Línguas germânicas ocidentais

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Germânica ocidental
Falado em:
Região:
Total de falantes:
Família: Indo-europeia
 Germânica
  Germânica ocidental
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---

As línguas germânicas ocidentais constituem o maior dos três ramos em que tradicionalmente se divide a família linguística germânica, juntamente com as línguas germânicas orientais e setentrionais, e inclui idiomas como o inglês, o holandês e o africâner, o alemão, o frísio e o iídiche.

História[editar | editar código-fonte]

Origens e características[editar | editar código-fonte]

As línguas germânicas são divididas tradicionalmente em três grupos, as línguas germânicas setentrionais, orientais e as ocidentais.[1] A relação exata entre elas é difícil de ser determinada a partir da evidência esparsa existente em inscrições rúnicas, e permaneceram mutualmente inteligíveis ao longo do período das migrações germânicas, de modo que certas variedades em particular são de difícil classificação. O grupo ocidental, que presumivelmente teria se formado como uma variedade do proto-germânico no fim da cultura Jastorf (por volta do século I a.C.), caracteriza-se por diversas inovações fonológicas e morfológicas que não são encontradas nas germânicas setentrionais e orientais, como:[2]

  • A perda do w após ng
  • Geminação das consoantes (exceto r) antes de /j/
  • Substituição da terminação da 2ª pessoa do singular -t por -i
  • O desenvolvimento de um gerúndio

Ainda assim, diversos estudiosos duvidam que as línguas germânicas ocidentais teriam descendido de um ancestral comum posterior ao proto-germânico, ou seja, que um suposto "proto-germânico ocidental" teria existido.[2] Em vez disso, propôs-se que após a separação do germânico oriental do grupo, as línguas germânicas restantes, as línguas germânicas do noroeste, teriam se dividido em quatro dialetos principais:[3] o germânico setentrional, e os três grupos convencionalmente chamados de "germânico ocidental":

  1. Germânico do Mar do Norte (ingevônico, ancestral do anglo-frísio e do baixo alemão)
  2. Germânico do Elba (irminônico, ancestral do alto alemão)
  3. Germânico do Weser-Reno (istveônico, ancestral do francônio e do holandês)

Evidências para esta classificação surgiram a partir de diversas inovações linguísticas encontradas tanto no germânico setentrional quanto no germânico ocidental,[2] incluindo:

A partir deste ponto de vista, as propriedades que as línguas germânicas ocidentais têm em comum, e que lhes separam das línguas germânicas setentrionais, não foram herdadas de uma "língua proto-germânica ocidental", mas sim espalhadas através do contato linguístico com as línguas germânicas faladas na Europa central e que não chegaram àquelas faladas na Escandinávia. Ainda assim, argumentou-se que, julgando-se pela sua sintaxe praticamente idêntica, as línguas germânicas ocidentais do período antigo eram próximas o suficiente para terem sido mutualmente inteligíveis.[4]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Durante a Idade Média, as línguas germânicas ocidentais foram separadas pelo desenvolvimento insular do inglês médio por um lado, e pela segunda mudança sonora germânica continental no outro.

A mudança consonantal do alto alemão diferenciou as línguas germânicas altas das outras línguas germânicas ocidentais. No início dos tempos modernos, a separação havia se ampliado para diferenças consideráveis, que iam do altíssimo alemânico, no sul (o dialeto Walliser sendo o dialeto alemão sobrevivente mais meridional) até o baixo saxão do norte, no norte. Embora ambos os extremos sejam considerados como alemão, não são mutualmente inteligíveis. As variedades mais meridionais completaram a segunda mudança sonora, enquanto os dialetos setentrionais permaneceram inalterados por esta mudança consonantal.

Das variedades alemãs modernas, o baixo alemão é aquele que mais lembra o inglês moderno. O distrito de Angeln (ou Anglia), do qual as palavras Inglaterra e inglês são derivadas, situa-se no extremo norte da Alemanha, entre a fronteira com a Dinamarca e a costa do mar Báltico. A área habitada pelos saxões (partes da atual Schleswig-Holstein e Baixa Saxônia) ficam ao sul da Ânglia. A tribo germânica dos anglo-saxões era na verdade uma combinação de diversos povos da Alemanha setentrional e da península da Jutlândia.

Família linguística[editar | editar código-fonte]

Línguas germânicas ocidentais.
  Neerlandês (baixo francônio, germânico ocidental)
  Baixo alemão (germânico ocidental)
  Alemão central (alto alemão, germânico ocidental)
  Alemão superior (alto alemão, germânico ocidental)
  Inglês (anglo-frísio, germânico ocidental)
  Frísio (anglo-frísio, germânico ocidental)
Línguas germânicas setentrionais
  Escandinavo oriental
  Escandinavo oriental
  Linha divisória entre as línguas germânicas setentrionais e ocidentais

Note que as divisões entre as subfamílias do germânico raramente são definidas com precisão; a maior parte forma um contínuo dialetal, com dialetos adjacentes sendo mutualmente inteligíveis, enquanto aqueles que estão geograficamente separados não o são.

Referências

  1. Hawkins, John A.. In: Bernard Comrie. The World's Major Languages. [S.l.]: Oxford University Press, 1987. 68–76 p. ISBN 0-19-520521-9
  2. a b c Robinson, Orrin W.. Old English and Its Closest Relatives. [S.l.]: Stanford University Press, 1992. ISBN 0-8047-2221-8
  3. Kuhn, Hans. (1955–56). "Zur Gliederung der germanischen Sprachen". Zeitschrift für deutsches Altertum und deutsche Literatur 66: 1–47.
  4. Graeme Davis (2006:154) comentou que "as línguas do grupo germânico do período antigo são muito mais próximas entre si do que se acreditava anteriormente. De fato, não seria inapropriado considerá-las como dialetos de um idioma. Sem dúvida estão muito mais próximos uns dos outros do que os diversos dialetos do chinês moderno, por exemplo. Uma analogia moderna razoável poderia ser o árabe, no qual uma considerável diversidade dialética existe, porém dentro do conceito de uma língua árabe única." In: Davis, Graeme. Comparative Syntax of Old English and Old Icelandic: Linguistic, Literary and Historical Implications. Berna: Peter Lang, 2006. ISBN 3-03910-270-2


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