Lúcio Afrânio

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Lúcio Afrânio
Nascimento
Piceno
Morte 46 a.C.
Nacionalidade romano
Ocupação legado

Lúcio Afrânio (em latim: Lucius Afranius A.f.;[1] morto em 46 a.C.) foi um legado romano e cliente de Pompeu, o Grande. Serviu com Pompeu durante suas campanhas na península Ibérica contra Sertório, no final da década de 70 a.C., e permaneceu a seu serviço através da Guerra Civil. Foi cônsul romano em 60 a.C., junto de Quinto Cecílio Metelo Céler.[1] Morreu após a batalha de Tapso, em 46 a.C..

Início de carreira[editar | editar código-fonte]

Lúcio Afrânio nasceu em uma família humilde de Piceno. Como picentino, foi protegido durante sua carreira por Pompeu, que era um membro da família mais ilustre de Piceno.

Guerra sertoriana[editar | editar código-fonte]

Situação da Hispânia romana nos tempos de Sertório.

Afrânio esteve presente durante as campanhas de Pompeu contra Mário, partidário de Quinto Sertório. Desempenhou papel fundamental na batalha do Sucro, em 75 a.C. Sertório atacou a ala esquerda das forças de Pompeu, que estava sob o comando de Afrânio. Afrânio procurou contê-lo até que a atenção de Sertório foi desviada pelo ataque de Pompeu à sua própria ala esquerda. Quando Sertório moveu as suas forças para contra-atacar, Afrânio liderou um ataque contra a ala direita sertoriana. Este ataque colocou em fuga o inimigo e Afrânio perseguiu-os até seus acampamentos. Os soldados de Afrânio causaram um grande número de vítimas, saquearam o acampamento inimigo e levaram seus suprimentos. Entretanto, Pompeu fugiu após ser superado por Sertório, e as forças dispersas de Afrânio foram atacadas pelos sertorianos vitoriosos. Foi apenas com a chegada oportuna de Quinto Cecílio Metelo Pio, que a maré virou em favor de Pompeu.

Mitrídates[editar | editar código-fonte]

Apesar do tamanho sem precedentes do corpo de legados de Pompeu, ele recebeu o direito de nomear apenas 24 destes ajudantes seniores, para combater os piratas do Mediterrâneo. Afrânio não estava entre eles, uma vez que seu patrono escolheu, para cultivar sua boa relação com a aristocracia romana, nomear somente os homens de famílias ilustres. Após o sucesso desta campanha, foi dado a Pompeu o comando das legiões romanas no Oriente, e desta vez Afrânio foi nomeado seu legado para esta nova campanha. Depois dos sucessos iniciais contra Mitrídates VI do Reino do Ponto e Tigranes, o Grande do Reino da Armênia, Pompeu começou a perseguir o inimigo derrotado em direção ao norte.

Enquanto estava no norte, Pompeu deixou Afrânio encarregado da Armênia. Procurando tirar proveito de um vizinho derrotado, Fraates III da Pártia, invadiu a Armênia pela região da Corduena e começou a pilhagem. Segundo o historiador Dião Cássio (XXXVII, 5), Afrânio retomou o distrito sem nenhum conflito com as forças de Fraates. Contudo, Plutarco (Pompeu 36) afirma que Afrânio marchou contra os partos, expulsando-os da Armênia, e os perseguiu até o distrito de Arbela (atual Irbil, Iraque) dentro das fronteiras do Império Parta.[2]

Após sua segunda vitória sobre Mitrídates, Pompeu percebeu que era inútil persegui-lo e, posicionou suas forças para defender o Reino do Ponto do retorno de Mitrídates. Foi dado então a Afrânio o comando contra os árabes das montanhas Nur, e sua vitória contra eles abriu caminho para o avanço de Pompeu na Síria.

Regresso a Roma e consulado[editar | editar código-fonte]

Após sua campanha vitoriosa no Oriente, Pompeu retornou a Roma, e Afrânio o seguiu. Desejando ter seu fiel legado eleito cônsul, Pompeu começou a subornar prodigamente os eleitores. Apesar do público saber e reprovar sua atitude, Afrânio foi eleito cônsul em 60 a.C., sendo seu colega, Quinto Cecílio Metelo Céler. Durante este ano, suas ações mostraram uma falta de compreensão e habilidade na gestão dos assuntos públicos exigidos para o cargo.

Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Legado na Hispânia[editar | editar código-fonte]

Quando foi concedida a Pompeu a administração da Hispânia (a península Ibérica, compreendendo a atual Espanha e Portugal) como uma província proconsular, Afrânio, juntamente com Marco Petreio e Marco Terêncio Varrão, governaram em seu lugar, Pompeu permaneceu em Roma, para gerir os negócios lá.

Quando Júlio César marchou sobre Roma com a Legio XIII Gemina, ordenou que seu legado Caio Fábio marchasse em direção à Ibéria e garantisse a travessia dos Pireneus. Foi dado a Fábio o comando de três legiões.

Afrânio, com suas três legiões, estava na posse das passagens. Afrânio ordenou a Petreio, no comando de duas legiões na Lusitânia, que marchasse para os Pireneus, a fim de juntar-se às suas forças. Varrão permaneceu na península Ibérica com suas duas legiões.

Fábio avançou em direção ao rio Segre, onde as forças de Afrânio, agora somadas às legiões de Petreio, estavam acampadas. Quando duas das legiões de Fábio marcharam para cruzar o Segre, a ponte cedeu, interrompendo o avanço da pequena força. Afrânio marchou para atacar essa força reduzida, mas Lúcio Planco, comandante cesariano, posicionou suas legiões em uma elevação com boa defesa. Apesar do tamanho da força de Afrânio, Planco conteve o ataque. A aproximação de reforços cesarianos comandados por Fábio encerrou o confronto.

Lérida[editar | editar código-fonte]

O próprio Júlio César chegou para assumir o comando da força de Caio Fábio . Deixou seis coortes para a proteção da ponte e marchou com o resto de suas forças para Lérida. Afrânio o seguiu. As duas forças acamparam, mas Afrânio não aceitou o desafio de César para a batalha. César acampou suas forças a menos seiscentos metros do acampamento de Afrânio, que foi construído sobre uma colina.

Durante seu tempo na península Ibérica, Afrânio treinou suas legiões como movimentar-se ao perder a ordem. Procedimento semelhante ao usado com grande sucesso pelos celtiberos e lusitanos. César menciona a eficácia desta formação em seus Commentarii de Bello Civili (I. XLIV).

César tentou construir um muro separando o acampamento de Afrânio da cidade de Lérida. Afrânio, vendo isso, enviou seu exército para posicionar-se sobre uma pequena colina perto da área de construção. Os homens de César atacaram, porém, as táticas de Afrânio quase os levaram à derrota, com Afrânio sendo forçado a recuar somente quando César liderou pessoalmente a Legio IX, em um ataque. Os soldados de Afrânio recuaram para o interior da cidade. Seguiu-se então uma sequência de ataques e contra-ataques que durou várias horas, sem que nenhum lado ganhasse vantagem. A batalha terminou com perdas praticamente iguais, com Afrânio e César contando a batalha como uma vitória. Os exércitos retornaram aos seus respectivos acampamentos.

Empate e derrota[editar | editar código-fonte]

Afrânio ordenou a fortificação da pequena colina onde a batalha foi disputada. Nos próximos dias o rio transbordou, destruindo as pontes e deixando Júlio César isolado, sem comida, na margem oposta do rio em que se encontrava Afrânio, que tinha um grande estoque de comida e suprimentos. Afrânio descobriu que um grande comboio de suprimentos se aproxima de César vindo da Gália. Partiu então para o ataque para capturá-lo. Embora não tivesse êxito, forçou a comitiva a se retirar. Afrânio e Petreio enviaram mensageiros a Roma anunciando a vitória, e diziam que a guerra estava praticamente terminada.

Apesar disso, César mandou construir barcos e transportou a uma parte de sua cavalaria para a margem do rio em que estava Afrânio. A cavalaria começou a assediar as linhas de suprimento de Afrânio, chegando mesmo a destruir uma unidade republicana de reforços. César construiu uma ponte e começou a assediar as forças de Afrânio com todo o seu exército. Ao mesmo tempo, vários governantes ibéricos comprometeram-se a apoiar a causa de César.

Nas semanas seguintes, Afrânio tentou, sem sucesso, lidar com o assédio cesariano. Vários cercos foram iniciados pelas tropas cesarianas e republicanas. Durante este tempo, os adversários estiveram tão próximos que podiam falar entre si. As tropas republicanas foram convencidas a se render, com o próprio filho de Afrânio tentando negociar a rendição. Logo após isso, várias tropas cesarianas foram encontradas vagueando pelo acampamento republicano. Afrânio e Marco Petreio ordenaram sua execução. Ao mesmo tempo, várias tropas republicanas foram vistas vagando pelo acampamento de César. César mandou tratar esses homens com respeito e enviou-os de volta para Afrânio.

Quando os homens de Afrânio viram a clemência de César, eles se decidiram. As forças de César intensificaram o assédio às tropas de Afrânio, e logo os níveis de alimentos baixaram. Afrânio, percebendo a situação, se rendeu a César. De acordo com os comentários de César, estas são suas palavras:

Que nem ele [Afrânio] nem seu exército eram condenáveis por terem querido manter-se fiéis a seu general Cneu Pompeu; mas já haviam cumprido com seu dever, e tinham sofrido punição suficiente com a falta de tudo, principalmente agora que se parecem com animais selvagens encurralados, privados de água, sem espaço para a saída, o corpo não pode suportar a dor, nem a desgraça mental, assim, confessam-se vencidos; e se há espaço para a misericórdia, rogam e suplicam que não os obriguem a sofrer a pena máxima da execução.[3]

César perdoou a todos, inclusive Afrânio - na condição de que eles não se juntassem mais aos republicanos.

O caminho para Tapso[editar | editar código-fonte]

Desgraça e retorno[editar | editar código-fonte]

No acampamento republicano, Átio Rufo acusou Afrânio de ter traído seu exército. Apesar disso, Afrânio, juntamente com Marco Petreio, quebram a palavra dada a Júlio César, e embarcam, com todas as tropas leais que puderam reunir, para a região de Épiro, a fim de juntarem-se às tropas de Pompeu. Suas coortes hispânicas eram muito apreciadas pelos republicanos, e foi recebido de volta ao redil republicano. Afrânio não ganhou nenhum comando efetivo em Dyrrachium (atual Durrës) ou Farsália. Após a derrota republicana na Batalha de Farsalos, Afrânio, como a maioria dos republicanos, fugiu para a África Proconsular.

Tapso[editar | editar código-fonte]

Formação dos cesarianos e republicanos em Tapso.

Depois que Júlio César desembarcou na África Proconsular, suas forças foram perseguidas por tropas ligeiras de númidas comandados por Afrânio e seu companheiro picentino, Tito Labieno. Ao ver a traição de Afrânio, César ordenou sua execução imediata. Afrânio então lutou sob o comando de Cipião Metelo na batalha de Tapso. Depois da derrota, Afrânio e Fausto Cornélio Sula, filho de Sula, o ditador, tentaram fugir para a Hispânia, para continuar resistindo a César. Eles foram capturados, juntamente com suas famílias, por tropas cesarianas. Depois de mantê-los presos por vários dias, os guardas se revoltaram e mataram todos os prisioneiros republicanos de renome, incluindo Afrânio.

Referências

  1. a b Fasti Capitolini [em linha]
  2. Bivar (1983), p. 47; ver nota de rodapé nº 1.
  3. César Comentários da Guerra Civil; L. I.; LXXXIV.
Fontes primárias

Wikisource  "Afranius, Lucius (Roman general)". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Ed. Chisholm, Hugh. Cambridge University Press. 

  • Appian, Bellum Civilis II
  • César - Bellum Civilis i - XXXVII-LXXXVII
  • Cícero - ad Att. i. XVI. XX
  • Dio Cassius XXXVII
  • Hirtius Bello Afric. - XCV
  • Plutarco - Pompeu; Sertório
Fontes secundárias
  • Seager, Robin (2002). Pompey the Great (2nd ed.). Malden, MA: Blackwell Publishing. ISBN 0-631-22721-0.
  • Bivar, A.D.H. (1983). "The Political History of Iran Under the Arsacids," em The Cambridge History of Iran (Vol 3:1), 21-99. Editado por Ehsan Yarshater. Londres, New York, New Rochelle, Melbourne, e Sydney: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20092-X.


Precedido por
Marco Valério Messala Níger e Marco Púpio Pisão Frugi Calpurniano
Cônsul da República Romana junto com Quinto Cecílio Metelo Céler
60 a.C.
Sucedido por
Caio Júlio César e Marco Calpurnio Bíbulo