Lúcio Escribônio Libão (cunhado de Augusto)

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Lúcio Escribônio Libão
Nacionalidade
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República Romana
Ocupação Almirante e oficial
Principais trabalhos
Religião Politeísmo romano

Lúcio Escribônio Libão (em latim: Lucius Scribonius Libo) foi um político e comandante militar romano que foi cônsul em 34 a.C. e cunhado de Pompeu, o Grande e Augusto (r. 27 a.C.14 d.C.). Membro duma família plebeia, anos após casar sua filha Escribônia com Sexto Pompeu, filho de Pompeu, o Grande, seguiu carreira como um dos apoiantes de Pompeu, alcançado os postos de pretor e legado. Durante a guerra civil de César, tornou-se comandante da Etrúria e então dos recrutas da Campânia. Depois, tornou-se um dos comandantes da frota de Pompeu e esteve ativo nas negociações ocorridas nos anos seguintes.

Em 48 a.C. bloqueou por algum tempo César na recém-conquistada Órico e depois partiu para Brundísio, onde confrontou-se e foi derrotado numa emboscada por Marco Antônio. Anos depois, em 36 a.C., Libão aliou-se com seu genro Sexto Pompeu na guerra contra Otaviano, porém, quando notou que Sexto seria derrotado, abandonou-o em prol de Marco Antônio. Foi recompensado com o consulado de 34 a.C..

Biografia[editar | editar código-fonte]

Começo da carreira e guerra civil[editar | editar código-fonte]

Busto de Júlio César

Um membro da família plebeia Escribônia, Libão era intimamente relacionado com a família de Cneu Pompeu Magno através de sua avó Pompeia Magna. Os laços foram fortalecidos em 55 a.C., depois que o filho de Pompeu, Sexto Pompeu, casou-se com a filha de Libão, Escribônia.[1] Assume-se que ele alcançou o ofício de pretor por 50 a.C..[2] Em 49 a.C., tornou-se um dos legados de Pompeu, e com a eclosão da guerra civil, Pompeu deixou-o no comando da Etrúria.[3] Após ser movido da Etrúria por Marco Antônio, ele assumiu o comando dos novos recrutas na Campânia de Ampio Balbo.[4] Ele então acompanhou Pompeu durante seu retirada para Brundísio, e lá atuou como intermediário de Pompeu com Caio Canínio Rébilo, um íntimo amigo pessoal, a quem tinha sido dado por Júlio César o objetivo de negociar com Pompeu.[5] Rébilo aconselhou Libão que se ele convencesse Pompeu a alcançar um acordo com César, o último lhe daria crédito em parar a guerra civil antes que começasse. Embora Libão reportou as propostas de César, Pompeu contou-lhe que não poderia concordar com nada sem os cônsules estarem presentes.[6]

Após Pompeu cruzar para a Macedônia, Libão foi colocado no comando de parte da frota de Pompeu junto com Marco Otávio com instruções de evitar, se possível, que as forças de César cruzassem em direção aos Bálcãs.[7] Ao longo da costa dálmata, eles derrotaram uma frota sob o comando de Públio Cornélio Dolabela, e seguiram derrotando Caio Antônio que tentou ajudar Dolabela, e que foi forçado a fugir para Córcira Negra. Com poucos suprimentos, logo rendeu-se para Libão que levou-o com suas tropas para Pompeu.[4] [8] Pela época que César desembarcou no Épiro e tomou Órico (Oricum), Pompeu enviou Libão para juntar-se com Marco Calpúrnio Bíbulo, que estava no comando da frota de Pompeu e estava bloqueando César em Órico, mas que estava doente e incapaz de obter novos suprimentos.[9] [10] De modo a quebrar o impasse, Bíbulo e Libão velejaram em direção a Órico e requiriram uma trégua de modo a negociar com César. César concordou e Libão tentou convencê-lo de que eles estava agindo sob ordens de Pompeu.[11] Quando César foi incapaz de fazer Libão concordar em dar salvo-conduto a seus enviados, César concluiu que as negociações eram uma fraude projetada para permitir Bíbulo reabastecer seus navios, o que levou César a recusar-se a estender a trégua, concluindo as negociações.[12]

Com a morte de Bíbulo no começo de 48 a.C., foi dado a Libão o comando da frota pompeana, que compreendia cerca de 50 galés.[10] [13] Ele continuou bloqueando Órico, mas chegou a conclusão que se fechasse Brundísio pelo mar, César não poderia receber reforços adicionais, e ele poderia reimplantar a frota em qualquer lugar. Deslocando-se para Brundísio, ele capturou o comandante local, Marco Antônio, despreparado. Libão incendiou alguns armazéns para navios, capturou um cheio de grãos e desembarcou tropas na ilha que comandou a entrada para o porto, expelindo um esquadrão das tropas de Antônio no processo. Confiante do sucesso, enviou uma carta para Pompeu, informando-lhe que havia assegurado o porto e que o resto da frota deveria ser reparada e parada.[14] Antônio, no meio tempo, conseguiu iludir Libão numa perseguição a alguns navios isca, o que fez o esquadrão de Libão ser emboscado e atacado. Boa parte da frota de Libão consegui escapar, mas as tropas desembarcaram na ilha foram emboscadas e capturadas.[10] [15]

Carreira final e cônsul[editar | editar código-fonte]

Com a derrota e morte de Pompeu em 48 a.C., Libão aliou-se com Sexto Pompeu, que foi seu genro de Libão.[16] Em 40 a.C., ano do consulado de Cneu Domício Calvino (pela segunda vez) e Caio Asínio Polião,[17] Sexto enviou-o como um emissário não-oficial para Marco Antônio na Grécia, procurando uma aliança contra Otaviano, que havia derrotado os partidários de Antônio na Guerra de Perúsia. Ele foi instrumental na formação de uma aliança entre os dois.[18] [19] Otaviano, diante da possibilidade de entrar em conflito com Marco Antônio e Sexto Pompeu, que estavam em comunicação,[20] optou por tentar a amizade com Sexto Pompeu, ou porque este era mais forte, ou porque era mais confiável. Dentre as medidas tomadas estavam o envio de sua mãe, Múcia Tércia, para Sexto Pompeu e seu casamento com a irmão de Libão, Escribônia.[21]

No subsequente Pacto de Miseno, Libão atuou como um importante negociador; em resposta ao apoio, Sexto conseguiu extrair de Otaviano a promessa de um futuro consulado para Libão.[22] Após Otaviano renovar a guerra com Sexto Pompeu em 36 a.C., Libão inicialmente apoiou-o. Já por 35 a.C., Libão sentiu que a causa de seu genro estava perdida. Ele abandonou Sexto e juntou-se com Marco Antônio.[23] Como uma recompensa, Antônio assegurou sua eleição ao consulado em 34 a.C. ao seu lado.[24] [25] Ele deixou o ofício em 1 de julho de 34 a.C. e foi substituído por Caio Mêmio.[26] Por 31 a.C., foi nomeado como um dos epulões septênviros, e em 29 a.C., foi elevado ao estatuto patrício.[27]

Referências

  1. Syme 1939, p. 228
  2. Broughton 1952, p. 247
  3. Anthon 1860, p. 247
  4. a b Broughton 1952, p. 268
  5. Broughton 1952, p. 266
  6. Holmes 1923, p. 31
  7. Broughton 1952, p. 267
  8. Holmes 1923, p. 110
  9. Holmes 1923, p. 124
  10. a b c Broughton 1952, p. 281
  11. Holmes 1923, p. 124-125
  12. Holmes 1923, p. 125
  13. Holmes 1923, p. 127
  14. Holmes 1923, p. 127-128
  15. Holmes 1923, p. 128
  16. Syme 1939, p. 45
  17. Dião Cássio século III, p. LXVIII.15.1
  18. Syme 1939, p. 215-216
  19. Broughton 1952, p. 383
  20. Dião Cássio século III, p. LXVIII.16.2
  21. Syme 1939, p. 215-213
  22. Syme 1939, p. 221
  23. Anthon 1860, p. 439
  24. Dião Cássio século III, p. LXIX.38.2
  25. Syme 1939, p. 232
  26. Broughton 1952, p. 409
  27. Broughton 1952, p. 427

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anthon, Charles; Smith, William. A New Classical Dictionary of Greek and Roman Biography, Mythology and Geography. [S.l.: s.n.], 1860.
  • Broughton, T. Robert S.. The Magistrates of the Roman Republic. Atlanta: Scholar Press, 1952. vol. II.
  • Holmes, T. Rice. The Roman Republic and the Founder of the Empire. [S.l.: s.n.], 1923. vol. III.
  • Syme, Ronald. The Roman Revolution. Oxford: Oxford University Press, 1939. ISBN 0-19-280320-4.