Líquen

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"Lichenes" de Ernst Haeckel: Artforms of Nature, 1904

Os líquens são seres vivos muito simples que constituem uma simbiose de um organismo formado por um fungo (o micobionte) e uma alga ou cianobactéria (o fotobionte). Alguns taxonomistas[quem?] classificam os líquens na sua própria divisão (Mycophycophyta), mas isto ignora o fato de que os componentes pertencem a linhagens separadas.Por outro lado o fungo é o componente dominante do talo do líquen e são usualmente classificados como fungos. Podem ser encontrados nos mais diversos habitats, de geleiras, rochas, árvores, folhas, desertos e são excelentes colonizadores primários. São geralmente estudados pelos botânicos, apesar de não serem verdadeiras plantas. Vale destacar que segundo o Código Internacional de Nomenclatura Botânica o termo Líquens ou Líquenes está em desuso, sendo mais adequado o termo Fungos Liquenizados.

A verdadeira natureza desta simbiose é ainda tema de debate pelos cientistas, em que alguns casos afirmam que o fungo é um parasita do fotobionte porque através de seus haustórios que penetram a célula da alga controlam seu ciclo reprodutivo; no entanto, em muitos casos, a alga sozinha não sobrevive no habitat ocupado, assim como o fungo isolado também não sobrevive e, portanto alguns defendem uma relação mutualística.

O micobionte dos líquens pertence, na sua maioria, ao filo Ascomycota (98%), sendo os restantes parte de Basidiomycota(2%). Cada espécie de líquen tem uma espécie diferente de fungo e é com base nessa espécie que os líquens são classificados. A classificação baseia-se, em geral nas características do talo e órgãos reprodutivos. Estão descritas de 15.000 a 20.000 espécies de líquens, de acordo com diferentes sistemas de classificação. Cerca de 20% das espécies de fungos conhecidas pertencem a líquenes.

Os fotobiontes são muito menos numerosos que os micobiontes e uma mesma espécie de alga pode fazer parte de vários líquens diferentes. Muitas espécies de algas, se não todas, podem existir isoladamente em alguns habitats, mas quando fazem parte de um líquen, apresentam uma distribuição muito maior. Liquens

Os liquens são associações simbióticas de mutualismo entre fungos e algas. Os fungos que formam liquens são, em sua grande maioria, ascomicetos (98%), sendo o restante, basidiomicetos. As algas envolvidas nesta associação são as clorofíceas e cianobactérias. Os fungos desta associação recebem o nome de micobionte e a alga, fotobionte, pois é o organismo fotossintetizante da associação.

A natureza dupla do liquen é facilmente demonstrada através do cultivo separado de seus componentes. Na associação, os fungos tomam formas diferentes daquelas que tinha quando isolados, grande parte do corpo do liquen é formado pelo fungo.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Líquen" provém do termo grego leichén, através do termo latino lichen e provem das antigas embarcações xilenas da grecia antiga onde foi preparado a seita do rio Jordão [1] .

Relação Simbiótica[editar | editar código-fonte]

Líquenes em um galho de árvore

O micobionte se beneficia da simbiose através dos açúcares ou polióis, carboidratos, que são o seu alimento, produzidos pelas algas, através da fotossíntese. A alga ganha proteção, uma vez que o fungo, normalmente, forma a superfície externa e mantém o interior do talo úmido, resultando num ambiente mais estável para a alga, que pode, então, desenvolver-se mais. O fungo consegue o açúcar através de hifas especiais, chamadas apressórios ou haustórios, que entram em contato com a parede celular das células da alga. Aparentemente, o fungo pode produzir uma substância que aumenta a permeabilidade da parede da alga e que permite-lhe adquirir, por difusão, até 80% do açúcar que a alga produz. Em relação às cianobactérias, o micobionte adquire nitrogênio.

Em diversas situações, se instalam em locais inóspitos e com poucos recursos nutritivos, como, por exemplo, em rochas. Como resultado de seu metabolismo, liberam substâncias corrosivas no ambiente (geralmente ácidos orgânicos), resultando na intemperização das rochas e iniciando a formação de um solo (pedogênese).

Classificação dos Líquens[editar | editar código-fonte]

Os líquens são divididos de acordo com algumas características, entre elas, a forma como se aderem ao substrato, o talo e os órgãos reprodutivos.Se dividem em:

Líquen Crostoso

A estrutura laminar e dorsiventral é desprovida de córtex inferior, se aderindo ao substrato por toda a medúla. São difíceis de serem arrancados com a mão por estarem muito grudados ao substrato.

Líquen Crostoso Esquamuloso

Na forma como se aderem, apresentam pequenas escamas em sua estrutura laminar. Grande adesão ao substrato.

Líquen folioso

Neste tipo de líquen, lembram estruturas veludadas, finas ou espessas. Grande adesão ao substrato.

Líquen folioso

A estrutura laminar é dorsiventral e não se prende ao substrato por toda a superfície. É comum possuirem projeções especializadas no córtex inferior. Sua estrutura laminar lembram pequenas folhas.

Líquen fruticuloso

São ramificados, cilíndricos ou achatados. Sua estrutura laminar lembra arbustos crescendo ereto.

Líquen gelatinoso

Neste tipo de líquen, apresenta uma estrutura pastosa, lembrando folhas umidecidas.

Líquen dimórfico

Em seu estágio inicial apresentam uma forma (em geral esquamulosa) e depois passam a crescer em outra forma (normalmente fruticulosa ou foliácea), apresentando duas formas na fase adulta.

Onde são encontrados[editar | editar código-fonte]

Podem ser encontrados nos mais diversos ambientes incluindo altas temperaturas. Do nível do mar até 7000 metros no Everest. Por possuírem uma grande capacidade de dessecação podem resistir em ambientes inóspitos. Para que o líquen se estabeleça, é necessário ar limpo, pois são sensíveis a radiação e dióxido de enxofre, servindo como bioindicadores. Em dados locais, seu crescimento só acontece na parte das arvores ou pedras que tem seu posicionamento ao nascente do sol, sendo por isso indicadores cardinais, leste-oeste. Só aparecendo em lugares sem poluição.

Tipos de Habitat: Rochas nuas, superfície de terrenos e árvores, sobre folhas, sobre o solo.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Del Moro,M.A. (1998). Plantas e lìquens. Edição Asa, p. 90-91 ;Motta,L. e Viana, M.A (2007). Bioterra. Porto editora, p. 42

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 038

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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