Lívio Xavier

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Lívio Xavier
Lívio Barreto Xavier
Nascimento 25 de abril de 1900
Granja (Ceará), CE
Morte 25 de abril de 1988 (88 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação Tradutor, jornalista,
Religião Ateu

Lívio Barreto Xavier (Granja, Ceará, 25 de abril de 1900São Paulo, 1988) foi um jornalista e tradutor brasileiro, amigo de Aristides Lobo, Fúlvio Abramo, Benjamin Péret e Mário Pedrosa. Fundou a Liga Comunista Internacionalista ligada à Oposição de Esquerda Internacional, dirigida por Leon Trótski.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância em Granja[editar | editar código-fonte]

Lívio Barreto Xavier nasceu em 25 abril de 1900, em Granja, cidade da zona norte cearense (fora um aldeamento jesuíta em meados do século XVII chamado “Macaboqueira”). No começo do século XX, Granja já se eraum centro importante para onde convergia todo comércio da região. Filho de dona Elisa Barreto Xavier e do “coronel” Ignácio Xavier.
Foi no escritório dos armazéns da Ignácio Xavier e Companhia, vizinho à casa da família, que Lívio aprendeu os primeiros conhecimentos de escrita e leitura, aos quatro anos, e sem que ninguém lhe ensinasse.
Influenciado por sua mãe, devoradora de livros, e pela tradição que, dizia-se, permeava a cidade natal dada a característica de ter sido o berço do primeiro Lívio (Barreto), ele não fugiu à regra. A fome de leitura, o fato de ser visivelmente muito inteligente e ter a cabeça avantajada, o levava a ser conhecido como o “pequeno Rui”. Muito cedo lia autores como Eça de Queiroz, Alexandre Herculano, Julio Diniz, Camilo Castelo Branco, entre os portugueses e, entre autores brasileiros, José de Alencar, Manoel Maria de Macedo, Olavo Bilac, Coelho Neto, João do Rio, Júlia Lopes de Almeida, Rocha Pombo, enfim, tudo o que lhe caia nas mãos. Foi poeta bissexto, estando alguns de seus poemas publicados no livro “Poesias”

Lívio Xavier foi um grande tradutor, colocou obras-primas do pensamento universal ao alcance dos brasileiros. Tinha escrita fluente, elegante e mordaz. Deixou sua marca entre a intelectualidade brasileira.

Escritos[editar | editar código-fonte]

Seu texto Esboço de uma Análise da Situação Econômica e Social do Brasil(1930), em parceria com Mário Pedrosa, é tido como "a primeira análise marxista, séria e consistente, sobre o país onde, diferentemente do PCB, já apontavam especificidades escravistas e latifundiárias no “feudalismo” brasileiro, entendiam que a burguesia brasileira estava cedo submetida ao capitalismo internacional e identificavam tendências antiliberais e estatistas em nossas classes dominantes. Morais, J. 1998, 236-238.[1]

Foi tambem autor de "Tempestade sobre a Ásia: A Luta pela Manchúria" (com o pseudônimo de L. Mantsô). Seu acervo se encontra no CEDEM, Centro de Documentação e Memória da Unesp.

Livros de Lívio Xavier[editar | editar código-fonte]

  • Infância na Granja - Massao Ono, 1974
  • O Elmo de Mambrino - Rio de Janeiro. Ed Jose Olímpio, 1975 (Prêmio Jabuti 1976, na categoria "Estudos Literários")
  • Dez Poemas de Lívio Xavier ilustrados por Noêmia Mourão - Cultura Brasileira/Massao Ohno, 1978
  • Correspondência com Mário Pedrosa, apêndice in José Castilho Marques Neto, Solidão Revolucionária, Mário Pedrosa e as origens do trotskismo no Brasil, Paz e Terra, 350 páginas, 1993

Traduções[editar | editar código-fonte]

por data de publicação
  • Hegel, Enciclopédia das ciências filosóficas (3 vol.) - A primeira tradução de uma obra integral de Hegel no Brasil; Atena, 1936
  • Ética de Baruch de Spinoza - Atena, 1937. Reedição Ediouro.
  • O Príncipe de Nicolau Maquiavel - Editôra Atena, 1940. Reedições Prestígio, Ediouro, Abril Cultural, Braille
  • Maquiavel, Carta a Vettori (em apêndice a O príncipe), Atena, c. 1940. Reedições Ediouro, Abril, Prestígio, Braille
  • Edgar Allan Poe, O poço e o pêndulo, in Contos Norte-Americanos, Biblioteca Universal Popular, 1963 (Leitura, 1945), pp. P. 31-48.
  • Gandhi, Memórias de Gandhi, José Olympio, 1945
  • Rosa Luxemburgo, Reforma ou revolução, Flama, 1946 (também foi publicado com o título Reforma, revisionismo e oportunismo)
  • Roger Gal, História da educação, DIFEL, 1958
  • Benjamin Farrington, A ciência grega, e o que significa para nós (com João Cunha de Andrade), IBRASA, 1961
  • René Wellek, História da crítica moderna (5 vol.), Herder, 1967
  • Trotsky, Minha vida, José Olympio, s/d; Paz e Terra, 1969, e outras reedições
  • Trotsky, Terrorismo e comunismo, Saga, 1969
  • Maquiavel, Escritos políticos, Atena, s/d (vol. XXXI), BUP, Abril Cultural

Livros sobre[editar | editar código-fonte]

  • Alexandre Barbalho. Lívio Xavier - Política e Cultura. Ceará: A Casa, 2003.

Referências

  1. João Quartim de Morais(org.), História do Marxismo no Brasil Vol. II Os Influxos Teóricos, Campinas, Ed. da UNICAMP,1998, pp. 236-238.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]


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