Lúcio Cardoso
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Joaquim Lúcio Cardoso Filho (Curvelo, 14 de agosto de 1912[1] — Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1968) foi um escritor, dramaturgo, jornalista e poeta brasileiro.
[editar] Biografia
Cardoso pertencia a uma família tradicional de Minas Gerais, a qual gerou vários políticos, entre os quais o irmão Adauto Lúcio Cardoso, que foi senador da República pela União Democrática Nacional, partido de centro-direita e conservador, e mais tarde ministro do Supremo Tribunal Federal. Sua irmã, Maria Helena Cardoso, veio, após a morte do irmão, a lançar-se como escritora publicando dois livros de memórias da família, Por onde andou meu coração e Vida Vida.
Junto com seu amigo pessoal, o romancista Otávio de Faria, o também romancista Cornélio Pena e o poeta Vinicius de Moraes, Lúcio Cardoso foi um dos expoentes da literatura brasileira na década de 1930. Ele integrou-se à dita literatura psicológica, embora tenha começado sua carreira literária com dois romances de cunho sociológico e realista: Maleita (1934) e Salgueiro (1935). Sua literatura, a partir da década de 40, coloca em questão valores fundamentais como o bem e o mal e deus e o diabo, como se pode ver nos romances Mãos Vazias, Inácio e nas novelas O Enfeitiçado e Baltazar, dentre outras do período. Sua obra inaugura na literatura brasileira um mergulho no cerne do indivíduo moderno, tornando-a por vezes psicológica e subjetiva, onde os dramas, as dúvidas e os questionamentos pessoais sobrepujam a realidade.
Católico confesso, deixou em seu Diário (1961), escrito entre os anos de 1949 a 1962, um relato bastante contundente sobre sua homossexualidade, e as dúvidas e culpas geradas pela sua orientação sexual. Lúcio Cardoso integra-se-ia numa vertente mais geral da literatura brasileira, caracterizada pelo subjetivismo, que daria a literatura de, entre outros, Clarice Lispector – a qual manteria uma ligação amorosa platônica com Lúcio Cardoso nos anos 60.[2]
Sua obra-prima Crônica da Casa Assassinada (1958) é um dos livros mais cultuados na literatura brasileira, tendo sido traduzido para o francês, inglês e italiano.
Com Paulo César Saraceni realizou o primeiro longa-metragem do cinema novo, Porto das Caixas, do qual foi o roteirista.
Em 1962 teve um derrame cerebral e deixou de escrever, passando a se dedicar à pintura e chegando a realizar duas exposições.
Morreu aos 56 anos. Seu talento foi reconhecido postumamente pela Academia Mineira de Letras, que lhe conferiu, em 1996, o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra.
[editar] Obra
- 1934 - Maleita
- 1935 - Salgueiro
- 1936 - A Luz no Subsolo
- 1938 - Mãos Vazias
- 1940 - O Desconhecido
- 1941 - Poesias
- 1943 - Dias Perdidos
- 1944 - Inácio
- 1944 - Novas Poesias
- 1946 - O Anfiteatro
- 1954 - O Enfeitiçado
- 1959 - Crônica da Casa Assassinada
- 1961 - Diário Completo
- 1970 - O Viajante (póstumo, editado e prefaciado por Octavio de Faria)
- 2005 - Baltazar (inédito - fragmentos)
Referências
- ↑ Enaura Quixabeira Rosa e Silva. Lúcio Cardoso: paixão e morte na literatura brasileira. Maceió: Edufal, 2004. p. 23 p. ISBN 9788571772007
- ↑ Clarice Lispector - Infelicidade Inspiradora Revista BRAVO! Novembro de 2009.