caddo;[4] o último falante fluente do idioma morreu na década de 1990. Existem atualmente trabalhos de revitalização do idioma sendo realizados pela Tribo Delaware.

Igualmente afetados pela consolidação e dispersão, os grupos munsee mudaram-se para diversas localidades no sul do Ontário já no fim do século XVIII, para Moraviantown, Munceytown e Seis Nações. Diversas ondas migratórias diferentes levaram os grupos de falantes do munsee a se deslocar também para Stockbridge, no Wisconsin, Cattaraugus, Nova York, e para o Kansas.[5] Hoje em dia o munsee sobrevive apenas em Moraviantown, onde não existem mais de um ou dois indivíduos que falam fluentemente o idioma.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O munsee e o unami são classificados na família linguística algonquina, no seu subgrupo oriental.

As línguas da família algonquina constituem um grupo de idiomas historicamente próximos, descendentes de um idioma comum, o proto-algonquino. Os idiomas algonquinos são falados por todo o Canadá, das Montanhas Rochosas à costa do Atlântico, nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, ao sul dos Grandes Lagos e na costa atlântica daquele país. Diversos idiomas algonquinos estão extintos atualmente.

As línguas algonquinas orientais eram faladas na costa do Atlântico, das províncias marítimas do Canadá até a Carolina do Norte. Diversas são conhecidas apenas por registros extremamente fragmentários.[6] O algonquino oriental é considerado um subgrupo genético dentro da família algonquina, ou seja, as línguas algonquinas orientais têm em comum um número suficiente de inovações para sugerir que descendem da mesma fonte, o proto-algonquino oriental, que por sua vez viria do proto-algonquino.

A proximidade linguística do munsee e do unami indica que as duas variantes partilham um ancestral comum imediato, que pode ser chamado de delaware comum; os dois idiomas acabaram por divergir depois de se "separar" do delaware comum.[7]

Diversas inovações fonológicas indicam um subgrupo genético que consiste das línguas delaware e do moicano,[8] por vezes chamado de delawarense.[9] Ainda assim o unami e o munsee estão mais próximos entre si do que estão do moicano; existem evidências históricas que sugerem aspectos em comum entre o moicano e o munsee.[10]

A linha de ascendência histórica do idioma seria, portanto: Proto-algonquino > Proto-algonquino oriental > Delawarense > Delaware comum + moicano, com o delaware comum se dividindo em munsee e unami.

Referências

  1. Goddard, Ives, 1978a, p. 213; Goddard, Ives, 1997, p. 43
  2. Goddard, Ives, 1978a, p. 213
  3. Kraft, Herbert, 1986, p. xvii
  4. Goddard, Ives, 1978a, p. 224
  5. Goddard, Ives, 1978a, pp. 220-224
  6. Goddard, Ives, 1978
  7. Goddard, Ives, 1997, p. 85, n.7
  8. Goddard, Ives, 2008, pp. 280-282
  9. Goddard, Ives, 1996, p. 5
  10. Pentland, David, 1992, pp. 15, 20

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Brinton, Daniel G., and Albert Seqaqkind Anthony. 1888. A Lenâpé-English dictionary. From an anonymous manuscript in the archives of the Moravian Church at Bethlehem Filadélfia: The Historical Society of Pennsylvania.
  • Campbell, Lyle. 1997. American Indian languages: The historical linguistics of Native America. Nova York: Oxford University Press. ISBN 0-19-509427-1.
  • Delaware Nation Council. 1992. Lunaapeew Dictionary. Basic Words. Part One. Moraviantown: Delaware Nation Council.
  • Feister, Lois M. 1973. "Linguistic communication between the Dutch and Indians in New Netherland." Ethnohistory 20: 25-38.
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  • Goddard, Ives. 2008. "Notes on Mahican." Karl Hele and Regna Darnell, eds., Papers of the 39th Algonquian Conference, pp. 246-315. London, ON: University of Western Ontario. ISSN 0831-5671
  • Kraft, Herbert. 1986. The Lenape: Archaeology, History, and Ethnography. Newark: New Jersey Historical Society.
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  • Pentland, David. 1992. "Mahican historical phonology." Carl Masthay, ed. Schmick's Mahican Dictionary, pp. 15–27. Filadélfia: American Philosophical Society.
  • Thomason, Sarah Grey. 1980. "On interpreting the 'Indian Interpreter'." Language in Society 9: 167-193
  • Zeisberger, David. 1887. Ebenezer N. Horsford, ed., Zeisberger's Indian Dictionary, English, German, Iroquois — the Onondaga, and Algonquin — the Delaware. Cambridge, MA: John Wilson.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]